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Em termos operacionais, a unidade curricular de Introdução à Prática Profissional estende- se ao longo dos três anos de licenciatura e tem como propósito oferecer “trabalho de campo em escolas cooperantes que incluem observação e colaboração em situações de educação (…)” (Programa da Unidade Curricular, 2010/2011: 2). Particularmente a IPP3, no último ano da licenciatura, está organizada em estágios trimestrais, acontecendo cada um deles em três níveis

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“A cidadania traduz-se numa atitude e num comportamento, num modo de estar em sociedade que tem como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade, da democracia da justiça social. Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo” (Linhas orientadoras do Currículo e Programas Educação para a Cidadania. Disponível em: http://www.dge.mec.pt/educacaocidadania/index.php?s=directorio&pid=71)

104 de ensino – pré-escolar, 1º e 2º ciclos. Para este trabalho, o GEED ficou responsável pela dinamização do estágio relativo ao 2º ciclo83, na medida em que este parece ser o ciclo mais difícil de operacionalizar porque, ao contrário do que acontece no ensino pré-escolar e 1ºciclo, está-se perante um regime de pluridocência e de compartimentação das disciplinas científicas.

A unidade curricular está organizada com uma carga trimestral de nove blocos letivos, respetivamente de 2horas cada, e apresenta os seguintes objetivos: 1) desenvolver o conhecimento sobre a Educação Básica e, mais especificamente, sobre os níveis da educação pré-escolar, 1º ciclo do EB e 2º Ciclo do EB, nas dimensões organizacional, curricular e pedagógica; 2) compreender a sequencialidade e coerência entre os 3 níveis de ensino; 3) recolher e analisar dados caracterizadores da ação pedagógica em sala de aula; 4) recolher e analisar dados caracterizadores do comportamento e das aprendizagens dos alunos; 5) desenvolver competências de planeamento, implementação e avaliação de atividades educativas dirigidas para os alunos dos 3 níveis de ensino (Programa da UC 2010/2011: 2).

A partir destes pressupostos e daquilo que havia sido pensado para o projeto “Capacitação da ESE-IPVC em ED e planeamento, monitorização e avaliação da ENED”, procurou-se definir de forma concreta os objetivos, conteúdos, metodologias e fundamentos da prática pedagógica – planificação e elaboração dos recursos, organização da unidade curricular, observação e intervenção e reflexão e avaliação finais. Além disso, notou-se uma preocupação imediata com o modelo de intervenção – eficácia e pertinência de um modelo para criar impacto e sustentabilidade do projeto - e com as necessidades do público-alvo: por um lado, os estudantes da licenciatura em Educação Básica e, por outro, os estudantes do 2ºciclo com quem os futuros professores iriam intervir em contexto de sala de aula. Desta forma, e conjugando necessidades e preocupações da IPP3 e da introdução das temáticas de ED, criou-se um novo modelo de atuação, definindo-se novos objetivos. Primeiramente, determina-se o desenvolvimento de “competências de sensibilização para os temas da Educação para o Desenvolvimento no âmbito da promoção da cidadania global”. Depois, define-se como objetivo a compreensão do “papel de professor como agente de Educação para o Desenvolvimento nas escolas” (idem). Para além da componente metodológica, foram acrescentados dois novos tópicos concetuais: a “ED como forma de abordagem de temas complexos do desenvolvimento global de forma integrada, dinâmica, crítica e contínua e cujo principal objetivo é incutir valores, princípios, atitudes e ações para um mundo mais justo, inclusivo, equitativo e sustentável”; “A dinamização de atividades na sala de aula, em particular, e na escola, em geral” (ibidem).

O modelo de organização da unidade curricular, por trimestre, supôs a seleção de temáticas de ED a trabalhar com os futuros professores e depois com os estudantes de 2ºciclo. Usando o

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Esta atribuição está contemplada no Plano de Atividades para o ano letivo 2012/2013 do GEED – “Apoio à unidade curricular Iniciação à Prática Profissional III da ESE-IPVC”, com a seguinte nota explicativa: “Dinamização de vinte e sete sessões (54horas) correspondentes ao 2º ciclo do EB da IPP3, em parceria com os agrupamentos de escolas do concelho, no âmbito da Educação para o Desenvolvimento. Está ainda disponível para todo o acompanhamento aos estagiários e para as visitas às escolas cooperantes”.

105 calendário dos Direitos Humanos como critério de escolha de temas, foram pensados e trabalhados, no primeiro ano do projeto, correspondente ao ano letivo 2011/2012, temas como o dia Internacional do Voluntário para o Desenvolvimento Económico-Social, tendo ainda presente que o ano de 2011 foi o ano europeu do Voluntariado; para o 2º trimestre, o dia 21 de março, dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial; e para o 3º trimestre, diálogo intergeracional do dia 29 de abril, Dia Europeu do Diálogo entre Gerações (2012 foi o ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações).

Especificamente, a intervenção trimestral foi estruturada da seguinte forma:

Sessão Atividade Dinamizador(es)

Apresentação da metodologia e da avaliação da IPP3 –

2ºciclo Responsável da UC e GEED

Características do 2º ciclo Responsável da UC

Enquadramento da ED

Equipa GEED Projetos de ED – Comemoração do dia pré-estabelecido

3º Planificação da atividade e da participação nas escolas Equipa GEED 4º Planificação da atividade e da participação nas escolas Equipa GEED 5º Intervenção nas escolas, em sala de aula Alunos IPP3 6º Intervenção nas escolas, em sala de aula Alunos IPP3

7º Implementação da atividade Equipa GEED

8º Apresentação oral das atividades e dos processos Equipa GEED

9º Avaliação e considerações finais Equipa GEED

Quadro 20 – Estrutura da intervenção trimestral de IPP3 Fonte: Documento de Trabalho 2011/2012, p.3

As quatro primeiras sessões foram dinamizadas pela equipa do GEED e pela responsável da unidade curricular e decorreram na ESE. As duas primeiras, particularmente, foram de apresentação e contextualização do projeto, bem como de constituição dos grupos de trabalho e atribuição das escolas-cooperantes e turmas. Estas sessões serviram ainda de introdução teórica às temáticas da ED, sendo abordados alguns dos temas a trabalhar nos diferentes trimestres. Nas duas sessões seguintes, terceira e quarta, respetivamente, o trabalho da aula foi dinamizado pelos próprios grupos na planificação das suas intervenções – desenho de atividade a

106 desenvolver em contexto de sala de aula e desenho de proposta para atividade final a propor à escola cooperante. Pela sua componente mais dinâmica, foram trabalhados conceitos de preparação pedagógica: planificação, os elementos de um plano de sessão, elaboração e exploração de recursos, entre outros. Foram exploradas as competências de criatividade e de interação com os alunos. A quinta e sexta sessões aconteceram, já, em contexto de sala de aula com a intervenção dos futuros professores. Nestas sessões, implementaram-se as atividades antes pensadas nos planos de sessão, desenvolvendo dinâmicas para a compreensão dos temas de ED e para a preparação da atividade final. No final de cada uma das sessões, de acordo com o documento de trabalho da IPP3 (2011/2012: 4), os estudantes realizaram uma reflexão escrita sobre a sua experiência de intervenção e de gestão pedagógica, respondendo aos seguintes tópicos:

1) Forma de abordagem ao tema – O que foi feito na aula?

2) Interação com os alunos – Qual foi a reação dos alunos? Como foi estimulada a sua participação?

3) Pontos fortes – O que correu melhor? 4) Pontos fracos – O que correu pior?

5) Recomendações – O que deve ser alterado?

A atividade final, correspondente à 7º sessão, criada pelos estudantes estagiários, aconteceu com a colaboração dos estudantes do 2º ciclo e dos professores das respetivas escolas cooperantes. Esta dinâmica final tinha como propósito, não só a conjugação destes atores, mas ainda o envolvimento da comunidade educativa, como forma de sensibilização de um número maior de sujeitos para a temática desenvolvida. Esta sessão foi supervisionada e avaliada por um elemento da equipa do GEED e pelo professor da escola cooperante, responsável pela turma que colaborou no projeto. Estes dois sujeitos preencheram um instrumento de observação elaborado previamente para o efeito, como forma de avaliação da prática docente do estudante estagiário. O elemento do GEED tinha como tópicos de observação a pertinência da atividade face ao tema, coerência entre planificação e a sua execução, interação com os alunos, cuidado na apresentação e resultado da atividade (consecução dos objetivos) (idem).

Por sua vez, o professor da escola cooperante tinha para a avaliação do desempenho do professor estagiário alguns tópicos, como a integração na comunidade educativa em questão, o cumprimento das tarefas atribuídas e a qualidade do trabalho desenvolvido (ibidem).

Finalmente, as duas últimas sessões, oitava e nona respetivamente, corresponderam à apresentação dos trabalhados decorridos no trimestre decorridas e aconteceram novamente na ESE. Esta partilha oral com os colegas e com os elementos do GEED foi fundamental para o processo, uma vez que se apresentaram as etapas e atividades conseguidas, bem como as dificuldades e sucessos do projeto. Ao mesmo tempo, individualmente, cada estudante fez uma

107 reflexão final sobre o processo de intervenção, incluindo os tópicos antes usados para as reflexões das sessões e respondendo ainda aos seguintes tópicos: 1) conhecimento das características do 2º ciclo – suas especificidades; 2) compreensão do conceito de Educação para o Desenvolvimento; 3) abordagem do tema com os alunos – ideias para a implementação; 4) processo de planificação e preparação de materiais (ibidem: 4-5).

Estando finalmente definido o programa da unidade curricular para os estágios do 2ºciclo, realizaram-se encontros com sete escolas para potencial cooperação, localizadas no concelho de Viana do Castelo, com o objetivo de apresentar a proposta. Destas, seis aceitaram a proposta e tornaram-se parceiras no processo, assumindo a abordagem curricular da ED ou ECG como oferta de disciplina autónoma. Esses espaços foram, pois, disponibilizados, para a intervenção dos futuros professores, com o apoio das escolares-cooperantes. Como atividade de cariz colaborativo, o processo de idealização dos projetos e a sua execução foi criado pelos estudantes da ESE e validado pelos responsáveis da unidade curricular e professores das escolas cooperantes, sendo posteriormente selecionadas algumas turmas para a intervenção.

4.2. A prática no contexto de estágio

Para a realização do estudo de investigação acerca da introdução da ED no programa curricular de IPP3, foram frequentadas as primeiras sessões da disciplina na ESE-IPVC. A frequência nestas sessões permitiu, por um lado, conhecer o funcionamento da IPP3, nomeadamente a organização da disciplina, bem como os seus objetivos e estratégias de trabalho e, por outro, seguir a planificação das sessões de intervenção por parte dos estudantes. Para conhecer mais de perto e de forma mais direta o processo, foi selecionado um grupo de estudantes, dois pares, de uma das escolas cooperantes para um acompanhamento efetivo. Esta escolha teve como critério a coincidência de horário das sessões na escola cooperante com as tarefas do gabinete. Em suma, além do acompanhamento nas sessões de planificação das sessões, foi feito ainda o acompanhamento nas sessões dinamizadas numa das escolas cooperantes. Desta forma, e a partir da observação das sessões, foi possível conhecer e compreender o processo de IPP3, particularmente a forma de abordagem ao tema – Educação

como direito -, a interação dos estudantes da licenciatura em Educação Básica com os alunos do

2ºciclo e a identificação de pontos fortes e fracos das sessões.

Além deste acompanhamento direto com os estudantes, foi desenvolvido o projeto de investigação posteriormente apresentado, no sentido de conhecer o processo de IPP3 e de compreender o espaço e papel que a ED assume nesta iniciativa. Para tal, selecionaram-se como públicos-alvo os estudantes da turma em acompanhamento84 da unidade curricular de IPP3 e os

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A unidade curricular de IPP3 acontece em três momentos, correspondentes aos três trimestres de aulas do 2ºciclo. Esta reorganização do sistema educativo superior é exigida para haver uma correspondência do período letivo de

108 responsáveis pelo processo – responsável da ESE-IPVC pela unidade curricular de IPP3, responsável e representante do GEED e técnico de ED do GEED.

Para os primeiros, foram aplicados inquéritos por questionário, disponíveis no Apêndice XII. A construção deste instrumento teve como propósito conhecer a avaliação que os estudantes fazem do processo de IPP3. O inquérito foi construído em três fases: num primeiro momento, pretende-se aferir a perceção dos inquiridos antes de iniciar o processo de IPP3, nomeadamente no que diz respeito ao seu conhecimento acerca do conceito de ED e aos aspetos considerados aquando da elaboração das planificações das sessões relativamente aos conteúdos e objetivos. Depois, as questões colocadas reportam-se à avaliação sobre as sessões dinamizadas, no que respeita à escolha das estratégias metodológicas e os motivos e à opção pelas estratégias de trabalho e recursos adotados. Numa terceira fase, as questões enunciadas dizem respeito à avaliação global sobre o processo de IPP3 – avaliação dos conteúdos, tempo formativo, equipa formativa e envolvimento dos/as alunos/as. No final, e considerando-se a importância de uma apreciação mais específica quanto à perceção dos estudantes, foram feitas perguntas de resposta aberta. Pretende-se, essencialmente, identificar as principais aprendizagens efetuadas a partir deste processo e enumerar as características do trabalho em ED.

Depois, para os responsáveis deste processo, foram construídos guiões de entrevista distintos, também disponíveis no Apêndice XIV, de acordo com os seus papéis e funções no processo. Foram transcritas na totalidade as três entrevistas realizadas para este estudo, estando contempladas no Apêndice XVI. Embora se tenha assumido a diferença temática na construção das entrevistas, as suas categorias, mais tarde tomadas enquanto categorias de análise, eram semelhantes, como forma de simplificar a análise. Foram criados quadros de análise, presentes no Apêndice XV, segundo as categorias definidas, facilitando a leitura e a interpretação dos dados. As principais categorias formadas a partir da concertação das três análises foram: Origem

e construção do projeto, com os seguintes subtópicos: Enquadramento do projeto; ED na IPP3

e GEED na IPP3; depois, a categoria Operacionalização do projeto a partir dos subtópicos

Estabelecimento de parcerias; Funcionamento e estrutura do projeto; Objetivos do projeto e Avaliação; posteriormente, a categoria Intervenientes do projeto e vantagens com os

subtópicos: Intervenientes; Vantagens para o GEED e Benefícios para a IPP3; finalmente, a categoria Perceção sobre o projeto.

todos os estudantes. Efetivamente, existem três turmas desta unidade curricular ao longo do ano letivo, tendo-se considerado a possibilidade de estudar a perceção dos três grupos. Contudo, e por uma questão temporal e de logística de trabalho de estágio, somente a 2ºturma, cujo acompanhamento foi feito desde o início, foi considerada para este estudo.

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A investigação:

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