Stock e Lambert (2001) argumentam que a aplicação do conceito de SCM em uma organização envolve os processos chaves do negócio, que se iniciam no cliente final e segue até os provedores de suprimentos para a produção, integrando produtos, serviços e informações que agregam valor tanto para o cliente como para os demais integrantes da cadeia (produtores, fornecedores, compradores, acionistas, etc).
No mercado de hortaliças, a comercialização do produto é afetada, particularmente, pelo fato de os produtos dependerem de períodos limitados para serem colhidos, ou seja, são produtos que não podem ser estocados por longos períodos. Portanto, gerenciar todos os
processos de coleta e de distribuição pode ser o grande diferencial das organizações desse mercado, principalmente com relação aos custos. A variável mais importante é o tempo de permanência do produto na cadeia até chegar ao consumidor.
Partindo do princípio de que é necessário organizar e gerenciar a cadeia de hortaliça, não de forma isolada, mas integrada com o mercado e de maneira a diminuir o tempo de permanência dos produtos na cadeia, optou-se por analisar os setes passos propostos por Stock e Lambert (2001) para o desenho de uma cadeia de suprimentos a partir da integração dos processos logísticos. Esses passos podem ser construídos da seguinte forma:
– Estabelecimento dos objetivos da cadeia de suprimentos: a organização dos produtores deverá estabelecer os objetivos para a sua cadeia de coleta e distribuição com base no conceito da cadeia de suprimento, em que se busca atender a todos os objetivos desde o consumidor final até os fornecedores de matéria-prima.
– Formulação da estratégia para cadeia de suprimentos: a partir do estabelecimento dos objetivos, devem ser definidas as estratégias necessárias para garantir a qualidade dos produtos, reduzir os custos logísticos, garantir preços de compra mais competitivos e melhorar o atendimento da demanda, em parceria com os produtores e os integrantes do mercado.
– Determinação de estruturas alternativas da cadeia de suprimento: por ser uma cadeia altamente pulverizada, ainda é difícil estabelecer um único canal de comercialização para os produtos, sendo importante estabelecer outros canais e, assim, buscar um melhor aproveitamento e a otimização dos recursos disponíveis.
– Avaliação da estrutura da cadeia de suprimento alternativa: é importante analisar qual das estruturas garante melhor qualidade, a diminuição dos custos, a continuidade do fornecimento e a comunicação.
– Seleção da estrutura da cadeia de suprimento que apresenta o melhor resultado: atuar com a estrutura que melhor responde as questões relacionadas à qualidade do produto, aos custos, à continuidade de fornecimento e à comunicação.
– Determinação de alternativa individual para os membros de cada cadeia de suprimento: a logística de coleta pode ser padronizada por cada produtor, mas na cadeia de distribuição deve-se levar em conta os diversos pontos de distribuição, dependendo da forma de relação existente entre o mercado e a organização. Nesse contexto, é de suma importância reconhecer as restrições e definir alternativas que minimizam essas restrições.
importante, considerando que os resultados da cadeia de suprimento dependerão do comprometimento de cada um dos integrantes nos diversos processos da cadeia. Reconhecer essas pessoas e criar uma boa relação com elas é também fundamental para a integração da cadeia.
– Medição e análise do desempenho da cadeia de suprimento: é importante criar indicadores para permitir a avaliação do desempenho da cadeia nos diversos processos. Medir, analisar e compartilhar esses indicadores com os diversos membros da cadeia é uma estratégia fundamental para a integração e a otimização dos recursos.
– Análise de alternativas quando os objetivos propostos não estiverem sendo atendidos: essa é uma etapa de retroalimentação do sistema, ou seja, avaliar se os objetivos propostos estão sendo atendidos e, caso necessário, redefini-los.
Também colabora com esses passos para a integração dos processos logísticos o modelo proposto por Figueiredo, Prescott & Melo (2004), que também indica ações para apoiar a estruturação de uma cadeia de forma integrada. O modelo é composto por duas fases:
• Primeira fase é a escolha de um coordenador da cadeia de hortaliça selecionado e mantido pelo grupo (produtores e varejistas), cujo papel é o de coordenar a cadeia de forma integrada, tendo como tarefa ratificar o objetivo comum estabelecido pelo grupo: aumentar a rentabilidade e manter a qualidade dos processos e produtos de forma competitiva. O pré-requisito para a escolha do coordenador é o conhecimento e prática em gestão da cadeia de sistêmica, que lhe permita fazer um diagnóstico dos principais gargalos da cadeia e sua necessidade de qualificação
• Segunda fase: é a introdução de recursos tecnológicos para facilitar a integração das informações e programação das atividades.
A capacitação para gestão da cadeia integrada de hortaliças só será realizada se abranger todos os elos da cadeia e a participação dos envolvidos no processo de produção e de distribuição (produtores, encarregados da seleção do produto, da armazenagem, da compra, do manuseio, da reposição). Um outro ponto importante é que a concepção do modelo é sustentada pela visão integrada da cadeia; ou seja, os participantes em cada elo têm conhecimento e informação sobre os elos posteriores e anteriores.
É importante ressaltar que cada um dos passos na construção de uma cadeia de suprimento integrada passa pela estruturação de canais de comunicação sem ruídos, ou seja,
pela criação de uma rede social de relacionamento que permita criar e aprimorar uma relação de confiança entre os integrantes da cadeia.
A operação de uma cadeia integrada requer, portanto, o fluxo contínuo de informações, que, por sua vez, contribuem para o aprimoramento dos fluxos de produtos.
Woods (1998) defende que o conceito de SCM fornece um quadro útil na análise das relações entre as organizações envolvidas nas alianças horizontais e verticais, no intuito de buscar a responsividade junto aos consumidores, isto , é, respostas rápidas e precisas às demandas dos clientes, sem alterações do nível de qualidade do produto ou serviço.
Segundo Diniz e Figueiredo (2007), para integrar a cadeia logística de hortaliças de uma organização de base econômica familiar, é necessário observar alguns aspectos importantes:
a) no que tange à cadeia de coleta dos produtos do campo até o galpão da organização de produtores, para a seleção e classificação dos produtos, é possível estabelecer um fluxo de informações entre estas cadeias;
b) no que tange à cadeia de distribuição, deve-se estabelecer diversos fluxos de integração entre os diversos pontos de distribuição no mercado, pois o tipo de relacionamento entre os pontos de distribuição são diferentes. Esse tipo de reconhecimento é primordial para modelar a integração da cadeia.
3 METODOLOGIA E APLICAÇÃO