5.2.1 Hipóteses estudadas
Quando formuladas as hipóteses, a proposta era compreender se os objetivos são alcançados a partir das práticas de gestão do risco. Essas hipótese guardam relação direta com a definição de riscos apresentados pelo referencial utilizado (ISO/IEC 31000:2009), quando descreve que riscos “é o efeito da incerteza sobre os objetivos”. Colocado dessa forma, fica evidente que riscos é aquilo que pode impactar os objetivos. Assim, a idéia é de que riscos bem gerenciados significam objetivos alcançados e vice e versa.
No entanto, para surpresa do estudo e conforme conclusão apresentada no item anterior, não foi encontrada uma correlação clara de gestão de riscos e objetivos, salvo o caráter muito específico de objetivos relacionados ao próprio controle e redução dos riscos e seus impactos diretos.
É exatamente o que se evidenciou pelo caráter operacional e não estratégico da gestão do risco. Ou seja, existe uma crença da contribuição do controle dos riscos sobre os objetivos e resultados organizacionais, mas não existe uma clara correlação sobre a contribuição.
Dessa forma, não é possível concluir sobre a eficácia das práticas e sim sobre sua eficiência, ainda assim de forma parcial, considerando apenas a opinião da força de trabalho (empregados e gerentes), lembrando que a organização se privou de revelar os dados relativos às ocorrências de riscos, resguardando o caráter confidencial dessas informações.
De forma conclusiva, considerando as argumentações apresentadas, as hipóteses inicialmente apresentadas não foram possíveis de serem testadas. Faremos uma redefinição dessas hipóteses, modificando o seu caráter estratégico para o operacional e procedendo a uma conclusão possível sobre eficiência e não sobre eficácia.
Inicial: H0 – Os objetivos não são alcançados, podendo inferir sobre a ineficácia das práticas de gestão de risco e crises.
Modificação: H0 – Os objetivos operacionais não são alcançados, podendo inferir sobre a ineficiência das práticas de gestão de riscos e crises.
Inicial: H1 – Os objetivos são alcançados, podendo-se inferir sobre a eficácia das práticas de gestão de risco e crises.
Modificação: H1 – Os objetivos operacionais são alcançados, podendo-se inferir sobre a eficiência das práticas de gestão de risco e crises.
Conforme apresentado no Gráfico 4 e 5, reproduzidos acima, nesta conclusão, o grau de favorabilidade quanto às práticas e ocorrências de ricos e crises estão abaixo do índice esperado de 70% e fica evidente de que apesar da boa percepção sobre as práticas, ilustrada nas respostas das perguntas 5, 6 e 7, elas não impactam positivamente a percepção dos entrevistados quanto as ocorrências de riscos e crises, ilustrada nas respostas às perguntas 8, 10 e 12.
Em parte, é possível que esse resultado seja impactado sobre o próprio entendimento do que é riscos e crises, identificados pelas respostas às perguntas 9 e 11 e apresentados nos Gráficos 10 e 12. No entanto, é premissa para uma boa gestão que os conceitos estejam bem definidos, entendidos e reconhecidos pelas pessoas, como forma de uma aculturação e consequente engajamento nas práticas de gestão. O baixo entendimento dos conceitos relativos a gestão e riscos não corroboram para que as práticas sejam efetivas.
5.2.2 Suposições
Quando identificadas e definidas no início deste trabalho, as suposições pretendiam verificar e reafirmar as hipóteses, buscando entendimento sobre a maturidade das práticas de gestão de riscos e crises.
Por maturidade se assumiu a continuidade e o grau de disseminação das práticas de gestão de riscos e crises.
Por continuidade, foi considerado o tempo de aplicação da prática, definindo-se um período mínimo de três anos como o ideal.
Também nas suposições, quando nos referimos a resultados, focamos aqueles operacionais e evidenciados na pesquisa de percepção.
Esclarecidos esses critérios de análise, seguem as análises e conclusões.
a) Os resultados, quando segregados, evidenciam grau diferenciado de maturidade das práticas, nos segmentos organizacionais.
Suposição incorreta. Quando analisados, os resultados não evidenciam grau diferenciado de maturidade nos diversos segmentos da companhia. Em geral pode ser observado que os resultados da pesquisa são equilibrados nos diversos segmentos da companhia, conforme ilustrado no Apêndice D. Dessa forma pode se concluir que o grau de maturidade é igual em todos os segmentos da organização, não apresentando nenhum diferencial quanto a continuidade e o grau de disseminação.
b) Os objetivos são alcançados, apesar das práticas de gerenciamento de risco não serem maduras.
Suposição incorreta. Conforme ilustrado nos gráficos 10 e 12, em resposta as perguntas 9 e 11 da pesquisa, os resultados não se demonstram efetivos quanto à ocorrência de riscos e crises. No entanto, conforme pode ser evidenciado pela análise das práticas e pelas respostas às perguntas 5,6 e 7, as práticas são maduras. Assim, os objetivos não são alcançados, apesar das práticas serem maduras.
c) Os objetivos são alcançados e as práticas de gerenciamento de risco são maduras.
Suposição incorreta. Conforme a análise demonstrada na suposição b, os objetivos não são alcançados, apesar das práticas serem maduras.
d) Os objetivos não são alcançados, apesar das práticas de gerenciamento de risco serem maduras.
Suposição correta. Conforme analisado na hipótese b, as práticas são muito bem percebidas pelos gerentes e empregados. No entanto, ainda existe uma percepção ruim quanto a ocorrência de riscos e crises.
Suposição incorreta, conforme análises das suposições anteriores. Apesar dos objetivos não serem alcançados, as práticas são percebidas como maduras por empregados e gerentes e nas análises quanto à continuidade e grau de disseminação.