Durante o processo de produção, as empresas procuram estabelecer cuidados para garantir a qualidade de seus produtos, estes, porém, são feitos de forma visual humana. Isto é, uma pessoa fica encarregada de, de vez em quando, averiguar se não estão ocorrendo problemas na produção, tanto na matéria-prima como na mão-de-obra, e os funcionários do acabamento fazem a inspeção final depois do calçado pronto.
A realização de inspeções ou testes mecânicos para assegurar a qualidade dos produtos são efetuados somente por 20% das empresas da região. De acordo com a tabela 39, 50% das médias empresas, 16% das pequenas e nenhuma das micro. Todavia estas inspeções ou testes não são feitos dentro da fábrica, nenhuma empresa possui laboratório próprio para testar seus produtos. Por meio de pagamento do serviço, as empresas os fazem no Laboratório de Ensaios Físicos para Calçados (LEFIC) do Senai.
Os serviços do LEFIC são os mais variados, podendo ser feitos em calçados prontos, testando a resistência da colagem, a tração das tiras e do salto, reprodução do uso com flexionamento contínuo e tração de pontos críticos da costura; em alguma parte do calçado, como no solado (resistência ao desgaste), no cabedal (resistência ao rasgamento), nos saltos (resistência a quebras), nas palmilhas, etc; e, em componentes metálicos (fivelas, enfeites, etc).
Tabela 39 – Realização de inspeções e testes de qualidade pelas empresas da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
Micro Pequena Média Total
Realização
Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência %
Sim 0 0 1 16,6 2 50 3 20,0
Não 5 100 5 83,3 2 50 12 80,0
Total 5 100 6 100 4 100 15 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
Assim, através dos testes do Senai, as empresas podem verificar o comportamento dos calçados quando submetidos ao uso diário, diagnosticando possíveis falhas no processo de fabricação ou nas características da qualidade dos materiais empregado no momento da confecção. Até mesmo, estes testes auxiliam os empresários a se decidir na troca de fornecedor de alguma matéria-prima. Por exemplo, um novo fornecedor de cola surge no mercado e com preço mais atrativo, antes de trocar o certo pelo duvidoso, pode levar uma amostra dos dois produtos no laboratório para um ensaio de comparação, verificando se o
novo possui a mesma qualidade do outro. A adesão a testes desta magnitude, porém, com realizações contínuas, também pode dar a empresa certificados de garantia, como o “ISO 9000”, aumentando a reputação da empresa no mercado.
Levando-se em conta a baixa ocorrência de empresas que fazem ensaios físico- mecânicos em seus produtos, até que a taxa de devolução de calçados é pequena. Os empresários não sabiam informar com precisão, mas todos estimavam uma taxa de devolução abaixo de 1% para toda produção. Os motivos mencionados se referem à defeitos na matéria-prima e/ou defeitos relacionados à confecção do calçado, estes são responsáveis por devoluções esporádicas e de poucos pares. O maior motivo das devoluções diz respeito à entrega de mercadorias fora das especificações do pedido, tais como: modelo, cor, numeração e prazo (de pagamento e entrega), este último é o mais relevante.
4.3 CAPACITAÇÃO INOVATIVA
Para expandir sua competitividade as empresas devem estar atentas ao ambiente em que estão inseridas e apresentar competência de responder às alterações do mesmo, principalmente no que diz respeito à capacidade de inovação, tanto para adaptar seus modelos ao padrão predominante no mercado como para absorver novos processos de produção.
As principais fontes de informação para inovações de produtos e processos produtivos utilizadas pelas empresas da indústria de calçados de São João Batista, como mostra a tabela 40, São: em primeiro lugar, as feiras e exposições nacionais (22%), em segundo, os fornecedores de matéria-prima e máquinas e equipamentos (19%), em terceiro, as entidades voltadas para o setor (15%) e, recorrem a outras fontes, mas com menor ocorrência.
Para as microempresas a principal fonte de informação são os fornecedores de insumos, correspondendo a 28% das ocorrências, para as pequenas são as feiras e exposições nacionais, responsáveis por 30% das informações. E, para as empresas de médio porte o departamento de P&D da empresa e as feiras e exposições nacionais são as principais fonte de informação, com 20% cada.
Tabela 40 – Principais fontes de informação para inovações de produtos e processos produtivos da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
Micro Pequena Média Total
Fontes de informações
Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. %
Departamento de P&D da empresa 0 0 2 10,0 4 20,0 6 10,34
Departamento de P&D externos empr. 1 5,55 1 5,0 1 5,0 3 5,17
Outras empresas do setor 2 11,11 0 0 0 0 2 3,44
Empresas de consultoria 1 5,55 1 5,0 3 15,0 5 8,62
Fornecedores de MP e máquinas 5 27,77 5 25,0 1 5,0 11 18,96
Universidades 0 0 0 0 0 0 0 0
Institutos de pesquisa 0 0 0 0 1 5,0 3 5,17
Entidades p/setor (Sebrae, Senai, Sind) 4 22,22 4 20,0 3 15,0 9 15,51
Feira e exposições nacionais 3 16,66 6 30,0 4 20,0 13 22,41
Feira e exposições internacionais 0 0 1 5,0 3 15,0 4 6,90
Revistas 2 11,11 0 0 0 0 2 3,44
Total 18 100 20 100 20 100 58 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
As principais inovações adotadas, tanto no produto como no processo produtivo, pelas empresas da indústria calçadista de São João Batista nos últimos anos estão apresentadas na tabela 41. Pela qual se percebe que a principal inovação, para todos os portes de empresa, está no produto e se refere à utilização de novos materiais, no total é responsável por 20% das ocorrências. A segunda posição está no processo produtivo e diz respeito a incorporação de novas máquinas e equipamentos na fábrica, com 19%. Em terceiro, o desenvolvimento de design, com 15%, e, em quarto, a introdução de novas técnicas organizacionais, com 13%.
Tabela 41 – Principais inovações adotadas nos últimos anos (desde 2004) pelas empresas da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
Micro Pequena Média Total
Inovações
Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. %
Inovações no produto
Desenvolvimento de design 1 7,69 5 19,23 4 13,80 10 14,70
Criação de novos estilos 1 7,69 2 7,69 3 10,34 6 8,82
Utilização de novos materiais 4 30,77 6 23,08 4 13,80 14 20,58
Alteração de embalagem 0 0 0 0 0 0 0 0
Numeração diferenciada (37-40) 1 7,69 0 0 0 0 1 1,47 Inovações no processo produtivo
Incorporação de novas maq/equip. 3 23,08 6 23,08 4 13,80 13 19,11
Nova configuração da planta ind. 0 0 2 7,69 1 3,44 3 4,40
Construção de uma nova planta ind. 2 15,38 0 0 4 13,80 6 8,82
Introdução do CAD 0 0 0 0 3 10,34 3 4,40
Introdução do CAD/CAM integrado 0 0 0 0 3 10,34 3 4,40
Introdução de novas técnicas org. 1 7,69 5 19,23 3 10,34 9 13,23
Total 13 100 26 100 29 100 68 100
Nota-se que todas as empresas de médio porte inovaram nos últimos anos seu processo produtivo com a construção de uma nova planta industrial e 75% delas introduziram o sistema CAD/CAM integrado, 25% delas já haviam implantado somente o CAD e alguma técnica de gestão de produção antes de 2004.
De acordo com a tabela 42, o mais importante resultado obtido pelas empresas devido à introdução de inovações é o aumento da produtividade, com 33% das ocorrências. O segundo resultado mais importante, também com 33%, é o aumento da participação da empresa no mercado. E, o aumento da pauta de produtos, com 26%, representa o terceiro mais importante resultado após a admissão de inovações na empresa.
Tabela 42 – Resultados da introdução de inovações na indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
1º mais
importante importante 2º mais importante 3º mais Total Resultado
Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. % Ocorr. %
Aumento da produtividade 5 33,33 2 13,33 3 20,0 10 22,22
Aumento da pauta de produtos 1 6,66 2 13,33 4 26,66 7 15,55
Aumento da qualidade dos produtos 2 13,33 1 6,66 2 13,33 5 11,11
Aumento da participação no mercado 3 20,0 5 33,33 1 6,66 9 20,00
Abertura de novos mercados 0 0 2 13,33 1 6,66 3 6,66
Redução de custos do trabalho 2 13,33 2 13,33 2 13,33 6 13,33
Redução de custos de insumos 2 13,33 1 6,66 2 13,33 5 11,11
Total 15 100 15 100 15 100 45 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
No total geral de ocorrências, se observa a mesma ordem de prioridade, entretanto, o aumento de produtividade com 22%, o aumento da participação no mercado com 20%, e, o aumento da pauta de produtos com 15%.
4.4 MERCADO E COMERCIALIZAÇÃO
A produção de calçados da indústria de São João Batista na maioria (85%) é destinada ao mercado interno. Pelo fato das grandes empresas gaúchas e paulistas se focarem mais nas exportações, sobrou espaço no mercado doméstico. Os fabricantes batistenses aproveitando-se deste, redirecionaram suas vendas para regiões antes não exploradas.
Deste modo, no mercado interno os produtos da indústria de calçados de São João Batista atingem todas as regiões do país, a tabela 43 evidencia a distribuição regional das vendas internas. Pela qual, a região Nordeste, com 46%, é o principal destino dos calçados batistenses, a região Sudeste vem em segundo lugar (25%), seguida pelo Norte (15%). A
região Sul, ao contrário do que se pensava ser um forte mercado, ocupa a quarta posição, captando apenas 10% dos produtos. O menor mercado se encontra na região Centro-oeste, para onde somente 2% são destinados.
Tabela 43 – Mercado interno dos produtos da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006 Região Pares* % Sul 4.096 10,27 Sudeste 10.029 25,16 Centro-oeste 945 2,37 Nordeste 18.507 46,45 Norte 6.275 15,75 Total 39.852 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
* Cálculo com base no total de pares/dia produzidos pelas empresas entrevistadas
A opção por ter apostado e investido nas vendas para o Nordeste e Norte é vista como uma grande estratégia, principalmente pelas maiores empresas do pólo. Pois, atuando com maior intensidade naquelas regiões, se elimina o fator sazonalidade das coleções, já que o verão predomina durante todo o ano. Assim, os fabricantes trabalham quase o ano todo com uma mesma linha, especialmente as de sandálias, tamancos e chinelos, não havendo a necessidade de elaborar duas coleções por ano (outono/inverno e primavera/verão), o que proporciona redução de custos para a empresa. Além do mais, esta ampliação e diversificação do mercado, mesmo que internamente, do ponto de vista dos empresários, evita as tradicionais crises na atividade nos períodos entre estações.
Historicamente, o pólo de São João Batista mantém 15% de sua produção voltada para o mercado externo. Os principais importadores são países da América do Sul, América Central e EUA, mas também já se conquistou mercado nos países europeus (sendo os mais importantes Espanha e Portugal), Rússia, Emirados Árabes, Austrália, Kuwait e muitos outros.
Os produtos enviados para o exterior ficam sob a responsabilidade de 46% das empresas localizadas no pólo se São João batista, como se percebe na tabela 44. Todas as empresas de porte médio exportam, do total de pequenas empresas, 50% delas vendem no exterior e 50% não, nenhuma microempresa exporta ou já exportou. A principal justificativa destas e das pequenas empresas que não exportam é a falta de capacidade produtiva para atender quantidades maiores que normalmente são estipuladas nos pedidos pelos compradores estrangeiros ou agentes de exportação.
Tabela 44 – Quantidade de empresas da indústria calçadista de São João Batista que exportam/SC, 2006
Micro Pequena Média Total
Exportação
Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência %
Sim 0 0 3 50 4 100 7 46
Não 5 100 3 50 0 0 8 54
Total 5 100 6 100 4 100 15 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
O mercado varejista é o principal canal de comercialização dos produtos da indústria calçadista de São João batista, conforme informa a tabela 45, 97,7% das vendas são para lojistas individuais que atendem diretamente os consumidores. As vendas para estes lojistas são feitas por intermédio de representantes comerciais, que levam as amostras (um pé de cada modelo) e com base nestas o pedido vai sendo formado, sempre estipulando prazos de entrega.
Tabela 45 – Canais de comercialização dos produtos da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
Canal de comercialização Pares* %
Mercado atacadista 0 0
Mercado varejista 42.650 97,70
Loja própria 0 0
Rede de loja de departamento 1.000 2,30
Total 43.650 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
* Cálculo com base no total de pares/dia produzidos pelas empresas entrevistadas
Obteve-se uma ocorrência, que corresponde a 2,3%, de empresas que destinam toda sua produção para uma única grande rede de loja de departamento, aqui a C&A. Neste caso, a comercialização é feita por meio de contrato firmado entre as partes, podendo ser rescindido caso a fabricante não cumpra os prazos e as quantidades estabelecidos nos pedidos. Normalmente a empresa elabora os modelos, envia para o lojista e este diz o que deve ser alterado, tanto nos detalhes como no material a ser utilizado. Esta é uma boa opção para comercializar seus produtos, visto que não precisa ir à busca de clientes e nem manter representantes. Entretanto, fica dependente de um único cliente e vulnerável a uma possível quebra de contrato. A posse de loja própria não foi registrada entre nenhum dos fabricantes, nem mesmo a venda para mercados atacadistas.
Verificou-se também que, parte da produção de muitas empresas é comercializada sem marca própria, principalmente no mercado externo. Por possuírem clientes donos de lojas de grife, estes desejam que os produtos venham com etiqueta com o nome da loja. Não significando que toda produção seja direcionada somente para um comprador, os
pedidos são feitos com base nas amostras sem a exigência de nenhuma alteração de modelo, como ocorre em qualquer loja, os produtos são fabricados normalmente, somente no final é colocada a etiqueta com a marca da loja. Isto explica o fato de muitas vezes se encontrar no mercado um mesmo produto, com especificações totalmente iguais, porém, com marcas diferentes. Todavia, devido ao esforço dos empresários em desenvolver o design de seus produtos, novos clientes foram conquistados e a comercialização com marcas próprias tem se intensificando, inclusive no exterior.
Quanto à participação das empresas da indústria de calçados de São João Batista em feiras ou congressos para o setor, 86% delas participam destes eventos somente no Brasil, 13% freqüentam feiras brasileiras e também internacionais, principalmente na Itália, e, apenas 6%, não visitam qualquer evento relacionado ao setor, como se vê na tabela 46.
Tabela 46 – Participação em feiras/congressos para o setor das empresas da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
Micro Pequena Média Total
Participação
Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência %
Sim, somente no Brasil 4 80 6 100 2 50 13 86,66 Sim, Brasil e exterior 0 0 0 0 2 50 2 13,33
Não 1 20 0 0 0 0 1 6,66
Total 5 100 6 100 4 100 15 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
Entre os motivos que levam os empresários a participar de feiras ou congressos, depende muito do tamanho da empresa. As microempresas, que só participam de eventos nacionais, na maioria é para ficar por dentro das tendências da moda e conhecer novos materiais, máquinas e equipamentos, dificilmente para exposições de mercadorias. As pequenas empresas, que também se restringem as feiras brasileiras, são pelos mesmos motivos citados e também, algumas delas, para expor seus produtos e aumentar suas vendas com a conquista de novos clientes. Entretanto, não é de todas as feiras nacionais que conseguem participar para a exposição de seus produtos, pelo fato de ser caro o aluguel de um estende e pela exigência de pré-cadastro. Normalmente as menores empresas formam um grupo e, com o auxílio do Sebrae, alugam um espaço nas feiras, onde várias marcas são comercializadas juntas, mas cada uma pelo seu representante.
Por sua vez, as empresas de médio porte conseguem mais facilmente expor seus produtos nas grandes feiras, como a Couromoda e a Francal realizadas em São Paulo, em
seu próprio estande. A participação nestas feiras, além do motivo de observar as tendências do mercado, é principalmente para divulgar a marca de seus produtos. Porém, nas feiras no exterior, a presença dos empresários se limita à visitação para o conhecimento da moda da próxima estação.
Questionados quanto ao mais importante fator para aumentar a participação de sua empresa no mercado, de acordo com a tabela 47, 40% dos empresários responderam ser a inovação no design e estilo o fator mais importante, o segundo elemento mais importante, com 33%, é o preço. E, 26% dos empresários consideram que a qualidade do produto é o terceiro mais importante fator para expandir sua atuação no mercado.
Tabela 47 – Principais fatores para aumentar a participação no mercado da indústria calçadista de São João Batista/SC, 2006
1º mais
importante importante 2º mais importante 3º mais Total Fatores
Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência % Ocorrência %
Custo dos insumos (MP e MO) 2 13,3 2 13,3 3 20,0 7 15,5
Inovação no design e estilo 6 40,0 2 13,3 2 13,3 10 22,2
Inovação do processo produtivo 0 0 0 0 1 6,6 1 2,2
Sofisticação tecnológica 0 0 1 6,6 1 6,6 2 4,4 Estratégia de comercialização 0 0 0 0 0 0 0 0 Publicidade 1 6,6 2 13,3 1 6,6 4 8,8 Qualidade do produto 0 0 3 20,0 4 26,6 7 15,5 Preço 5 33,3 5 33,3 2 13,3 12 26,6 Capacidade de atendimento 1 6,6 0 0 1 6,6 2 4,4 Total 15 100 15 100 15 100 45 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2006
No total de ocorrências, as posições se invertem, a inovação de design e estilo passa para a segunda posição e o preço assume o atributo que mais contribui para as empresas ampliarem seu mercado. A qualidade do produto continua ocupando a terceira colocação empatada com o custo dos insumos, tanto de matéria-prima como de mão-de-obra.
O fator publicidade, que, com 8,8%, está em quarto lugar, é considerado um ponto forte pelos empresários para expandir seus mercados. Todavia, as empresas da região de São João Batista, devido ao alto custo deste artifício, promovem campanhas publicitárias com baixa freqüência e, ainda, limitando-se às propagandas em revistas e jornais impressos, raramente se usam da mídia televisiva.
5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
5.1 CONCLUSÃO
A atividade calçadista está presente no município de São João Batista desde a década de 20, quando a primeira sapataria foi instalada na localidade. No entanto, os primeiros sinais para a formação de uma estrutura de pólo industrial começaram a aparecer na região bem mais tarde, por volta de 30 anos atrás. E, somente há uns 15 anos, é que a atividade ganhou maior dinamismo.
Na década de 80, principalmente no ano de 1987, o setor calçadista passou por fortes impactos provocados pelas políticas macroeconômicas do governo, pela recessão econômica e pelo acirramento da competição internacional. Estes fatores contribuíram para que ocorresse um ajuste na indústria de calçados de São João Batista, onde permaneceram no mercado somente as empresas mais experientes, com certo grau de eficiência e capacidade competitiva. Desta forma, um grande número de empresas originárias do surto de instalações de empresas ocorrido em 1986, não conseguiram se manter e saíram do mercado.
Embora na época tenha causado grandes transtornos para o município, em termos de oferta de emprego e geração de renda, atualmente, aquele processo de falências é visto como benéfico. Pois, eliminou aqueles empresários despreparados que, atraídos pela conjuntura econômica do Plano Cruzado, entraram no mercado sem a preocupação de ofertar uma produção de qualidade, o que acabava desabonando os produtos da região e prejudicando sua comercialização. E, favoreceu o crescimento daqueles que realmente tinham conhecimento da atividade e espírito empresarial, atraindo para a região empresas de outros segmentos do setor, que foram imperativos para o início da constituição de um pólo industrial.
Assim, o pólo calçadista da região de São João Batista tornou-se o mais importante de Santa Catarina, levando o estado catarinense a ocupar a sétima posição entre os estados que mais empregam neste setor. Ressalta-se ainda que a indústria de calçados é evidentemente o principal setor responsável por ativar a economia local, principalmente para o município de São João Batista, pois, indiretamente, 80% dos 17 mil habitantes dependem da renda gerada por este setor. Conversando com as pessoas da localidade, percebe-se que existe uma grande relação de apego da população com a atividade
calçadista. Em qualquer família é fácil de encontrar pessoas que trabalhem em um dos diversos segmentos relacionados ao setor. E, todos sabem descrever pelo menos uma das várias operações que envolvem o processo de fabricação do calçado.
Na indústria calçadista de São João Batista verificou-se a predominância de micro e pequenas empresas (MPE’s), 84% das fabricantes de calçados são destes portes. Todavia, são as médias empresas responsáveis pela maior parte dos empregos gerados na região (62%). Tradicionalmente as empresas calçadistas de São João Batista são de caráter familiar, passadas de pai para filho, as sociedades normalmente se formam por integrantes de uma mesma família e caracterizam-se por serem todas de capital fechado e 100% nacional. Conferiu-se que mais de 60% das empresas têm menos de 10 anos de fundação, fato que evidencia uma taxa elevada de novas instalações. A faixa etária dos empresários calçadistas da região situa-se na maioria (48%) entre 41 a 50 anos e o grau de instrução dos proprietários é baixo, 60% deles possuem formação até o ensino médio.
Lembrando do conceito “empresário schumpeteriano”, um nível de escolaridade baixo por parte dos empresários pode significar um entrave para a aquisição de novas tecnologias para as empresas. Pois, não possuindo o conhecimento que um curso de graduação superior poderia lhe fornecer, ele fica carente de bases que o auxiliariam a compreender melhor os novos processos que vão surgindo no mercado. Sentindo-se receoso para aceitar propostas inovativas, bloqueia suas chances de tornar sua produção mais eficiente e aumentar sua competitividade via introdução de inovações. Todavia, deixa-se claro que um grau de instrução elevado não é condição essencial única para ser um bom empresário, é necessário ter feeling para o negócio e conhecer a atividade que deseja atuar. Seguindo a idéia de Schumpeter, é necessário ser um empreendedor audacioso.
A produção de calçados da indústria de São João Batista na maioria é voltada ao mercado interno, sendo que apenas 15% são destinados ao exterior. Aproveitando o espaço deixado pelas grandes empresas gaúchas e paulistas, mais focadas nas exportações, os fabricantes batistenses apostaram em abastecer o consumo doméstico e expandiram seu mercado, principalmente redirecionando suas vendas para regiões antes não exploradas, caso do Norte e Nordeste. A região Nordeste já representa o principal destino dos produtos das empresas calçadistas de São João Batista. Esta ampliação e diversificação do mercado, mesmo que internamente, conforme enfoque schumpeteriano, é uma inovação e uma grande estratégia empresarial, que evita as tradicionais crises na atividade nos períodos