5.2 Diskursiv praksis
5.2.1 Diskurser relatert til muslimsk feminisme
Para atender ao objetivo geral do estudo que consiste em realizar ensaios metodológicos para detectar a formação de expectativas e tornar a produção de leite sustentável no semiárido cearense, sob o ponto de vista econômico e ambiental, será necessário atender ao primeiro objetivo especifico deste trabalho consiste em elaborar o Índice de Sustentabilidade (INSUS) com base na rentabilidade/produtividade anual das vacas, tamanho do rebanho, precipitação média anual de chuva e valor anual da produção de leite em salários-mínimos.
Para desenhar o índice de sustentabilidade, parte-se da definição de valor da produção de leite (VP), indexada para 2016 com base no IGP-DI. Por definição:
VPt = Pt.Qt (1)
em que Pt é o preço médio de leite recebido pelos produtores cearenses no ano t, devidamente corrigido para Reais de 2016; e Qt é a quantidade, em mil litros, produzida de leite no t-ésimo ano pelos criadores cearenses. Por sua vez, a quantidade produzida de leite no ano t é igual ao tamanho do rebanho (Vt), multiplicado pela produtividade ou rendimento anual (Rt) de cada vaca que a partir deste momento será sempre chamada de rendimento:
Qt = Vt.Rt (2)
Substituindo (2) em (1) o resultado obtido será:
VPt = Pt.Vt.Rt (3)
Indexando o Valor da produção de leite pelo Salário-Mínimo anual (SMt), ter-se- á a aferição do poder de compra da produção de leite em termos de um indexador importante da Economia brasileira. Assim, a equação (3) pode ser reescrita levando em consideração este fato:
Tomando o logaritmo natural dos dois lados da equação (4), fazendo o diferencial total em relação ao tempo desses logaritmos, chega-se, por definição, a taxa de crescimento de cada um dos componentes. Assim, pode-se escrever que:
TGC(VPt/SMt) = TGCPt + TGCVt + TGCRt - TGCSMt (5)
Calculando a derivada no tempo do logaritmo da equação (2) se obtém o seguinte resultado:
d{log (Qit)}/dt = d{log(Vit)}/dt + d{log(Rit)}/dt (6)
Prontamente a equação (6) informa que a variação do logaritmo da produção no tempo, ou a sua taxa de crescimento no tempo, varia com o crescimento (ou o decréscimo) do número de vacas em lactação no tempo e com o crescimento (ou o decréscimo) do rendimento/produtividade de cada vaca, também no tempo. Define-se Ṽ como a média do número de vacas em lactação no Ceará de 1974 a 2016. Como nesta pesquisa se faz a simulação de que desde o tamanho médio do rebanho, ele se estabiliza, para tanto se impõem as seguintes condições:
d{log(Vt)}/dt ≠ 0, se Vt ≤ Ṽ ; e (7a) d{log(Vt)}/dt = 0 se Vt > Ṽ (7b) Com essas simulações de restrições, impõe-se que o tamanho do rebanho leiteiro não poderá crescer além da média histórica avaliada no período. Além disso, se o crescimento do salário-mínimo acontecer na mesma magnitude do aumento da inflação, o valor bruto da produção de leite apenas acrescerá por duas fontes: crescimento do seu preço, ou incremento do rendimento, por vaca leiteira.
Como os criadores são tomadores de preços, ou ajustadores de quantidades, eles não têm qualquer influência sobre os preços que receberão. Assim, a variável única de decisão que estará no seu alcance será o rendimento. Com efeito, o esforço para manter valores da produção ao menos igual ao que seria obtido se o rebanho crescesse a partir do seu tamanho médio, será via tecnologias que elevem a produção, por vaca.
Fundamentando-se deste modo, se estabelecem as seguintes condições que complementam as anteriormente emitidas. Assim o Rebanho Corrigido será dado por:
• VCORit, = (Vt / Ṽ), nos casos em que Vit < Ṽ ; (8a) • VCORit = (Ṽ / Vt), quando Vit > Ṽ (8b) Com este procedimento, “congelam-se” o tamanho do rebanho (o número de vacas leiteiras) no seu valor médio no período. Por meio do Gráfico 1, visualiza-se tal procedimento, sob a hipótese de forma simplificada, mostrando uma continuidade no tamanho do rebanho acima da média, que não acontece na prática. Esse gráfico serve apenas para mostrar que as áreas “excedentes” a partir do experimento proposto neste estudo poderiam ficar disponibilizadas para outras atividades como plantio de fruteiras, reflorestamento etc.
No gráfico 1 há uma ilustração didática de como seriam poupadas áreas de pastagens, caso o tamanho do rebanho fosse “congelado” na sua média histórica. No eixo horizontal do Gráfico 1, mostra-se a evolução do tempo. No eixo vertical (ordenadas), a trajetória “A” mostra uma evolução hipotética das áreas com pastagens, tal como aconteceriam no Ceará no período sob investigação. A área A* representa a média histórica. As áreas acima da linha vermelha denotam os anos que estão acima da média e, assim, representam os excedentes de áreas com pastagens que seriam poupadas na hipótese das simulações propostas por esta pesquisa prevalecerem.
Gráfico 1 - Representação das áreas observadas e “congelada” no valor médio do rebanho.
Além disso, se estabelece a hipótese de que o rendimento é influenciado pela pluviometria no período t (CHt). Assume-se na pesquisa a noção de que será por desta via que as chuvas influenciarão no valor da produção de leite anual. Assim, escreve-se que:
Rt = f(CHt) (9)
Estes fundamentos ancoram o estabelecimento do INSUS, que será o instrumento aferidor da sustentabilidade da produção de leite no Ceará assentada em bases tecnológicas que propiciem o crescimento dos rendimentos.
Este índice foi criado na pesquisa com base no rendimento anual das vacas, no tamanho do rebanho, precipitação média anual de chuva, e valor anual da produção de leite em salários-mínimos que, no trabalho, é tomado como proxy da renda bruta dos produtores de leite no Ceará.
Assim, o referencial teórico trouxe um arcabouço sobre a evolução do conceito e suas justificativas a respeito da necessidade de se trabalhar e buscar o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, a tentativa de aferição de índices, que traduzam, com alguma fidedignidade, o que se propõe mensurar em pesquisas, se tem constituído numa constante preocupação dos estudiosos, haja vista que essas aferições podem e devem servir de subsídios para a formulação de políticas públicas, e de instrumento de planejamento de medidas econômicas e sociais de curto, médio e longo prazo.
De acordo com Briguglio (1995 apud LEMOS, 2015), a elaboração de um índice deve atender ao menos a três critérios, para que possa ser de utilidade prática ao menos como instrumento indicador de tendências de um conceito que se está querendo aferir:
i – simplicidade, significando que o índice não seja difícil de elaborar, tanto no seu desenho como na acessibilidade aos indicadores;
ii – ser de fácil compreensão. Por este critério, o índice deve demonstrar um significado intuitivo. Ser de fácil captação por quem o utiliza. Produza resultados plausíveis e seja capaz de sintetizar muitos indicadores que mantenham interfaces;
iii – ser passível de aplicação ou replicações em outros lugares (inclusive fora do País) para fazer comparações.
O Relatório das Nações Unidas, de 2003 comunga com a ideia de Briguglio e resume que para estabelecer um índice, as variáveis utilizadas e a metodologia devem ser simples, de fácil compreensão e tenham a facilidade de ser reproduzidas em outros locais. Somente assim, seria possível estabelecer comparações entre locais distintos. O Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelas Nações Unidas em 1990 para medir o conceito de desenvolvimento humano, é um exemplo bem-sucedido de um a medida que dispõe dessas características, a despeito das criticas a que está submetido, quando tenta aferir desenvolvimento humano em áreas de pobreza como o Nordeste, América Latina, África e partes da Ásia. Nestes casos, o problema do IDH não está na sua formatação nem no número restrito de incadores. As dificuldades do Índice estão relacionadas à qualidade das estatísticas produzidas nessas regiões (LEMOS, 2012).
Não obstante, o “pecado original”, a que está submetido todo índice é, o de ser uma tentativa reducionista de enquadrar um conceito holístico (independentemente do número de indicadores que utilize), deve-se encarar os resultados obtidos nessas tentativas como aproximações, ou como sinalização do patamar das variáveis estudadas e que entram na composição do Índice. Tendo este conhecimento, acredita-se que qualquer índice, desde que atenda àqueles requisitos propostos até aqui, poderá ser de utilidade como sinalizador de tendências para aferição de um problema econômico, social e/ou ambiental. De efeito, ainda se constituem nas melhores opções de entendimento de fenômenos complexos como o são os sociais, ambientais e econômicos (LEMOS, 2015).
Apesar de toda limitação a que estão sujeitos todos os índices, a intenção do estudo é que ele consiga se tornar uma fonte te informações e de conhecimentos para quem pretende atuar de forma prospectiva no entendimento da sustentabilidade, ou não, da produção de leite no Ceará.