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Além das necessidades de atualização tecnológica do edifício e readequação físico-funcional os hospitais também precisam se expandir como forma de viabilização econômico-financeira das instituições. A necessidade de ampliação dos hospitais pode ser relativa ao aumento do número de leitos, a ampliação de serviços e inovações tecnológicas, como exemplos. Entretanto, como já visto, existe também a limitação da

43 disponibilização de terrenos urbanos e a limitação de áreas de expansão em edifícios

hospitalares.

Em requalificações hospitalares uma das maiores dificuldades técnicas é a readequação da infraestrutura hospitalar, que muitas vezes tem que ser modificada para atender ao setor ou espaço requalificado, exigindo uma revisão e/ou ampliação das instalações hospitalares. O sistema de ar-condicionado é usualmente aquele que apresenta as maiores dificuldades de atualização ou inserção de novo sistema em uma requalificação hospitalar. Isso ocorre em razão do dimensionamento dos dutos de distribuição de ar e por ser uma instalação mais robusta, necessitar de maiores espaços para a instalação de dutos, das tubulações e dos equipamentos. Os outros sistemas de infraestrutura parecem ser mais flexíveis a adaptações e modificações, talvez por utilizarem menores bitolas, podendo ser mais facilmente desviados e até ficar aparentes nos locais onde isso é possível e a normatização permita. Entretanto, cabe ressaltar, que edifícios que possuem recursos como shafts ou forros técnicos facilitam enormemente as intervenções físico-espaciais e futuras manutenções.

Sobre a capacidade de atualização do edifício as novas necessidades espaciais e funcionais o arquiteto Jarbas Karman, com a colaboração do médico Fiorentini em seu artigo Atualização hospitalar planejada (Fiorentini & Karman, 2002) menciona que quanto mais “atualizável” for o edifício, mais apto estará para atender as reformulações físicas, conforme detalha:

As instituições de saúde são particularmente suscetíveis e sujeitas aos constantes progressos e inovações, razão pela qual não podem ser dadas como perenes e nem

deixam de ser “permanentes canteiros de obra” (...). Essa realidade configura as

instituições de saúde como empresas de prestação de serviços voltárias e como tal devem ser pensadas, projetadas, construídas e geridas. A resposta a tal determinante é a permanente atualização e a dotação de instituições de saúde de elevado potencial de

atualização. Quanto mais “atualizável” for o empreendimento de saúde, mais apto e

suscetível se encontrará para comportar e atender reformulações e modernizações. Daí porque profissionais de arquitetura, de engenharia e de administração hospitalar contemplarem os projetos, já em seu nascedouro, com recursos e meios preditivos, capazes de facilitar, viabilizar e ir ao encontro da atualização. Para a avaliação da “capacidade de atualização” de instituições de saúde, os autores criaram o conceito de “potencial de atualização”. Quanto mais elevado o potencial de atualização, disponibilizado pela instituição, mais valorizada e reputada será, mais apta a se contrapor à obsolescência física e funcional e mais alicerçada as suas condições de competitividade (p.87).

Verifica-se que a maioria dos edifícios hospitalares possivelmente tem essa capacidade de aceitar modificações físicas, substituições e atualizações da infraestrutura – alguns evidentemente mais do que outros. No caso do HC/UFMG, o seu atual Diretor Geral, Professor Ribeiro, na já citada entrevista, pondera que:

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a concepção do prédio do HC/UFMG foi mais de longo prazo em relação aos outros prédios do Campus da Saúde, que não têm a mesma robustez. O prédio no final das contas comporta melhor as intervenções físicas do que o prédio do Ambulatório Bias Fortes [outro prédio do complexo], por exemplo. Isso talvez esteja relacionado a uma tradição de construir uma boa parte dos prédios do Complexo Hospitalar do HC com estruturas que de certa maneira são pensadas dentro de uma longa duração, algo mais duradouro do que o curto prazo. Porque realmente esses prédios são muito robustos e tem muita flexibilidade.

O médico Marcus Januzzi, do Conselho de Administração do Hospital Vila da Serra de Belo Horizonte, destacou que apesar dos avanços da VISA/MG existe uma dificuldade grande de adaptação do edifício hospitalar às normas recém-publicadas ou àquelas cujos parâmetros foram alterados. O médico destaca, por exemplo, que há dificuldade em se reformar todo um sistema de ar-condicionado de um hospital em funcionamento para o atendimento das atuais exigências da legislação. Ele esclareceu que o mesmo acontece em relação aos novos parâmetros de espaço em torno dos leitos do CTI e também em relação às mudanças nas exigências do Corpo de Bombeiros. Ainda segundo ele, o que tem acontecido em alguns hospitais da cidade é que quando são requalificados determinados setores hospitalares é necessária uma intervenção total, mantendo-se apenas a estrutura e a infraestrutura básica daquele setor. Nesses casos o leiaute é totalmente modificado, todos os materiais de acabamento são substituídos e readequados os pontos da infraestrutura. O que ocorre, segundo explicou, é que para o atendimento pleno das normas vigentes não é mais possível uma intervenção parcial, pois a VISA/MG irá exigir a readequação total do espaço e a eliminação de inconformidades identificadas na revisão da normativa. Assim, segundo informou, reformar um setor hospitalar é praticamente refazê-lo inteiro. Para minimizar intervenções físico-espaciais nos hospitais, o médico também destacou a importância da flexibilidade espacial e de instalações, bem como a previsão intensiva de shafts no pavimento hospitalar e modulação estrutural que permita rearranjos e alterações de leiaute e uso.

Sobre as intervenções físico-espaciais realizadas nos hospitais, bem como a capacidade de modificação e requalificação do edifício, o Prof. Ribeiro destacou também a perenidade das instituições hospitalares, ao afirmar em entrevista que:

existe outra coisa que é a relativa perenidade das instituições de saúde. Talvez tenhamos uma experiência mais recente acerca disso no Brasil. Quando visitamos hospitais europeus que existem há centenas de anos, percebemos como hospitais são instituições duradouras. Eu visitei há algum tempo atrás o Glasgow Royal Infirmary cujo prédio principal é do começo do século XIX e foi posteriormente sendo adaptado e hoje existem na parte posterior diversos prédios mais novos e todos conectados entre si por passarelas, da forma como estamos querendo fazer aqui no HC/UFMG. Percebo que começamos a ter hospitais como o nosso, quase centenário, que têm a necessidade de se manter alguns espaços incólumes, mas em razão das necessidades do hospital com o tempo ocorre uma evolução no edifício. Então eventualmente será necessário modificar algumas coisas, mais

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sempre existe uma tendência de manter trechos antigos inclusive para comprovar e de certa maneira garantir essa documentação da evolução física do hospital.

Sobre a necessidade de sempre se requalificar um hospital, perguntado se existe alguma diferença entre as demandas de requalificação do edifício hospitalar publico e privado, o professor Ribeiro destacou que as demandas são equivalentes, entretanto, os processos de projeto e obra são diferentes, conforme descreve:

Acho que as demandas por reformas hospitalares são equivalentes. Acho que é um problema dos outros hospitais também. Mesmo os privados. Mudança de modelo de gestão da clinica, incorporação de tecnologia... Todos os demais hospitais também passam por isso. Entretanto, o que penso ser diferente é que no HC/UFMG temos amarras legais mais restritivas, que são às vezes financeiras, às vezes relativas ao

processo de compra – de como está organizado – e é, portanto, mais difícil a realização

de uma obra do ponto de vista da execução.

Apesar de ser um hospital privado que poderia contratar diretamente a execução de suas obras, o Hospital Semper também lida com dificuldades de financiamento das obras de requalificação. Segundo o seu Presidente, Dr. Kleber Tavares, o nível de endividamento dos hospitais de Belo Horizonte é alto e atinge a praticamente a grande maioria deles. A carga de juros é muito alta e todo o lucro da atividade hospitalar vai para o pagamento de dívidas, o que limita os investimentos do hospital.

A dificuldade de financiamento ou obtenção de recursos para o custeio das obras de requalificação parece impactar no planejamento físico das instituições. Para a aferição desse pressuposto foi realizada uma análise crítica sobre as requalificações hospitalares recentes realizadas nos hospitais pesquisados e as relações dessas intervenções com o planejamento físico da instituição. Se as requalificações executadas estavam previstas no planejamento do hospital e em como as obras foram viabilizadas. Se existe uma ordenação baseada em algum planejamento ou Plano Diretor ou se as demandas são atendidas de acordo com a necessidade imediata e capacidade de viabilização da obra.

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4. Requalificações hospitalares: