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Diskusjon – analyse av data

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Os dados referentes aos enfermeiros do serviço revelam uma média de 5,26 anos de formação, que se aproxima do tempo de trabalho na saúde da família (4,0 anos), sugerindo ser a saúde da família o campo de trabalho de grande interesse desta categoria nos dias atuais.

O tempo médio de serviço na instituição de 3,76 anos é o maior entre os profissionais de nível superior da equipe, o que aponta para uma possibilidade de maior permanência destes profissionais na ESF. Andrade, Barreto e Bezerra (2006, p. 807) chamam a atenção para a consolidação gradativa da ESF que

[...] veio essencialmente como uma oportunidade de se expandir a atenção primária para a população brasileira, de consolidar o processo de municipalização da organização da atenção à saúde, de facilitar o processo de regionalização pactuada entre os municípios adjacentes e de coordenar a integralidade de assistência à saúde.

Além disto, a ESF ampliou o campo de trabalho para enfermeiros e médicos ao se consolidar como uma estratégia estruturante da atenção básica.

Entre os 13 enfermeiros pesquisados, apenas um (13,0%) relatou possuir outro vínculo empregatício, referente a serviço hospitalar em regime de plantão noturno. Os demais, 12 (92,0%) trabalham exclusivamente na ESF, sendo que entre eles nove (69,0%) estão vinculados às equipes desde a sua formação na graduação (TAB. 8).

TABELA 8

Caracterização dos enfermeiros da Atenção Básica da microrregião de saúde de Coronel Fabriciano - MG, 2008. Capacitação N Tempo formação (anos) Tempo no cargo (anos) Jornada de trabalho (h) Tempo instituição (anos) Tempo trabalho ESF (anos) Outro local de trabalho Pós- graduação Pós- graduação Saúde Família Outras capacitações

1 15 5 8 5 10 Não Sim Sim Sim

2 8 3 8 7 8 Não Sim Sim Sim

3 2 1 8 2 1 Não Sim Sim Sim

4 2 1 8 2 1 Não Sim Sim Sim

5 5 5 8 5 5 Não Não Não Sim

6 7 4 meses1 ano e 8 1 ano e 4 meses 7 meses Não Sim Sim Sim

7 7 meses 5 meses 8 8 5 Não Não Cursando Sim

8 2 1 8 1 1 Não Não Cursando Não

9 2 3 meses 8 7 meses 1 ano e 3 meses Não Sim Sim Não

10 5 2 8 2 2 Sim Sim Sim Sim

11 5 4 8 4 6 Não Sim Sim Sim

12 9 5 8 5 5 Não Sim Não Sim

13 6 6 8 6 6 Não Sim Não Sim

Fonte: Questionário elaborado pela autora, aplicado aos gestores e profissionais do serviço.

O tempo de dedicação e a disponibilidade para atuação na ESF favorecem a criação de vínculos mais fortes entre a equipe de trabalho e a população adscrita, proporcionando uma integração entre estes atores, o que amplia as possibilidades de resultados positivos das ações desenvolvidas.

Esse enfoque se materializa nas observações de Camargo Júnior et al. (2006) ao descreverem sobre o comportamento das pessoas atendidas nas unidades de saúde que não se comportam passivamente diante das intervenções realizadas pelos profissionais dos serviços. Suas reações aos atos assistenciais estão vinculadas às atitudes acolhedoras da equipe, à forma satisfatória de agir sobre o seu problema de saúde, aos vínculos estabelecidos, motivando-os a se tornarem protagonistas no cuidado à sua saúde.

Quando se analisa a capacitação profissional, verificou-se que 77,0% dos enfermeiros possuem pós-graduação, sendo 62,0% em Saúde da Família (TAB. 8). É importante registrar que 54,0% dos entrevistados informaram que os investimentos nas especializações advêm de iniciativas próprias, pois não existe uma política de educação permanente instituída pelos serviços. Esta situação é apresentada como um dos fatores que dificultam o desenvolvimento do trabalho, confirmado nos depoimentos que se seguem.

A capacitação nossa é limitada pelo tempo que a capacitação vai durar. Por exemplo: se eu vou fazer um curso, esse curso tem 40 horas. Essas 40 horas

durante a semana que são cinco dias eu não posso fazer. Se eu quero fazer uma pós-graduação e nessa pós-graduação eu vou pegar uma sexta-feira da semana, eu não posso fazer. E a gente tem muito o que aprender. (E2)

Ainda temos pouco investimento na constituição da equipe, falta capacitação da equipe, curso de atualização. Somente o profissional é que busca. A gente não tem uma política de educação continuada adotada no serviço. (E11) Os relatos de E2 e E11 deixam clara a carência de capacitação para as equipes da ESF, como já identificado anteriormente, confirmando a deficiência nas políticas e estratégias de educação permanente no nível local que habilitem os profissionais para lidar com as especificidades dos atendimentos da atenção básica. Pelos relatos apresentados, pode-se compreender que a capacitação das equipes e dos gestores responsáveis pelo nível primário, com foco em uma atenção qualificada e resolutiva para a situação das internações hospitalares, não é considerada como prioridade nos serviços.

Considerando que os enfermeiros têm desempenhado um importante papel na reorganização da ABS, é necessário prever estratégias de reorganização das práticas de saúde para estes profissionais, assim como para os demais membros da equipe, proporcionando qualificação adequada para a viabilização da ESF. Faustino et al. (2004) verificaram que um dos grandes entraves que os municípios têm encontrado na implantação da Saúde da Família é a falta de qualificação dos profissionais, principalmente dos de nível superior. A formação dos profissionais com enfoque nas especialidades dificulta a visualização do espaço da família no contexto das UBS e a definição de intervenções com foco na família. Cunha (2005) considera que a formação dos profissionais ainda apresenta um caráter hospitalar, fortemente voltado para o atendimento das patologias que responde de forma imediatista aos problemas de saúde da população, não permitindo o aprendizado de um raciocínio clínico e a realização de projetos terapêuticos de médio e longo prazo, o que é a necessidade da Atenção Básica. Observando a afirmação do autor e as condutas adotadas pelos profissionais no atendimento aos usuários que necessitam das internações hospitalares, pode-se entender que os processos de formação têm priorizado o modelo curativista e que as instituições formadoras priorizam este enfoque ao definirem os projetos pedagógicos dos cursos de formação profissional em todos os níveis.

A transformação dos processos de formação profissional voltados para o entendimento do conceito ampliado de saúde, para a mudança na clínica, para a articulação entre os vários setores de serviços e a construção da autonomia dos sujeitos deve ser o objetivo das instituições formadoras e dos serviços ao prepararem os profissionais para a

prática do trabalho. Investir na qualificação profissional com esta perspectiva é investir na consolidação dos princípios do SUS.

Envolvidos nesta perspectiva, encontram-se os médicos das equipes da ESF, cujas características serão apresentadas a seguir.

4.1.4 Caracterização dos médicos da atenção básica na microrregião de saúde de

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