6.8 Discussion
6.8.2 Disadvantages of Our System
O MAIA, como processo de investiga¸c˜ao cient´ıfica parte de uma evidˆencia, busca inter- pretar e compreender a realidade, para em seguida oferecer solu¸c˜oes para os problemas. A evidˆencia que d´a in´ıcio ao processo de investiga¸c˜ao cient´ıfica ´e a constata¸c˜ao de um fenˆomeno que carece ainda de explica¸c˜ao adequada, ou seja, um problema cient´ıfico.
O pesquisador que observa a realidade o faz atrav´es de um paradigma (cient´ıfico, de sistemas ou de metassistema) que, quase sempre, ´e adotado pela comunidade cient´ıfica da qual faz parte e faz uso das teorias e metodologias adequadas `a abordagem escolhida. Um novo paradigma ser´a buscado somente quando houver ind´ıcios suficientes de que o paradigma em uso ´e incapaz de prover uma explica¸c˜ao plaus´ıvel para o problema.
O MAIA, a despeito de sua concep¸c˜ao fenomenol´ogica, n˜ao ´e incompat´ıvel com os m´etodos considerados “m´etodos de abordagem” – indutivo, dedutivo, hipot´etico-dedutivo
e dial´etico (LAKATOS; MARCONI, 1991) e pode ser usado mesmo que o pesquisador n˜ao tenha uma vis˜ao de mundo fenomenol´ogica, como veremos a seguir.
9.2.1
MAIA e o m´etodo indutivo
O m´etodo indutivo baseia-se na experiˆencia do observador que, a partir de dados particulares, suficientemente constatados, produz uma verdade geral ou universal (gene- raliza¸c˜ao), n˜ao manifesta nos dados sob exame. ´E um m´etodo usado principalmente nas ciˆencias naturais.
Esse m´etodo aplicado como racionalidade do observador no contexto do MAIA, pro- vocaria uma mudan¸ca substancial em todos os momentos do m´etodo.
O momento Escutar s´o poderia receber como entrada as evidˆencias que pudessem ser constatadas empiricamente pelo investigador e deveria conter um n´umero de casos significativos para que fosse poss´ıvel produzir um resultado razo´avel.
O momento Pensar ficaria limitado a comparar os fenˆomenos e estabelecer as rela¸c˜oes entre eles. O Construir produziria um modelo baseado na generaliza¸c˜ao das rela¸c˜oes observadas que se configuraria um novo conhecimento sobre a realidade no momento Habitar.
O pesquisador, usando o MAIA no processo de investiga¸c˜ao, poderia adotar a l´ogica indutiva, desde que se mantivesse dentro da abrangˆencia dos fenˆomenos pass´ıveis de an´alise sob essa ´otica. De qualquer forma, o resultado da investiga¸c˜ao estar´a sujeito `as cr´ıtica j´a feitas ao m´etodo indutivo.
A an´alise do uso do m´etodo indutivo como racionalidade do observador dentro do pro- cesso proposto pelo MAIA n˜ao considerou os aspectos da opera¸c˜ao da l´ogica da indu¸c˜ao, pois isto exigiria uma demonstra¸c˜ao que est´a al´em dos objetivos do presente trabalho.
9.2.2
MAIA e o m´etodo dedutivo
A abordagem fenomenol´ogica, na qual o sujeito apreende a realidade, tem como crit´e- rio de verdade a correla¸c˜ao entre a imagem formada pelo sujeito e o objeto propriamente dito. A preocupa¸c˜ao do sujeito, desse ponto de vista, n˜ao ´e com a existˆencia objetiva do fenˆomeno, mas com o que foi apreendido pela consciˆencia.
A vis˜ao de mundo da M3
, usada pelo MAIA, tem suas bases no pensamento sistˆemico que busca o entendimento do fenˆomeno de forma sistˆemica, n˜ao restringindo sua aplica¸c˜ao
a uma classe determinada de fenˆomenos, mas englobando todos aqueles que se apresentam `a consciˆencia, sejam reais ou ideais.
O racioc´ınio do m´etodo dedutivo parte de verdades estabelecidas, apresentadas na forma de premissas, para chegar a conclus˜oes que est˜ao impl´ıcitas nelas. O MAIA n˜ao rejeita, a priori, as evidˆencias que d˜ao in´ıcio ao processo de investiga¸c˜ao. Nada impede, por´em, que o investigador durante o momento Pensar adote um processo de sele¸c˜ao das premissas sobre as quais fundamentar´a seu argumento.
Aplica-se o m´etodo cartesiano aos fenˆomenos que podem ser comprovados pela evi- dˆencia material, excluindo-se todos os outros. Esse m´etodo tem como princ´ıpio a de- composi¸c˜ao do problema para tentar solucion´a-lo a partir de seus componentes, do mais simples ao mais complexo. O MAIA, por seu car´ater fenomenol´ogico, n˜ao exclui, a priori, nenhum tipo de fenˆomeno, como acontece com o m´etodo dedutivo, sendo portanto mais abrangente.
9.2.3
MAIA e o m´etodo hipot´etico-dedutivo
O m´etodo hipot´etico-dedutivo como proposto por Popper coloca o problema do con- flito entre as teorias existentes e sua capacidade de explicar a realidade. Defende que h´a um conhecimento pr´evio que baliza a investiga¸c˜ao cient´ıfica e ´e o que permite a cons- tru¸c˜ao de proposi¸c˜oes que, depois de testadas, dever˜ao ser refutadas pela observa¸c˜ao e experimenta¸c˜ao ou corroboradas, caso n˜ao sejam rejeitadas.
Essa vis˜ao se ajusta perfeitamente ao MAIA que reconhece no espa¸co de informa¸c˜ao uma configura¸c˜ao inicial (conhecimento pr´evio) e a percep¸c˜ao da realidade (Escutar ) aponta para uma necessidade (evidˆencia) de interven¸c˜ao nesse espa¸co. Essa evidˆencia configura a lacuna a que se refere o m´etodo hipot´etico-dedutivo.
O ato de interpretar ´e feito com base em um paradigma, isto ´e, o investigador parte de uma fundamenta¸c˜ao te´orica para sua an´alise. Se o problema que serviu de entrada para o processo de investiga¸c˜ao pode ser totalmente explicado e resolvido com as teorias e modelos existentes, n˜ao h´a realmente um processo de produ¸c˜ao cient´ıfica, mas uma mera reprodu¸c˜ao ou aplica¸c˜ao de modelos para resolu¸c˜ao de problemas cotidianos daquele espa¸co de informa¸c˜ao.
Confirmada a existˆencia de uma lacuna na explica¸c˜ao do fenˆomeno, o investigador dever´a formular hip´oteses para a explica¸c˜ao do fenˆomeno. Essas hip´oteses s˜ao modelos de solu¸c˜ao vislumbrados pelo pesquisador no ato de modelar, do momento Pensar. Essa
modelagem continua no momento seguinte, Construir, quando as alternativas elencadas pelo investigador ser˜ao falseadas. As hip´oteses que forem constatadas como n˜ao false´aveis, ser˜ao implantadas (Habitar, gerando uma nova configura¸c˜ao do espa¸co de informa¸c˜ao sob estudo.
Essa nova configura¸c˜ao do espa¸co de informa¸c˜ao poder´a ensejar novas lacunas ou contradi¸c˜oes que dar˜ao in´ıcio a um outro ciclo de investiga¸c˜ao.
9.2.4
MAIA e o m´etodo dial´etico
O m´etodo dial´etico implica um di´alogo do sujeito com um interlocutor. A rela¸c˜ao fenomenol´ogica sujeito-objeto pode ser vista como um di´alogo no sentido dial´etico se for considerada a influˆencia que um exerce sobre o outro. Nessa rela¸c˜ao pode-se observar as leis fundamentais da dial´etica.
Sujeito e objeto se relacionam em um espa¸co de informa¸c˜ao. Esse relacionamento causa uma a¸c˜ao de um sobre o outro: o sujeito modifica o objeto e ´e por ele modifi- cado. O espa¸co de informa¸c˜ao ´e ent˜ao transformado, pois seus componentes sofreram uma mudan¸ca.
Trata-se de uma mudan¸ca qualitativa porque ´e a passagem de um estado para outro e n˜ao simplesmente uma mudan¸ca qualitativa que denota simplesmente o aumento num´erico de objetos.
Sendo a dial´etica um conjunto de processos e n˜ao uma vis˜ao est´atica da realidade, depreende-se e justifica-se que o espa¸co de informa¸c˜ao passa por diferentes estados, so- frendo um desenvolvimento progressivo, conforme a ideia de dial´etica de Engels. Segundo essa vis˜ao, a dial´etica n˜ao trata de objetos f´ısicos, mas de seu constante desenvolvido, al´em disso, os objetos n˜ao “existem isoladamente”, mas fazem parte de um “todo coerente” e “or- ganicamente ligados entre si”, isto ´e, est˜ao relacionados, dentro de um contexto espec´ıfico. A dial´etica considera ainda que os objetos podem ser reais ou ideais.
A vis˜ao engeliana que o mundo n˜ao ´e um “complexo de coisas acabadas” refor¸ca a ideia de desenvolvimento espiral contida no MAIA. Essa espiral sugere uma progress˜ao da aplica¸c˜ao do m´etodo: o resultado de um ciclo de investiga¸c˜ao gerar´a novas evidˆencias que, por sua vez, implicar˜ao em um novo ciclo de investiga¸c˜ao, a partir de uma base de conhecimento ampliada pelo resultado da fase anterior.