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Topografi og isgrenser

C. Strand1injenes alder

VII. Topografi og isgrenser

Em termos dos estágios da pesquisa, as análises seguiram a seguinte ordem: primeiro,

foram analisados os registros de entrevistas etnográficas (corpus 1), com o objetivo de mapear

e interpretar tópicos específicos. Em seguida, os quatro relatórios do corpus 2 foram

comparados a fim de se estabelecerem conexões entre os pontos cruciais de cada uma das

operações de MFC certificadas no ano de 2005. A comparação permitiu identificar quais os

problemas que permanecem como ponto de tangência entre as quatro operações. Por fim, os

resultados das análises dos corpora 1 e 2 foram comparados com o Padrão do FSC (corpus 3)

que teve como objetivo interpretar as relações entre esse conjunto de critérios e indicadores e

os problemas encontrados nas operações de certificação por comunitários e certificadoras.

Para a análise do corpus 1, o processador de texto Word for Windows foi utilizado para

a preparação dos dados. Isso envolveu a transcrição das entrevistas das fitas de áudio em que

foram registradas e a digitação das notas de campo. Em seguida, procedeu-se à ‘limpeza dos

dados’ (checagem de erros de digitação e transcrição, edição do texto, formatação e

impressão) e substituíram-se todas as referências nominais a atores sociais envolvidos por

pseudônimos, a fim de garantir seu anonimato e preservar sua identidade.

A etapa seguinte foi a leitura minuciosa e sistemática do texto gerado e sua

codificação – a identificação dos dados. O texto, extenso e tematicamente disperso, foi

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ressaltar que antes da codificação no computador, o material impresso sofreu uma codificação

preliminar por meio da tomada de notas e do grifo.

Trabalhou-se em princípio com quatro códigos amplos: (1) questões ambientais e

técnico-operacionais; (2) questões sociais; (3) questões econômicas e (4) questões políticas.

Vale ressaltar que a separação do texto em questões ambientais, sociais, econômicas e

políticas é analítica. Isso não significa que se ignore a existência de relações entre esses

campos. Trata-se de uma necessidade metodológica de organização de dados.

Uma vez feita essa codificação no material impresso – o que envolve a identificação

de tópicos relacionados a esses códigos no texto e tomada de notas nas margens do material –,

passou-se a codificar o texto no computador. Optou-se pela estratégia de “codificação-em-

cor”. Utilizou-se verde para questões ambientais; azul para questões sociais; amarelo para

questões econômicas e cinza para questões políticas.

Os quatro documentos secundários gerados por meio dessa codificação eram ainda

muito amplos, dada a natureza dos códigos criados (questões ambientais, sociais, econômicas

e políticas). Procedeu-se, portanto, a criação de sub-códigos mais específicos dentro de cada

código.

Para o arquivo de ‘questões ambientais e técnico-operacionais’ – nesse estágio da

pesquisa já salvo em separado e ‘descolorido’ –, utilizaram-se três sub-códigos: (1) manejo

florestal; (2) floresta de alto valor de conservação e (3) assistência técnica para o manejo. Os

três sub-códigos foram codificados em @AMF, @AFC e @AAM respectivamente. A

utilização do símbolo arrouba (@) antes da sigla referente ao sub-código facilitou a

localização do código com a ferramenta de busca do processador de texto, uma vez que esse

símbolo não aparece em outras partes do texto. Foram criados, então, três arquivos separados

no processador de texto para o código anterior de ‘questões ambientais’. Para o arquivo de

‘questões sociais’ utilizaram-se também três sub-códigos: (1) organização comunitária; (2)

práticas tradicionais e (3) direito a posse e uso da terra. Mais uma vez utilizou-se a

codificação com @ (@SOC, @SPT e @SDP, respectivamente). O arquivo de ‘questões

econômicas’ foi igualmente sub-codificado em três categorias: (1) produtividade, em @EPP;

(2) gestão financeira, em @EGF e (3) mercado, em @EMD. O arquivo de ‘questões políticas’

não precisou ser sub-codificado visto que não era tão extenso como os demais.

Assim, a estratégia de codificação e sub-codificação permitiu segmentar o extenso

texto oriundo da transcrição de entrevistas em dez arquivos separados, arquivos altamente

específicos em relação aos tópicos codificados. Essa segmentação possibilitou o trabalho de

interpretação e comparação com os demais corpora da pesquisa. Os arquivos no Anexo 1

ilustram o procedimento descrito e a Tabela 4 ilustra essa segmentação do corpus 1 em dez

arquivos analíticos:

Tabela 5 – Arquivos gerados por meio da codificação do corpus 1.

QUESTÕES

AMBIENTAIS QUESTÕES SOCIAIS ECONÔMICAS QUESTÕES QUESTÕES POLÍTICAS Manejo florestal Organização comunitária Produtividade

Floresta de alto valor de

conservação Práticas tradicionais Gestão financeira Assistência técnica para

o manejo Direito a posse e uso da terra Mercado

Arquivo único

Os documentos do corpus 2 – os cinco relatórios públicos de certificação referentes às

operações de certificação de MFC realizadas em 2005 na Amazônia brasileira – também

foram codificados. Como o objetivo analítico para esse corpus era uma comparação entre os

quatro relatórios, optou-se pela estratégia de codificação em tabela. Esse método de

codificação foi utilizado para fazer comparações, procurar semelhanças e diferenças,

estabelecer conexões e procurar regularidades em análises comparativas dos quatro relatórios

institucionais que compõem esse corpus. Primeiramente, foi montada uma tabela de cinco

colunas, quatro delas referentes cada uma a um relatório e a coluna da extrema esquerda

referente aos pontos críticos que surgiam nos relatórios. A tabela tinha em princípio número

indefinido de linhas, uma vez que as linhas da coluna da extrema esquerda foram alimentadas

com as ocorrências de pontos críticos levantados em todos os relatórios em análise. As linhas

correspondentes nas demais colunas (cada uma referente a um relatório específico) foram

alimentadas com ‘P’ para presença e ‘A’ para ausência daquele ponto crítico referido na linha.

Assim, o ‘P’ significa que aquele ponto crítico está presente no relatório em questão e o ‘A’

afirma sua ausência naquele relatório (Tabela 5).

Tabela 6: Procedimento para análise do corpus 2.

RELATÓRIO 1 RELATORIO 2 RELATÓRIO 3 RELATÓRIO 4

PONTO 1 A A A P

PONTO 2 P P P P

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comparar os pontos críticos de cada operação de certificação de MFC presentes nos relatórios

e obter conclusões acerca de sua freqüência em todas as operações realizadas em 2005.

Assim, foi possível concluir se um determinado ponto crítico era uma constante (como o

Ponto 2 na Tabela 5) ou uma exceção (como o Ponto 1 no exemplo dado).

Por fim, os resultados obtidos por meio das análises dos corpora 1 e 2 foram

comparados com o Padrão de Certificação do FSC para o Manejo Florestal de Terra Firme na

Amazônia Brasileira. Na análise do corpus 2, encontraram-se as regularidades entre os pontos

cruciais levantados nos relatórios referentes às cinco operações realizadas no ano de 2005.

Esses pontos mostraram as dificuldades de adequação das comunidades aos princípios e

critérios de certificação de manejo de acordo com uma perspectiva externa às comunidades,

aquela de auditores(as) ligados(as) a certificadoras. A comparação entre esses pontos cruciais

regulares e o Padrão permitiu tirar conclusões sobre o quanto esses pontos cruciais estão de

fato relacionados ao Padrão e o quanto são conseqüência de perspectivas parciais das

certificadoras.

A análise dos dados etnográficos que compõem o corpus 1, por sua vez, permitiu

estabelecer com clareza os principais obstáculos para a certificação de MFC da perspectiva

interna dos próprios comunitários, bem como levantar os benefícios que eles esperam alcançar

com a certificação. A abordagem multifocal das necessidades e dificuldades dos comunitários

– por meio das perspectivas ambiental, social, econômica e política – conferiu uma

compreensão global do processo nas comunidades interessadas na certificação do MFC. A

comparação dessa perspectiva interna com o Padrão do FSC possibilitou tirar conclusões

acerca de determinadas inadequações do Padrão à realidade local e, o que é mais importante,

propor alternativas que ajudem a superar esse quadro.