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3. 7 Store fylkesvise variasjoner i tilbud til voksne

3.11 Dimensjoneringsvansker aktualiserer bedre koordinering

A origem do empreendedorismo solidário vem da perspectiva da economia solidária. Assim como ocorre com o fenômeno da cidadania, a economia solidária também é tratada tangencialmente ao empreendedorismo. O elo situa-se no empreendedorismo social, mais especificamente no empreendedorismo solidário, já que esta perspectiva, de acordo com Saiz- Alvarez (2016) e Gaiger e Correa (2011), melhor qualifica a proposta social de atuação do fenômeno.

Vale salientar que a noção de Economia solidária difere-se do entendimento de Economia social, sendo esta última noção tratada de modo secundário neste trabalho. Para Bialoskorski Neto (2004), existe, de um lado, a economia solidária, e de outro, a economia social. A diferença básica entre ambas reside exatamente no objetivo econômico e na neutralidade política que são característicos da economia social. Vale ressaltar que a economia solidária não nega o mercado, ao contrário, reconhece-o como um mecanismo significativo na regulação das condições materiais de qualquer sociedade, diferenciando-se da economia social. No entanto, reserva-lhe a necessidade de intercâmbio e encontro entre os sujeitos, tira proveito de sua estrutura e das possibilidades que oferece para levar a cabo os empreendimentos que maximizem os vínculos de reciprocidade (GAIGER, 1998; LISBOA, 2001).

O conceito de empreendedorismo solidário abrange um conjunto de experiências econômicas levadas a cabo por inúmeros grupos sociais, havendo sua progressiva multiplicação e diversificação. Tais experiências caracterizam-se por algum grau de socialização dos meios empregados na atividade econômica, por dispositivos de cooperação no trabalho, pela gestão democrática e participativa e por envolvimentos em ações mais amplas, a partir do entorno dos empreendimentos.

Em geral, convergindo aspectos econômicos, políticos e sociais, tem-se como produto características organizacionais de empreendimentos solidários. Laville (2009) considera que essas organizações são capazes de equilibrar os diferentes padrões de interação econômica, potencializando os elementos de reciprocidade, mercantis e redistributivos, junto a uma inserção de um espaço comunitário com vistas a melhorias no bem-estar dos indivíduos. Coraggio (2007), em sentido semelhante, defende que esses empreendimentos ampliam o sentido de convivência social, incorporando neste conceito não somente a satisfação das necessidades materiais, mas a provisão de qualidade de vida de todas as pessoas.

O empreendedorismo solidário também pode ser entendido como associativo, pois explora as virtudes da comunidade de trabalho, na mesma proposta em que se sublinha como a natureza associativa e cooperativa dos empreendimentos é capaz de gerar potencialidades de desenvolvimento social (RAZETO, 1990. A ação nessas formas de organização vai além da simples produção, transcendendo para o sentido mais amplo de conscientização dos indivíduos e politização das atividades, via atuação no espaço comunitário, reverberando no público (FRANÇA FILHO; LAVILLE, 2004).

De acordo com Gaiger e Correa (2011), são traços singulares do empreendedorismo solidário: a) práticas de reciprocidade na busca da viabilidade econômica; b) articulação associativa com agentes públicos; c) convergências entre empreendedorismo e solidarismo; e d) desenvolvimento de papéis na comunidade.

As práticas de reciprocidade envolvem processos conjuntos de geração de renda em que todos os participantes recebem ganhos semelhantes e proporcionais ao esforço despendido nas ações de produção. Neste ponto é recomendado que as associações estabeleçam, coletivamente, limites para que todos os participantes tenham a oportunidade de produzir e comercializar seus produtos.

A articulação associativa com agentes públicos remete-se à parceria genuína com representantes públicos, como as prefeituras, o Estado ou governo, ou mesmo órgãos vinculados a ele. Em uma relação de cooperação entre associação e Estado, ambos oferecem contrapartidas de acordo com suas competências para o desenvolvimento local. Os agentes públicos devem oferecer os recursos, a estrutura e as condições ambientais viáveis para que a associação possa melhorar a produção, a geração de renda e a sua sobrevivência ao longo do tempo.

A convergência entre empreendedorismo e o solidarismo ocorre pela combinação de quatro elementos distintos: no âmbito do empreendedorismo, eficiência (capacidade produtiva) e viabilidade sustentável, e em relação ao solidarismo, autogestão (participação coletiva) e cooperação social (compromisso social).

Por fim, o desenvolvimento de papéis na comunidade se refere à criação ou aperfeiçoamento do saber produtivo dos sujeitos na comunidade que participam direta ou indiretamente da associação/cooperativa. Percebe-se que tal organização possui como propósito não apenas o desenvolvimento dos participantes em si, mas indiretamente ela proporciona melhorias para o bem-estar dos indivíduos da comunidade onde está inserida.

2.7.1 Proposta de articulação entre o empreendedorismo solidário e as categorias da empresa social

Tanto o empreendedorismo solidário como a empresa social podem ser entendidos como manifestações do empreendedorismo social. De acordo com os estudos evidenciados por Rosolen, Tircoski e Comini (2014), a perspectiva da empresa social já é teoricamente aceita como sendo uma representação do empreendedorismo social. Apesar de o empreendedorismo solidário não ter sido previamente apresentado nos estudos bibliométricos indicados no item 2.4.3, foi notória a relação entre ambos os fenômenos. A caracterização desses vínculos está indicada na Figura 3.

Figura 2 - Vínculos entre a perspectiva de empresa social e do empreendedorismo solidário

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

A ideia de cooperação declarada no empreendedorismo solidário se coaduna com o entendimento de missão social da empresa social, pois ambos enfatizam o compromisso social que as atividades devem apresentar. O bem comum, o bem-estar da comunidade, demonstra também ser um elo entre a consciência cidadã e o desenvolvimento de papéis na comunidade. As associações e cooperativas possuem um papel muito importante na transformação social das comunidades, pois elas são celeiros que fomentam a criação ou o desenvolvimento de competências produtivas e cognitivas.

Os agentes públicos também estão presentes em ambas perspectivas de empreendedorismo social, já que as novas relações com o estado precisam assumir uma

postura associativa, ou seja, de suporte, de ajuda às comunidades, contribuindo assim para a diminuição da criticidade das chances de vida nas comunidades por meio de geração de renda conjunta e das relações de reciprocidade entre os sujeitos na comunidade. Os vínculos entre os fenômenos demonstram que o empreendedorismo social mais amplo possui ramificações passiveis de complementação em seus postulados teóricos. Tal constatação reforça a emergência da sensibilidade na pesquisa para elementos que não estão explicitamente relacionados à literatura consultada. Dessa forma, o caminho metodológico precisa considerar aspectos que possam emergir do campo, isto é, ramificações ocultas pertinentes a uma ampliação do fenômeno em tela.

2.7.2 O empreendedorismo no Nordeste rural e familiar no Brasil

O Brasil apresenta uma base de heterogeneidade social e econômica. E esta coexistência de espaços sociais sob lógicas e tempos distintos torna sua análise ainda mais complexa. Produtores rurais também são diferenciados. No que tange aos processos que levaram à remodelação da estrutura produtiva nordestina, antigas economias sobrevivem e/ou são modificadas, concomitantemente à geração de novos cultivos e formas de se viver dos frutos da terra. Assim, a economia rural no Nordeste apresenta áreas dinâmicas intensa e áreas tradicionais, pois dentro de si mesma apresenta vários nordestes, ou seja, várias peculiaridades entre os estados (ARAÚJO, 2002).

De acordo com Rocha et al (2011), abrangendo o território de vários estados, principalmente Paraíba, Pernambuco e Alagoas, encontram-se a pecuária Intensiva do Agreste, cuja existência está associada à expansão da pecuária comercial de corte e de leite. No Agreste nordestino, apesar do dinamismo econômico, nas áreas onde ocorreu o avanço da pecuária intensiva foi notável a diminuição de sítios (pequenas propriedades), gerando concentração fundiária e redução da agricultura familiar tradicional.

Entretanto na Paraíba, a agricultura familiar tem encontrado fôlego graças a uma junção de fatores, desde de políticas públicas, entidades de apoio, e a perseverança da tradição familiar na produção rural. Grande parte da economia paraibana se baseia no setor da agricultura (principalmente de cana-de-açúcar, abacaxi, algodão, e nas hortas de subsistência como milho e feijão), e na pecuária (de modo mais relevante, a criação de bovinos, na microrregião de Sousa e Borborema, e caprinos, na região do Cariri) (HISTÓRIA DA PARAIBA, 2010).

No sertão da paraíba, que historicamente se estruturou sobre a pequena produção de subsistência, teve intensificado o êxodo rural e reduzida a produção de alimentos para os mercados locais até o ano de 2000, processo que foi arrefecido com as novas dinâmicas da agricultura familiar no interior da Paraíba. O sertão semiárido corresponde às porções do interior nordestino, antigas áreas onde imperava o binômio algodão-pecuária, que não engendraram novas dinâmicas econômicas, sobretudo no tocante à formação de associações e cooperativas. Nestas áreas prevalecem a agricultura alimentar e a pecuária, mais voltada à criação de caprinos e de bovinos (ROCHA, et al 2011).

Em relação a gestão, as cooperativas da agricultura familiar adotam um modelo participativo, no qual toda e qualquer operação é contraída com o consentimento de todos, ou da maioria, tendo como principal espaço de discussão e deliberação dos assuntos a assembleia geral com práticas de divisão igualitária dos resultados. Por essas práticas, atreladas a outras de cunho comunitário, as organizações sociais são campo fértil a gestão social porque possibilitam a discussão e oportunizam as famílias a serem ativas na gestão dos empreendimentos que participam. Portanto, o empreendedorismo no Nordeste rural, mais precisamente no campo nas pequenas propriedades conta com forte interação entre familiares e comunidade (ROCHA et al, 2011).

Tais relações serão mais amplamente estudadas dos próximos capítulos. Em seguida, apresenta-se o percurso metodológico da pesquisa e os capítulos de resultados que buscam compreender como o fenômeno do empreendedorismo social se materializa no campo.

3 PERCURSO METODOLÓGICO

Após o resgate teórico sobre os fenômenos correlacionados ao empreendedorismo social, em uma perspectiva crítica, conceitual, e relacional, faz-se mister apresentar a trilha metodológica da investigação empírica do estudo. Este capítulo descreve os procedimentos metodológicos que delimitam o percurso realizado pelo pesquisador para analisar o empreendedorismo social no contexto rural do sertão da Paraíba, caracterizando o tipo de pesquisa e a perspectiva epistemológica, assim como o contexto, os sujeitos, o processo de coleta e análise dos dados.