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6. Discussion

6.3. Direct impact on aquaculture income

Os OF representam a maioria das intoxicações em animais de companhia nesta amostra, porém, as intoxicações por rodenticidas em animais de companhia são também bastante frequentes (Berny, P., 2010a). Neste estudo, cerca de 29% dos animais de companhia foram expostos a rodenticidas, sendo que 3 casos clínicos correspondem a cães e apenas 1 é referente a um gato (gráfico 4).

A utilização destes pesticidas é bastante frequente no meio rural, dado que as formulações que os contêm apresentam caraterísticas que atraem os roedores, com a intenção de reduzir a sua população, e têm sucesso significativo. Contudo, é de ter em consideração a atração que também exercem em outros animais, nomeadamente os animais de companhia (Vandenbroucke, V., 2008) . A exposição a animais de companhia por rodenticidas não é, no entanto, de fácil deteção, porque a sintomatologia inicial apresentada não é específica (BERNY, P., 2010b). Os sinais clínicos iniciais são sonolência, fraqueza, anorexia, poliúria, polidipsia, diminuição da perceção e exaustão (Valchev, I., 2008), (Pavhtinger, G., 2008). Posteriormente surgem sinais mais caraterísticos, nomeadamente,

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hematémese, epistaxis, petéquias e hemorragias na cavidade abdominal. No entanto, apesar deste quadro clínico já ser mais específico para permitir a identificação deste tipo de tóxicos, só se desenvolve horas a dias após exposição, e o tratamento efetuado nesta fase poderá já não ser eficaz (Pachtinger, G., 2008).

A sintomatologia específica resultante da exposição a rodenticidas é devida ao mecanismo de ação destes tóxicos, já que vão alterar o ciclo hepático da formação de vitamina K e, consequentemente, alterar os fatores de coagulação, o que resulta no aparecimento de equimoses, hematémese e fezes escuras (Elliot, J., 2014).

Dos 4 casos clínicos obtidos, 3 tiveram acesso à terapia farmacológica e apenas 1 não foi submetido à terapêutica. O caso nº 1, que corresponde ao animal que não foi submetido a tratamento farmacológico, corresponde a um gato, que apresentava como sinais clínicos prostração, desidratação e mucosas itéricas, e os donos optaram pela eutanásia. Dos 3 casos clínicos referentes a cães, e que tiveram acesso à terapia farmacológica, dois animais apresentaram resposta positiva ao tratamento farmacológico (67%) enquanto no caso nº 9 não ocorreu resposta ao tratamento e o animal acabou por morrer (gráfico 9).

Gráfico 9 - Resposta ao tratamento farmacológico em casos clínicos resultante da intoxicação por rodenticidas.

Relativamente à terapêutica no caso de intoxicação por rodenticidas, o primeiro passo é realizar uma descontaminação gástrica, uma vez que a principal via de exposição a estes tóxicos é por via oral Assim, utilizam-se de eméticos, de forma a induzir o vómito, ou administra-se carvão ativado, para se diminuir a taxa de absorção do tóxico. Esta descontaminação é importante na medida em que reduz o risco de desenvolvimento de coagulopatias, podendo, assim, não ser necessário recorrer à administração do antídoto

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(Pachtinger, G., 2008). Porém, a utilidade da descontaminação gástrica implica que a exposição ao tóxico tenha sido recente, o que nem sempre é fácil detetar. Nos quatro casos clínicos obtidos, em nenhum foi realizado descontaminação gástrica pelo fato de os animais já se encontrarem num estado de toxicidade mais avançado, com sinais mais específicos, nomeadamente a nível hemorrágico.

O antídoto para intoxicações por rodenticidas é a vitamina K1. Contudo, apesar de existir um antídoto para este tipo de intoxicação, a administração deste composto não é a primeira linha de tratamento, nem deve ser utilizado como tratamento profilático (Pachtinger, G., 2008), (Gupta, R., 2012). De facto, a administração de vitamina K realiza-se apenas em animais quando há confirmação da suspeita de intoxicação por rodenticidas, após realização de provas bioquímicas (Pachtinger, G., 2008). Em casos sintomáticos e dependendo do estado em que o animal se encontra e, se obtém a confirmação do diagnóstico, pode mesmo recorrer-se a transfusões sanguíneas antes de iniciar a terapêutica com vitamina K (Gupta, R., 2012). Neste trabalho, em apenas dois casos foi administrada a vitamina K, porém, apenas para 1 cão foram realizadas as provas de coagulação de modo a confirmar o diagnóstico.

A terapêutica farmacológica para intoxicações por rodenticidas é principalmente sintomática, ou seja, tem como objetivo diminuir a sintomatologia apresentada pelo animal semrecorrer ao antídoto. No caso clínico nº 2, referente a um cão, foi administrada vitamina K, meloxicam e Ulcermin®. A vitamina K possui uma acção antihemorrágica e tem como

objetivo diminuir as hemorragias caraterísticas da intoxicação por este tóxico,o Ulcermin® é

utilizado no tratamento de úlceras gástricas e duodenais que podem resultar da intoxicação por este tóxico e reduzir a anorexia do animal e o meloxicam tem como indicação terapêutica o alívio da inflamação e dor nas patologias músculo-esqueléticas agudas e crónicas e, neste caso em particular, diminuir a prostração que o animal apresenta (Plumb, D., 2008), (DGV, 2014). Relativamente aos casos clínicos nº 9 e nº 12, a terapêutica abordada foi efetuada com base na diminuição da sintomatologia apresentada pelo animal a nível gastrointestinal e realizou-se também terapia de suporte. A administração de metoclopramida e ranitidina tem com o objetivo controlar a anorexia apresentada pelos animais, uma vez que estes fármacos, ao possuírem propriedades anti-eméticas e diminuírem a acidez gástrica, respetivamente, vão reduzir e até controlar os sintomas a nível gastrointestinal (Gupta, R., 2012). Relativamente à terapia de suporte, a furosemida, sendo um diurético, tem como objetivo eliminar o tóxico que se encontra em circulação a nível renal, pelo que a sua administração tem um papel fundamental nas intoxicações (Suzuki, S., 2013).

A antibioterapia também é administrada como terapia de suporte neste tipo de intoxicações, e o metronidazol, administrado a dois cães, teve como objetivo terapêutico diminuir a diarreia e impedir a propagação das bactérias a nível gastrointestinal (Tse, Y., 2013). Este medicamento também é administrado em cães e em gatos no tratamento de Giardia spp, de outros parasitas como Trichomonas spp, e no tratamento de infeções

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anaeróbicas entéricas e sistémicas (Plumb, D., 2008). A administração de amoxicilina em conjunto com ácido clavulânico ocorreu em apenas um caso clínico, o nº 9 mas, geralmente é administrada em cães e gatos no tratamento de infeções ao nível do trato urinário, da pele e tecidos moles (Plumb, D., 2008). Ao invés, a ampicilina foi utilizada no caso nº 12. Este fármaco possui atividade contra batérias Gram-negativas aeróbias susceptíveis às penicilinas, incluindo Escherichia coli, Klebsiella spp, e Haemophilus spp. (Plumb, D., 2008), (Tse, Y., 2013). A enrofloxacina foi co-administrada com a ampicilina no caso nº 12 e é aconselhada a sua utilização em animais expostos a tóxicos, como terapia antimicrobiana de suporte, sendo administrada para o tratamento de infeções do aparelho digestivo, órgãos respiratórios, aparelho urinário, órgãos reprodutores, infeções cutâneas e infeções de feridas, sendo que estas infeções podem ser favorecidas pela exposição a rodenticidas (Tse, Y., 2013), (DGV, 2014). Relativamente ao caso nº 9, em que o animal se encontrava num estado mais grave, foi-lhe administrado dipropionato de imidocarb que geralmente é administrado no tratamento de infeções por Babesia canis e Ehrlichia canis e, para reduzir a inflamação, foi administrada metilprednisolona, uma vez que tem como função, nomeadamente, aumentar o número de plaquetas, neutrófilos e eritrócitos em circulação (Plumb, D., 2008).

Na amostra foi possível observar um total de 4 casos clínicos de toxicidade por exposição a rodenticidas e, em 2 casos clínicos foi possível identificar o tóxico em causa (cumarínicos), sendo que estes dois casos envolvem cães (gráfico 10).

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