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Discussions & Conclusions

A diminuição da energia face aos segmentos adjacentes continua a ser uma pista importante também para identificar a vibrante alveolar. Outro aspeto igualmente saliente, no espectrograma destes segmentos, é a curta duração que apresentam por comparação com as restantes líquidas em estudo. Estas características são comuns às diferentes realizações fonéticas encontradas para a vibrante alveolar.

A realização da vibrante alveolar, de acordo com as descrições tradicionais, é apresentada nas Figuras 27 e 28. A descontinuidade espectral observada, sem evidência de um padrão definido da estrutura dos formantes e a libertação de energia na porção final do segmento, são características a destacar desta realização que surge em todas as posições silábicas em estudo, embora a sua frequência de ocorrência seja muito baixa (cf. secção 4.3.3. para mais detalhes sobre a percentagem de ocorrência).

152 Apesar destes autores apresentar descrições referentes à lateral alveolar, optou-se por manter estas

descrições nos quadros relativos às restantes líquidas, uma vez que foram utilizados, sistematicamente, os mesmos símbolos para representar características espectrais semelhantes.

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Figura 27: Forma de onda e espectrograma da palavra <parede>, destacando [ɾ] em ataque simples, produzido pelo informante DS.

Figura 28: Forma de onda e espectrograma da palavra <capricho>, destacando [ɾ] em ataque ramificado, produzido pelo informante DS.

No que concerne à identificação das transições entre os segmentos, é notório o facto de que, de modo generalizado, o declive da transição de F2 é menos acentuado do que o verificado para os segmentos laterais [l] e [ʎ] apresentados nas secções anteriores, independentemente do contexto vocálico em análise. Este aspeto confere maior suavidade quer à transição de F2 do /ɾ/ para a vogal nuclear (nas posições de ataque simples e ramificado), quer à transição de F2 da vogal nuclear para o /ɾ/ em coda. Ainda assim, é possível atestar uma curva ligeiramente ascendente (quando o /ɾ/ ocorre em ataque

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simples e ataque ramificado) ou descendente (quando o /ɾ/ ocorre em coda) perante vogais anteriores (cf. Figuras 27, 28, 29 e 30). Quando a vogal nuclear é posterior o comportamento da transição de F2 é oposto ao descrito anteriormente (cf. Figura 31). Um outro comportamento a destacar encontra-se ilustrado na Figura 28, e corresponde à transição da oclusiva para a vibrante alveolar. Quando a vibrante ocorre em ataque ramificado é possível definir com maior certeza a transição de F2 para /ɾ/, contrariamente ao descrito para a lateral alveolar na mesma posição silábica. Considerou-se como transição o elemento que surge entre a oclusiva e a vibrante, cuja configuração dos formantes se aproxima à de uma vogal, distinguindo-se pela sua menor duração face à vogal nuclear. Na Figura 29, o símbolo utilizado para anotação da realização fonética do fonema /ɾ/ foi o de uma aproximante alveolar vozeada [ɹ], uma vez que a realização em causa evidencia continuidade espectral com o padrão bem definido de frequência de formantes, características estas que não são compatíveis com o descrito tradicionalmente para a vibrante alveolar simples ou “tap”.

A clara semelhança entre o segmento aproximante [ɹ] e as vogais adjacentes dificulta a identificação da realização deste segmento. Neste sentido, diferenças ligeiras ao nível da energia e da amplitude da forma de onda foram as pistas utilizadas. Estas diferenças subtis entre segmentos também dificultam a identificação de transições mais ténues dos formantes.

Ainda relativamente às transições, designadamente a transição de F2 da aproximante [ɹ] em coda para o segmento seguinte (cf. Figura 30), observa-se, em alguns casos, um elemento com um padrão de frequências de formante bem definido, semelhante a uma vogal. Porém, esta situação não ocorre de forma sistemática, pelo que carece de mais dados para uma discussão mais aprofundada.

Esta realização ocorre em todas as posições silábicas em estudo, embora com menor frequência na posição de coda.

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Figura 29: Forma de onda e espectrograma da palavra <parede>, destacando [ɹ] em ataque simples, produzido pelo informante PM.

Figura 30: Forma de onda e espectrograma da palavra <divirto>, destacando [ɹ] em coda, produzido pelo informante DS.

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Figura 31: Forma de onde e espectrograma da palavra <marujo>, destacando [ɹ] em ataque simples, produzido pelo informante AB.

A realização fonética de /ɾ/ mais frequente é a fricativa alveolar vozeada. Esta realização está presente em todas as posições silábicas, embora com maior prevalência para a posição de coda. É identificada a partir de características espectrais como a presença de ruído de fricção no espectrograma, ausência da clara definição dos formantes, para além da redução da amplitude da forma de onde face aos segmentos adjacentes e da curta duração já identificadas para [ɾ] e [ɹ] (cf. Figura 32).

A diferença entre a realização da aproximante [ɹ] e a fricativa alveolar [ɹ̝] prende-se com o grau de constrição do trato vocal. O diacrítico utilizado para representar este aspeto é o [ ̝ ] (“raised”). No Alfabeto Fonético Internacional (AFI), o exemplo fornecido para este diacrítico é precisamente o da fricativa alveolar vozeada [ɹ̝]

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Figura 32: Forma de onda e espectrograma da palavra <acerto>, destacando [ɹ̝] em coda, produzido pelo informante PM.

Foram ainda encontradas outras cinco realizações diferentes das descritas anteriormente que, por serem menos frequentes, os seus exemplos são apresentados no anexo 4.

No Quadro 26 são apresentados, de forma sistemática, os símbolos utilizados para anotação das diferentes realizações de /ɾ/ e as respetivas características espectrais e temporais.

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Quadro 26a: Símbolos utilizados para anotação das realizações fonéticas do /ɾ/ e respetivas características espectrais. Símbolo IPA Símbolo SAMPA Descrição

Fonética Características Autores

[  ] [ 4 ]

Vibrante alveolar / tap / batimento

- Redução de amplitude da forma de onda face aos segmentos adjacentes;

- Irregularidade da forma de onda; - Descontinuidade153 espectral,

demonstrada pela presença de uma coluna vertical branca decorrente do breve contacto entre os articuladores;

- “there was evidence of a stop-like pattern frequently with a burst present”154;

- Duração reduzida.

Punnoose (2010) Silva (1996)

Bradley & Willis (2012) Rogers (2006) Baltazani & Nicolaidis, (2013) [  ] [r\ ] Aproximante alveolar vozeada

- Redução de amplitude da forma de onda face aos segmentos adjacentes;

- Forma de onda regular, embora com menor amplitude do que as vogais; - Clara definição das frequências dos formantes;

- Duração inferior às vogais.

Ladefoged & Maddienson (1996) Ladefoged (2003) Nishida (2005) Willis & Bradley (2008)

Bradley & Willis (2012) Punnoose (2010) Rogers (2006) [ ɹ̝ ] [r\_r ] Fricativa alveolar vozeada

- Redução de amplitude da forma de onda face aos segmentos adjacentes;

- Forma de onda irregular;

- Presença de ruído no espectrograma; - Ausência da clara definição do padrão de frequências dos formantes;

- Curta duração face aos segmentos adjacentes Ladefoged & Maddienson (1996) Falgueras (2001) D iacrít ic os [ ] [ _0]

Não vozeado - Descontinuidade no traçado de F0 (pitch) / nos harmónicos;

- Ausência de pulsos glotais.

[  ] [_?\]

Pharyngealized - Descontinuidade espectral entre a líquida

e as vogais seguintes;

- Existência de uma taxa espectral abrupta entre a lateral e o segmento vocálico seguinte;

- Breve explosão de energia - “burst”- rápido aumento de energia assemelha-se a um "abrupt offset"; Dalston (1975) Espy-Wilson (1994)155 Baltazani & Nicolaidis, (2013) [

̝

] [_r]

Raised - Presença de ruído no espectrograma associado à produção de uma consoante, mas sem outras características partilhadas pelas fricativas.

Bradley & Willis (2012)

Falgueras (2001)

153 “ The presence of a release burst at the end of some tokens further supports their classification as

noncontinuants (albeit with an incomplete seal), as opposed to approximants, which show a greater degree of continuous formant structure through the constriction period but never a release.” (Bradley & Willis, 2012, p. 51)

154 (Baltazani & Nicolaidis, 2013, p. 129)

155 Apesar destes autores apresentar descrições referentes à lateral alveolar, optou-se por manter estas

descrições nos quadros relativos às restantes líquidas, uma vez que foram utilizados, sistematicamente, os mesmos símbolos para representar características espectrais semelhantes.

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Quadro 26b: Símbolos utilizados para anotação das realizações fonéticas do /ɾ/ e respetivas características espectrais (continuação).

Combinação de símbolos

[  ] [r\_?\] aproximante + “burst”

[ɹ̝ ] [r\_r_?\] fricativa alveolar vozeada + “burst”

[ɹ̝̊] [r\_r_0] fricativa alveolar + voiceless

[ ] [r\_r_?\_0] fricativa alveolar + “burst” + voiceless

[] [4_0] vibrante alveolar + voiceless