2 Teori og metode
2.4 Menneskelig sikkerhet og økologisk økonomi
2.4.2 Økologisk økonomi
Certamente, as atividades relacionadas ao cultivo do tabaco são as que ocupam a maior parte do tempo produtivo dos colonos em suas terras. O processo produtivo dura praticamente o ano todo, concentrando um trabalho mais pesado ao final, ou nos meses de novembro, dezembro e janeiro, quando muitas vezes utiliza-se mais do que a força de trabalho da família. A fim de descrever o processo, a estrutura utilizada será a proposta por Vogt (1997), que sugere a existência de oito fases durante o processo de produção e beneficiamento do tabaco, antes de estar pronto para a venda como matéria-prima para as indústrias de cigarro.
A primeira fase da produção é o viveiro de mudas. Assim como acontece com outros vegetais, as sementes de tabaco não são depositadas diretamente no solo onde irão crescer. É preciso preparar canteiros onde as sementes possam germinar; mais tarde, elas são transplantadas para o solo. Similares a piscinas, os canteiros são estruturas feitas de metal e plástico, com água na parte interna até 15 cm da altura do chão. Eles possuem formas retangulares de
aproximadamente 25m X 2m, finas e compridas para que o colono possa trabalhar e alcançar a área toda. O solo dos canteiros vegetais deve ser preparado, com antecedência, com
fertilizantes naturais e químicos, como uma etapa prévia e necessária à esterilização, quando o brometo de metila é então utilizado. Primeiro, a terra é inserida em pequenos compartimentos em diversas estruturas de isopor, semelhantes a colméias, que devem flutuar na água uma ao lado da outra. Depois, o perigoso gás brometo irá esterilizar o solo, matando vermes,
microorganismos, fungos, etc. Seu uso requer procedimentos especiais, uma vez que não pode se misturar ao ar da atmosfera. Entre tais procedimentos, é preciso cobrir toda a área a ser esterilizada com plástico, para que o produto químico aja nas próximas 48 horas. Depois que a proteção plástica é removida, a semeadura pode começar. Como as sementes são
extremamente pequenas, esta etapa exige a mistura prévia das sementes com água ou calcário, para que possam ser espalhadas de maneira homogênea nos canteiros. Depois de espalhadas, é necessário cobri-las novamente com plástico, para que a germinação seja protegida do mau tempo. Além disso, a utilização da proteção de plástico preto cria um microclima que acelera a germinação. Num canteiro de 50m², deve-se espalhar aproximadamente 36.000 sementes, a fim de que 24.000 germinem, 12.000 sobrevivam e 8.000 sejam adequadas ao transplante. Variando com as condições do tempo, de 15 a 20 dias após a semeadura, elas irão germinar; depois de mais 45 dias, as mudas estarão prontas para o transplante. Durante estes 60 dias, enquanto as sementes estão se desenvolvendo, os canteiros devem ser averiguados
diariamente, assim o colono pode tomar medidas corretivas necessárias à homogeneização do crescimento das sementes: é preciso irrigar todos os dias; inseticidas, fungicidas e pesticidas também são exigidos a fim de prevenir doenças. Particularmente, esta fase é caracterizada pelos procedimentos de repicagem: como muitas das sementes não se desenvolvem, é preciso reordenar sua distribuição nos pequenos compartimentos de isopor, para que os
compartimentos com sementes mal sucedidas recebam sementes que estejam germinando com mais sucesso. Esta etapa é obrigatória, pois as sementes bem-sucedidas necessitam da maior quantidade possível de água e nutrientes, e, em pequenos cubículos com muitas sementes germinando, não se pode garanti-la. A fase de viveiro de mudas dura normalmente 60 dias, de abril a junho, quando as sementes germinam e estão prontas para serem transplantadas ao solo, onde devem permanecer até a colheita.
A segunda fase é a preparação do solo. Enquanto as sementes germinam, o colono deve preparar o solo para onde serão transplantadas. Isto consiste em ará-lo, protegê-lo e fertilizá- lo. Normalmente, a área cultivada na propriedade depende da quantidade de trabalho
disponível e também de sua infra-estrutura. É comum que uma família reserve dois hectares ao cultivo de tabaco, pois a colheita pode ser beneficiada em uma estufa. Para áreas maiores, o colono precisaria de uma estufa maior, ou mais de uma. Ao atingirem 15 ou 20 cm de altura, as mudas estão prontas para o transplante. Elas são removidas dos compartimentos de isopor para terem suas raízes lavadas com uma mistura de água e orthene, a fim de livrá-las de doenças em seus primeiros dias. As plantas são, assim, colocadas definitivamente no solo, verticalmente, com uma distância de 50 cm entre elas. Normalmente, três pessoas fazem este árduo trabalho: uma faz os buracos no solo, com as distâncias necessárias, utilizando uma régua de madeira; outro vem atrás com uma cesta de mudas, colocando-as nos buracos; e um terceiro, realmente planta as mudas. Procedimentos extras são precisos, dependendo das condições climáticas; por exemplo, se o solo está muito seco, é necessário regar as mudas a serem transplantadas. Este é considerado um árduo passo, uma vez que os colonos têm de permanecer em posições desconfortáveis durante horas a fio, o que pode causar dores. Sessenta ou setenta dias geralmente separam o transplante da primeira colheita. Durante este ciclo, muitos procedimentos de plantio são necessários. Uma vez as mudas transplantadas, é obrigatória a inspeção diária a fim de que as plantas menos sucedidas sejam substituídas por outras. Primeiro, é preciso arar o solo novamente e utilizar fertilizantes e inseticidas, após 15 ou 20 dias do transplante. Esta conduta, chamada ‘amontoa’, é realizada duas ou três vezes:
A finalidade da ‘amontoa’ é fazer a retirada das ervas daninhas e quebrar a crosta que se forma na superfície do solo após as chuvas, afofando e arejando a terra, facilitando a penetração do ar, da água e do nitrato de potássio ou Salitre do Chile colocado em torno das plantas, até as raízes do pé de tabaco. Depois de feita [...], é preciso fazer a capina, o que se dá com o uso da enxada. A planta de fumo necessita de muito nitrogênio e potássio para a formação das folhas. O nitrogênio tem ação importante no ciclo de crescimento (pique) e o potássio atua na armação da estrutura foliar. O Salitre é composto por 15% de Nitrogênio e 14% de potássio, ou seja, o adubo fórmula 15-0-14. Por isso existe a necessidade de aplicar salitre em cobertura quando a planta precisa crescer e formar as folhas (VOGT, 1997, p. 143-44).
Outros processos incluem a utilização de fertilizantes, como o orthene ou o furadan, este último usado antigamente. Eles também são usados duas ou três vezes, por precaução, contra pragas. Quando a planta atinge 1,2m de altura, outro procedimento é necessário, chamado ‘capação’, ou a remoção das últimas folhas e da flor, com o intuito de reverter a energia que a planta gastaria em sua reprodução. Isto é feito manualmente, em dias alternados, por a planta não se desenvolver de forma homogênea. Depois de feita a ‘capação’, é preciso utilizar outro produto químico nos caules expostos, com o intuito de inibir o crescimento de outros brotos. Se este último procedimento melhorou consideravelmente a quantidade e a qualidade do tabaco, ele também aumentou a insalubridade do processo, e isto porque tais produtos são extremamente perigosos. As próximas atividades são associadas à colheita – uma etapa complexa. Efetivamente, as folhas não se desenvolvem de maneira homogênea, é preciso colhê-las em várias etapas. A folha está madura quando começa a mudar de cor, de verde para amarelo. Em uma planta, as folhas mais de baixo amadurecem primeiro que as mais de cima, o que requer vários esforços de colheita. As folhas colhidas tardiamente, ou cedo demais, não têm valor comercial. Como explica Vogt (1997, p. 144):
A primeira colheita ocorre simultaneamente à capação. É a chamada ‘apanha do baixeiro’, que são as folhas mais judiadas e de qualidade inferior que se encontram rente ao chão. Depois as colheitas sucedem-se semanalmente. Ao todo, o número de colheitas por roça fica entre sete e doze. Em cada apanhada são retiradas de uma a quatro folhas de cada pé. Normalmente, a colheita se dá pela manhã, ficando o ‘amarrio’ para a parte da tarde.
O ‘amarrio’ faz parte da fase seguinte do processo produtivo, como proposto por Vogt (1997), ou processo de cura. Depois de colhidas, as folhas são transportadas em carroças para um
abrigo próximo à estufa. Neste momento, todas elas devem ser amarradas com cordas a varas de bambu ou de madeira, que serão colocadas na estufa. Este processo é chamado de
‘amarramento’, ou ‘amarrio’. Alguns colonos usam grampos de metal ou máquinas de costurar para amarrar as folhas automaticamente. Assim que o ‘amarrio’ é feito, as varas são colocadas na estufa para que comece o processo de secagem. Este é um dos passos mais importantes no processo produtivo, e também um dos mais árduos. Para garantir a qualidade do produto, o nível da temperatura deve ser mantido estável durante o procedimento, o que exige atenção integral do colono (é o homem que comanda tal processo). Como todo o processo de secagem em uma estufa cheia é contínuo, e dura cinco dias completos, o colono não pode dormir mais de duas horas, caso contrário, o risco de problemas com a temperatura e a ventilação torna-se muito alto. De fato, o colono deve prestar muita atenção à intensidade de ventilação durante todo o processo, e também às fases de transição entre as diferentes etapas da secagem dentro da estufa, quando o aumento ou a diminuição na temperatura devem acontecer num ritmo específico. As estufas trabalham com o eucalipto como combustível, e a manutenção da temperatura adequada requer constante suprimento de madeira. Como explica Vogt (1997, p. 146):
Na cura são observadas três fases distintas: a primeira, a do amarelamento das folhas, tem a duração de 1,5 a 2 dois, período este em que a temperatura é mantida entre os 90 e 100 graus fahrenheit; a segunda, a da secagem da folha, dá-se entre 36 e 54 horas, tempo em que a estufa é mantida sob uma temperatura de 140 a 150 graus fahrenheit; a terceira, que é a da secagem do talo (nervura central da folha), em que o calor é elevado para 160 a 170 graus fahrenheit. Para se consumar a operação de secagem do fumo são necessários cinco dias. Este processo é uma rotina que o
fumicultor repete semanalmente de 8 a 10 vezes por safra, durante os meses de verão.
O próximo passo dentro do processo de produção do tabaco é a classificação. Quando as folhas saem da estufa, elas são deixadas durante uma noite inteira em contato com o ar, para que ganhem novamente um pouco de umidade, e não fiquem quebradiças. Como os colonos não podem realizar a colheita, a secagem e a classificação simultaneamente, o tabaco permanece durante 30 a 50 dias no abrigo, para que após o processo de secagem terminado, ele possa ser selecionado e classificado. Esta não é uma tarefa fácil, pois o colono deve separar todas as folhas de acordo com 48 categorias diferentes de tabaco. Tais categorias assimilam diferenciações ligadas à posição das folhas na planta, à cor, ao tamanho e à textura. Na prática, os colonos já iniciaram este processo durante a colheita, pois ela acontece em
etapas, sendo que, em cada etapa, diferentes tipos de folhas são colhidos e secos. Quando o tabaco deixa a estufa, as folhas já estão separadas conforme o tipo colhido na época. O processo de classificação é geralmente feito pelo colono, ou o homem, que lidera todo o processo de produção de tabaco. Escolher as folhas de tabaco exige especialização, já que o colono não pode se permitir errar, pois os técnicos das fumageiras irão verificar tudo
novamente mais tarde. No entanto, é comum que todos os membros da família – incluindo as crianças e os mais velhos – se envolvam nesta etapa do processo, por ser uma tarefa
relativamente leve. A etapa de classificação continua enquanto pilhas de folhas semelhantes são arranjadas em manocas, isto é, em feixes de folhas similares amarrados por cordas ou outras folhas. A fase termina quando as manocas são comprimidas em fardos, que recebem etiquetas de identificação com o nome do colono, o peso do fardo e sua classificação, em termos de 48 categorias identificadas abaixo. A tabela 8 descreve o critério de classificação: Tabela 8