Score Grade characteristics for the RIF procedures
Step 3: Assessment of potential performance variability
9. Discussion and Conclusion
A análise do corpus “Principais dificuldades do trabalho” apresentou 4.387 ocorrências de palavras, sendo 1.017 formas distintas, com a frequência média de 4,3 palavras para cada forma, sendo esse o critério utilizado como ponto de corte para a inclusão no dendograma. Esse corpus foi dividido em 130 segmentos de texto e, destes,
94, ou seja, 72,3% do total de palavras foram organizadas pelo método de classificações hierárquicas descendentes (CHDs), indicando o grau de semelhança no vocabulário das 5 classes resultantes. Na Figura 6, expõe-se o dendograma e as respectivas classes resultantes da análise realizada com o auxílio do software.
Figura 6. Dendograma do corpus Principais dificuldades do Trabalho.
Percebe-se que o corpus sofreu uma primeira partição originando a classe 1 que se opôs a todas as outras, em seguida sofreu uma segunda partição originando a classe 5, quando novamente se dividiu dando origem à classe 2, e por fim, na última partição originou as classes 4 e 3.
A classe 1 nomeada de “Poder e gestão” indica que alguns participantes, especialmente os homens, são pessoas que ganham até 5 salários mínimos, recentes no trabalho (até 3 anos). No que diz respeito às dificuldades no trabalho estão atreladas a questões de poder, de forma que as pessoas que estão na coordenação deveriam ter mais planejamento e gerenciar melhor os processos de trabalho. Além disso, os participantes ainda mencionam problemas com a grande demanda que precisam lidar no seu trabalho.
Algumas palavras que apresentaram associação mais significativa com a classe foram: “ter, poder, gente, biblioteca, melhor, grande, demanda, curso e coordenação.” Os trechos de entrevistas em seguida, recuperados pelas palavras “coordenação” e “poder” exemplificam a classe 1:
E_8 “O que eu sinto é exatamente isso: que a gente pudesse ter algo mais, uma coordenação, uma metodologia mais definida com relação as etapas do processo de trabalho que nós administramos no dia-a-dia”. (Homem, assistente em administração, 30 horas, judeu).
E_17 “(...) eu sinto dificuldades nessa área, de ter uns cursos mais específicos nessas áreas, como por exemplo, em bases de dados para poder orientar os usuários. A gente também não teve esses cursos”. (Mulher, bibliotecária-documentalista, 40 horas, católica)
A Classe 5 obteve maior porcentagem de contribuição na composição do corpus, nomeada de “Atividades diárias”, expõe as dificuldades para tentar realizar as tarefas previstas diariamente, indicando problemas quanto ao acúmulo de atribuições, dificuldades para realizar e cumprir as metas em tempo hábil e que esta seria uma questão a ser resolvida pela instituição. Contribuíram para essa classe principalmente os bibliotecários e pessoas com ganhos acima de 5 salários mínimos. As palavras mais associadas com a classe foram: “dificuldade, conseguir, maior, questão, atividade, ainda, muita, tentar, instituição, principal, dia.” Alguns trechos de entrevistas nos quais constam as palavras “atividades” e “conseguir” foram selecionados para ilustrar a classe 5:
E_20 “(...) estão no cronograma de atividades, então o sentido que a gente tem é de obrigação de cumprir. Temos é de encarar o desafio e o tempo é pouco para superar as dificuldades”. (Mulher, bibliotecária-documentalista, 40 horas, católica)
E_19 “(...) há 13 anos que estou aqui, e coisas que desde que eu cheguei aqui que luto, e fica nessa pendência, deixa para a próxima gestão e na próxima gestão não se consegue”. (Homem, assistente em administração, 30 horas, católico)
A Classe 2 foi nomeada de “Meu fazer e o fazer do Outro” e parece traduzir questões operacionais do trabalho, como um lugar que seja “meu” para trabalhar, fazer atividades que seriam de responsabilidade de outros, e ter um espaço e um instrumento, por exemplo, um computador, de uso mais individual. Contribuíram para essa classe as pessoas que apresentam tempo de serviço entre 3 e 7 anos, auxiliares em administração. As palavras que se associaram à classe de forma estatisticamente significante foram: “ir, outro, fazer, estar, computador, meu”. Novamente, seguem ilustrações da classe com as palavras “computador” e “horário”:
E_13 “(...) eu gostaria muito de voltar a cursar a graduação que eu fazia, mas não teria condições no momento, porque não teria como conciliar o estudo e o horário de trabalho. O estudo, sendo ele presencial até por que eu tenho dificuldades de locomoção, não tenho veículo próprio”. (Homem, assistente em administração, 40 horas, sem religião)
E_11 “(...) você pode soltar o bibliotecário ou o assistente administrativo aqui, num birô, na frente de um computador e dizer também: faça isso aí. Isso é o seu trabalho também... Mas, não se busca a qualidade”. (Homem, assistente em administração, 30 horas, sem religião)
A Classe 4 se contrapôs à Classe 3, no entanto, essa aparente oposição se apresenta como perspectivas complementares. De um lado, a Classe 4 se posiciona pela “necessidade de aprender”, que parece indicar que os entrevistados entendem que é preciso ter educação continuada para executar o trabalho de uma forma mais adequada, no entanto, em oposição, os mesmos não sentem que isso lhes ofereça algum tipo de
“oportunidade profissional” (Classe 3), atribuindo essa constatação as dificuldades de serem ouvidos e de terem algum espaço de fala. Além disso, acreditam que há problemas nas relações interpessoais e na estrutura do ambiente de trabalho. Para a Classe 4 as palavras mais significativas foram: “saber, trabalhar, necessidade, aprender” e para a Classe 3 foram: “existir, biblioteca, vez, achar, falta, oportunidade”. Alguns trechos das Classes 4 e 3, nesta ordem representadas adiante, ilustram o conteúdo das entrevistas:
E_12 “(...) por mais que a gente tenha esse entendimento do estudo continuado, não sei se eu relaciono, porque a gente tá trabalhando com ferramentas digitais, então acontece da gente nunca tá no topo, sendo um dos melhores”. (Mulher, bibliotecária- documentalista, 30 horas, católica).
E_5 “As dificuldades são dificuldades humanas; certo perfeccionismo. Isso é uma coisa ridícula: perfeccionismo, rigidez. Pessoas rígidas demais nos seus valores; falta de compreensão; acho que é isso. Não vou colocar dificuldade material não. Para tudo se dá um jeito”. (Mulher, bibliotecária-documentalista, 30 horas, sem religião)
A diversidade de dificuldades identificadas mostra, de forma contundente, os variados pontos de vista, motivações e razões muitas vezes subjetivas como apresentadas pela entrevistada 5. São fatores conjuntos, ancorados e objetivados por cada indivíduo, que contribuem para as diferentes características atribuídas às representações sociais do trabalho. Enquanto uns apresentam apenas questões materiais e administrativas, outros as excluem completamente e atribuem toda a dificuldade encontrada no trabalho aos relacionamentos.
Por fim, as representações sociais do trabalho para os servidores de bibliotecas se mostram múltiplas e ambivalentes. Nessa direção, chama a atenção o papel atribuído às relações com colegas, como algo positivo, capaz de ser motivo para o trabalho, mas também negativo, indicando problemas de relacionamento. Para a maioria dos servidores
o trabalho é representado mais como prazer, aprendizagem, realização, necessidade subjetiva e contribuição social, e menos como renda, sobrevivência e sofrimento.