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As emoções têm funções cruciais para a vida dos sujeitos mas nem sempre são tão funcionais quanto o desejado. Situações de grande pressão e causadoras de ansiedade como momentos de avaliação exigem controlo para permitir a concentração necessária para a tarefa cognitiva (Mikolajczak & Desseilles, 2012). Pelo contrário, há situações em que os indivíduos antecipam que um aumento de ativação do seu estado emocional poderá trazer-lhes vantagens (Fridja & Mesquita, 1998). Assim, a regulação das emoções pode acontecer no sentido de decrescer a intensidade de uma resposta emocional (down- regulation), mas também pode acontecer de forma a aumentar (up-regulation) ou manter (maintenance) uma resposta emocional (Koole, van Dillen, & Sheppes, 2011). Desta forma, e para que os indivíduos possam beneficiar das suas emoções, convém estar consciente da necessidade de regulá-las, sobretudo quando estas são dissonantes dos seus objetivos e/ou desadequadas das circunstâncias sociais (Mikolajczak & Desseilles, 2012).

Gross (2008) considera a regulação emocional como a forma como os indivíduos experienciam as suas emoções, as expressam e tentam influenciá-las. Por sua vez, Koole, van Dillen e Sheppes (2011) defendem uma definição de regulação emocional mais ampla abrangendo a regulação de emoções conjuntamente com a regulação de estados afetivos mais gerais como o estado de humor, o stress e outros tipos de respostas afetivas.

Em 1991, Lazarus salientou que, perante uma mesma situação, as pessoas podem ter dois tipos de respostas emocionais: as respostas emocionais primárias e as secundárias. Enquanto as respostas emocionais primárias se referem às respostas imediatas das pessoas aos fenómenos significativos, as respostas emocionais secundárias prendem-se com a capacidade dos indivíduos para lidar com as suas próprias respostas emocionais primárias (Baumann, Kaschel & Kuhl, 2007). Assim, a resposta emocional primária, também designada por sensitividade emocional, é um tipo de resposta direta e espontânea, não regulada emocionalmente e revela a facilidade com que uma pessoa se deixa afetar por um estado emocional específico. As caraterísticas pessoais dos indivíduos, as

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particularidades dos estímulos e do contexto são variáveis que podem influir na sensitividade dos sujeitos. Por sua vez, as respostas secundárias são conduzidas pela regulação emocional e são responsáveis pelo regresso a um nível emocional neutro. A mudança entre estes dois tipos de respostas emocionais pode dar-se de forma tão rápida e automática que as pessoas nem se apercebem dos processos pelos quais estão a passar (Mikolajczak & Desseilles, 2012).

À semelhança do que acontece com a sensitividade emocional, a regulação emocional também pode ser afetada pelos atributos pessoais dos sujeitos, pelas caraterísticas dos estímulos e pelas circunstâncias da situação (Koole, van Dillen & Sheppes, 2011). Quer o grau de reatividade, quer o nível de regulação diferem de pessoa para pessoa (Mikolajczak & Desseilles, 2012).

Apesar de, na prática, ser difícil distinguir entre a reatividade (emoção inicial) e a regulação (emoção regulada), concetualmente, é útil fazer esta diferenciação uma vez que se revela mais fácil compreender que as pessoas com maiores dificuldades em gerir as suas emoções são aquelas que têm elevada reatividade emocional e baixa capacidade de regulação. Consequentemente torna-se importante intervir no sentido de diminuir a reatividade e de aumentar a capacidade regulatória (Mikolajczak & Desseilles, 2012). A regulação emocional envolve up-regular as emoções adaptativas e down-regular as emoções maladaptativas (Matthews, Zeidner, & Roberts, 2002).

Ao longo do tempo, vários autores têm proposto diferentes modelos de regulação emocional. Em 1998, Gross desenvolveu um modelo designado por modelo de processo de regulação emocional onde assume que as emoções são originadas por uma sequência de estádios. Numa fase inicial, as pessoas encontram a situação que poderá causar o desencadeamento de respostas emocionais. Num segundo momento, as pessoas podem ou não considerar as caraterísticas dessa situação suscitadoras de emoções. No terceiro estádio, as pessoas fazem avaliações cognitivas dessa situação. Num quarto e último momento, as pessoas revelam as suas emoções expressas no seu comportamento (Gross, 2008; Koole, van Dillen, & Sheppes, 2011).

Gross (2014) salienta que a regulação emocional permite alterações em vários aspetos das emoções: a modificação do tipo de emoção que os indivíduos estão a experimentar; a valência afetiva dessas emoções (positiva ou negativa); a sua intensidade, aumentando-a ou diminuindo-a; a duração da experiência emocional, prolongando ou reduzindo a sua duração; os constituintes das emoções de forma a anulá-los; ou a alteração

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apenas em termos da sua componente expressiva quando, por exemplo, os sujeitos não querem demonstrar aquilo que estão a sentir (Mikolajczak & Desseilles, 2012).

Ochsner e Gross (2008) referem quatro tipos de estratégias que podem ser utilizados para regular emoções indesejadas, identificando-os de forma gradual à medida que um tipo não resulte. O primeiro tipo inclui estratégias antecipatórias que assumem duas formas proativas: selecionar e modificar as situações geradoras de emoções não desejadas. Nas estratégias antecipatórias, a regulação emocional sucede à resposta emocional primária desencadeada pela antecipação dos resultados indesejados. Quando este primeiro tipo de estratégia não resulta, ou seja, quando a situação que despoleta a reacção emocional não pode ser evitada; um segundo tipo de estratégias é o deployment atencional sendo que, neste tipo de estratégia, a pessoa parece encaminhar a sua atenção para outro objeto afastado do estímulo causador da emoção. Da mesma forma, quando os indivíduos não podem usar este tipo de estratégia sendo forçados a prestar atenção ao estímulo, isto pode desencadear um terceiro tipo de estratégia que envolve a mudança cognitiva. Este tipo de estratégia consiste numa tentativa de mudar a sua avaliação cognitiva acerca do fenómeno desencadeador das emoções indesejadas tendo como objetivo reduzir o impato emocional da situação. Duas formas diferentes como este processo pode acontecer são: através da reinterpretação da situação, ou, através de uma assumpção de posição de observador desprendido acerca do evento. Por último, e quando as estratégias anteriormente apresentadas não resultam ou são inaplicáveis, o indivíduo pode ainda adotar um quarto tipo de estratégia que envolve a modulação de resposta; ou seja, a pessoa pode manipular diretamente as expressões fisiológicas, experienciais ou comportamentais das suas emoções através da inibição das suas respostas emocionais espontâneas, através do exagero nas suas respostas emocionais ou através do encaminhamento intencional a um objeto substituto. Ainda algumas outras formas de modulação de resposta emocional são as técnicas de controlo da respiração; o relaxamento muscular progressivo e/ou o consumo de substâncias (Koole, van Dillen, & Sheppes, 2011).

Izzard (2010) identificou sete processos de regulação emocional: processos neurofisiológicos espontâneos que alteram os níveis hormonais; interações entre emoções e o contágio emocional que acontecem entre os indivíduos em situações sociais; processos cognitivos e funções executivas como a monitorização, o controlo do esforço, a reavaliação e a reestruturação cognitiva; utilização adaptativa da energia e da motivação provenientes dos processos neurobiológicos da emoção; processos desenvolvimentais e

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de aprendizagem que assumem padrões de resposta emocional eficazes para o indivíduo; processos sociais como a aceitação ou a reprovação sociais e a procura de suporte social; e processos comportamentais reguladores do comportamento expressivo, da alteração, mudança e/ou evitamento de situações, condições e circunstâncias. Izzard (2010) também salienta que os processos regulatórios podem variar consoante as diferentes emoções que estejam em causa.

Pekrun e Stephens (2009) salientam algumas estratégias de regulação emocional eventualmente importantes no contexto académico: regulação orientada para a emoção (tendo como alvo direto a emoção e usando técnicas de relaxamento ou fármacos); regulação orientada para a avaliação (fazendo reavaliação das situações e treino atribucional); regulação dos objetivos e crenças relacionadas (alterando os objetivos de realização e crenças relacionadas com a realização que influenciam as avaliações e as emoções); treino de competências (visando os conhecimentos relevantes ou as estratégias de estudo); seleção das tarefas e dos ambientes (escolhendo tarefas e contextos académicos adequados que preencham ambientes individuais); procura de suporte social (fazendo uso de materiais para a tarefa e de ambientes de procura de ajuda); otimização das tarefas e do clima de realização em sala de aula (regulando os ambientes, mudando as tarefas e o ambiente de realização). Todas estas estratégias podem ser aplicadas individualmente pelos estudantes, apesar de haver limitações quanto à mudança de tarefas inerentes aos próprios contextos académicos tradicionais.

Apesar de facilmente confundíveis, a regulação emocional e o coping correspondem a dois fenómenos distintos: enquanto a primeira é responsável pela regulação das emoções quer positivas quer negativas, o coping tem por objetivo a regulação de emoções negativas. Mais, o coping pode abranger aspetos não emocionais para alcançar objetivos também eles não emocionais, enquanto a regulação emocional prende-se com as emoções de forma generalizada, independentemente do contexto em que surjam (Cabral, 2012). O coping pode ser compreendido como o esforço e tentativa para gerir fatores stressantes (Zeidner & Endler, 1996). De acordo com a perspetiva comportamental, o coping pode ser tido como uma reação comportamental às situações adversas que instigam reações fisiológicas de stress (Wechsler, 1995). Para Compas e seus colaboradores (2001) o coping trata-se de um processo dinâmico, contínuo e em mudança, conforme os requisitos dos fenómenos, revelando-se um processo consciente que controla as emoções, os comportamentos e o meio (Cabral, 2012). Sob uma lente cognitiva, Lazarus (1993) explica o coping através de um conjunto de esforços cognitivos

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e comportamentais que os sujeitos empregam para lidar com os eventos, internos ou externos, considerados como causadores de stress. Esta conceção relaciona-se com o conceito de avaliação cognitiva conduzindo a uma diferenciação entre: a forma como a situação foi avaliada pelo sujeito (avaliação primária); a forma como o indivíduo percebe as suas próprias capacidades de resposta (avaliação secundária); e a forma como a pessoa tenta gerir a sua própria relação com a problemática em si; ou seja, utilizando as suas próprias estratégias de coping (Gross, 2008). A avaliação, feita pelos sujeitos, identifica os fenómenos causadores de stress e direciona as estratégias de coping específicas para cada situação. Dois tipos de estratégias de coping salientam-se em várias abordagens teóricas: o primeiro baseia-se no esforço e o segundo baseia-se na intenção. O primeiro tipo de estratégias prende-se com uma determinação do indivíduo quer para alterar atitudes e respostas às situações indutoras de stress quer para intervir ativamente na modificação da situação em causa. O segundo tipo de estratégias pretende regular as emoções negativas, para reduzir a tensão e a excitação fisiológica que emergem das situações stressantes (Folkman & Lazarus, 1980). O coping baseado no esforço também é designado por coping focalizado no problema ou coping de controlo primário. Por sua vez, o coping baseado na intenção também tem sido denominado de coping focalizado na emoção ou coping de controlo secundário (Cabral, 2012). Estratégias comuns deste tipo de coping são: reduzir a ansiedade através do consumo de substâncias psicoativas ou através de técnicas de relaxamento; diminuir a tensão emocional permitindo a ansiedade e a possibilidade de insucesso (controlo secundário); incitar emoções positivas que contrariem os estados de ansiedade usando o sentido de humor, atividade física, passatempos como a música, procura de apoio emocional de outros) e, reinterpretar cognitivamente as situações mais geradoras de stress como eventos mais facilmente controláveis ou, conferindo-lhes menor importância. Muitas destas estratégias são efetivas ao reduzir emoções negativas. Algumas delas, contudo, têm claramente lados negativos em termos de redução de realização ou saúde. O coping orientado para o evitamento envolve procurar sair da situação comportamentalmente ou mentalmente. A eficácia dos vários tipos de estratégias de coping varia consoante o tipo de situação e as caraterísticas individuais dos sujeitos e a adaptação do indivíduo às circunstâncias. Desta forma constata-se que não existem estratégias de coping certas ou erradas, sendo que cada sujeito emprega as estratégias que lhe são mais eficazes em cada situação (Lazarus, 1993). McRae, Ochsner, Mauss, Gabrieli e Gross (2008) realizaram um estudo com jovens, com idades entre os 18 e os 22 anos, a quem mostraram imagens negativas ou

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neutras pedindo-lhes que as avaliassem em termos da negatividade transmitida. Concluíram que não houve diferenças significativas entre homens e mulheres quanto ao auto-relato nem quanto à reatividade emocional. No entanto, as diferenças foram encontradas em termos da regulação emocional, mais precisamente através da estratégia de reavaliação. Utilizando a técnica de fMRI os autores conseguiram detetar que, em termos neuronais, os homens e as mulheres mostram a resposta semelhante às imagens negativas, mas os homens mostraram uma maior capacidade de down-regular as suas emoções do que as mulheres. Mais, os homens mostraram uma atividade significativamente menor, do que as mulheres, em regiões pré-frontais previamente observadas como mais ativas durante a regulação cognitiva da emoção. Por fim, as mulheres apresentaram maior atividade estriatal ventral durante a regulação para diminuir a emoção negativa, do que os homens. Os autores colocam duas hipóteses explicativas: 1) os homens apresentam melhores níveis de regulação automática do que as mulheres; ou 2) os homens reduzem quantitativamente o afeto negativo e as mulheres substituem qualitativamente o afeto negativo por afeto positivo. Em termos práticos, estes resultados têm implicações ao nível da intervenção. Assumindo a primeira hipótese explicativa, isso implica que os homens podem ser treinados na reavaliação com mais facilidade e eficiência do que as mulheres, por outro lado, e assumindo a segunda hipótese, as terapias que orientam os pacientes para reduzir seu estado de excitação geral, ou para atingir estados neutros podem funcionar com menos sucesso nas mulheres (McRae, Ochsner, Mauss, Gabrieli & Gross, 2008). Blanchard-Fields, Stein e Watson (2004) referem que os adultos utilizam estratégias de regulação emocional (e.g., a reavaliação cognitiva) mais frequentemente do que os mais jovens. Malekzadeh, Mustafa e Lahsasna (2015) ao estudarem a utilização de estratégias de regulação emocional em estudantes num contexto de aprendizagem computadorizada, concluíram que a utilização deste tipo de estratégias conduz a uma melhor aprendizagem. Faria (2004) considera que as raparigas revelam menores níveis de otimismo, maior vulnerabilidade e desgaste físico e psicológico associado ao stress vivido maiores dificuldades de inserção na esfera social e no estabelecimento de relacionamentos durante a entrada no Ensino Superior. Estas evidências empíricas vêm chamar à atenção para diferenças, nas formas de regulação emocional, entre homens e mulheres.

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