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O escritório modelo (service-learning) possui um grande potencial de atuação nas comunidades, com a capacidade de agregar valor tanto para alunos quanto para os moradores, e principalmente para a universidade. Porém, as relações entre os escritórios modelos (service-learnings), a comunidade e a universidade devem ser cuidadosamente articuladas, já que envolvem diferentes concepções. Nos EUA os estudos sobre as parcerias universitárias junto a comunidades já estão sendo amplamente proliferados desde a década de 1990, em parte, devido ao programa de Parceria e Proximidade com a Comunidade (Community Outreach Partnership Centers – COPC) desenvolvido pelo Departamento Americano de Habitação de Desenvolvimento Urbano (HUD). Esse modelo evolui de um formato de aprendizado sobre a comunidade, para um modelo mais colaborativo e mais voltado para o aprendizado dentro da comunidade (BOSE, HORRIGAN, et al., 2014).
Atualmente o foco está mais nos processos participativos do que nos aspectos técnicos de atuação dessas assistências técnicas nas universidades, como nos casos de Michigan e Okland. Estudos como de Bringle e Hatcher (2002) falam das fases do relacionamento universidade-comunidade, como iniciação, desenvolvimento e manutenção. Já Stukas e Dunlap (2002) destacam as relações de igualdade e equidade entre as equipes que deve ser forjada desde o inicio dos trabalhos (BOSE, HORRIGAN, et al., 2014).
O professor Jeffrey Hou, da Universidade de Washington, atua nas áreas de desenho para comunidades, desenho ativista, espaços públicos e democracia, e justiça social e ambiental. Nesse sentido, o escritório modelo junto à Universidade de Washington desenvolve suas atividades na comunidade do Chinatown International District, em Seattle.
A comunidade de origem asiática vinha assistindo a depreciação do bairro no qual habitavam até o momento da intervenção dos alunos, com a criação de hortas comunitárias. Havia sérios problemas de relacionamento na própria comunidade, gerado por conflitos étnicos e pessoais. Com o tempo a atuação da assistência técnica universitária foi criando vulto na comunidade e ampliando seus serviços pela demanda da própria comunidade, que também passou a
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engajar-se de forma mais ampla nos projetos. Alguns projetos eram subsidiados, outros eram financiados pela própria organização da comunidade.
Inicialmente a noção de que o envolvimento com a comunidade específica ia ser de longa duração influenciou bastante o trabalho da assistência técnica. Tanto para a resolução de conflitos, quanto na adequação da escala e do escopo de exploração do trabalho pelos estudantes.
Durante o desenvolvimento do trabalho foram promovidos workshops, reuniões, open houses para gerar conexões entre os envolvidos tanto da universidade como os da comunidade. A abertura da assistência técnica à uma linguagem mais apropriada à linguagem da comunidade facilitou a fluidez dos trabalhos e encorajou a participação. A equipe universitária buscava sempre um feedback da comunidade para melhorar a qualidade dos trabalhos.
Figura 27 - Moradores participando do workshop de projeto. Fonte: (BOSE, HORRIGAN, et al., 2014).
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Com a experiência da assistência técnica os alunos saem da zona de conforto e ganham mais experiência na comunidade. Algumas lições podem ser tiradas dessa da experiência: primeiro, a responsabilidade o instrutor da assistência técnica é ainda mais significativa pela atuação acadêmica, dessa forma, a pessoa deve ter uma dedicação focada no trabalho comunitário, pois erros apresentam um desserviço tanto para a comunidade acadêmica quanto para a comunidade. Segundo, a parceria de longa duração pode algumas vezes trazer “fatiga participativa”, ou seja, a comunidade pode apresentar um certo cansaço em relação ao trabalho junto à assistência técnica. Como a parceria demanda a participação da comunidade, os responsáveis devem ter sensibilidade para não extrapolar as barreiras da própria comunidade. Terceiro, nem sempre a comunidade vai contribuir com os trabalhos. É necessário entender que para as relações acadêmicas e comunitárias ocorrerem é preciso antes as conexões individuais.
As experiências com o projeto desenvolvido na comunidade do Chinatown em Seattle, demonstram a importância do tema da assistência técnica em conjunto processo participativo.
3.6. CONCLUSÃO
A assistência técnica está se expandindo não apenas nas universidades brasileiras, mas também nas universidades de outros países, como é o caso dos Estados Unidos e do Canadá. Os conceitos de direito à cidade, urbanismo tático, processo participativo e mutirão permeiam os estudos nas áreas de planejamento urbano no contexto das ciências sociais aplicadas. Compreender as relações entre o espaço urbano e suas implicações sociais faz parte da agenda da arquitetura social e do planejamento urbano democrático.
O objetivo com esta seção não foi esgotar as experiências internacionais em assistência técnica, mas perceber a existência de ações voluntárias no contexto universitário, voltadas para as comunidades carentes de recursos financeiros. É claro que o contexto norte-americano é diferente do contexto brasileiro, contudo,
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as necessidades locais existem e precisam ser compreendidas, estudadas, analisadas e atendidas.
Aparentemente, não há uma política de assistência técnica como no caso do Brasil, entretanto diversas ações estão sendo promovidas por grupos vinculados à universidades. Essas ações tem por objetivo promover o diálogo entre a comunidade acadêmica e as comunidades locais, com a internalização de saberes próprios de cada situação.
De modo geral, as experiências internacionais demonstram diversas possibilidades de atuação da assistência técnica. Alguns grupos, como o do professor Lancelot Coar da Universidade de Manitoba, possuem um caráter mais voltado para a intervenção construtiva, algo similar aos mutirões. Outros grupos, como o do professor Jeffrey Hou, da Universidade de Washington estão focados no processo participativo. De outro modo, há formas de intervenção que estão com voltadas para o diálogo com a comunidade, como é o caso do grupo do professor David Scobey, e do projeto desenvolvido no Parque Ann Arbor, em Michigan.
Cada uma das experiências possuem um enfoque diferenciado na abordagem da assistência técnica, não configurando um programa sólido e bem definido, mas um campo de experimentação que vai sendo guiado pelas necessidades de cada comunidade envolvida. Afinal, esse é um dos objetivos da assistência técnica: atuar com a prestação de serviços de arquitetura e urbanismo que não podem ser adquiridos financeiramente pelos assistidos.
No âmbito internacional, já existem ações nesse sentido, apesar de apresentar um formato diferenciado do formato brasileiro. Ainda sim, as experiências são válidas, e servem de exemplo e intercâmbio para o aprimoramento e consolidação desse conceito.
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