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Dikemarkvannene: Ulvenvannet, Verkensvannet, Nordvannet og Svinesjøen

A capacidade de empreender e de alcançar resultados significativos ao longo da carreira será analisada neste item, com objetivo de compreender como as reitoras pesquisadas aproveitaram as oportunidades para desenvolver e instituir mudanças nas universidades.

Na visão de Drucker (1987), o empreendedor é aquele sujeito que busca a mudança, reage a ela e vislumbra uma oportunidade, que nem sempre é vista pelas outras pessoas, criando, todavia, algo novo e diferente, inovando ou transformando valores. O sujeito capaz de empreender realiza mudanças, obtém resultados e promove o crescimento organizacional. Essas mudanças trazem resultados positivos para as organizações e por meio desses resultados é possível verificar a eficácia da liderança.

A capacidade individual de empreender e obter resultados positivos é encontrada no comportamento das reitoras pesquisadas quando elas promoveram o crescimento da universidade, demonstraram capacidade de tomar iniciativa,

buscaram soluções inovadoras e agiram no sentido de encontrar soluções para os problemas institucionais, alcançando os resultados desejados.

Segundo Ulrich et al. (2000) os líderes eficazes são aqueles que obtém resultados, ou seja, não se preocupam apenas com o agir, mas agem de maneira a garantir resultados. Segundo esses autores, existe uma fórmula simples para determinar a eficácia de um líder, expressa por: “liderança eficaz = atributos x resultados”. Portanto, é necessário possuir as qualidades internas ou pessoais que constituem a liderança eficaz e ao mesmo tempo conseguir resultados.

Uma das características das reitoras entrevistadas que contribuiu para o alcance de resultados significativos foi a autoconfiança. Elas acreditaram que a mudança de cenário seria possível, confiaram no seu próprio potencial para promover essas mudanças, construíram uma visão compatível com as novas propostas, compartilharam essa visão com seus colaboradores a fim de motivá-los a se dedicarem a essa nova visão e ousaram arriscar realizando tarefas desafiadoras. Essa visão, segundo Kotter (1997), exerce uma função importante ao ajudar a dirigir, alinhar e inspirar as ações dos funcionários, para que possam, posteriormente, obter os resultados positivos, fruto dessas ações.

No discurso de todas as reitoras, sem exceção, aparece a capacidade de empreender e o ímpeto de realizar, presentes nas atitudes e no comportamento dessas mulheres. Todas as entrevistadas apresentam um comportamento voltado para a inovação e para a transformação da realidade organizacional na busca de resultados.

Os relatos de E2 revelam a capacidade de empreender. Ao chegar à universidade, no início de sua carreira, criou laboratórios alternativos, criou na instituição a cultura de pesquisa e pós-graduação, fortalecendo esse campo, fazendo com que essa área obtivesse destaque na universidade. Além disso, ela foi responsável por ampliar o número de cursos de pós-graduação na universidade, campo negligenciado na gestão anterior. A criação de grupos de pesquisa e programas de pós-graduação por meio de um trabalho coletivo, uniu e integrou as pessoas em prol de objetivos comuns para que as metas pudessem ser atingidas.

Na época em que E2 chegou à universidade existiam somente cinco programas de pós-graduação e hoje, após a sua atuação, a universidade conta com 30 programas, mostrando assim a sua capacidade de alavancar o desenvolvimento institucional, alcançando resultados positivos. No primeiro ano de mandato como

reitora “mudou praticamente tudo” no intuito de melhorar constantemente a instituição em todas as áreas do conhecimento. Ela acreditou no potencial de desenvolvimento da universidade, promoveu mudanças e essas mudanças desencadearam resultados satisfatórios para a universidade, fruto do empenho e da capacidade de realização dessa reitora.

E2 conta que os resultados obtidos ao longo dos anos foram alcançados com dificuldades, pois teve que enfrentar barreiras, como já foi discutido neste trabalho. Com perseverança para seguir em frente, mostrou-se motivada e convicta de que poderia alterar a realidade da universidade e alcançar os resultados desejados.

As reitoras pesquisadas podem ser consideradas agentes responsáveis por transformações e desenvolvimento nas universidades em que atuam, pois todas elas utilizaram de suas capacidades de empreender para alcançar resultados significativos, como relata E5 que foi capaz de tomar decisões que levaram a universidade ao crescimento e ao desenvolvimento, fortalecendo as políticas institucionais:

[...] tínhamos 18 cursos (pós-graduação). Estamos com 37... Na área da assistência estudantil dobrou o numero de bolsas, dobrou o volume de recursos, ampliamos bastante o número de cursos de graduação, estamos investindo fortemente dentro do programa do Governo Federal, em construções de laboratórios, salas de aula [...].

A disposição para empreender quando aliada à capacidade de realização levam à consolidação de resultados, o que se dá por meio de oportunidades identificadas no ambiente e transformadas em ações. Dentre os principais resultados alcançados por E3, ao longo de sua carreira, pode-se destacar o aumento do orçamento de extensão quer era de R$ 400 mil/ano para R$ 3 milhões/ano, tornando possível modificar as práticas de extensão daquela universidade.

Outro avanço, fruto de seu trabalho, foi o aumento no “número de bolsas” na universidade e a ampliação dos “projetos de créditos complementares”. No início de sua gestão, a universidade contava com sete projetos por semestre e no fim de sua administração esses projetos somavam 140 por semestre. Isso mostra a capacidade que essa reitora teve para empreender e alcançar resultados satisfatórios ao longo de sua trajetória, ampliando os “projetos e serviços” prestados à comunidade acadêmica.

Outro relato que merece destaque é o de E6 que também teve capacidade de empreender e buscar melhores resultados para a universidade. Ela foi responsável

por implantar a reforma da área da Saúde na instituição que, naquele período, foi a área que mais avançou na universidade. Quando assumiu a gestão, a universidade contava com 11 mil alunos e hoje conta com 20 mil. Apesar de todas as dificuldades e barreiras que enfrentou ao longo da carreira ela pode dizer que hoje a universidade é uma referência no estado, tem seu espaço conquistado em nível nacional e internacional: “hoje, eu posso dizer: nós temos sucesso.” Esse sucesso foi conquistado à medida que ela foi capaz de optar pelos melhores caminhos a seguir, sempre com coragem e ousadia.

Muitas vezes os resultados almejados e posteriormente alcançados não são aparentes e consequentemente não são reconhecidos pela comunidade acadêmica, pois estão voltados para a estruturação de procedimentos internos. E4 relata que um dos seus grandes desafios é informatizar a universidade, mas reconhece que “esse é um trabalho que não dá voto”, ou seja, não trará visibilidade para sua gestão. Como as demais reitoras pesquisadas, ela também demonstra capacidade de empreender e alcançar resultados, mesmo que esses resultados não “apareçam”. Segundo ela relata, a universidade cresceu bastante nos oito anos da gestão anterior, porém não havia “governo” ou normatização, sendo essa a sua maior preocupação. Hoje os processos estão quase todos normatizados e a prioridade agora é discutir o regimento e o plano de desenvolvimento institucional, importantes para as políticas institucionais, porém sem possibilidade de reconhecimento pela comunidade acadêmica.

De forma geral os discursos das reitoras pesquisadas apontam que elas têm algumas características impulsionadoras para a conquista de resultados, como: ímpeto de fazer, iniciativa, pró-atividade, força de vontade, além de demonstrarem capacidade de construção e realização.

Os verbos “criar”, “fazer”, “montar”, “elaborar” estão densamente presentes nos seus discursos. E5 “montou” uma coordenação de apoio ao ensino, “criou” os projetos de interiorização da universidade, “criou” o primeiro curso de modalidade à distância no Brasil. E6 “interiorizou” a universidade, “implantou” a reforma da área da Saúde.Já E2 “construiu” laboratórios alternativos, “criou” uma cultura de pesquisa, “criou” confiança dentro da equipe para lidar com a área de pesquisa e pós- graduação. E1 “elaborou” módulos pedagógicos, “instituiu” a interdisciplinaridade na alfabetização, “inovou” nos projetos. E3 “criou” as mostras interinstitucionais, “criou” uma orquestra formada por alunos, insistiu para “criar” o fórum de reitores. Todas

essas ações exigiram mudanças que impactaram diretamente na cultura organizacional daquelas instituições e, conforme pontua Kotter (1997), são essas mudanças culturais que garantirão a continuidade das novas práticas.

Os referidos discursos deixam claro e permitem inferir que as reitoras pesquisadas tiveram iniciativa, disposição e buscaram ao longo de suas carreiras realizar ações que as diferenciassem na comunidade acadêmica.