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Em relação às emoções, os adolescentes tendem a ser vistos como sujeitos que podem ter mau-humor, entusiasmo, ou tédio, com altos e baixos emocionais, não sabendo exprimir seus sentimentos apropriadamente, destaca Santrock (2014), o que pode ser explicado, em parte, em razão desse descompasso de maturação das estruturas cerebrais já citadas. O psicólogo ainda adiciona que os jovens tendem a tomar decisões mais baseados nas emoções, do que em função de pensamento abstrato (função executiva superior), por exemplo, pois não tem ainda a capacidade de administrar plenamente todas as informações advindas do ambiente. Possivelmente, isso possa elucidar a impulsividade, a instabilidade emocional e uma certa dificuldade que eles possam ter em pesar os riscos e as consequências futuras de suas ações.

Torna-se relevante, portanto, acrescentar algumas considerações sobre o Sistema Cerebral de Recompensas (SCR), que de acordo com Taboada (2010, p. 43), pode ser compreendido como “[...] conjunto de estruturas cerebrais responsáveis por premiar com prazer ou bem-estar aqueles comportamentos que se mostram úteis ou interessantes para o indivíduo”.

Rossa (2012) explica, que o SRC é constituído por elementos centrais, quais sejam, o núcleo acumbente, a área tegmentar ventral e o córtex pré-frontal, estando

também relacionado ao sistema límbico (envolvido com as emoções) e a amígdala e o hipocampo (centros fundamentais da memória).

A ativação do SCR, conforme coloca Taboada (2010), ocorre no momento em que a área tegmentar ventral passa a ter subsídios, advindos dos órgãos dos sentidos, sobre da situação do corpo, buscando no córtex pré-frontal elementos acerca da intencionalidade que levou o sujeito àquela atividade. Se o córtex frontal perceber que houve satisfação ou bem-estar na situação/ atividade, a área tegmentar ventral irá liberar dopamina (neurotransmissor), atingindo os neurônios do núcleo acumbente, parte do SCR relacionada à sensação de prazer.

Quanto mais dopamina for despejada, maior é a atividade do núcleo acumbente, consequentemente, maior a sensação de prazer e bem-estar que o sujeito experiencia, aponta Rossa (2012). Essa autora ainda adiciona que, “[...] esse padrão de ativação serve de base para que nosso cérebro aprenda e/ou lembre o que é prazeroso”, portanto podendo intervir em nossa conduta, pois há comunicação com o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões e planejamento das ações.

Nessa direção, Palmini (2010, p. 19) acrescenta que esse sistema funciona como um instigador de nossa exploração do meio na procura de “[...] ‘satisfações cognitivas’ como elementos condutores à felicidade e no evitamento de ‘punições cognitivas’ que levam a sensações de tristeza e desespero”, portanto também relacionado com a motivação, tanto para a satisfação das necessidades básicas de preservação da espécie, como comer, satisfação sexual, proteção da prole, etc., como também para a obtenção de sensações prazerosas e bem-estar em tarefas do dia a dia.

Na adolescência, o núcleo acumbente perde um terço dos receptores dopaminérgicos, ou seja, um número menor de receptores torna mais difícil a ativação do SCR, segundo Taboada (2010), ademais isso pode elucidar o afastamento do jovem das atividades consideradas satisfatórias na infância, iniciando uma procura por novidades (contextos diversos, atividades diferentes, relações sociais, relações sexuais), tentando novos estímulos para o SCR.

De certa forma, essa mudança do SCR, sofrida pelos adolescentes, os impulsiona para buscar conhecer o mundo adulto e assumir novos riscos, que são necessários para experimentação do mundo e para que possa fazer suas escolhas futuras, pondera Taboada (2010).

Por outro lado, destaca Rossa (2012), que essas modificações também podem alterar as atitudes dos jovens de outra forma, como reações de baixo entusiasmo e até

mesmo apatia ou conhecido tédio da adolescência. Reside aí também o risco do jovem se envolver com o consumo de drogas na busca do prazer fácil que tinha na infância.

Todos os autores que citamos, que contribuem para compreensão do SCR (PALMINI, 2010; TABOADA, 2010; ROSSA, 2012), parecem concordar no que diz respeito à Educação, pois destacam que as instituições educativas precisam atentar para todas essas mudanças pelas quais estão passando os jovens, e investir em propostas pedagógicas inovadoras, motivadoras e estimulantes, que ativem o SCR dos estudantes, de maneira saudável, que os levem a um engajamento com as satisfações cognitivas, emoções positivas e bem-estar que o aprender pode proporcionar.

Santrock (2014) agrega que, as experiências ambientais, juntamente com a maturação cerebral, atuam para o desenvolvimento da afetividade na adolescência, sendo que nesse período os jovens podem se tornar mais conscientes de seus ciclos emocionais, bem como serem mais habilidosos ao demonstrarem suas emoções aos demais. Ainda que o autor advirta, que apesar do aumento das habilidades socioemocionais demonstradas pelos jovens, muitos adolescentes não conseguem ter uma regulação emocional eficiente, podendo demonstrar flutuações emocionais. O psicólogo também relaciona emoções com a autoestima, como por exemplo, a baixa autoestima está associada a emoções negativas como a tristeza, sendo que a alta autoestima está conectada com emoções positivas como a alegria.

Lerner e colaboradores (2009, apud SANTROCK, 2014), enfatizaram a importância do Desenvolvimento Positivo dos Jovens (DPJ), refletindo uma abordagem da Psicologia Positiva para compreensão da adolescência. O DPJ ressalta as forças e virtudes positivas do caráter que são aspiradas para os jovens. Os pesquisadores descreveram cinco qualidades positivas que consideraram importantes para serem desenvolvidas pelos adolescentes, auxiliados por programas escolares e/ ou comunitários, inseridos em contextos sociais positivos, quais sejam:

 Competência: perceber de maneira positiva suas ações em diferentes áreas, como social, escolar e física;

 Confiança: autoestima positiva e a noção de pode obter resultados positivos de uma situação em que é capaz de resolver (autoeficacia);

 Conexão: relacionamentos interpessoais positivos, nos âmbitos familiar, escolar e comunitário;

 Caráter: reconhecimento das convenções sociais, pela compreensão da diferenciação entre o certo e o errado; e

 Cuidado/compaixão: manifestar interesse emocional com os demais, em especial àqueles que estão em desvalia.

Das contribuições dadas pelos pesquisadores já citados (PALMINI, 2010; TABOADA, 2010; ROSSA, 2012; SANTROCK, 2014), compreendemos que é de especial importância a construção de programas e projetos, inseridos no contexto escolar, voltados ao público adolescente, que possam servir de apoio e estímulo ao desenvolvimento e à aprendizagens positivas desses jovens, nos âmbitos biológicos, cognitivos e socioemocionais, contribuindo para que possam crescer e tornar-se adultos equilibrados e autônomos, capazes de orientar sua vida a partir de escolhas que lhe proporcionem satisfação e bem-estar.