Este estudo teve as limitações inerentes a um estudo de observação transversal por revelar a fotografia do momento, logo não sendo possível estabelecer relações causa-efeito, pela falta do conhecimento temporal.
O outro elemento limitante foi a existência de criadores e salas de abate informais, que não são acompanhados pelo sistema de vigilância sanitária, que, portanto, limita a inferência destes resultados para os profissionais do sistema formal, isto é, aqueles registados pelo Departamento Provincial da Pecuária do Namibe. Nos ambientes informais é expectável que os cenários sejam diferentes, e até piores em diversos aspectos: abate de animais,
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isolamento dos animais nas explorações, observância das medidas práticas e de biossegurança e o conhecimento da brucelose por parte dos profissionais.
Quanto aos viéses, espera-se a presença de viés de memória, pelo facto dos profissionais potencialmente não se lembrarem de factos passados. Para uma melhor compreensão, fez- se o inquérito em língua nacional Nhaneca-Umbi que é percebida por todas as etnias conforme questionários Nhaneka-Umbi em anexo (Anexo C). Também foi expectável o confundimento da brucelose por outras doenças tais como: malária e chikungunya, entre outras, por apresentarem sintomas semelhantes (febre e algias). Nestas comunidades da província do Namibe, estas doenças são globalmente denominadas por katolotolo.
O facto de perguntar sobre as rotinas e não com base em observações reais da rotina, podia levar à existência dos vieses de resposta e de memória.
A sensibilidade e a especificidade limitadas dos testes de diagnóstico laboratorial (RBT e SAT) que foram utilizados podiam levar ao viés de informação. Tal como referido na revisão da literatura, estes têm comportamentos diferentes cosoante o período de tempo decorrido desde a infecção.
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Capítulo IV