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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um dos principais impactos do clima sobre os indivíduos se refere às condições de saúde humana. Dessa afirmação urge a importância de estudos que relacionem as variações do tempo e do clima com a saúde humana, cada dia mais comprometida pelas mudanças provocadas pelas atividades humanas no ambiente.
Apesar de não se tratar de uma temática recente, diversos trabalhos e linhas de pesquisas vêm se desenvolvendo nos últimos anos, buscando-se, cada vez mais, a inserção de múltiplas variáveis que expliquem essa relação tão complexa. No entanto, a Região Nordeste e o estado do Ceará carecem de estudos que envolvam a relação ambiente/saúde. Ressalta-se a importância de estudos semelhantes em outros municípios da RMF e até mesmo para a capital, Fortaleza.
A pesquisa ora apresentada buscou identificar e caracterizar possíveis correlações entre as condições climáticas de Maracanaú, estado do Ceará, e a incidência, ou agravo, das doenças respiratórias em sua população.
De modo geral, os primeiros resultados apontaram que as maiores causas de internações por DAR no município ocorrem, respectivamente, por pneumonia, asma, bronquite e bronquiolite aguda, prevalecendo, em maior número, em grupos específicos, susceptíveis à ocorrência de doenças respiratórias, como por exemplo, em crianças (até 09 anos de idade) e idosos (acima de 60 anos).
A análise realizada através dos gráficos permitiu que se apontassem alguns padrões entre os anos analisados, revelando significativa sazonalidade dos casos de morbidade por doenças respiratórias. Denota-se que o maior número de internações por DAR ocorreu entre maio e setembro, final de outono e inverno. Esse período também marca o momento em que as chuvas vão diminuindo de frequência e a umidade relativa do ar sofre maiores variações. Caracteriza-se, também, por pequenos, porém significativos, decréscimos nas médias de temperatura (com relação aos meses que antecedem a quadra chuvosa), apresentando os valores mais baixos do ano.
Já os meses de outubro e novembro (caracterizados pela ausência de precipitação, umidade relativa média bem abaixo da média anual, e temperaturas médias em ascensão) apontam o período de reduções das morbidades, seguidos pelos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, trimestre que apresenta os menores números de atendimentos.
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A análise da variação diária expressou o padrão já observado na análise mensal, não apontando variações significativas com relação aos dias ou eventos climáticos específicos. Como foi destacado anteriormente, acredita-se que esse resultado esteja associado a fatores como a fraca variabilidade climática da temperatura do ar no Nordeste brasileiro, caracterizado por baixas amplitudes térmicas, a nível diário e mensal, e estação chuvosa bem definida e concentrada em poucos meses do ano.
Os testes de correlação e regressão apontaram a existência de associações entre alguns dos elementos climáticos analisados e as internações por DAR, no entanto tais correlações não se mostraram significativas o suficiente para se inferir alguma relação linear entre as variáveis. Entretanto, os resultados desses testes puderam confirmar as correlações apontadas através da análise gráfica, no qual é possível encontrarmos associação maior das internações por DAR com a sazonalidade climática da região do que, propriamente, com alguma variável climática, dia ou evento climático, em específico.
A distribuição espacial dos casos de internação da população local, entre os anos 2000 e 2010, apontou alguns setores municipais que apresentam maior concentração de internações, como os bairros Jereissate I e II, Timbó e o Distrito de Pajuçara.
É notório que a poluição do ar oriunda das indústrias em atividade nos Distritos Industriais localizados na cidade, comprometem a qualidade do ar que sua população respira, trazendo significativas consequências à saúde pública local. Não foi possível fazer uma correlação direta entre essa variável (que sofre influência direta das condições do tempo e do clima) e as internações por DAR, no entanto, diferentes estudos apontam o agravo de doenças respiratórias devido à poluição em determinadas condições climáticas. Desse modo, não se pode deixar de fazer referência a esse fato ao analisarmos o caso de Maracanaú.
Sabe-se que vários são os aspectos e fatores a serem considerados na análise das doenças que acometem o trato respiratório, o que revelam amplas possibilidades de estudos que vão além da influência de fatores ambientais, mas que enriqueceriam, em muito, as buscas pelo entendimento das relações entre clima e saúde. Dessa forma, acredita-se que a morbidade por doenças respiratórias seja um somatório de variáveis ambientais (climáticas), associadas à poluição do ar gerada pelas indústrias locais, bem como a predisposição do organismo de cada individuo.
Ressalta-se, assim, a importância de se buscar soluções para os conflitos de interesses das indústrias e o da população maracanauense. É preciso que haja consciência por
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parte dos empresários e gestores municipais de que a saúde, o bem estar e a qualidade de vida da população estão acima de qualquer questão política ou econômica.
Identificar os períodos que mais acometem a população por doenças respiratórias é só um dos resultados que podem auxiliar os gestores da saúde pública no sentido de melhor preparar os hospitais e clínicas médicas, bem como suas equipes médicas, afim de que estes possam melhor se preparar para atender à população que lotam os hospitais e postos de saúde nesses períodos do ano.
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