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Chapter 5 Discussion

5.2 Further Discussion/Observations

O primeiro contato com este modelo de intervenção sistémica deu-se no âmbito do Curso de Mestrado em Enfermagem na Área de Especialização de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria, no primeiro semestre. Desde logo, houve uma identificação entre os princípios e pressupostos deste modelo com o meu saber ser, saber estar e saber fazer no contexto profissional. O conhecimento mais aprofundado deste modelo conceptual permitiu um conhecimento mais estruturado e ancorado na prática baseada na evidência.

Assim, perspetivou-se o desenvolvimento de um programa de intervenção de enfermagem promotor do desenvolvimento da criança, sustentado neste modelo para futura implementação no contexto profissional. Nesse sentido, foi dado a conhecer essa vontade à equipa multidisciplinar, que demonstrou interesse na sua concretização. De forma a perceber a viabilidade do projeto, procurou-se a FBGP,

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que manifestou interesse em colaborar e, decorrente destas incursões ao terreno, foi estabelecida uma parceria, pelo que foram agendadas diversas reuniões para o planeamento e sua concretização/operacionalização.

Para tal, tornou-se crucial frequentar um curso de formação neste modelo, participando assim, no curso Intensivo em Touchpoints, promovido pela FBGP, com 40 horas de duração. Além das competências científicas e técnicas adquiridas, ancoradas no paradigma desenvolvimental defendido neste modelo, a mais-valia revelou-se no desenvolvimento de competências relacionais, pelos princípios orientadores e pressupostos parentais que defende.

A perspetiva positivista e colaborativa que este modelo defende, torna-se determinante para o desenvolvimento de relações de aliança, partilha, de confiança e empatia, entre as famílias e os profissionais de enfermagem, desenvolver o máximo potencial do sistema criança-família, e consequentemente, atingir o equilíbrio de bem-estar desse sistema, isto é o sucesso familiar. Na perspetiva do enfermeiro permite também a satisfação e o desenvolvimento profissional, sentindo- se um profissional mais competente, opinião corroborada nos resultados do estudo realizado por Soares, Pereira, e Barbieri-Figueiredo, (2015) com enfermeiros que utilizam este modelo na sua prática com as famílias, os resultados revelam que estes consideram ter contribuído para o seu processo de aprendizagem e satisfação, assim como para a satisfação dos pais.

Para o desenvolvimento e satisfação profissional, salienta-se a prática reflexiva, que é um dos pilares deste modelo, conduzindo ao “repensar” das práticas de cuidados. Assente numa mudança paradigmática, os seus princípios orientadores exigem uma postura de relação para com as famílias, reconhecendo as suas forças, vulnerabilidades, valores e preocupações. O princípio orientador “reconheça o que traz para a interação”, é um exemplo claro de como este modelo nos exige a repensar na nossa prática, de como as nossas atitudes, valores e crenças podem ser facilitadores ou barreiras no contato com as famílias.

No contexto desta formação, foi-nos apresentado uma das mais-valias deste modelo conceptual, que assenta no princípio “use o comportamento da criança como linguagem”, que é a Neonatal Behavioral Assessment Scale (NBAS), que da sua aplicação clínica, deu origem à Newborn Behavioral Observations (NBO) (Gomes- Pedro, 2005). Esta é considerada um instrumento de favorecimento relacional, tanto

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entre pais e bebés, como entre pais e profissionais, funcionando como um alicerce das partilhas continuadas e progressivas ao longo do ciclo de vida (Gomes-Pedro, 2003). Permite conhecer todo o repertório neuro-comportamental do bebé, assim como a sua individualidade e identidade, o seu estilo temperamental e as suas competências adaptativas (Gomes-Pedro, 2005). Sendo o foco deste instrumento a construção da vinculação segura entre a díade/tríade (Nugent, 2013, 2015).

A influência do modelo Touchpoints na enfermagem pediátrica é notória, verificando-se a mobilização dos seus princípios orientadores e pressupostos parentais nos Guias Orientadores de Boa Prática em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, da OE (OE, 2010a, 2015a).

No atual PNSIJ, também é evidente a influência do modelo Touchpoints, embora de forma implícita. Em reunião com FBGP e a docente orientadora, surgiu a possibilidade de analisar o atual PNSIJ à luz do modelo e realizar uma proposta para um futuro PNSIJ, integrando-o de forma explícita (apêndice VII).

Nessa sequência, e considerando a mais-valia da NBO como intervenção para potenciar o sucesso familiar, foi realizada uma scoping review com o objetivo de mapear o conhecimento existente sobre a utilização da NBO, de forma a considerar a sua inclusão na proposta do programa, para implementar nas CVSIJ.

Esta foi elaborada seguindo as orientações do Joanna Briggs Institute (JBI) Reviewers’ Manual de 2015 (JBI, 2015). Para melhor compreensão dos resultados obtidos, foi realizado um protocolo de scoping review onde foram descritos os objetivos, critérios de inclusão e a estratégia utilizada na extração e descrição dos dados (apêndice VIII).

Os resultados da Scoping Review (apêndice IX) demostraram que a NBO é um instrumento flexível, podendo ser aplicado em diversos contextos como o hospitalar ou comunitário (Centros de saúde, domicílio, maternidades, etc), e por diversos profissionais, como enfermeiros, médicos, profissionais da equipa de intervenção precoce, entre outros.

A sua aplicação pode ser orientada por diferentes objetivos e metodologias, e consequentemente, diferentes resultados, decorrentes do aumento da interação entre os pais-filhos. Na opinião dos pais a intervenção com a NBO promove um aumento da confiança parental, da satisfação e do conhecimento das competências da criança e a sua compreensão sobre o desenvolvimento infantil, reduzindo a

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depressão pós-parto e a ansiedade materna. Na perspetiva dos profissionais de saúde, a intervenção com a NBO permite melhorar a sua relação com as famílias, a sua autoconfiança, e os seus conhecimentos sobre desenvolvimento infantil.

A falta de tempo para a sua utilização foi referida como a principal barreira para a sua utilização na intervenção, contudo é considerada uma intervenção viável para as políticas de saúde, sendo que já é integrada em 3 países como o Reino Unido, a Noruega e a Austrália, baseando-se essencialmente na promoção da vinculação segura e na promoção da saúde mental dos pais e das crianças (Hawthorne, 2015; Nicolson, 2015; Slinning & Vannebo, 2015).

Face ao apresentado, será proposta a integração deste instrumento no programa, a aplicar na 1ª consulta de CVSIJ, uma vez que não está contemplado nenhum instrumento para avaliação do desenvolvimento, apenas a avaliação dos reflexos primitivos, que são itens considerados na NBO.

Considerando o seu impacto na saúde mental da criança e sua família, a integração deste instrumento na 1ª CVSIJ pode trazer grandes benefícios não só para a família, como também para os profissionais de saúde, intervenção sustentada pelas conclusões de uma Selective Review, que considerou o Modelo Touchpoints como uma das abordagens universais e preventivas na área da saúde mental Infantil (Zeanah, Stafford, & Zeanah, 2005).

Os conhecimentos adquiridos no âmbito da formação neste modelo, assim como os resultados obtidos na scoping review efetuada foram essenciais para a definição do programa que se propõe (apêndice X). Este é designado “Todos a crescer”, pois é considerado um programa onde as famílias e os profissionais de saúde são convidados a crescer e a desenvolverem-se.