Chapter 7 - Discourse analysis
7.2 Pragmatic discourse – findings and discussion
7.2.1 Categorizing the pragmatic arguments
A dosagem de referência foi desenvolvida com base nos limites exigidos para atender a classe de agressividade ambiental tipo II, da NBR 12655:2015 (ABNT, 2015). Esses limites constituem-se de consumo de cimento de no mínimo 280 kg/m³, relação água/cimento de no máximo 0,60, e resistência à compressão aos 28 dias de no mínimo 25 MPa. Estes parâmetros devem ser atendidos simultaneamente.
Como não há nenhum um tipo de recomendação quanto ao tipo de cimento, uso ou não de aditivos e recomendações sobre agregados, buscou-se executar estas dosagens de maneira mais simples possível, tentando reproduzir o que seria realizado numa obra.
como os outros materiais que irão compor o concreto de referência. Na Tabela 5.14 está apresentada a composição do concreto de referência e na Tabela 5.15 os seus parâmetros de referência.
Tabela 5.14 Composição do concreto de Referência (CAAR) Materiais CAAR Cimento (kg/m³) 434,06 Fíler calcário (kg/m³) 173,62 Sílica Ativa (kg/m³) 43,41 Areia (kg/m³) 648,70 Brita (kg/m³) 973,06 SP (kg/m³) 8,68 Água (kg/m³) 173,62 Fonte: Autor (2018).
Tabela 5.15 Parâmetros da dosagem do concreto de referência Parâmetro CAAR Relação água/aglomerantes 0,363 Água p/agregados (%) 3,63 Volume de pasta (%) 40,00 Massa Esp. (kg/dm³) 2,52 Consumo de Cimento (kg/m³) 434,06 Teor de superplastificante (%) 2,00 Fonte: Autor (2018).
5.3.2 Concreto autoadensável com baixo consumo de cimento (CAABCC)
As dosagens adotadas para a elaboração do concreto autoadensável com baixo consumo de cimento (CAABCC1, CAABCC2 e CAABCC3) atendem aos requisitos estabelecidos na NBR 12655:2015 (ABNT, 2015) para a classe de agressividade ambiental II, ambientes urbanos não litorâneos, desde o consumo mínimo de cimento, relação água/cimento e resistência à compressão. Segundo a referida norma deve-se, neste caso, utilizar consumo de cimento mínimo de 280 kg/m³, relação água/cimento máximo de 0,60 e resistência à compressão mínima de 30 MPa aos 28 dias.
Como adições minerais, adotaram-se 10% de sílica ativa e 40% de pó de calcário, uma vez que o objetivo principal desta pesquisa é a redução do consumo de cimento. Os valores apresentados para as adições minerais, como o fíler calcário, foram obtidos por meio da
avaliação dos aditivos e a sílica ativa mediante a relação SC/C fixa de 0,10.
O consumo de água foi estabelecido com base nas experiências com os concretos auxiliares. A proporção entre agregados graúdos e agregados miúdos seguiu o estabelecido no ensaio de empacotamento, 60% brita 4,75/12,5 e 40% areia muito fina.
Como aditivo optou-se pelo ADVATM Cast 525, no teor de 2,00% em relação à massa de cimento. Inicialmente optou-se por esta proporção após a análise dos ensaios de miniabatimento de tronco de cone e funil Marsh. Porém, com o ajuste da fluidez da mistura devido a água de saturação dos agregados, o valor variou entre as dosagens.
Com esses parâmetros obtêm-se as três dosagens de baixo consumo de cimento, cujas composições estão apresentadas na Tabela 5.16. Na Tabela 5.17 estão indicados alguns parâmetros destas mesmas dosagens.
Tabela 5.16 Consumo de materiais, por m³, de concreto das dosagens de baixo consumo de cimento (kg/m³)
Materiais CAABCC 1 CAABCC 2 CAABCC 3 Cimento (kg/m³) 358,10 347,25 325,54 Fíler Calcário (kg/m³) 143,24 138,90 130,22 Sílica Ativa (kg/m³) 35,81 34,72 32,55 Areia (kg/m³) 724,39 735,20 756,82 Brita (kg/m³) 1086,56 1102,80 1135,23 SP (kg/m³) 14,97 15,62 14,97 Água (kg/m³) 143,24 138,90 130,22 Fonte: Autor (2018).
Tabela 5.17 Parâmetros das dosagens de baixo consumo de cimento
Parâmetros CAABCC 1 CAABCC 2 CAABCC 3 Relação água/aglomerantes 0,363 0,363 0,363 Água p/agregados (%) 3,63 3,63 3,63 Volume de pasta (%) 33,00 32,00 30,00 Massa Esp. (kg/dm³) 2,57 2,55 2,48 Consumo de Cimento (kg/m³) 358,10 347,25 325,54 Teor de superplastificante (%) 4,18 4,50 4,60 Fonte: Autor (2018).
5.4 Concreto no estado fresco
Os dados que apontam as características dos concretos em análise no estado fresco são apresentados na Tabela 5.18 do CAAR e do CAABCC.
Tabela 5.18 Caracterização dos concretos de referência e de baixo consumo de cimento no estado fresco
Propriedades Limites NBR 15823 CAAR CAABCC1 CAABCC2 CAABCC3
Slump-flow, df (mm) 550 ≤ df≤ 850 680,00 697,50 755,00 605,00 T500 (s) >2 5”56 4”91 08”20 10”26 Caixa L, h2/h1* ≥0,80 0,96 0,99 0,99 0,96 Caixa L, t20 (s) --- 1”37 1”77 2”68 1”56 Caixa L, t40 (s) --- 3”44 3”07 7”13 5”33 Funil V, tv (s) 9≤ tv≤ 25 9”95 9”48 16”90 16”65 Tubo U ≥ 0,90 0,91 0,98 0,99 0,99
*Foram utilizados 4ϕ12,5 mm espaçados de 3,2 cm. Fonte: Autor (2018).
Todos os concretos ensaiados apresentaram fluidez elevada. Mesmo assim, apresentaram grande coesão, sem qualquer indício de segregação. Na Figura 5.19 são apresentadas algumas fotos dos concretos no estado fresco, evidenciando alta fluidez sem segregação, teor de argamassa adequado e bom aspecto de acabamento.
Figura 5.19 Aspecto dos concretos no estado fresco após ensaio de espalhamento
Fonte: Autor (2018).
CAAR CAABCC1
Visualmente, para o CAA ser considerado sem segregação no ensaio de espalhamento, o agregado deve estar homogeneamente distribuído na mistura e acompanhar a movimentação da argamassa até a extremidade do círculo formado pelo CAA. Na Figura 5.20 são apresentadas as bordas do espalhamento para cada concreto respectivamente, CAAR, CAABCC1, CAABCC2 e CAABCC3.
Figura 5.20 Análise do aspecto visual do espalhamento dos concretos produzidos
Fonte: Autor (2018).
Como parâmetro qualitativo, foi aferido visualmente as condições de estabilidade de cada concreto produzido, classificando-os de 0 a 3, muito estável (0), estável (1), instável (2) e muito instável (3), respectivamente (ABNT NBR 15823:2017). São considerados como adequados concretos que apresentam as características dos índices 0 e 1, tal como apresnetado na Figura 5.21.
CAAR CAABCC1
Figura 5.21 Avaliação visual da estabilidade dos concretos
Fonte: Adaptado de ABNT NBR 15823:2017.
Dos ensaios realizados somente o CAABCC1 foi classificado como índice 1 (estável) e, os demais, como muito estável (índice 0). Portanto, pode-se dizer que ambos apresentaram características ideais no estado fresco.
Deve-se justificar o espalhamento bem próximo do CAABCC3 ao limite mínimo apresentado por norma de 600 mm. Devido ao baixo volume de pasta e, consequentemente, de cimento, decidiu-se não aumentar mais o consumo de água pois as dosagens apresentavam indícios de início de exsudação. Este é um problema que se encontra ao se utilizar consumos de cimento muito baixos, e consequentemente, de finos muito elevados. Neste caso os valores de espalhamento encontrados não significaram qualquer prejuízo em termos de trabalhabilidade ou acabamento mas, caso fosse necessário maior abatimento, uma alternativa seria realizar ajustes nos demais finos presentes, possivelmente, com consumo maior de sílica e/ou pó de calcário. Vale dizer que a ocorrência de exsudação é sempre indesejável, devendo ser evitada, pois proporciona perda de resistência à compressão.
A avaliação da capacidade de escoamento dos concretos seguiu as recomendações da NBR 15823-4:2017 (ABNT, 2017), parâmetro que no qual consiste em verificar a capacidade
de fluxo do concreto confinado em ultrapassar barreiras sem nenhum tipo de vibração (Figura 5.22).
Conforme apresentado na Tabela 5.18 todos as misturas apresentaram escoamentos suficientes para se caracterizarem como um concreto autoadensável.
Figura 5.22 Ensaio de caixa L para as amostras analisadas. As letras indicam a sequência de execução
Fonte: Autor (2018).
Em seguida (Figura 5.23), realizou-se a verificação da fluidez de cada mistura produzida, de acordo com as recomendações apresentadas pela NBR 15823-5:2017 (ABNT, 2017).
Figura 5.23 Ensaio do Funil V para os concretos estudados. As letras indicam a sequência de execução
Fonte: Autor (2018).
a) b) c) d) e) f)
Diante dos resultados obtidos e apresentados na Tabela 5.18 para os ensaios de funil v, verificou-se que os concretos CAABCC2 e CAABCC3 apresentaram um maior tempo de fluxo durante a realização do ensaio, no qual esse comportamento é justificado pela redução do teor de pasta da mistura. No entanto, ainda assim os resultados obtidos são suficientes no quesito de fluidez e viscosidade requerida segundo a NBR 15823:2017 (ABNT, 2017).
A avaliação da resistência à segregação dos concretos foi feita por meio do ensaio do Tubo U (Figura 5.24). Foram retiradas três amostras de trechos determinados do tubo, efetuando-se relações entre a massa de agregado graúdo extraído em cada uma delas. A razão de segregação (R.S) para todos os concretos foram satisfatórios (Tabela 5.18). Gomes (2002) afirma que para R.S ≥ 0,90, a segregação é considerada desprezível.
Figura 5.24 Execução do ensaio do Tubo U – (a) Moldagem do Tubo-U; (b) Retirada da fôrma para extração das fatias e (c) Extração da porção dos agregados graúdos e retirada da argamassa
Fonte: Autor (2018).