6. Diskusjon
6.2. Diskusjon av svarene på hovedproblemstillingene
6.2.2. Diskusjon av svaret på hovedproblemstilling 2
Diz o discurso: “A melhor análise é aquela que será feita por cada um, cada uma, dos leitores destas discussões” (TEXTUAL, 2002, p. 26). Desafiam cada professor a parar por um momento e refletir sobre sua situação concreta. Nossos interlocutores estão convencidos de que grande parte irá descobrir alguma identificação com alguma situação indicada no texto.
A pressão, exercida sobre o educador para mostrar serviço, é o primeiro ponto desta pauta. Na contramão, da qualidade, os verdadeiros resultados serão os que podem ser quantificados – a extensão predomina sobre a profundidade; o pensar e refletir são substituídos pelo fazer e pelo dado rápido, visível, quantificável. Somos cooptados por essa lógica – não dá tempo para refletir, não há espaço para o amadurecimento, para a criação e para poder testar diversas alternativas. Somos, então, executores, fazedores enfileirados numa linha de (produção) (expressão nossa) e montagem, denunciam.
O segundo ponto considera “às exigências do mercado e dos clientes” (TEXTUAL, 2002, p. 26). O parâmetro não é mais do educador; do pedagogo que poderia e até deveria repensar todo dia suas práticas; o parâmetro é determinado pelos apelos do mercado. Ele (representando aqui o capital, sujeito absoluto155 dos dias atuais) impõe suas leis, balizado por seus valores: o lucro, a rapidez, e uma espécie de neurose comprometida com as diferentes e contínuas atrações que renovam o estoque com o fim de novos lucros – Capital X Capital, esta é a lógica (expressões e grifo nosso). A novidade é a referência, o
velho é o pano de fundo – o poder econômico da hegemonia.
Na dinâmica em curso, o educador é a própria angústia na busca de novos alimentos, para saciar a fome dos consumidores. Não há tempo, conforme disseram nossos colegas ocultos, para digerir os alimentos; não há espaço de absorção das informações que só podem ser aproveitadas e/ou assimiladas por um processo de reflexão crítica, distanciamento e discernimento. Em nossa compreensão não há, portanto, conhecimento (...) no seu sentido
mais amplo.
Neste processo, o sujeito produz, conforme o modo de produção capitalista – muito em pouco tempo, mas sem espaço para refletir a sua própria práxis. Numa síntese
contraditória que nega ao sujeito educador a perspectiva que ele mesmo gostaria de
despertar à consciência do outro sujeito (educando) —, ele não pensa, não elabora, não estuda – o seu cotidiano (de ser) racional, cognitivo e subjetivo. Eles são quase forçados a negar as suas possibilidades e discernir as condições objetivas e subjetivas, pois a
hegemonia estabelecida – escola empresa – não permite outra relação senão o
relacionamento que privilegia a produção pela produção, sem questionamento, sem crítica –
mas, de preferência com lucro, muito lucro.
Por conseqüência, tem mais elementos de pavor. O medo da demissão, da perda do emprego para outro que venha competir com mais rapidez e técnicas novas, reforçam os autores. Podemos imaginar, dizem eles, a situação complicada em que são colocados os colegas de trabalho – “desesperados em busca de novos milagres, tecnológicos ou não, que saciem seus clientes esfomeados” (TEXTUAL, 2002, p. 27). Mas isto não é tudo. A ameaça é mais contundente, alegam, se considerarmos a ótica produtivista assumida pelos alunos – “eles têm direito, pois estão pagando pelo produto educação” (TEXTUAL, 2002, p. 27). Eles, então, controlam e regulam o trabalho do professor – isto é – “(...) o aluno passa ser um instrumento regulador da eficiência do educador” (TEXTUAL, 2002, p. 27).
Percebemos que o sistema educacional é articulado de modo que os mais fragilizados (professor e alunos) desta relação se cobrem de forma intensa. E se houver qualquer desgaste, que ocorra entre eles próprios, pois a instituição (escola), de preferência, como fórum dos IOC deve se diluir no imaginário destes sujeitos – como se não existisse um
sujeito coletivo do capital (SCC) (neste caso a instituição de ensino privado)156 também
responsável por este estado de coisas. No contraponto deste processo, está o outro sujeito
coletivo – o sujeito coletivo dos trabalhadores (SCT), o sindicato que abre espaços como este
para que os IOT possam, pelo menos, debater e divulgar aquilo que os silencia no seu “processo produtivo”.
Desta maneira, os autores do artigo acreditam que a questão não trata mais de quem é o ser humano, quais as razões últimas de seu viver, que valores são fundamentais a sua plena realização, o que é uma “vida boa”, digna, humana, ou seja, a partir desta ausência
de ser humano, o trabalho do professor se dissocia de um projeto que busque a emancipação
do Homem. Este esfacelamento, este reducionismo reproduz a “constante busca de atender às necessidades do consumidor, perdendo assim a sua autonomia e dignidade” (TEXTUAL, 2002, p. 27).
Depreendemos, a partir das colocações anteriores, que a sociedade é substituída ou sintetizada pelo mercado; este, por sua vez, se funde com o Estado, estabelecendo um poder hegemônico, ora implícito, ora explícito, onde perdemos o foco de quem é quem no atual contexto histórico. O sujeito, à primeira vista, não pode mais ser
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O capital se traduz tanto no sindicato representante das empresas (SINEPE), quanto no próprio estabelecimento de ensino, ou seja, como membro do SCC — Sujeito Coletivo do Capital (síntese da representação destes intelectuais).
sujeito de sua história. Ele, aliás, deixa de ser sujeito, para virar objeto – neste caso, de
consumo, tanto quanto outros bens e serviços dispostos na prateleira da vida mercantil. O
Estado, quando não exposto, se esconde em sua aparente ausência. No entanto, ele próprio é
mentor e mantenedor do projeto neoliberal.
Com esta estratégia, os IOC trabalham tão bem que a sua lógica se instala e é reproduzida sem questionamento157 . Porque, como nos ensinou Gramsci158 a dominação,
na hegemonia, se dá através do consenso – fruto da marginalização das alternativas, de um
lado, e da parcial recuperação, absorção dos interesses materiais e exigências normativas, de outro. O consenso incorpora a subjetividade individual de uma forma diferente da coerção, usando mais meios de persuasão, sugestão, pressão moral, entre outros, tão comuns em nossos locais de trabalho, não é mesmo? Retomemos o discurso e vejamos qual o outro elemento que entra nesta disputa.
A família também desfruta desta dinâmica. Alguns pais e mães pagantes são os outros fiscais que, na eventualidade, interferem no processo educativo, exigindo, por sua vez, um determinado tipo de produto. Esta exigência, em muitos momentos, é justificada em nome da qualidade na educação, e cobrada, em geral, por pais e mães de camadas médias altas da sociedade, promovendo a formação de valores e práticas de um fortalecimento conservador, alerta o artigo.
Por outro lado, nossos intelectuais, não negam a presença da família. Mas, alegam ser importante, que ela, em vez de reforçar a situação angustiante dos educadores, estimulando a lógica mercadológica da educação, se transforme numa aliada para uma reflexão sobre um processo educativo de qualidade que tenha por parâmetro as necessidades sociais. “A família também necessita ser educada em um espaço que possa desencadear novas práticas educativas”, sentenciam (TEXTUAL, 2002, p. 27).
Poderíamos nos perguntar agora: Mas, quem são estes sujeitos que formam esta família? Este simples questionamento poderia nos levar a uma outra reflexão que renderia, talvez, muito mais que esta breve interpretação que nos atrevemos fazer neste momento. E que escola/universidade/instituição de ensino são estas? Enfim, tantas e outras
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Ao que indica, pela manifestação destes sujeitos autores, não de maneira livre.
questões envolvem estas relações sociais da atualidade que parece ser este um diálogo sem
fim.159