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O clima pode ser considerado um regulador da produção agrícola. Os parâmetros climáticos exercem influência em todos os estágios dos processos agrícolas, desde o preparo da terra, semeadura, crescimento das plantas e colheita até o armazenamento, transporte e comercialização (AYOADE, 1986).

Para Dallacort et al. (2005), dados climáticos disponíveis e confiáveis, obtidos através de estações meteorológicas, são fundamentais em uma eficaz previsão do desenvolvimento, crescimento e produção das culturas agrícolas. As estações meteorológicas automáticas têm sido utilizadas para medir e registrar os parâmetros meteorológicos, a nível de superfície, de forma precisa e acurada, em intervalo de tempo programável, eliminando com isto, erros humanos na leitura de

sensores, erros de digitação, perdas de dados, possuindo também, sincronismo de leitura entre vários instrumentos e freqüência de leitura com intervalos precisos (FARIA, 1998).

O rendimento máximo de uma cultura é determinado, principalmente, por suas características genéticas e por uma boa adaptação do cultivo ao ambiente predominante. Dentre os elementos do clima, os que mais afetam o comportamento e o desenvolvimento da cultura da soja é a temperatura, o fotoperíodo e a disponibilidade de água (FARIAS, 1994).

3.4.4.1 Exigências hídricas

A disponibilidade de água é importante principalmente em dois períodos de desenvolvimento da soja, germinação (emergência) e floração-enchimento de grãos. Durante o primeiro período, tanto o excesso quanto o déficit de água são prejudiciais à obtenção de uma boa uniformidade na população de plantas (EMBRAPA, 2006).

A soja tem dois períodos críticos bem definidos com relação à falta de água: da semeadura à emergência e no enchimento de grãos (estádios R5 e R6).

Durante a germinação, tanto o excesso quanto a falta de água são prejudiciais ao desenvolvimento da cultura. Neste período, excessos hídricos são mais limitantes que déficits (SALINAS et al., 1989).

Quando o déficit hídrico ocorre nos primeiros estádios de desenvolvimento vegetativo, a soja recupera-se melhor do que outras culturas (DOSS & THURLOW, 1974), já que pode tolerar curtos períodos de déficit, pois tem sistema radicular profundo e período de florescimento, relativamente longo (MOTA, 1983).

A necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento da planta, atingindo o máximo durante a floração-enchimento de grãos (7 a 8mm.dia-1), decrescendo após esse estádio (EMBRAPA, 1999). Déficits

hídricos expressivos, durante a floração e o enchimento de grãos, provocam alterações fisiológicas na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas e, como conseqüência, causam a queda prematura de folhas e de flores e abortamento de vagens, resultando, por fim, em redução do rendimento de grãos.

Berlato, Matzenauer e Bergamaschi (1986) relatam que a necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo rendimento, varia entre 450 a 800mm/ciclo, dependendo das condições climáticas, do manejo da cultura e da duração do ciclo, porém, EMBRAPA (1994) afirma que a exigência de água para a cultura da soja, encontra-se na faixa de 300 a 850mm de água, dependendo da cultivar, da época e das condições locais.

Doorenbos e Kassam (1994) consideram que os períodos de florescimento e de formação da colheita da soja são os mais sensíveis ao déficit hídrico, particularmente a última parte do período de florescimento e o período de desenvolvimento da vagem.

A quantidade de água a ser “introduzida” é normalmente determinada pela necessidade hídrica da cultura, podendo ser estimada através de medidas de solo, planta ou elementos climáticos que possam ser relacionados à demanda evaporativa da atmosfera. Dentro destas categorias, o manejo baseado na evapotranspiração ou por meio da tensão de água no solo são bastante citados e utilizados (ALVES JÚNIOR, 2006; FERNANDES e TURCO, 2003; FIETZ et al., 1999; FRIZZONE, 1991; LIMA et al., 2006; SAAD; SCALOPPI, 1988; SOUZA et al., 1997; SILVA et al., 1995; SOARES et al., 2001).

Deve-se ressaltar que as necessidades hídricas das plantas variam de um período para outro, aumentando desde a emergência das plântulas, com valores muito baixos, até o ponto de máxima área foliar onde se observa a maior evapotranspiração (KUSS, 2006).

3.4.4.2 Exigências térmicas e fotoperiódicas

Para Schöffel e Volpe (2002), a temperatura é uma das variáveis meteorológicas mais importantes afetando não apenas o acúmulo de fitomassa como também, a duração dos vários estádios de desenvolvimento da espécie, uma vez que, para completar cada subperíodo de desenvolvimento, as plantas necessitam um determinado acúmulo térmico. A temperatura do ar tem influência sobre a taxa de crescimento e floração, onde a indução floral é inibida com temperatura média inferior a 17ºC e flores e vagens são abortadas com temperatura média acima de 38ºC. A temperatura do ar para o bom desenvolvimento da soja deve variar entre 20ºC e 30ºC (FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER 2000), sendo que a temperatura ideal para seu crescimento e desenvolvimento está em torno de 30ºC.

O crescimento vegetativo da soja é pequeno ou nulo a temperaturas menores ou iguais a 10ºC. Temperaturas acima de 40ºC têm efeito adverso na taxa de crescimento, provocam distúrbios na floração e diminuem a capacidade de retenção de vagens, os quais se acentuam com a ocorrência de déficits hídricos (EMBRAPA, 2006).

Existem vários métodos que relacionam o grau de desenvolvimento de uma cultura com a temperatura do ar, sendo o mais empregado o das unidades térmicas ou graus-dia (CAMARGO, 1984).

As diferenças de data de floração, entre anos, apresentadas por uma cultivar semeada numa mesma época, são devido às variações de temperatura. Assim, a floração precoce ocorre, principalmente, em decorrência de temperaturas mais altas, podendo acarretar diminuição na altura de planta. Esse problema pode se agravar se, paralelamente, houver insuficiência hídrica e/ou fotoperiódica durante a fase de crescimento. Diferenças de data de floração entre cultivares, numa mesma época de semeadura, são devidas, principalmente, à resposta diferencial dos cultivares ao comprimento do dia (fotoperíodo).

Outro elemento que influência o desenvolvimento da soja, na passagem do período vegetativo para o período reprodutivo é o fotoperíodo. A soja é uma planta de dias curtos (PDC), ou seja, floresce quando o comprimento dos dias é inferior a certo valor, chamado fotoperíodo crítico. Na realidade a soja necessita de certo número de horas de escuro, pois é a radiação solar excessiva que retarda este processo. Os cultivares de soja foram adaptados através de melhoramento genético, aos diferentes regimes fotoperiódicos existentes no País. Assim, problemas no florescimento podem ocorrer, caso uma cultivar seja utilizada fora da região recomendada (CÂMARA, 1998a; FARIAS; NEPOMUCENO; NEUMAIER, op.cit; SCHNEIDER et al., 1995).

De acordo com Shibles; Anderson e Gibson3 (1975, apud FAGERIA, 1989) o fotoperíodo crítico é de aproximadamente 13 horas, para os genótipos adaptados às regiões tropicais Quanto maior é o fotoperíodo mais dias é preciso para a soja atingir a fase de floração; e um fotoperíodo maior de 16 horas inibe a floração e a frutificação. Recentemente, este conceito esta mudando um pouco, pois certos cultivares de soja têm uma fase juvenil depois da emergência quando é especialmente sensível à temperatura e indiferente a duração do dia (HODGES; FRENCH, 1985).

A maturação pode ser acelerada pela ocorrência de altas temperaturas. Quando vêm associadas a períodos de alta umidade, as altas temperaturas contribuem para diminuir a qualidade da semente e, quando associadas às condições de baixa umidade, predispõem a semente a danos mecânicos durante a colheita. Temperaturas baixas na fase da colheita, associadas a período chuvoso ou de alta umidade, podem provocar atraso na colheita, haste verde e retenção foliar.

De acordo com Embrapa (2006), sempre que possível, a semeadura da soja não deve ser realizada quando a temperatura do solo estiver abaixo de 20ºC porque prejudica a germinação e a emergência. A faixa de temperatura do solo adequada para semeadura varia de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a temperatura ideal para uma emergência rápida e uniforme.

3SHIBLES, R. M.; ANDERSON, I. C.; GIBSON, A. H. Soybean. In: EVANS, L. T. Crop phisiology:

Sendo assim, a adaptação de diferentes cultivares a determinadas regiões depende, além das exigências hídricas e térmicas, de sua exigência fotoperiódica. A sensibilidade ao fotoperíodo é característica variável entre cultivares, ou seja, cada cultivar possui seu fotoperíodo crítico, acima do qual o florescimento é atrasado. Por isso, a soja é considerada planta de dia curto. Em função dessa característica, a faixa de adaptabilidade de cada cultivar varia à medida que se desloca em direção ao norte ou ao sul. Entretanto, cultivares que apresentam a característica “período juvenil longo” possuem adaptabilidade mais ampla, possibilitando sua utilização em faixas mais abrangentes de latitudes (locais) e de épocas de semeadura (EMBRAPA, op.cit).