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No decorrer da pesquisa outros problemas foram aparecendo, alguns com mais evidência na localidade, como a presença cada vez mais marcante de lixo doméstico27, produzido pelo consumo de produtos industrializados. Contudo, os problemas enfrentados com o lixo não podem ser de responsabilidade somente dos ribeirinhos. Mas, sobretudo, devem fazer parte também de uma política pública séria dos governos, tanto estadual, quanto municipal. Uma política pública de saúde- ambiental, que se responsabilize pela preservação do meio ambiente da região, que leve em consideração a importância desses recursos naturais, da biodiversidade28, tanto da flora, quanto da fauna, sejam elas pertencentes ao rio ou a floresta.

Moradores da localidade, como por exemplo, o senhor Bráulio Leão, externa a sua preocupação em relação ao problema vivenciado por sua comunidade,

[...] a água aqui é muito utilizada, você usa para o banho, serventia cazeira e também utilizamos ela para o pescado, agente tapa o igarapé com redes, malhadeiras, para de lá tirar o pescado, o camarão; só que hoje ela é demais poluída, ela nos prejudica muito, mas nós que tamos aqui nas ilhas, como vamos nos livrar da poluição? Por que nós mesmos [...] sujamos a água, mas por outro lado não temos a condição de fazer ela limpa porque montua [acumula] lixo na cabeça da ponte, que a lancha vai passar, se eu tivesse montuado, ai parecer um depósito. [...] assim tudo se atirra no chão, aí em plástico, é lata,[...] até as fezes, por que não tem jeito.

27 De acordo com a Agente Comunitária de Saúde da localidade pesquisa, Dona Maria Maíde, “[...] o lixo

doméstico é toda sacola, vidro, lata e até frauda descartável usada”. Dados da Pesquisa – Abril – 2009.

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A Biodiversidade é a totalidade das formas de plantas e animais da Terra, onde todas as espécies são

importantes. As formas de plantas e animais variam conforme o local onde elas vivem e também sofrem as influências do clima. Os habitats (locais onde vivem determinados animais e plantas) incluem as águas doces, salgadas e salobras, o solo e o ar. A biodiversidade representa o conjunto de espécies animais e vegetais de uma determinada região. A destruição do meio ambiente ameaça a biodiversidade e pode provocar o desaparecimento (extinção) de animais e plantas. A extinção das espécies não é um fato novo, acontece há muito tempo, muito antes dos seres humanos habitarem a Terra, mas a velocidade com que animais e plantas estão sendo extintos atualmente é um problema muito sério, (GTA, 2001, p.39).

O entrevistado expressa, sua a frustração, causada pelo sentimento de impotência em relação ao referido fato, deixando claro que a questão do lixo, deve ser tratada com seriedade pela administração municipal. Segundo informações da maioria dos ribeirinhos desta localidade, foram feitas promessas da parte dos governantes municipais de fazer o serviço de recolhimento de resíduos sólidos nas comunidades ribeirinhas da região. Porém, esse serviço não é executado, pela secretaria de meio ambiente do município.

Os moradores da localidade buscam alternativas nem sempre as mais adequadas, para resolverem a questão do lixo. Entre as alternativas encontradas, 5,41%29 dos moradores utilizam a incineração e processo de enterrar os resíduos sólidos como: papel, isopor, plásticos, restos de tecidos, as latas e o vidro. E cerca de 94,59% do lixo são jogados a céu aberto no quintal das casas, é o que nos diz as moradoras:

[...] tem alguns que eu queimo, como a sacola, agente queima, mas tem alguns que não dá pra queimar; o vidro agente joga no rio muito fundo, onde ninguém utiliza, agente joga lá ( Rute Teles, Ilha de Juba – 2007). . [...] eu junto todas as latas, espero a água baixar, escolho um pé de uma planta ou um lugar que quase a gente não freqüenta, cavo um buraco e enterro (Maria do Carmo, Ilha de Juba, 2007).

A problemática do lixo na localidade vem tomando uma dimensão muito complexa, pois tem obrigado os moradores da localidade a utilizarem o espaço de seus quintais como uma espécie de depósito, onde é armazenado o lixo sólido, como as latas, pilhas entre outros materiais, resultante do processo de consumo de outros produtos, esta é alternativa, que os ribeirinhos na sua grande maioria, utilizam para livrar-se do lixo doméstico. Estas instruções em relação ao destino do lixo são repassadas aos moradores pelos ACS da própria comunidade, segundo a fala de Maria Maíde, que diz: “ [...] todo o pessoal da minha área é orientado a queimar os sacos plásticos e o papel. [...] os vidros agente enterra. Agente escolhe um pau grande, que agente não vai utilizar, então agente cava um buraco e enterra lá os vidros ”.

29 Estes dados numéricos pertencem a Estatística do Programa de Agentes Comunitários de Saúde – 2009

Porém, é preciso compreender que o lixo sólido como papel, vidros e sacolas plásticas, não representam o principal vilão desta realidade. Há também a presença de dejetos humanos e animais, que sem dúvida alguma constitui um dos problemas mais severos que a população ribeirinha enfrenta cotidianamente. Segundo a estatística do programa de ACS, fornecido pela Secretaria Municipal de Cametá, somente 5,41% das casas da localidade de Juba possui sistema de fossa, enquanto, 94,59% dos dejetos humanos são jogados diretamente na natureza sem qualquer tipo de tratamento.

Este lixo orgânico, ou seja, coliformes fecais, tanto animal, quanto humano, também contribuem com o processo de contaminação da água, uma vez que, os sanitários das casas, assim como o curral dos porcos, ficam próximos das residências, e na sua maioria, cerca de 10 a 50 metros de distância dos igarapés que cortam as propriedades, ou estão sujeitos as marés. A realidade da contaminação da água fica mais evidente no período do inverno, quando as grandes marés invadem a terra e inundam o quintal das casas, obrigando assim os moradores a conviver e a consumir a água da sua localidade.

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Municipal de Saúde e das ACS da localidade, faz a distribuição da solução de hipoclorito de sódio, para o uso da população no tratamento da água do rio, água esta utilizada para o consumo diário das famílias ribeirinhas. Mesmo com essa medida de tratamento da água poluída, incentivada pelos governos, ainda assim, nota-se a falta de uma campanha de esclarecimento para os ribeirinhos em relação aos problemas que o consumo da água em tratamento pode gerar. Outro fato observado ao longo da pesquisa, é que algumas pessoas utilizam a solução de hipoclorito de sódio para alvejar roupas brancas ou até mesmo como detergente na limpeza do assoalho das casas. Algumas alegam que as crianças não gostam do gosto da água e por isso elas não usam constantemente.

Durante a pesquisa foi possível observar que a tarefa de cuidar, tanto da água, quanto do lixo, é assumida diretamente pelas mulheres, uma vez que são elas as responsáveis pela limpeza da casa e dos objetos nela contidos. Portanto, cabe a elas a obrigação de encontrar o pé da planta onde será enterrada as latas e os vidros. É importante ressaltar que no caso dos vidros, nem todos os vasilhames são jogados fora, as garrafas, os

vidros pequenos de remédios, são reaproveitados para utilizar no processo de engarrafamento da produção do óleo de andiroba.