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8.1 Testresultater

8.1.4 Disk

No contexto de uma estratégia integrada de gestão do risco de instabilizações nas arribas da praia da Zambujeira do Mar, deve proceder-se à sua mitigação mediante dimensionamento de medidas de protecção e de estabilização susceptíveis de serem aplicadas aos três locais avaliados e que, segundo Wyllie (1991), podem ser agrupadas em preventivas e correctivas. Na selecção de possíveis soluções deverá ter-se em conta um conjunto de condicionamentos que resultam quer das características físicas e ambientais da zona, quer das considerações de ordem económica e técnica, de que se destacam:

 Condicionantes morfológicas das arribas, em grande parte de perfil sub-vertical e altura elevada, com dificuldades no acesso a vários pontos das frentes;

 Características geológico-geotécnicas do maciço rochoso onde as arribas foram talhadas;  Condicionantes logísticas de espaço e tempo na execução dos trabalhos, não só devido à

ocupação humana das praias em época balnear mas também às marés que podem inviabilizar a deslocação de equipamentos na preia-mar;

 Equipamento disponível para execução dos trabalhos;  Interesse turístico daquela região;

 Valor paisagístico e ambiental das arribas:

 Segurança dos técnicos e operários envolvidos nos trabalhos, assim como dos transeuntes e banhistas;

 Custo das obras;

Neste contexto, tendo em conta a avaliação anteriormente realizada e os pontos supracitados, apresenta-se na Tabela 7.30 um exemplo de plano de mitigação do risco, tecendo-se seguidamente algumas considerações relativamente à sua aplicabilidade.

Relativamente ao local 2 não é considerada, no curto prazo, a implementação imediata de medidas de estabilização correctivas ou de protecção uma vez que o talude se encontra relativamente estabilizado. A abordagem realizada deverá focar-se essencialmente na redução da vulnerabilidade a longo prazo através do reforço da sinalética de perigo de queda de blocos e proceder à colocação de uma barreira de acesso às zonas mais afectadas por subscavação basal que, apesar de serem somente acessíveis na baixa-mar, correspondem aos locais de maior perigosidade devido à ocorrência de consolas com algum balanço.

Local

Mitigação do risco Estrutural

Drenagem Não estrutural

Medidas de estabilização

Medidas de protecção

Correcção Reforço

2 ‒ ‒ ‒ Superficial com valetas de crista de talude

Aumento/implementação/substituição da sinalização de perigo adequada em locais bem

visíveis (crista e base)

Barreira física (vedação) nas zonas afectadas por subscavação basal

3

Saneamento Desmonte de blocos de

rocha salientes

Pregagens esporádicas associadas a redes de cabos

e malhas de aço / betão projectado

Redes metálicas pregadas/ancoradas

Superficial com valetas de crista de talude

Aumento /implementação/substituição da sinalização de perigo adequada em locais bem

visíveis (crista e base)

Barreira física (vedação) a toda a extensão da base da arriba

4 Saneamento

Pregagens esporádicas associadas a redes de cabos

e malhas de aço / betão projectado

Redes metálicas pregadas/ancoradas

Superficial com valetas de crista de talude

Aumento /implementação/substituição da sinalização de perigo adequada em locais bem

visíveis (crista e base)

Barreira física (vedação) a toda a extensão da base da arriba

Em época balnear deve igualmente proceder-se ao reforço das acções de consciencialização para os riscos inerentes à aproximação ao sopé do talude devido à tendência dos banhistas para utilizar o reduzido declive para disposição de bens próprios. Convém igualmente proceder-se à implantação de valetas de drenagem na crista da arriba devido à natureza friável do material de cobertura, facilmente erodível pela acção da precipitação.

Relativamente aos trabalhos propostos para os locais 3 e 4 da praia da Zambujeira do Mar, sugere-se a sua realização em duas fases distintas. Assim, na primeira fase de trabalhos, deverá proceder-se ao saneamento dos blocos rochosos de pequena dimensão e de material fortemente meteorizado, principalmente no local 3, onde a ZG3 apresenta bastante expressão (Figura 7.45). Neste local deve ainda proceder-se, sempre que possível, ao desmonte de alguns blocos de maior dimensão potencialmente instáveis, de que é exemplo a situação representada na Figura 7.41, mediante equipamentos de desmonte apropriados. Poderá igualmente proceder-se à ancoragem de redes metálicas na crista destas arribas para controlo dos blocos em queda livre. Tal como na situação anterior, recomenda-se o aumento / substituição da sinalização adequada sempre que necessário, assim como a disposição de uma barreira de acesso (delimitação já existente no local 3), a toda a extensão da base das arribas para impedir a aproximação às zonas de risco.

Posteriormente deve proceder-se à implementação das medidas de reforço, nomeadamente a pregagens para fixação das consolas de maior volume, normalmente associadas aos grauvaques da ZG5 (Figura 7.8). Estes elementos rígidos de reforço funcionam por tracção (sem serem pré-traccionados) e consistem, geralmente, em varões de aço de vários tipos envolvidos por material de injecção que, para além de promover a solidarização do varão ao maciço, acumula vantagens em termos de protecção contra a corrosão dos varões o que, no caso em estudo, é particularmente importante devido à precipitação de sais marinhos nas fissuras.

A título de exemplo refiram-se os varões GEWI® que, para além de apresentarem capacidade resistente

superior ao aço corrente (Tabela 7.31), podem ser adquiridos com pintura anticorrosiva ou galvanizados, e são de fácil manobra em zonas de difícil acesso.

Diâmetro

(mm) Área (mm2) Classe do Aço cedência (kN) Carga de Carga de rotura (kN)

32 804 BST 500S 402 442

40 1257 BST 500S 628 691

50 1963 BST 500S 982 1080

63,5 804 S555/700 1758 2217

Tendo em conta os volumes unitários estimados no capítulo 7.2.9 e os resultados da avaliação do mecanismo de rotura de blocos em consola por corte a utilização, em termos teóricos, de uma pregagem por bloco com um varão de 32 mm de diâmetro (carga de cedência de 402 kN) poderá ser suficiente para efectuar a contenção da maioria dos blocos destacados pela compartimentação do maciço, dado que um bloco grauvacóide com γa = 25 kN/m3 e volume de cerca de 4,5 m3 representa

uma força de 112,5 kN. Sabendo, no entanto, que o peso do bloco induz esforços combinados de compressão e tracção à estrutura, os valores apresentados, sendo meramente indicativos, não devem ser considerados em projecto pelo que, em caso de implementação deste tipo solução, terá de ser sempre realizado um correcto dimensionamento da malha.

A estes elementos podem ainda ser associados cabos e malhas de aço traccionadas e ancoradas ao maciço que, com um reduzido impacte visual, promovem o reforço da consola ou bloco instável. A utilização de betão projectado (sempre com furos drenantes) poderá ser aplicada para a estabilização de consolas muito afectadas pela descompressão, onde o risco de queda é muito elevado (Figura 7.12). Para esta solução deverão ser utilizados pigmentos apropriados de forma a reduzir o impacte visual. A instalação de valetas de crista de talude para drenagem superficial permite ainda a recolha das águas de escorrência, dificultando a infiltração e lavagem das fracturas nestas arribas.

Complementarmente, e numa perspectiva de longo prazo orientada para a prevenção, considera-se ainda necessário a efectiva implementação de um plano de monitorização apropriado para as arribas estudadas.

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