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Chapter 4 Resource Requirements and Multiple Values of the Household Biogas Plant in

4.2 Discussion Based On Calculations and Findings

Já se passaram quase 60 anos desde que as cavéolas foram visualizas pela primeira vez por Eichi Yamada e George Palade (PALADE, 1961; PALADE e BRUNS, 1968). As cavéolas, ou “pequenas cavernas”, foram originalmente identificadas como invaginações de 50-100 nm, em forma de balão, presentes na membrana plasmática na maioria dos tipos celulares e tecidos de mamíferos (PALADE, 1961; PALADE e BRUNS, 1968; PINHEIRO DA COSTA et al., 2006; NASSOY e LAMAZE, 2012). Essas invaginações especializadas permanecem sem uma função fisiológica clara e reconhecida até hoje (NASSOY e LAMAZE, 2012). Sabe-se, no entanto, que essas organelas estão abundantemente presentes em células epiteliais, adipócitos e penumócitos tipo I (SEVERS, 1988; ANDERSON, 1993; FIELDING e FIELDING, 1995; PARTON, 1996). As funções originalmente descritas para a cavéola incluem o transporte do colesterol (FIELDING e FIELDING, 1995; SMART et al., 1996), endocitose (SCHNITZER, OH e MCLNTOSH, 1996), potocitose (ANDERSON et al., 1992) e homeostase do Ca++(TAGGART, 2001). A possível regulação da reatividade vascular e da pressão arterial pela cavéola é de interesse em relação à SPE.

As cavéolas são compostas por proteínas que basicamente controlam sua função: as caveolinas (proteínas de revestimento) e as cavins (proteínas adaptadoras) (Figura 17) são consideradas as de maior importância para sua estrutura e função.

Figura 17 – Ilustração do complexo cavéola, suas proteínas e possíveis funções

Fonte:Cristina Grams e Hentschke (2014). Adaptado de (BRIAND, 2011).

A família dos genes da caveolina (CAV) possui três membros em vertebrados: Caveolina-1 (CAV-1), Caveolina-2 (CAV-2) e Caveolina-3 (CAV-3). CAV-1 e CAV-2 estão expressos na maioria dos tipos celulares, incluindo o sistema cardiovascular, enquanto CAV-3 é expresso principalmente no músculo esquelético e cardíaco. A expressão de CAV-1 é essencial para a formação do complexo cavéola, enquanto que o papel da CAV-2 pode variar dependendo do tipo tecidual em que se encontra (SCHEIFFELE et al., 1998; FUJIMOTO et al., 2000; RAZANI et al., 2002; LAHTINEN et al., 2003; SOWA et al., 2003). As proteínas adaptadoras, as cavins, são quatro: Cavin-1 (PTRF, do inglês polymerase transcript release factor), Cavin-2 (SDPR, do inglês serum deprivation protein response), Cavin-3 (SRBC,do inglêssrd-related gene product that binds to c-kinase) e Cavin-4 (MURC,do inglês muscle- restricted coiled-coil protein) (BRIAND, DUGAIL E LE LAY, 2011). Essas proteínas podem ser importantes na regulação da expressão de caveolinas e na morfologia caveolar (HANSEN e NICHOLS, 2010; BRIAND, DUGAIL E LE LAY, 2011), além de muitas outras funções importantes na célula endotelial, principalmente devido à sua capacidade de concentrar e de compartimentalizar várias moléculas de sinalização (HANSEN e NICHOLS, 2010; BRIAND, DUGAIL e LE LAY, 2011). A Cavin-1, por exemplo, é responsável pela formação da cavéola e da estabilização das CAVs (LIU e PILCH, 2008).

Nos vasos sanguíneos, as cavéolas estão presentes na camada de célula endotelial. Estudos mostraram que um grande número de sinalizadores celulares presentes nas cavéolas interage entre si (GARCIA-CARDENA et al., 1997) e com CAV-1 (DURR et al., 2004; SOWA, 2012). Isso leva as cavéolas a serem capazes de recrutar moléculas de sinalização e de regular suas atividades em vez de servirem apenas de suporte para as trocas e transportes celulares (RAZANI e LISANTI, 2001). Esses sinalizadores incluem: eNOS (SHAUL e ANDERSON, 1998; WYATT, STEINERT e MANN, 2004), alguns receptores, como o receptor tirosina-quinase (ex. Receptor VEGF 2), receptores acoplado à proteína G (ex. receptor de bradicinina 2, receptor de endotelina, receptor muscarínico), receptor do fator de TGF tipo I e II, receptores de certos esteroides e, ainda, subunidades de proteínas G e Canais Potencial Receptor Transiente (TRP) (SOWA, 2012).

eNOS e a cavéola

Em condições basais, eNOS ligado a CAV-1 tem sua função inibida, mantida em um estado menos ativo (BUCCI et al., 2000). No entanto, quando um estímulo é aplicado, o complexo se dissocia e o NO pode então ser sintetizado (FERON e KELLY, 2001) (Figura 18).

Figura 18 – Esquema representativo da relação das proteínas da cavéola com a óxido nítrico sintase

Vários grupos têm apresentado que o eNOS interage diretamente com sub-regiões do esqueleto celular (scaffolding domain) do CAV-1, causando uma interrupção aguda da interação CAV-1/eNOS, resultando em hiperatividade de eNOS, aumentando a vasodilatação e levando à diminuição da pressão sanguínea in vivo (SOWA, 2012).

Grande parte da literatura sugere que as cavéolas, as caveolinas e as cavins desempenham papéis importantes na regulação, sinalização e função das células endoteliais, assim como a função cardiovascular e pulmonar a nível celular e sistêmico (MATHEW, 2011). A expressão, em especial, de CAV-1, em células epiteliais, tem mostrado ter um papel regulatório importante na angiogênese patológica de doenças vasculares, como,por exemplo, na aterosclerose, na hipertrofia cardíaca e na hipertensão pulmonar (MATHEW, 2011).

Na literatura, há dados conflitantes em relação à expressão placentária de eNOS e a SPE. Alguns grupos têm mostrado que o eNOS interage diretamente com o CAV-1. Acredita- se que uma dissociação aguda dessa interação CAV-1/eNOS resulta em hiperatividade do eNOS, aumento da vasodilatação e redução da pressão arterial in vivo (SOWA, 2012). Ainda, sabe-se que o NOS sintetiza não apenas mais NO na ausência de CAV-1, mas também mais superóxido, com consequências potencialmente patogênicas.

Estudos anteriores confirmaram a expressão da proteína de CAV-1 e 2 no endotélio de capilares da placenta e células do músculo liso em grandes vasos, bem como em fibroblastos de tecido de placenta humana a termo (BYRNE et al., 2001; LYDEN, ANDERSON e ROBINSON, 2002); apenas uma fraca coloração foi observada nas células do sinciciotrofoblasto (LINTON, RODRIGUEZ-LINARES et al., 2003). Por fim, não temos conhecimento de estudos que tenham investigado a expressão desses componentes da cavéola em combinação com eNOS e iNOS em placentas humanas de gestantes com PE.

Dessa forma, temos como hipótese de que, por a cavéola parecer ter um papel importante em disfunções endoteliais, poderia estar relacionada a fatores envolvidos na SPE. Acreditamos que a expressão gênica e proteica de CAV-1, CAV-2, CAV-3, assim como Cavin-1, Cavin-2, Cavin-3, Cavin-4 poderiam estar diminuídas na SPE, já o eNOS e o iNOS aumentados em relação ao grupo controle. A diminuição de CAV-1 poderia resultar numa ativação crônica do eNOS, resultando no aumento de espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio, contribuindo com o aumento de estresse oxidativo e nitrativo observado na PE.