Voltar-se para o arquivo pessoal José Simeão Leal é, necessariamente, testemunhar a existência de seu passado, repleto de atuações que o tornaram figura ilustre nos meios cultural, artístico e literário; é descobrir seu desejo tácito de construir uma autoimagem, registrada em meio ao acúmulo, à organização e à conservação de seus documentos.
Figura 2 – José Simeão Leal
Fonte: Núcleo de Documentação e Informação Histórica
Regional (NDIHR)
José Simeão Leal nasceu no município de Areia, Paraíba, terra que, segundo a escritora Rachel de Queiroz, estava predestinada a frutificar homens de letras e cultura, referindo-se às origens familiares de José Simeão Leal, no tocante ao seu tio e padrinho, José Américo de Almeida (político e exímio escritor), e a ele próprio,
por ter vivido 87 anos (1908-1996), boa parte de intensa dedicação e contribuição intelectual (OLIVEIRA, 2009, p. 50).
Médico de formação, profissão que JSL exerceu por poucos anos, até ter a oportunidade de se dedicar integralmente à cultura e à literatura, fato que teve início em 17 de janeiro de 1947, quando foi nomeado Diretor do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Saúde (órgão que, depois, passou a se chamar Ministério da Educação e Cultura - MEC), lugar onde desenvolveu um trabalho primoroso, ao transformar uma mera gráfica de papéis burocráticos, cujas atribuições se resumiam em imprimir e arquivar documentos administrativos, em uma das editoras mais expressivas da época, cujos registros apontam que foram publicados pelo MEC mais de dois milhões e meio de volumes, distribuídos no Brasil e no exterior.
Ressalte-se, porém, que a preocupação maior de JSL não estava na quantidade, mas na qualidade das publicações, e era nesse momento em que ele deixava transparecer sua perspicácia e talento para a produção editorial, marcada por edições mais elaboradas, verdadeiras representantes da literatura, da cultura e da arte brasileira da época, como, por exemplo, seus Cadernos de Cultura7. Todo esse contexto, aliado ao seu carisma, fazia com que JSL vivesse rodeado de políticos, poetas, literatos e intelectuais. Cabe mencionar que JSL trabalhou no MEC por “dezoito anos, sete meses e sete dias, aposentando-se em 1965” (OLIVEIRA, 2009, p.131).
Além de médico, editor público e produtor cultural, JSL exerceu outras profissões e funções, como a de Diretor do Departamento Administrativo de Serviço Público do Estado da Paraíba (DASP), e foi nomeado em comissão para o cargo de Diretor da Divisão de Organização e Orçamento do Departamento do Serviço Público. Também foi professor no Lyceu Paraibano; adido cultural no Chile, onde permaneceu de 1965 a 1967, e artista plástico. Chegou a realizar três exposições e a criar cinco esculturas em ferro. A trajetória de vida de José Simeão Leal foi marcada por sucessivos deslocamentos (nacionais e internacionais), principalmente para a Paraíba e para o Rio de Janeiro, por razões pessoais, profissionais ou sociais.
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“Os Cadernos de Cultura eram pequenos livros de bolso de assuntos variados, indo da literatura, às artes plásticas, passando por folclore, teatro, sociologia, antropologia [...]". (OLIVEIRA, 2009, p.43)
O núcleo familiar de JSL era formado por: seu pai, o Sr. Alfredo Simeão dos Santos Leal; a mãe, Dona Maria de Almeida (D. Maroquinhas), de quem herdou o gosto pela leitura; sua irmã, Maria das Neves Leal (Nevy) e por três sobrinhos, Ieda Leal Cordeiro (Ieda Linhares), Lúcia Leal Cordeiro e Antônio Alfredo Leal Cordeiro. Foi casado com Dona Eloah Drummond, com quem viveu por toda a vida e que, em 1996, depois do falecimento do seu marido e atendendo a um pedido dele, doou o acervo ao estado da Paraíba.
Desde então, trazido para a capital, o acervo permaneceu sem lugar definido, sem o devido tratamento e respeito por parte do poder público, que o utilizou de acordo com suas conveniências. Inicialmente, foi conduzido para a Fundação Casa de José Américo; em seguida, retirada e encaminhada para o Hotel Globo, localizado no Centro Histórico da Cidade de João Pessoa. Daí, em 1998, foram retirados documentos bibliográficos e pinturas para compor o acervo da Biblioteca Pública do Estado da Paraíba, localizada na Rua General Osório – Centro – João Pessoa/PB. Já as esculturas foram encaminhadas à Galeria Archidy Picado, do Museu José Lins do Rego, no Espaço Cultural. Do Hotel Globo, os demais documentos do acervo de José Simeão Leal foram transferidos, no mesmo período, para o Casarão dos Azulejos que, na época, abrigava a Subsecretaria de Cultura do Estado da Paraíba, localizada na Rua Conselheiro Henriques, 159 - Centro - João Pessoa/PB. O acervo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), através do Decreto nº 25.155/2004, de 06 de julho de 2004, publicado em 07 de julho do mesmo ano, no Diário Oficial do Estado. Em 2006, toda a documentação foi recolhida para o IPHAEP. Em 2009, parte da documentação encontrava-se sob custódia, no NDIHR/UFPB, e os livros, nas dependências do IPHAEP (OLIVEIRA, 2009, p.25). Atualmente, o acervo JSL (bibliográfico, arquivístico e museológico) encontra-se no NDIHR.
No decorrer da sua vida pessoal e profissional, José Simeão leal conseguiu formar um rico acervo, caracterizado por uma diversidade de componentes, entre os quais, estão os documentos textuais (livros, recortes de jornais, cartas, correspondências etc.), fonográficos (fitas de rolo) e iconográficos (fotografias, cartões e medalhas). Nele é possível encontrar também objetos de museu, como esculturas e pinturas, além de utensílios de uso pessoal. Por essa razão, esse arquivo é uma valiosa fonte de informações, que já foi inspiração para alguns pesquisadores, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação.