A riqueza das línguas gestuais manifesta-se de diferentes formas e a interpretação de músicas é uma delas. A maneira como o intérprete exprime e adapta a LG à canção atribui-lhe um caráter performativo e artístico diferente dos registos de língua utilizados noutros contextos de trabalho.
Contrariamente ao que é pensado pela maioria ouvinte, muitas pessoas surdas gostam de músi- ca e de sentir as vibrações. Todavia, nem sempre lhes é possível aceder à letra da canção visto que grande parte dos vídeos não são legendados e os concertos não são acompanhados com intérpretes de língua gestual. Summers (2012, p.1) corrobora essa ideia ao afimar que “music has been a part of many deaf people’s lives. Music is and has been a part of Deaf Culture, including (...) sign language interpreters function within live vocal music performances” e Darrom & Loomis (1999, p. 2) acrescentam que , “the common assumption that deaf culture is a culture without music has been a misjudgment made by many people in the hearing population”.
A interpretação de músicas seja em vídeo on-line ou ao vivo é uma atividade recente em Portu- gal. Noutros países da Europa ou nos Estados Unidos da América este trabalho já é feito e de- senvolvido há algum tempo por intérpretes. Assim, para além da importância que é a necessida- de de se mostrar este tipo de trabalho em território nacional, há também outros valores associa- dos tais como a relevância que se atribui à LG trazendo-a para primeiro plano, mostrando-a de forma artística e valorizando dessa forma a questão linguística. Por outro lado, é também uma forma de sensibilizar a comunidade ouvinte para a existência da comunidade surda e da língua gestual, pois tal como afirma Maler (2013, p.9), este tipo de interpretação “(...) is an art form that combines important products of two cultures that have traditionally remained quite separate (...). their intersection in song signing provides us with an invaluable opportunity to build stronger connections between hearing and Deaf (...)”.
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Na interpretação de músicas em língua gestual o enfoque está em transmitir a mensagem com uma dimensão poética produzindo a língua com o sentido de criar um efeito visualmente estéti- co e agradável. Tudo isso exige do intérprete determinadas skills que não passem apenas por conhecer a língua de partida e de chegada bem como as técnicas de interpretação que podem ser utilizadas. Para Horwitz (2014, p.1), este tipo de interpretação não se assemelha à utilizada noutros contextos pois “(…) preparation is a complicated task with a variety of linguistic and paralinguistic demands that are unlike interpreting discourse in other settings”.
A interpretação de músicas em LG é uma forma de arte de elevado nível que apresenta caraterís- ticas próprias da poesia surda. Segundo Martins (2016) e de Quadros & Sutton-Spence (2006) os recursos estilísticos usados na sua produção poética são variados, a saber:
- Repetição: existe para criar padrões que se destacam e trazer a linguagem poética para primei- ro plano. A repetição pode acontecer de diversas forma, ou seja, repetição da configuração da mão, da localização, do movimento, da orientação da palma da mão ou repetição da componen- te não manual.
- Rima: a rima acontece na sequência do fenómeno anterior, isto é, a repetição gestual de uma determinada caraterística atribui ao discurso uma regularidade percetiva bem como um efeito estético agradável;
- Metáfora: é um recurso estilístico natural em qualquer língua e acontece quando se recorre a uma ideia para expressar outra. A metáfora em LG utiliza-se uma vez que o significado dos ges- tos dependem do contexto pelo que não podem estar “colados” à tradução da Língua Portugue- sa;
- Simetria e equilíbrio: este recurso está associado ao espelhamento bilateral e que traduz uma ideia de perfeição. As mãos podem assumir a mesma configuração o que faz com que criem imagens simétricas, equilibradas, perfeitas, harmoniosamente visuais e com impacto estético. A simetria pode ser mostrada também através do uso alternado das mãos o que cria um efeito poético adicional uma vez que, num discurso normal em LG, a produção não é feita com alter- nância das mãos. Para além disso, o equilíbrio do poema pode ser conseguido através da assi-
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metria quando o poeta, depois de utilizar as duas mãos, mantém uma suspensa no gesto e utili- za a outra para gestualizar algo diferente criando assim gestos que são produtivos e estéticos; - Morfismo: é notório quando os parâmetros dos gestos se fundem, quando a forma de um gesto que terminou de ser executado corresponde à forma inicial do gesto seguinte. Muitas vezes o morfismo é utilizado para intensificar os significados dos gestos que são envolvidos; - Neologismo: corresponde à criação de novas palavras gestuais ou modificação das já existen- tes. Este recurso alude a uma certa “brincadeira” com os gestos com o intuito de trazer a lingua- gem para primeiro plano destacando assim a sua beleza e riqueza;
Na realidade, a interpretação de uma música não passa apenas pela tradução literal da letra. Há particularidades que devem ser tidas em conta e aspetos que não podem ser descurados, tais como:
- Escolha da música: há inúmeros estilos músicais e seja qual for a canção escolhida há que ter em conta que a interpretação pretende sempre destacar a LGP e mostrá-la de uma forma artísti- ca e bela;
- Cenário: é fundamental para que o produto final seja mais rico, na medida em que se combina a língua gestual com adereços, planos e fundo de gravação com o intuito de tornar a perfor- mance visualmente agradável e artística;
- Expressão facial e corporal: são caraterísticas importantes e que devem acompanhar o registo da música. A expressão facial carrega em si significado e por isso não pode ser descurada no discurso em LG. Neste tipo de contexto, a expressão facial do intérprete pode tornar-se mais intensa em momentos musicais mais altos e fortes o que vaperfi ser fundamental para transmitir a intensidade da música. Para além disso, o uso do olhar também se assume como relevante. As mudanças de direção do olhar podem transmitir diferentes sentimentos presentes na canção, tal como o olhar para baixo que pode ser associado a tristeza, ou olhar para cima, muitas vezes ligado a reflexão ou alegria, olhar diretamente para a câmara como necessidade de mostrar força ou um olhar reto mas não direto para a câmara que convida o espetador a envolver-se na poe- sia presente na interpretação. Por sua vez, o corpo é aquele que transmite tudo o que é não- verbal, tudo o que não é cantado mas que é sentido durante a música. A rotação do corpo e/ou
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da cabeça, o encolher dos ombros, o abrir o peito, o balanço do corpo entre outros, são movi- mentos que caraterizam as línguas gestuais e que, neste contexto, se tornam cruciais para con- verter a beleza da música num discurso repleto de estética visual;
- Estética visual: a criatividade na produção gestual é essencial para se criar uma estética visual que produza a riqueza da língua gestual. Cada música tem a sua estética e quando há uma in- terpretação para língua gestual essa estética, por uma questão de coerência, tem que ser manti- da. O intérprete pode ser criativo aquando da interpretação. Os gestos podem e devem ser ma- nipulados, a produção de um gesto pode ser estendida ou suspensa para acompanhar a música.
MusicSign
O MusicSign é um projeto que nasceu entre dois intérpretes de língua gestual portuguesa que são amantes de música, da arte performativa e da interpretação em LGP. A alavanca para a cria- ção deste projeto prendeu-se com a vontade de criar objetos artísticos inovadores, que contrari- assem a ideia antiga de que as pessoas surdas não gostam, não sentem ou não apreciam músi- ca. Este projeto vai muito além da simples gravação de vídeos onde são feitas interpretações de músicas para LGP, uma vez que há uma preocupação constante com questões visuais para que o resultado final seja um produto artístico que associe a interpretação da língua à performance emocional e estética.
O processo de interpretação, em qualquer contexto, tem a sua complexidade e exige trabalho e esforço por parte do intérprete. Nesta situação a tarefa interpretativa implica ter em conta as especificidades típicas de uma música, isto é, há que pensar não apenas na letra da canção mas em toda a envolvência tal como, o ritmo, a cadência, a entoação da voz, as particularidades ins- trumentais, os duplos sentidos das letras e, para além disso, o facto de, em certas canções, a língua de partida não ser a do país em questão. Nesses casos, acresce a exigência do trabalho do intérprete uma vez que está, em simultâneo, muitas vezes, a trabalhar com três línguas. Este trabalho tem como base a experiência profissional dos intérpretes que integram o projeto. Todavia, é fulcral perceber que este tipo de interpretações se distanciam das interpretações feitas no dia-a-dia em contexto de trabalho da maioria dos intérpretes. Assim, aquando da realização
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deste género de trabalho, há o recurso a técnicas de interpretação específicas estando sempre presente um grande cuidado na preparação da escolha do vocabulário gestual que surge depois de uma análise exaustiva da letra, dos verdadeiros sentidos e significados que pretendem ser transmitidos, bem como da escolha dos figurinos, acessórios decorativos e cenários. O trabalho final é preparado ao pormenor no sentido de convergir para um resultado que se apresente poético, que vá ao encontro da música original e que, em simultâneo, seja revelador da cultura e identidade surdas.
Análise de vídeos
O trabalho produzido pelos MusicSign está disponível no canal do youtube dos mesmos que se denomina de forma homónima. Como já foi referido, este trabalho tem vindo a ser desenvolvido desde há algum tempo, nomeadamente 3 anos, e neste momento já conta com algumas inter- pretações de músicas que tentam abarcar diferentes estilos musicais, bem como diferentes con- textos e cenários de gravação.
Assim, cabe aqui fazer uma análise sobre a evolução do trabalho bem como dos recursos estilís- ticos e cénicos aplicados, referir técnicas de interpretação relevantes e, fundamentalmente, per- ceber que efetivamente são empregadas e produzidas caraterísticas da poesia surda o que, in- dubitavelmente, insere a interpretação de músicas num registo gestual artístico e performativo. Para uma melhor compreensão, apresentamos alguns dos vídeos que produzimos de forma indi- vidual e por ordem cronológica de gravação e divulgação. Em cada vídeo escolhemos alguns aspetos que consideramos relevantes, indicando o link para que o leitor possa assistir e identifi- car as caraterísticas que apontamos. As opções gestuais serão apresentadas em glosa e que consiste na escrita de palavras da língua oral – neste caso, Língua Portuguesa, para identificar os gestos utilizados, seguindo a estrutura da LGP e a ordem com que foram executados e é sempre escrita em letras maiúsculas (Santana, 2014). Deste modo:
AnaVitória feat Diogo Piçarra – Trevo (tu): https://www.youtube.com/watch?v=MZTQF0pFSP8
Com a escolha desta música deparamo-nos logo com um desafio traduzir a expressão “És trevo de quatro folhas”, que é muito usada na comunidade ouvinte para tal decidimos usar uma metá-
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fora como recurso estilístico ao passar a ideia do significado desta expressão, por isso é possível observar no vídeo três traduções diferentes onde a ideia a ser transmitida é a mesma, mostrando assim a riqueza da LGP e tornando o produto final mais agradável, TU VIDA MINHA PES-
SOA.A.VIR-CL FELIZ.COINCIDÊNCIA DAR-2PRO1 (min.00:14), TU PESSOA EXÓTICA AMOR DAR- 2PRO1 (min. 01:25) e TU SORTE MINHA (min. 03:26). Podemos ainda observar e destacar que durante a tradução da frase “Se decidir bater asa, me leva contigo para passear.” (min. 00:38) após a intérprete executar o gesto IR.EMBORA a mão fica suspensa no espaço de sinalização mantendo a sua configuração. Com a mão não dominante a intérprete começa a realizar o gesto JUNTO movendo a mão até à sua mão dominante que ficou parada completando assim o gesto e seguidamente este gesto move-se pelo espaço. Desta forma a mão dominante da intérprete já está a localizar uma pessoa e a mão não dominante será a outra pessoa, e ambas vão passear o que faz com que o gesto JUNTO se mova no espaço para passar esta ideia. Após este movimen- to a intérprete faz o gesto de PASSEAR como reforço da ideia, ao longo desta frase é possível observar que o olhar além de acompanhar o gesto também se desloca para o referente da men- sagem. Ao minuto 03:06 quando é cantado «Pra cá e pra lá. Pra lá e pra cá» aqui os intérpretes decidem juntar os gestos onde cada um faz uma parte do gesto/classificador de duas pessoas a passear e movem-se pelo espaço ao ritmo da música como se essas pessoas estivessem a andar juntas de um lado para o outro, existindo assim uma simetria e equilíbrio na tradução da música, tornando-a visualmente muito mais poética. Logo após vem a frase “Quando tu aqui estás”, nes- te momento o olhar deixa de acompanhar o gesto anterior e ambos os intérpretes cruzam o olhar entre si e se abraçam, passando assim a mensagem usando apenas o corpo.
Carolina Deslandes feat Rui Veloso – Avião de Papel:
https://www.youtube.com/watch?v=RNhVRuWu1hM
Em termos cénicos, nesta música houve a preocupação de se colocar o cenário em concordância com o título da canção. Assim, no fundo foram colados aviões de papel que caraterizavam o cenário e identificavam a música. No final, os intérpretes enviam também um avião de papel ao público com o intuito de deixar o espetador envolvido naquilo que acabou de assistir. O vídeo
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tem início apenas com um dos intérpretes e é possível ver, de forma bastante rápida, um avião de papel que atravessa o ecrã o que convida o espetador a entrar na viagem poética que terá início. Uma vez que os primeiros momentos da canção são apenas melódicos, o intérprete co- meça por dar indicação de qual o instrumento que está a ser tocado, proporcionando à pessoa surda essa informação sendo que, após essa indicação, o intérprete opta pela dança e movimen- to do corpo dando indicação que o som se mantém. Pela natureza complexa e metafórica da letra, esta música teve inúmeras adaptações linguísticas para que fosse produtiva na língua de chegada. Ao minuto 02:49 os cantores dizem “fiz-te um avião de papel (…) para voarmos nele” e os intérpretes produzem PAPEL DOBRAR AVIÃO ENVIAR.AVIÃO-FORMA NÓS.OS.DOIS SENTAR- FORMA-MOVIMENTO. Analisando esta frase gestual é possível notar algumas adaptações nome- adamente os intérpretes começam por gestualizar o material do qual o avião é feito (papel) bem como a forma de o fazer (dobrando-o). Pela visualidade da língua só assim faria sentido ao invés de se fazer uma tradução literal e usar-se, por exemplo, os gestos de AVIÃO, FAZER e PAPEL. Para além da explicitação do tipo de avião a que se referem, os intérpretes produzem o gesto ENVIAR.AVIÃO que diz respeito àquele ato que qualquer pessoa faz quando envia para o ar um avião de papel. Esta escolha foi pensada com o intuito de reforçar a ideia do tipo de avião que é tratado na canção, evitando assim a confusão com um avião real. No final da frase, o “(…) voar- mos nele” é produzido de forma metafórica e com recurso a classificadores. Assim, a mão de cada um dos intérpretes assume a forma do corpo em posição sentada e coloca-se no espaço de sinalização na zona onde estaria o dito avião de papel. De realçar que ambos, “sentados lado a lado” viajam no espaço como se efetivamente estivessem no avião. O facto de cada um dos intérpretes usar um classificador através de uma das suas mãos para se representar transmite automaticamente a ideia da presença física de duas pessoas, produzindo assim um neologismo.
Luis Fonsi feat Demi Lovato – Échame La Culpa:
https://www.youtube.com/watch?v=wp5CaT20Ndo
Assim que abrimos este vídeo é possível detetar logo que os intérpretes incorporam os artistas como se fossem eles quem estivessem a cantar a música e não a traduzir, isto porque no início
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da música são ditos os nomes de quem canta e os intérpretes gestuam os seus nomes gestuais. Ao minuto 01:00 do vídeo quando a intérprete traduz a seguinte frase «I don’t really, really wan- na fake it no more», no final é possível observar um reforço da ideia que é transmitido só com a expressão facial, este reforço faz com que o espetador sinta que o que está a ver é real e não, mais uma vez, que seja apenas uma tradução de uma música, pois ele acaba por se envolver na história ao longo do vídeo. Esta envolvência é possível ser observada também nos momentos em que os intérpretes gestuam de frente para a câmara e dirigem o seu olhar nesta mesma direção para que exista uma conexão entre o vídeo e o espectador.
Mariah Carey feat Michael Bublé – All I Want For Christmas Is You:
https://www.youtube.com/watch?v=x_p851GU1bU
Na época do Natal e para divulgar o espírito Natalício em LGP, os intérpretes decidiram gravar esta música tão antiga e conhecida. Logo nos primeiros minutos do vídeo, ao minuto 07:00, a cantora diz “I don’t want a lot for Christmas” e a intérprete, para transmitir a ideia de “não que- rer muito” produz o gesto de DAR com movimento para o emissor (DAR.A.MIM=DAR-2PRO1) de forma repetida e com as duas mãos, ou seja, além de quantificar está também a empregar o recurso simetria uma vez que produz de forma bi-manual um gesto que não o é. Ao minuto 01:26, a cantora diz “make my wish come true” e a intérprete produz o gesto de PEDIR e dirige o olhar para cima numa clara alusão a um pedido a uma força superior. Ao minuto 02:20, é canta- da a palavra “you” de uma forma prolongada e os intérpretes produzem o gesto TU, cada um gestuando em direção ao colega indicando que é aquela a pessoa, e para acompanharem a voz dos cantores, os intérpretes vão repetindo o gesto até a palavra deixar de ser cantada.
Shakira feat Maluma – Chantaje: https://www.youtube.com/watch?v=Vsmynn1vsmQ
Neste vídeo no refrão é notável uma adaptação que os intérpretes fizeram, quando cantam «Tú eres puro, puro chantaje» os intérpretes realizam o gesto de CHANTAGEM duas vezes e o de PURA uma vez, isto por uma questão da sintaxe da LGP e para não se perder o ritmo e a essên- cia da música, já que é cantado «puro» duas vezes, existindo assim um equilíbrio entre o que está a ser cantado com o que está a ser produzido em LGP.
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HMB feat Carminho – O Amor é Assim: https://www.youtube.com/watch?v=3iy0q5L8dCo
Ao longo do vídeo principalmente no refrão da música na frase “Tropeço, levanto e volto para ti”, os intérpretes optaram por passar esta ideia de “Tropeço” executando o gesto FALHA, ou seja, uma tradução não literal mas que vai ao encontro da semântica da língua de partida.
Pink feat Nate Ruess – Just Give a Reason: https://www.youtube.com/watch?v=-dLQuGqThPA
Em termos cénicos este vídeo apresenta uma particularidade e uma caraterística visual muito interessante que realça a performance e traz harmonia ao vídeo. Em determinado momento a canção está a ser cantada apenas pelo homem e, consequentemente gestuada pelo intérprete do sexo masculino. No entanto, durante essa parte, a cantora diz duas frases que são interpreta- das pela intérprete do sexo feminino e que surgem, no vídeo em LGP, como marca de água e por trás do ILGP masculino que no momento é o ator principal (conferir minuto 01:27-01:39).
Conclusão
Após a leitura deste trabalho podemos verificar que a interpretação de músicas exige conheci- mentos por parte do ILGP, pois é necessário ter em atenção as técnicas a adotar por questões linguísticas da própria LGP bem como tornar a interpretação poética e esteticamente mais visual de modo a ser cativante para o espetador e sem perder o significado da própria letra da música, isto porque muitas vezes as letras das músicas são poéticas. Nesse sentido, a experiência que advém da criação deste projeto é relevante uma vez que pode servir de modelo para outros intérpretes que, futuramente, possam querer realizar trabalhos como este.
Para além disso, sendo uma área pouco trabalhada em Portugal julgamos importante analisar este tipo de trabalhos no sentido de compreender a plasticidade, adaptabilidade e visualidade da Língua Gestual.
Referências bibliográficas
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Almeida, M.; (2003). Para a História da Formação de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. Interagir, nº20
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