3. SPECIAL SITUATIONS
3.2 DISCUSSION OF THE COOPERATION AGREEMENT
A coleta de dados nas ciências sociais abrange um universo de elementos normalmente tão complexo que se torna impossível considerá-los em sua totalidade. Para fins de coleta de dados é muito frequente extrair uma amostra da população. Essa amostra pode ser classificada como uma amostra probabilística ou não-probabilística. É importante que a seleção de uma parte da população seja representativa para que a pesquisa tenha validade científica.
O universo de estudo potencial para responder o programa de pesquisa pode abranger Eco e InVC no âmbito local, nacional ou mundial. Naturalmente, a escolha destes limites de pesquisa é afetada diretamente pela disponibilidade de tempo/recursos, bem como pela conveniência e interesse a serem atendidos.
Conforme já tratado no capítulo 2 a InVC em países desenvolvidos, particularmente no EUA, é muito mais dinâmica e representativa, o que facilita o desenvolvimento de pesquisas mais amplas e profundas, inclusive em caráter quantitativa. Por outro lado, também como já foi ressaltado, os Ecos destes países, particularmente os EUA, possuem uma natureza menos formal/estruturada e mais espontânea. Assim, para efeito de pesquisar a influência dos Ecos na InVC torna-se vantajoso e relevante analisar o fenômeno no ambiente onde os Ecos e a própria InVC tenham sido estruturados e fomentados por meio de programas, estratégias e políticas públicas formais. Desta forma, países como Israel e Brasil configuram alternativas mais
apropriadas para a realização de uma pesquisa que pretende ser Qualitativa e Descritiva. Soma-se a isso, a própria questão da disponibilidade de tempo/recursos e do interesse do autor no caso brasileiro.
Assim, o levantamento de dados foi realizado junto a entidades gestoras de fundos de VC brasileiros com experiência em operação de investimentos em empresas nascentes há pelo menos 10 anos. Os fundos escolhidos possuem uma peculiaridade de operarem recursos providos pelos dois principais programas governamentais de apoio a InVC no Brasil: o Programa INOVAR da FINEP e o Programa CRIATEC do BNDES. Além disso, as gestoras de Fundos de VC escolhidas possuem uma atividade bastante constante e intensa no âmbito da ABVCAP, entidade associativa que reúne as empresas do setor que defende os interesses da InVC no país. Finalmente, vale a pena destacar, que estas empresas de VC possuem histórico de relacionamento com mecanismos de suporte a empresas de diversos Ecos brasileiros, de forma que conhecem as vantagens e problemas das incubadoras de empresas e parques tecnológicos do país. As entrevistas e levantamento de dados com estas gestoras foram realizadas junto aos principais dirigentes e analistas com grande experiência a fim de assegurar o nível de conhecimento necessário para a pesquisa e, consequentemente a resposta ao problema de pesquisa formulado no âmbito desta tese de doutorado. No total, foram entrevistados pelo menos 10 fundos por meio de seus respectivos dirigentes a serem pesquisados no Brasil. Importante destacar que no caso dos fundos brasileiros não há uma concentração num Eco já que praticamente todos atuam de forma regional ou nacional não restringindo-se a um Eco específico. Assim, de forma a responder o problema de pesquisa, cada fundo será questionado acerca dos principais Ecos em que atuam, prospectam EI e realizam investimentos de VC. Particularmente no que se refere aos Ecos, em função da experiência profissional e institucional do autor neste segmento devido à ligação com a Fundação CERTI (que gerencia incubadoras, parques tecnológicos e outros mecanismos de geração de empresas em Florianópolis) e ANPROTEC, a análise da percepção dos atores e lideranças da InVC foi contextualizada no âmbito dos Ecos fortemente estruturados e capazes de prover deal flow de EIs atraentes e competitivos.
Assim, em que pese a pesquisa não ter envolvido formalmente os representantes e lideranças do segmento de Ecos, já que este não era o alvo do vetor da pesquisa, é importante observar que o levantamento junto aos atores da InVC levou em consideração as características técnicas e institucionais dos principais ecossistemas brasileiros em função da vivência do autor durante mais de 20 anos atuando neste meio.
Além disso, também foi desenvolvido um trabalho de interação com Fundos VC e lideranças associadas a Ecos de grande destaque nos EUA, especificamente o Silicon Valley na região de San Francisco/Califórnia e a “Boston Region”, polo de inovação estruturado no entorno das universidades de Harvard e MIT (Massachusetts Institute of Technology) na região de Boston/Massachusets. O Objetivo desta interação é avaliar a visão destes gestores que operam na principal InVC do mundo e que, ao mesmo tempo, convivem no âmbito de Ecos dinâmicos e provedores de EI extremamente bem sucedidos, competitivos e destacados mundialmente em termos de inovação. Mesmo constituindo uma interação informal que não pretende adotar os mesmos critérios aplicados à pesquisa no Brasil, esse processo de relacionamento com lideranças da InVC dos EUA foi extremamente ilustrativo e importante para permitir comparações do estágio de evolução tanto dos Ecos como da InVC no Brasil e no exterior.
Definida a população e extraída a amostra, a próxima etapa foi a escolha dos instrumentos de pesquisa. Cada um desses instrumentos tem seus desdobramentos e suas peculiaridades, as quais precisam ser consideradas para garantir a qualidade dos dados coletados. Em geral, os instrumentos de pesquisa mais utilizados em ciências sociais são a observação (simples, sistemática e participante); os questionários, as entrevistas (estruturada, semiestruturada e não-estruturada) e a documentação (de fonte primária ou documental; de fonte secundária ou bibliográfica).
Na sequência, as técnicas de levantamento de dados são escolhidas em função do tipo de pesquisa e da abordagem a ser adotada visando gerar os dados e informações mais apropriados para a análise e intepretação que permita entender melhor o problema e responder as questões de pesquisa. Desta forma, pode-se optar entre diversas alternativas tais como: entrevistas, questionários, observação, análise documental, entre outras.
Parte-se, então, para a fase de coleta de dados e informações por meio de observações e entrevistas não estruturadas ou semiestruturadas, de documentos e materiais visuais. Creswell (2010) propõe que os procedimentos de coleta na pesquisa qualitativa envolvem quatro tipos básicos de coletas: Observações qualitativas, entrevistas qualitativas, documentos qualitativos e materiais audiovisuais.
Após a coleta, parte-se para a análise e interpretação dos dados, marcado por uma forte característica de “simultaneidade”, uma vez que se caracteriza por um processo permanente de reflexão, interpretação, questionamento, codificação, categorização, descoberta, redescoberta e registro, tudo ao mesmo tempo.