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Følgeforskning Telemarksreaktoren Skoglund Miljø- og økonomianalyse

2 Datagrunnlag og metodikk

2.2.5 Direkte utslipp fra lagring av biogjødsel

Produzir mudanças no trabalho dos Postos, como falamos anteriormente, aparece como uma meta do projeto. No entanto, não há entre os profissionais entrevistados a ilusão de que essa transformação será fácil, pelo contrário, suas expectativas são de que os maiores problemas ainda estão por vir, tal qual relatado abaixo:

Nós já fizemos uma reunião com o sindicato dos proprietários e nesse primeiro contato não botaram empecilho, mas a gente sabe que a partir do momento que a gente começar a mexer, nós vamos ter problemas(...). Então provavelmente eu acho que os maiores contratempos ainda a gente vai ter (Profissional Fundacentro 1).

Essa fala revela o entendimento de que provocar mudanças no trabalho irá gerar conflitos no campo politico-econômico local (Vasconscellos, 2007). Entre os quais, Dias et al (2008) citam os conflitos decorrentes dos interesses econômicos e financeiros na arrecadação municipal ou do patrocínio de campanhas políticas. Pelo conhecimento e experiência dos profissionais entrevistados, a produção de conflitos aparece como situação inerente ao campo ST, ao passo que significa mexer na relação entre capital e trabalho, expresso nas falas a seguir:

Na Saúde do Trabalhador a gente deve descobrir onde estão os problemas, como a gente interfere neles com o objetivo de evitar doença. Aqui a gente faz medicina preventiva bem legal. Só que é cheia de conflito, é cheia de ponta pé. Porque a gente acaba chegando na coisa do processo produtivo, do núcleo, do confronto do capitalismo (Profissional ST 11).

Outro potencial de dificuldade é esse que é inerente à saúde do trabalhador são os problemas gerados pela sua ação (...). A gente não tem uma dimensão muito clara de como isso vai repercutir socialmente, mas é um assunto que atinge todo mundo direta ou indiretamente. Diretamente, porções significativas de nossas camadas formadoras de opinião aí que tem carro, que abastece os seus carros em postos de gasolina, uma parte substantiva do PIB é atingida por isso. Vai mexer com um negócio que envolve as pessoas, que provoca celeuma, que tem um potencial de repercussão muito grande (Profissional SRT).

Assim sendo, quanto mais a vigilância avançar no sentido de intervir nos ambientes de trabalho mais conflitos trará à tona (Ribeiro46 apud Vasconcellos, 2007). Nessa perspectiva,

46

Ribeiro, FSN; Ramos Junior, A; Pinheiro, T; Buschinelli, T, 2001. Vigilância em Saúde do Trabalhador - o que está por vir... in Anais do Encontro Nacional de Saúde do Trabalhador - Desafio da Construção de um Modelo Estratégico. Brasília: Ministério da Saúde, Série D, nº 10.

os profissionais entrevistados lembram que existem raras intervenções voltadas para a saúde dos trabalhadores e ambiente nos Postos de combustível e será necessária muita habilidade para lidar com situações de conflito, disputas de poder e as repercussões da ação de vigilância, conforme pautado por profissional entrevistado:

Isto é um potencial ninho de vespas, você vai mexer com uma coisa com potencial de gerar conflitos muito grande. Então se não for muito hábil(...) por exemplo, se o cara adultera combustível é bandido, em princípio, você vai lá falar pro cara cumprir a lei e proteger o trabalhador (Profissional SRT).

Apesar da mudança da priorização da investigação dos Postos para aqueles das áreas contaminadas, com o aperfeiçoamento do projeto, certamente haverá investigação dos Postos de revenda de combustível adulterado. Diante desse fato, os profissionais entrevistados acreditam que será necessário abrir um canal de negociação para superar possíveis interferências políticas e administrativas, para tanto consideram o Ministério Público como uma importante instância para propiciar a mudança pretendida em prol da saúde:

Vai ter que ter muita discussão, vai ter que ter muita articulação, vai ter que

superar algumas interferências políticas, algumas interferências

administrativas.(...) O ministério público pode ser um fator determinante nessa negociação (Profissional CESAT).

Vale considerar que outra possível dificuldade diz respeito a continuidade da ação, em face das mudanças políticas, das prioridades e de gestão nas instituições públicas envolvidas (Pinto, Tanaka e Spedo, 2007). Em ST essa dificuldade ganha outra dimensão, visto o potencial conflito existente nas ações, conforme o relato a seguir:

Dificuldade eterna de todos os projetos de todos os serviços é continuidade, vira e mexe muda, tira a pessoa que está responsável, muda o gestor, muda a política, (...)este é sempre um potencial de risco grave e eminente, enquanto você não aparece ninguém se incomoda, você começa a aparecer, começa a criar dificuldades, começa a criar problemas, isso gera dificuldades (Profissional SRT).

Sob esse aspecto, Vasconcellos (2007) nos fala da fragilidade da política pública e da cultura brasileira de ‘esvaziar as gavetas’ com as mudanças dos gestores governamentais. Além da descontinuidade da política, a escassez de recursos financeiros para o setor ambiental e saúde representa um desafio para a questão da Segurança Química no Brasil (Freitas et al, 2002). A

fim de garantir a continuidade do projeto, diante dessa possibilidade, os profissionais entrevistados relatam a importância da formalização das relações interinstitucionais e pactuação da proposta nas diferentes instituições envolvidas:

Há a necessidade de que seja um pouco mais formalizado até pra você não correr o risco que nós corremos em Paulínia, por exemplo, que a equipe foi muito fácil de destituir (...). Dentro da saúde em Campinas eles conseguem fazer isso uma vez que eles formalizam num plano de ação, dentro da instituição (Profissional Fundacentro 1).

No campo ST, devido às relações de conflito entre o capital e o trabalho, algumas empresas acabam por entrar com processos jurídicos contra o profissional que assinou o laudo ou relatório e não contra a instituição que ele está vinculado: “O advogado da empresa que vem, ele não faz processo contra a prefeitura, ele faz processo com a minha pessoa” (Profissional ST 11) e nessa relação, nem sempre os profissionais são respaldados pelos departamentos jurídicos das secretarias de saúde, instâncias frágeis em relação à influência judicial das empresas. Desse modo, embora esse conjunto de dificuldades não tenham aparecido com tanta veemência até agora: “Por enquanto não temos tido problemas na execução do projeto, na nossa fiscalização, não está tendo; está tudo bem, ainda temos outros postos pra fazer.” (Profissional VISA 2), os profissionais entrevistados acreditam que, certamente, serão objeto de discussão numa fase mais avançada da ação.