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Dilemmas of CRC: “the best interest of the child and participation principles”

CHAPTER III: Theory

3.2 Power relations

3.1.1 Dilemmas of CRC: “the best interest of the child and participation principles”

Figura 9: Mediana do tempo de latência (em segundos) para a aquisição da primeira bala por faixa etária (barras indicam intervalo de confiança de 95%; ponto acima das barras representa os outliers).

Levando-se em consideração os resultados acima apresentados, as análises seguintes foram efetuadas sem os indivíduos infantes das famílias estudadas, sendo, daqui por diante, vinte indivíduos experimentais de acordo com o apresentado na tabela 1.

3.2 Visão de cores e sucesso no forrageio

Para verificar a hipótese de que machos e fêmeas de Callithrix jacchus diferem na identificação de itens crípticos e conspícuos foram realizados testes para averiguar se existem diferenças significativas tanto na aquisição quanto na latência de aquisição dos itens alimentares em cada uma das situações apresentadas sendo elas: Balas Verdes e Fundo Verde; Balas Roxas e Fundo Verde; Balas Laranjas e Fundo Verde; Balas Laranjas Redondas e Fundo Verde e Laranja. As duas condições (Recurso Disperso e Rccurso Concentrado) foram testadas separadamente.

O tempo da sessão experimental foi de cinco minutos por família, como já descrito na metodologia, porém, em algumas sessões experimentais as balas terminaram antes deste

29 tempo máximo. Desta forma, foram contabilizadas as balas consumidas até que ainda existissem balas disponíveis no aparato experimental, tendo sido então determinado o tempo de três minutos como o tempo de corte, já que em nenhuma sessão as balas foram totalmente consumidas antes deste tempo. Sendo assim, todos os resultados a serem apresentados se baseiam em um tempo de interação com o aparato de 180 segundos.

Para a condição de recurso disperso inicialmente realizou-se testes ANOVA de Friedman para comparar o sucesso na obtenção de balas e a latência na aquisição da primeira bala nas quatro diferentes situações apresentadas tanto para os machos como para as fêmeas. Houve diferenças significativas entre as diferentes situações tanto para machos ( 2 (3)=8,237; p=0,041) quanto para fêmeas ( 2 (3)= 8,745; p=0,033) no sucesso de aquisição de balas. Como análise post hoc realizou-se testes de Wilcoxon para ambos os sexos, com correção de Bonferroni, sendo assim o nível de significância de 0,008. Para os machos as análises par a par não apresentaram significância ao nível corrigido, (z>0,888; p>0,008), Fig. 10 A. Para fêmeas somente duas situações diferiram significativamente, sendo elas a de Balas Roxas com Fundo Verde e a de Bala Laranja Redonda e Fundo Verde e Laranja (z= 2,864; p=0,004). Neste caso as fêmeas obtiveram uma quantidade maior de itens alimentares na situação de Balas Roxas e Fundo Verde (Situação Fácil) do que na situação de Balas Laranjas Redondas e Fundo Verde e Laranja (Situação Camuflada). Para todos os outros testes p>0,008, z> 0,884, Fig. 10 B.

30 Figura 10: Mediana do número de balas consumidas em cada sessão experimental da condição dispersa A) para machos e B) para fêmeas (barras indicam intervalo de 95% de confiança; * p<0,008; pontos representam outliers).

Para averiguar as diferenças no sucesso de forrageio nas diferentes situações entre machos e fêmeas foram realizados testes de Mann-Whitney para cada uma das situações. Não houveram diferenças significativas entre as situações para machos e fêmeas nesta condição experimental (U>811; p> 0,05), Fig 11.

A)

* B)

31 Figura 11: Mediana do número de balas consumidas por machos e fêmeas em cada sessão experimental da condição dispersa (barras indicam intervalo de 95% de confiança; pontos representam outliers).

Seguido a isso, realizou-se os mesmos testes para averiguar o sucesso de aquisição de itens alimentares através da latência para a aquisição das balas. Para os machos não houve diferenças significativas na latência entre as situações experimentais (X2 (3)= 3,319; p=0,345) Fig. 12 A. Para as fêmeas houve diferença significativa entre as latências nas situações experimentais (X2 (3)= 8,638; p=0,035). No entanto, através de testes post hoc foi verificado que as diferenças entre as situações não eram significativas ao nível corrigido (Bonferroni p=0,008) (Z>0,127; p>0,014) Fig. 12 B.

32 Figura 12: Mediana do tempo de latência na aquisição da primeira bala na condição dispersa A) para machos e B) para fêmeas (barras indicam intervalo de 95% de confiança; * p<0,008; pontos representam outliers).

Em relação às diferenças nas latências entre machos e fêmeas testes de Mann-Withnay demonstraram haver diferenças entre duas situações, Balas Laranja e Fundo Verde (U= 710; p=0,043) e Balas Roxas e Fundo Verde (U= 579; p=0,002) sendo que em ambas as fêmeas foram mais rápidas que os machos. As outras situações não apresentaram diferenças (U> 720; p> 0,408) Fig. 13.

A)

33 Figura 13: Mediana do tempo de latência na aquisição da primeira bala por machos e fêmeas na condição dispersa (barras indicam intervalo de 95% de confiança; * p<0,05; pontos representam outliers).

Para a condição de recurso concentrado foram efetuadas as mesmas análises da condição dispersa. Para ANOVA de Friedman houveram diferenças significativas tanto para machos ( 2 (3)= 61,96; p<0,001) quanto para fêmeas ( 2(3)= 25,71; p=0,001) em relação às situações experimentais. Análises post-hoc (Wilcoxon), demonstraram haver diferenças significativas entre todas as situações para os machos (z<3,84; p<0,0001) menos entre a situação de Bala Roxa e Fundo Verde e a de Bala Laranja Redonda e Fundo Verde e Laranja (z= 1,147; p>0,05) Fig. 14 A. Já em relação às fêmeas, a situação de Balas Verdes e Fundo Verde diferiu significativamente da de Balas Roxas e Fundo Verde (z= 3,844; p<0,001). Houve também diferença significativa entre a situação de Balas Laranjas e Fundo Verde e Balas Roxas e Fundo Verde (z= 3,736; p<0,001) com um maior consumo de balas roxas pelas fêmeas, Fig. 14 B.

34 Figura 14: Mediana do número de balas consumidas pelos machos em cada sessão experimental da condição concentrada A) para machos (* p<0,001) e B) para fêmeas (* p<0,001) (barras indicam intervalo de 95% de confiança; pontos representam outliers).

Foram realizados testes de Mann-Whitney para cada uma das situações da condição concentrada para verificar as diferenças no sucesso de machos e fêmeas. Houve diferença significativa no consumo de balas na situação de Balas Laranjas Redondas e Fundo Verde e

* * * * * * A) B)

35 Laranja (U=709; p=0,029), com os machos consumindo mais balas que as fêmeas. Não houveram diferenças no consumo para as outras situações (U>844; p>0,05), Fig. 15.

Figura 15: Mediana do número de balas consumidas por sexo na condição concentrada (barras indicam intervalo de confiança de 95%; * p<0,05; pontos representam outliers).

Para analisar a latência da aquisição dos itens alimentares na condição concentrada foram realizadas as mesmas análises estatísticas. Tanto para machos quanto para fêmeas houve diferenças significativas nas latências entre as situações experimentais nesta condição (Machos X2 (3)= 19,541; p<0,001. Fêmeas X2 (3)= 20,921; p<0,001). Para os machos a diferença se deu entre as situações Bala Verde e Fundo Verde e Bala Roxa e Fundo Verde (Z= 4,333; p<0,001), Balas Laranjas e Fundo Verde e Balas Roxas e Fundo Verde (Z= 2,856; p= 0,004) e Balas Laranjas Redondas e Fundo Verde e Laranja e Balas Roxas e Fundo Verde (Z= 3,491; p<0,001), sendo que para todas as comparações a situação de Balas Roxas e Fundo Verde apresentou as menores latências, Fig. 16 A. Em relação às fêmeas a situação Bala Verde e Fundo Verde e Bala Laranja e Fundo Verde obtiveram diferenças significativas (Z=

36 2,769; p= 0,006) assim como a de Balas Verdes e Fundo Verde e Bala Roxa e Fundo Verde (Z= 3,297; p=0,001) sendo que em ambas comparações a situação de Balas Verdes e Fundo Verde foi a que apresentou as maiores latências, Fig. 16 B.

Figura 16: Mediana do tempo de latência para aquisição da primeira bala na condição concentrada A) para machos e B) para fêmeas (barras indicam intervalo de 95% de confiança; * p<0,008; pontos representam outliers).

Comparando os dois sexos em relação às latências nas diferentes situações através de testes de Mann-Withnay encontrou-se que existem diferenças significativas apenas entre uma

A) B) * * * * *

37 das situações sendo esta a de Balas Laranjas e Fundo Verde (U= 525; p=0,015) com as fêmeas encontrando as balas mais rapidamente que os machos, Fig. 17.

Figura 17: Mediana do tempo de latência para obtenção da primeira bala por sexo na condição concentrada (barras indicam intervalo de confiança de 95%; * p<0,05; pontos representam outliers).

A fim de comparar as condições experimentais (disperso e concentrado) foram rodados testes de Wilcoxon para cada uma das situações tanto para fêmeas como para machos, com correção de Bonferroni, sendo o nível de significância de 0,025. Os resultados apontam que os machos consumiram mais balas na condição dispersa para as situações de Balas Verdes e Fundo Verde (z=2,88; p=0,004) e situação Bala Laranja e Fundo Verde (z=3,196; p=0,001). Já para as situações Bala Roxa e Fundo Verde e Balas Laranjas Redondas e Fundo Verde e Laranja houve maior consumo de balas na condição concentrada (z=2,442; p=0,006 e z=2,442; p=0,015), Fig. 18. Entre as fêmeas houve um decréscimo no consumo de balas da situação Balas Verdes e Fundo Verde e Balas Laranjas e Fundo Verde na condição concentrada em comparação com a condição dispersa (z=2,773; p=0,006 e z=3,183; p=0,001), Fig. 18.

38 Figura 18. Mediana do número de balas consumidas por sessão experimental A) para machos e B) para fêmeas (barras indicam intervalo de 95%; * p<0,025; pontos representam outliers).

A)

* *

* * * *

39 3.3 Preferência alimentar

Para analisar a preferência alimentar foi comparado o consumo de balas das diferentes colorações (roxas, laranjas e verdes). A primeira análise visou comparar a preferência geral dos indivíduos de C. jacchus utilizados no experimento. Para tanto, foi realizada uma ANOVA de Friedman onde se verificou existir uma preferência por um determinado tipo de bala ( 2 (2)=17; p<0,0001). Análises post hoc (Wilcoxon) demonstraram haver diferenças significativas no consumo de todos os tipos de balas analisados (Z<5,148; p<0,015), sendo que as balas preferidas foram as roxas, seguidas das balas laranjas e, por último em ordem de preferência, as balas verdes, Fig. 19.

Fig. 19: Mediana do número de balas consumidas por indivíduo por sessão experimental no teste de preferência alimentar (barras indicam intervalo de 95%; *p<0,05; pontos representam outliers).

Para se certificar se a preferência alimentar era influenciada pelo sexo do indivíduo foram realizadas análises da preferência para cada um dos sexos. De acordo com os resultados de ANOVAs de Friedman, existem diferenças no consumo de pelo menos uma das balas para as fêmeas ( 2 (2)= 29,233; p<0,001) mas não para os machos ( 2 (2)= 4,679; p=0,096), Fig. 20

*

* *

40 A. Análises post hoc demonstraram haver diferenças entre o consumo de balas roxas tanto em relação às balas laranjas (z=4,276; p<0,001) quanto às verdes (z= 5,280; p<0,001), sendo as roxas as mais consumidas. Houve ainda diferenças significativas entre o consumo das balas laranja e verdes (z=2,031; p=0,042) sendo as laranjas as mais consumidas, Fig. 20 B.

Fig. 20: Mediana do número de balas consumidas por sessão experimental no teste de preferência alimentar para A) machos e B) fêmeas (barras indicam intervalo de 95%; * p<0,05; pontos representam outliers).

* *

* A)

41 3.4 Relações de Dominância

Com os dados das interações agonísticas obtidos durante as observações comportamentais foram construídas matrizes de interações para cada uma das famílias Tabela 3 a 6. Só foram usados os comportamentos agonísticos direcionados para a construção das matrizes já que os não direcionados não possuem uma díade interagindo. Estas matrizes serviram de base para análise no programa DOMINA como descrito na metodologia. Foram obtidas as árvores de dominância que seguem abaixo Fig. 21 a 24. São mostradas apenas as árvores principais, ou seja, as árvores dos indivíduos mais dominantes, que mostram a maioria das interações dentro do grupo. A classificação do status social dos indivíduos segue Izar et. al., (2005).

Tabela 3: Matriz das relações de dominância da Família F1

OsMa JoFa JuFa JeMj JoMj

OsMa 2 3 1 1

JoFa 0 0 0 0

JuFa 0 0 1 0

JeMj 0 0 0 0

JoMj 0 0 0 0

Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil

Figura 21: Representação das relações de dominância na Família F1; Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

42 Na Família 1 o pai (OsMa) é o indivíduo dominante sobre todos os indivíduos do grupo. Não existe um indivíduo subordinado já que nenhum indivíduo da família é dominado por todos os demais. JuFa, uma das filhas adultas, segue após OsMa e domina JeMj. Os demais indivíduos, os três filhos de OsMa, são parcialmente-subordinados.

Tabela 4: Matriz das relações de dominância da Família F5

OlFa DeMa OpMa OpMj

OlFa 0 0 1

DeMa 0 1 0

OpMa 0 0 0

OpMj 0 0 0

Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

Figura 22: Representação das relações de dominância na Família F5; Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

Na Família F5 o casal reprodutor é parcialmente dominante já que cada um deles domina um de seus filhos (OpMj e OpMa). Os filhos do casal reprodutor, OpMa e OPMj, são parcialmente subordinados não tendo sido observadas relações de dominância entre eles.

Tabela 5: Matriz das relações de dominância da Família F10

Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

BeMa FeMa FlFa OtMj

BeMa 0 7 2

FeMa 0 0 8

FlFa 1 0 4

43 Figura 23: Representação das relações de dominância na Família F10; Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

Na família F10 o macho reprodutor BeMa é parcialmente dominante, dominando seus filhos FlFa e OtMj. FlFa é parcialmente subordinada já que é dominada pelo pai mas não por seu irmão adulto FeMa. FeMa é parcialmente dominante, aparecendo em outra árvore dominando OtMj. OtMj é o indivíduo subordinado neste grupo já que é dominado por todos os outros indivíduos.

Tabela 6: Matriz das relações de dominância da Família F12

OtMa FiFa FiMa FlFa FeMa FáFj FlMj FlFj

OtMa 0 2 1 1 3 8 9 FiFa 0 1 0 1 1 14 6 FiMa 0 0 2 0 1 1 0 FlFa 0 0 0 0 0 0 2 FeMa 0 0 1 0 1 1 0 FáFj 0 0 0 0 0 0 0 FlMj 0 3 0 0 1 2 1 FlFj 0 0 0 0 0 0 0

44 Figura 24: Representação das relações de dominância na Família F12; Ma= Macho Adulto; Fa= Fêmea Adulta; Mj= Macho Juvenil.

Na Família 12 se obtiveram duas árvores principais que representavam as árvores do casal reprodutor, OtMA e FiFa. Os dois foram dominantes sobre todos os outros indivíduos do bando menos sobre o seu parceiro, sendo assim seguem as duas árvores idênticas, uma partindo de cada animal. Todos os filhos do casal são, portanto, parcialmente subordinados, já que todos são dominados pelo casal reprodutor. Seguido a eles aparecem dois de seus filhos, os dois machos adultos, sendo que entre os dois não há relações de dominância. O dois são parcialmente dominantes sobre seus irmãos. Vê-se que FeMa domina apenas FaFj. Já FiMa domina todos os outros indivíduos, sendo estes uma fêmea adulta e todos os outros os juvenis do grupo. A fêmea adulta FlFa, é parcialmente dominante, pois domina FlFj. Entre os juvenis há uma relação de dominância de forma que FlMj domina suas irmãs juvenis. As filhas juvenis FlFj e FáFj aparecem mais de uma vez nas pontas da árvore sendo as mais subordinadas, no entanto, elas são parcialmente subordinadas já que nenhuma das duas é dominada por todos os indivíduos do grupo.

Pelo reduzido número de interações agonísticas que foram observadas em algumas das famílias estudadas, algumas árvores não são muito ramificadas. Todas as famílias apresentaram hierarquias parciais, à exceção da família 1 aonde o pai é dominante sobre todos os outros indivíduos tendo a família apenas uma árvore principal onde aparecem todos os indivíduos. Porém, apesar disto, o padrão geral foi que o casal reprodutor (ou indivíduo

45 remanescente do casal reprodutor) é dominante, ou parcialmente dominante, e domina a maioria dos outros indivíduos do grupo. Não houve relações de dominância entre macho e fêmea de nenhum dos casais reprodutores. Os indivíduos imaturos, neste caso os juvenis, são geralmente parcialmente subordinados e são dominados por outros indivíduos adultos da família. Os filhos adultos podem ser parcialmente dominantes, e dominar os filhos juvenis, mas jamais dominam o casal reprodutor. Levando isso em consideração e também baseado na literatura (Epple, 1975; Yamamoto, 1991), as análises que seguem levam em consideração a seguinte classificação do status social dos indivíduos das famílias estudadas: casal reprodutor, filhos adultos e filhos juvenis.