O tempo de exposi¸c˜ao ´e o tempo em que o obturador da cˆamera fotogr´afica fica aberto para a capta¸c˜ao da imagem, durante o clique fotogr´afico. ´E neste momento que a imagem ´e registrada no negativo. O tempo de exposi¸c˜ao varia entre mil´esimos de segundo (exemplo: 1/1000 s) at´e alguns minutos. Quanto menor for o tempo de exposi¸c˜ao, mais congelada a imagem fica. O efeito especial splash, que veremos adiante, ´e conseguido com um tempo de exposi¸c˜ao extremamente pequeno, da ordem de 1/10000 s. Para congelarmos a imagem de autom´oveis em movimento, dependendo da velocidade em que se encontram, ´e necess´ario usar um baixo tempo de exposi¸c˜ao. Neste caso, se n˜ao usarmos o tempo de exposi¸c˜ao correto, a imagem apresentar´a o efeito de arraste, cuja caracter´ıstica principal ´e a produ¸c˜ao de uma imagem borrada.
O Quadro 6 (p. 46), de recursos t´ecnicos classifica, o tempo de exposi¸c˜ao em instan- tˆaneo, pose e longa dura¸c˜ao:
Instantˆaneo - corresponde `aquelas fotografias produzidas com baixo tempo de ex- posi¸c˜ao. Geralmente s˜ao fotografias de pessoas, carros ou objetos quaisquer em movimento, que, com o uso da t´ecnica tempo de exposi¸c˜ao baixo, tornam-se conge- ladas ou est´aticas;
Pose - uma caracter´ıstica da pose ´e que a pessoa que se exp˜oe para a fotografia fica parada esperando pelo clique fotogr´afico. Por isso, basta um pequeno ajuste no tempo de exposi¸c˜ao para evitar o borramento provocado por algum movimento involunt´ario da pessoa fotografada;
Longa Exposi¸c˜ao - em algumas situa¸c˜oes ´e interessante fotografar objetos em movi- mento com longo tempo de exposi¸c˜ao para obter o efeito de arraste, que refor¸ca a sensa¸c˜ao de movimento;
Dupla Exposi¸c˜ao - esta t´ecnica consiste em fazer uma tomada fotogr´afica e, em seguida, sem adiantar o filme, realizar outra tomada fotogr´afica, ou seja, realizamos duas fotografias sobre o mesmo negativo. A fotografia realizada com esta t´ecnica apresenta duas imagens sobrepostas.
Exemplos:
Figura 14: Instantˆaneo
Figura 15: Longa exposi¸c˜ao
Fonte: http://cfesas.no.sapo.pt/cf_fotos2.html, 22/04/2006.
Figura 16: Dupla exposi¸c˜ao
4.3.4
Luminosidade
A luminosidade ´e uma vari´avel muito importante na produ¸c˜ao e recep¸c˜ao da fotografia. O usu´ario final pode estar interessado em uma fotografia sobre um determinado assunto ou sobre um determinado objeto, mas gostaria que a fotografia fosse produzida com a luz do dia. O Quadro 6 (p. 46) de recursos t´ecnicos, sistematiza a ilumina¸c˜ao da seguinte forma:
Luz Noturna - corresponde `as fotografias que s˜ao produzidas `a noite;
Luz Diurna - corresponde `aquelas fotografias que foram produzidas durante o dia. As fotos s˜ao geralmente claras e apresentam um bom contraste;
Contraluz - segundo Ramalho e Palacin (2004), a contraluz ocorre quando a ilumi- na¸c˜ao principal est´a por tr´as do assunto;
Luz Artificial - s˜ao as fotografias produzidas com o uso de flash ou refletores. Outro aspecto importante a ser observado ´e a dire¸c˜ao da luz. Segundo Ramalho e Palacin (2004), alterando-se a posi¸c˜ao da fonte de luz causamos profundas mudan¸cas na foto.
Quanto `a dire¸c˜ao da fonte de luz, ela pode ser classificada da seguinte forma:
Ilumina¸c˜ao Frontal - ´e aquela onde a fonte de luz e a cˆamera est˜ao na mesma dire¸c˜ao em rela¸c˜ao ao objeto a ser fotografado. Essa ilumina¸c˜ao valoriza a largura e a altura do objeto iluminado, por´em n˜ao tem impacto na demonstra¸c˜ao da profundidade;
Ilumina¸c˜ao Lateral - com a luz atingindo o assunto lateralmente, sua forma e volume s˜ao ressaltados, assim como sua profundidade;
Ilumina¸c˜ao Baixa ou Alta - segundo Ramalho e Palacin (2004), colocar a fonte de luz bem abaixo ou acima do assunto causa a cria¸c˜ao de sombras e contornos que podem criar um ar de mist´erio ou ressaltar volumes e formas.
Exemplos:
Figura 17: Luz noturna
Fonte: http://www.olhares.com/foto575660.html, 23/04/2006.
Figura 18: Luz diurna
Figura 19: Contraluz
4.3.5
Enquadramento
O enquadramento corresponde ao recorte espacial da realidade representada na foto- grafia. ´E realizado pelo fot´ografo com a varia¸c˜ao do campo de vis˜ao obtido atrav´es do ajuste da distˆancia focal da objetiva. O enquadramento pode tamb´em ser feito depois da obten¸c˜ao da fotografia atrav´es da manipula¸c˜ao da imagem no laborat´orio ou por meio de software de edi¸c˜ao de imagens. Este processo ´e conhecido como reenquadramento e ´e muito utilizado pelos fotojornalistas para concentrar a aten¸c˜ao do observador no mo- tivo principal da fotografia. Desta forma ´e poss´ıvel eliminar os elementos que desviam a aten¸c˜ao do observador do motivo principal da imagem.
Segundo Souza (2002), o enquadramento concretiza-se no plano. A fotografia ´e uma unidade de significa¸c˜ao precisamente porque se consubstancia num plano. Embora as denomina¸c˜oes e as tipologias dos planos sejam vari´aveis, consoante os autores, podemos considerar essencialmente a existˆencia de quatro tipos de planos, com efeitos diferentes ao n´ıvel da expressividade fotogr´afica:
Planos Gerais – s˜ao planos abertos, fundamentalmente informativos, e servem, prin- cipalmente, para situar o observador, mostrando uma localiza¸c˜ao concreta. S˜ao muito usados para fotografar paisagens e eventos de massas (as pessoas podem diluir-se no conjunto, mas podem tamb´em parecer personagens coletivas, com per- sonalidade, forma e peso). Os planos gerais tamb´em podem servir, por exemplo, para fotografias em que o pr´oprio cen´ario ´e a “personagem” (como o peso dos arranha-c´eus sobre as pessoas);
Planos de Conjunto – planos gerais mais fechados, onde se distinguem os interve- nientes da a¸c˜ao e a pr´opria a¸c˜ao com facilidade e por inteiro;
Planos M´edios – servem para relacionar os objetos/sujeitos fotogr´aficos, aproximando-se de uma vis˜ao “objetiva” da realidade; pode-se considerar um plano m´edio mais aberto como um plano de trˆes quartos ou plano americano; pode-se tamb´em considerar um plano m´edio mais fechado como um plano pr´oximo;
Grandes Planos – enfatizam particularidades (um rosto, uma janela, etc.), sendo freq¨uentemente mais expressivos que informativos, embora tamb´em sejam menos polissˆemicos que os planos gerais, j´a que estes ´ultimos possuem mais elementos para consumo do observador. Quando o grande plano ´e muito fechado, denomina-se muito grande plano ou plano de pormenor.
Exemplos:
Figura 20: Plano m´edio
Fonte: http://www.olhares.com/foto607928.html, 23/04/2006.
Figura 21: Plano americano
Figura 22: Close ou Grande plano
Fonte: http://www.olhares.com/foto609031.html, 23/04/2006.
Figura 23: Detalhe ou Plano pormenor
Embora os tipos de enquadramento que acabamos de apresentar possam ser usados tanto para seres vivos quantos para objetos de um modo geral, com algumas altera¸c˜oes, o Quadro 6 (p. 46) faz distin¸c˜ao entre enquadramento de seres vivos e enquadramento de objetos fotografados.