QUADRON.º 1
Mulheres contempladas com legados por intermédio da Santa Casa da Misericórdia de Macau, entre 1633 e 1642
Nome das herdeiras 402 Elementos caracterizadores Tipo de legado
Paula Escrava «Casta Java» 403 Deveria servir o hospital du- rante quinze anos, findos os quais ficaria forra
Jovem escrava Escrava «casta china»404; en- contrava-se em casa de Ber- narda Graces;
Ficaria na posse de uma afi- lhada do testador;
399 ARSI, Jap-Sin 123, «Alguãs cousas do Gouernador de Macao», fl. 58. 400 Idem.
401 Embora o excerto documental a que recorremos, se insira num contexto difamatório, característico das contradições entre diferentes ordens religiosas, não podemos deixar de reco- nhecer verosimilhança na situação dramática descrita: «[…] Ouue escomunhões, a que tambem o Gouernador ueo a obedecer. ficou porem tam magoado que sobre antes de obedecer a mandar per dous Clerigos emprazar para a India ao Santo officio per heresias e elle mesmo o fazer per si a porta da see perante muita gente. depois lhe foy leuantando grauissimos crimes em materias torpissimas, em que os da parte do Giuernador fallauam a bandeiras despregadas, e pera mor infamia prendeo duas molheres huã com cor de ser alcouuiteyra do padre. e outra por estar prenhe delle (heram molheres da terra) (…). Estas Infamias tiueram origem dalguãs cousas que o padre Comissario fez com nam muita cautella. como foy aiuntar iunto do seu mosteiro alguãs molheres da terra deuotas. Como aqui aqui estam na madre de deos e querer liurar alguas mossas de ma uida que lhes dauam as senhoras em que entrou a prenhe delle, as recolhidas diziam que as tinha para usar mal dellas, e sobre isto e outras cousas lhe fizeram depois humas trouas muito infames. (…) A mossa prenhe esteue no Aljube ate parir, e querendose confessar apressada do parto. hum Clerigo que entam corria com a igreia de S. Lourenço a nam quis confessar sem ella primeiro fora da confissam confessar de quem estaua pejada. E assi o fez ficando bem frustrados assi o clerigo, como os mais que estauam esperando o parto dizendo que auia de naser o ante christo de noite E isto ate seculares o diziam em Santo Agostinho e nesta terra esta hum delles porem a Confissam foy que ella estaua prenhe dum clerigo que moraua paredes meas com o senhor da mossa (por cuja intercessam cuydo eu que o padre Comissario fez com o senhor da mossa que lho uendessem depois de pejada polla maa uida que o senhor lhe daua a moca pario e o filho lhe morreo dahi ha poucos dias no mesmo Aljube pode ser seria pello mao trato que lhe dauam.», idem, fls. 59-59v.
402 Referência nominal segundo a ordem cronológica da fonte consultada, AHM, Santa Casa da Misericórdia, Legados, fls. 31-38v.
403 AHM, Santa Casa da Misericórdia, Legados, fl. 32. 404 Idem.
Jovem escrava Maria Catona Mulher em idade núbil (?) Mulher em idade núbil (?) Mulher em idade núbil (?) Mulher em idade núbil (?)
Escrava «casta bengala» 405; vivendo em casa de Manuel da Veiga e de sua mulher à data do legado, foi viver pos- teriormente em casa de Luís Homem;
Vivia em casa de Luís Homem;
Filha de Sebastião Correa de Carvalho; até ao seu casa- mento os bens ficariam nas mãos do marido da testadora, Matheus Ferreira de Proença;
Cunhada de Nuno Cassela
Filha mais velha de Manuel Godinho, escrivão.
Filha de Catarina Ribeira viúva que morava na freguesia de Santo António;
Órfã, filha de Pero da Rocha, defunto;
Deveria servir uma «meni- na»406 de nome Maria durante trinta anos;
Herda uma escrava «casta bengala» 407, e vinte pardaos de reales que ficariam empregues «a ganhos» 408 até se casar; Herda «cem pardaos» 409, «hum vestido de sitim verde com seo jubão branco lavrado de renda» 410, «doze manilhas de ouro» 411, «dous pares de pen- samentos com suas pérolas de luz rubins pequeninos» 412, «huma corrente de prata com sua chave» 413, «quatro anéis dous de aljofres, dous de rubins» 414, e «sinco saraças» 415 100 patacas para ajuda do seu casamento;
100 patacas 100 patacas
500 cruzados de Afonso Fran- cisco Fernandez, e 200 pata- cas de Isabel Vieira
500 patacas que deveriam ficar «a ganhos nas viagens de Jappão e Manila» 416. 405 Ibidem. 406 Idem, fl. 33v. 407 Ibidem. 408 Idem. 409 Ibidem. 410 Idem. 411 Ibidem. 412 Idem. 413 Ibidem. 414 Idem. 415 Idem, fl. 33v. 416 Idem, fl. 34.
Luísa Isabel Ana Isabel Annica Joana Maricas
Comprada com 20 dias de idade, foi criada como filha por Afonso Francisco Fernan- dez; Isabel Vieira deveria ficar de posse da prata legada em testamento por Afonso Fran- cisco Fernandez;
Escrava forra, «casta Japoa» 417, tinha como patrona Isabel Vieira;
Órfã, filha de Gonçalo Vieira, cunhado de Afonso Francisco Fernandez, e irmão de Isabel Vieira;
Filha de Francisco Martins;
Escrava «casta china» 418
Escrava «casta china» 419
Filha de Mónica de Souza, mulher escrava que perten- cera à testadora, Beatriz de Souza
500 cruzados.
200 cruzados.
Uma escrava de «casta ben- gala» 420 de nome Domingas, 200 pardaos, panos, saraças, e um «par de pençamentos» 421.
A liberdade, 200 pardaos de reales, e duas escravas, uma de «casta bengala» 422, e outra de «casta Macaçar» 423.
A liberdade e 100 taeis para o seu casamento.
500 taeis, uma escrava, «duas voltas de cadea» 424, «huma valsa de rocar com seo lova- do» 425, «tres aljofres» 426, «dous
417 Idem. 418 Idem, fl. 33v. 419 Idem, fl. 36. 420 Idem. 421 Ibidem. 422 Idem. 423 Idem, fl. 34v. 424 Idem, fl. 35. 425 Idem. 426 Ibidem.
Isabel de Almeida Orfãs da cidade Ana Fernandez Inês Jeronima Rodrigues e Clara Rodrigues Martinha Maciel e Catarina Maciel
Filha de Rafael de Almeida e de D. Ana de Souza
Irmã de Lourenço Gomes do Rosário.
Escrava, 6 anos de idade
Filhas de Pero Rodrigues Seco, tio do testador, Manuel da Cruz Ferrão
Filhas de Pero Maciel da Costa, tio do testador, Manuel da Cruz Ferrão
pares de pensamentos» 427, «dous aneis» 428, «huma rosa de cabeça» 429, «hum chão com quatro aljofrez» 430, «hum reli- cario de Seilão» 431, «dezasete butões de prata sobre dou- rada» 432, e «hum caixão com seo fato de vestir» 433.
100 taeis de prata corrente.
1500 taeis para ajuda dos seus casamentos.
As casas que o seu irmão, e testador, tinha na Rua Direita.
A liberdade, 150 pardaos de reales, e uma escrava «casta macassar» 434.
Duas «moradas» 435 de casas grandes.
Duas «moradas» 436 de casas pequenas.