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2. Teori

2.1 Innhold – som didaktisk kategori

2.1.3 Digitale verktøy og musikkinstrumenter som innhold

capítu lo

1

Projetos Políticos

e Arquitetura

A coningência de tal ordem chegamos, infelizmente, como resultante de acontecimentos conhecidos, estranhos à ação governamental, que não os provocou nem dispunha de meios adequados para evitá-los ou remover-lhes as funestas consequências. Oriundo de um movimento revolucionário de amplitude nacional e manido pelo poder consituinte da Nação, o Governo coninuou, no período legal, a tarefa encetada de restauração econômica e inanceira e, iel às convenções do regime, procurou criar, pelo alheamento às compeições paridárias, uma atmosfera de serenidade e coniança, propícia ao desenvolvimento das insituições democráicas. […] Contrastando com as diretrizes governamentais, inspiradas sempre no senido construivo e propulsor das aividades gerais, os quadros políicos permaneciam adstritos aos simples processos de aliciamento eleitoral. Tanto os velhos paridos como os novos, em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimiam ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na parilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objeivos subalternos. […]

Nos períodos de crise, como o que atravessamos, a democracia de paridos, em lugar de oferecer segura oportunidade de crescimento e de progresso, dentro das garanias essenciais à vida e à condição humana, subverte a hierarquia, ameaça a unidade pátria e põe em perigo a existência da Nação, extremando as compeições e acendendo o facho da discórdia civil. […] Por outro lado, as novas formações paridárias surgidas em todo o mundo, por sua própria natureza, refratárias aos processos democráicos, oferecem perigo imediato para as insituições, exigindo, de maneira urgente e proporcional à virulência dos antagonismos, o reforço do poder central. […]

Para reajustar o organismo políico às necessidades econômicas do País e garanir as medidas apontadas, não se oferecia outra alternaiva além da que foi tomada, instaurando-se um regime forte, de paz, de jusiça e de trabalho. Quando os meios de governo não correspondem mais às condições de existência de um povo, não há outra solução senão mudá-los, estabelecendo outros moldes de ação. […] Quando as compeições políicas

ameaçam degenerar em guerra civil, é sinal de que o regime consitucional perdeu o seu valor práico, subsisindo, apenas, como abstração. A tanto havia chegado o País. A complicada máquina de que dispunha para governar-se não funcionava. Não exisiam órgãos apropriados através dos quais pudesse exprimir os pronunciamentos da sua inteligência e os decretos da sua vontade. Restauremos a Nação na sua autoridade e liberdade de ação […]. (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32)

No dia 10 de novembro de 1937, pela noite, do Palácio Guanabara, Getúlio Vargas fez tal pronunciamento irradiado para todo o Brasil através do qual comunicava oicialmente o golpe de estado ocorrido naquele mesmo dia, quando as casas do congresso haviam amanhecido tomadas pela polícia. Comunicava ainda, o início do que seria um novo governo - denominado a parir desse momento de Estado Novo -, cuja Consituição havia sido assinada também naquela manhã por ele - que coninuaria assumindo o posto de chefe da nação - bem como por seus ministros 70. O tom preponderante de suas palavras

era o da inevitabilidade das ações levadas a cabo naquele dia, frente às exigências impostas pelo momento histórico - em suas palavras “períodos de profunda perturbação políica, econômica e social” (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32) -, e à sua responsabilidade em zelar pelo interesse coleivo, ou o bem maior da nação, correspondendo à coniança nele depositada e fundamentada por um governo “oriundo de um movimento revolucionário de amplitude nacional” (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32).

A tônica recaia assim, igualmente, na conexão direta que se estabelecia entre o golpe e a Revolução de 1930 - momento em que Getúlio Vargas assumira inicialmente o poder -, enfaizada pela descrição do período que separa os dois eventos a parir das supostas repeidas tentaivas frustradas do governo, no âmbito do regime vigente, de criar uma “atmosfera de serenidade e coniança”, bem como colocar em práica, de forma plena, a “obra de jusiça social” que é apresentada como sua marca e ambição maior (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32). Em suas palavras, a culpa por esses fracassos recaía, em úlima análise, no jogo políico paridário predominante no cenário nacional ainda dominado por interesses pessoais e políicas regionais - o que passara, ao longo da década de 1930, a se conigurar nas críicas e construções historiográicas, de forma pejoraiva, como marca da ‘República Velha’ -; acrescido ainda de uma nova ameaça: os fatores internacionais que conferiam ao jogo paridário a dinâmica não mais dos confrontos “de caráter meramente políico”, mas a perspeciva “incomparavelmente mais sombria da luta de classes”, o que equivalia, em suas palavras, à transposição da “disputa pacíica das urnas […] para o campo da turbulência agressiva e dos choques armados” 71.

Ressaltava-se assim, como parte desse discurso, a impossibilidade do Estado de defender a ordem frente a esse cenário de suposta ameaça à “unidade nacional”, proveniente das 70 Essa sequência de episódios encontra-se relatada no diário de Getúlio Vargas, onde chama a atenção para o fato de Essa sequência de episódios encontra-se relatada no diário de Getúlio Vargas, onde chama a atenção para o fato de que o único Ministro que não assinara a nova Consituição elaborada por Francisco Campos, Ministro da Jusiça, fora Odilon Braga, Ministro da Agricultura que pediu demissão do cargo por não concordar com o novo regime. (VARGAS, 1995). Ver ainda a esse respeito carta de Odilon Duarte Braga endereçada à Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, demiindo-se do cargo de ministro da agricultura que até então ocupara, por divergir das “transformações que vão se operar na ideologia políica do governo”, e garanindo ainda não desejar “comprometer, de maneira alguma, os resultados da experiência que se pretende tentar”. (CPDOC - Arquivo Getúlio Vargas - GV c 1937.11.10�4)

“falhas lamentáveis” consolidadas na consituição de 1934, “vazada nos moldes clássicos do liberalismo e do sistema representaivo” e “antedatada em relação ao espírito do tempo”, expondo excessivamente as insituições de governo e enfraquecendo o poder do estado, ao compor um “aparelhamento que não se ajustava às exigências da vida nacional” (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32). Apresentava-se ainda o que entendia como uma ineiciência do sistema representaivo “exposto à inluência dos interesses personalistas e das composições políicas eventuais”, que resultaria em um “aparelho inadequado e dispendioso” que atrasava a modernização necessária do estado e as ações do governo.

Considerando de frente e acima dos formalismos jurídicos a lição dos acontecimentos, chega-se a uma conclusão iniludível, a respeito da gênese políica das nossas insituições: elas não corresponderam, desde 1889, aos ins para que se desinavam. […] Torna-se impossível estabelecer normas sérias e sistemaização eiciente à educação, à defesa e aos próprios empreendimentos de ordem material, se o espírito que rege a políica geral não esiver conformado em princípios que se ajustem às realidades nacionais. Se queremos reformar, façamos, desde logo, a reforma políica. Todas as outras serão consectárias desta, e sem ela não passarão de inconsistentes documentos de teoria políica. (VARGAS, 1938-1941, v.5, p.19-32)

Fundava-se, portanto, já nesse momento inicial, um discurso de legiimação e defesa do Estado Novo que apresentava o golpe de 1937 como consequência direta de um processo iniciado com a Revolução de 30, mas também, por outro lado, como o início de um período único e inédito na história do Brasil, deinido por um projeto políico que se auto- initulava uma ‘democracia social’, e que se alimentava da imagem míica de fundação de um novo país, para forjar o ideal de um modelo de governo revolucionário 72. Nessa

perspeciva, a década de 1930 passava a ser vista como um momento intermediário onde havia, em vista das novas possibilidades geradas pela revolução e pelo surgimento de um novo governo, um conlito de nova ordem que seria poliicamente resolvido através da implantação do Estado Novo. Nessa construção, de um lado encontrar-se-ia um execuivo federal dotado de novos recursos de poder, cada vez mais aparelhado de novos quadros técnicos e orientado por uma perspeciva ‘modernizadora’ e por uma ‘visão nacional’; e do outro, um legislaivo preponderantemente voltado para a representação de interesses regionais e pariculares, perante os quais responderia poliicamente 73.

O senido revolucionário conferido ao Estado Novo se inseria, dessa maneira, no plano políico, e inha seu marco original no movimento de 1930, sendo, portanto, o golpe de 1937 e a implantação de um Estado ditatorial uma necessária correção de rumos para que a instauração de um projeto de crescimento nacional e mudanças políicas - que teria sido vislumbrado em uma revolução de suposta origem popular - pudesse, 72 Gomes chama a atenção nesse seni do para a análise da ideologia políi ca não apenas em uma perspeci va passiva, Gomes chama a atenção nesse senido para a análise da ideologia políica não apenas em uma perspeciva passiva, mas como “recurso de poder fundamental ao esforço de ariculação […] daquilo que se deseja que exista” (1982b, p.110). 73 � importante destacar que diversos autores chamam atenção para o fato de que, embora ui lizando mai zes de expli- � importante destacar que diversos autores chamam atenção para o fato de que, embora uilizando maizes de expli- cação e jusiicaivas diversas, inúmeras leituras históricas e sociológicas sobre o período adotam essa mesma lógica forjada pelo próprio regime, onde a Revolução de 1930 aparece como marco inicial para a posterior implantação do Estado Novo e a década de 30 é, portanto, vista como elemento intermediário que conduz de um a outro momento. Cf. especialmente Borges (2001).

enim, ser posta em marcha, uma vez eliminado o empecilho irreconciliável e fadado ao fracasso - por que oriundo de uma visão obsoleta e inadequada à realidade nacional - da políica liberal. Nesse senido, Gomes ressalta acerca da construção de um discurso legiimador do novo regime que:

Esta airmação do momento de origem do processo revolucionário que culminaria no Estado Novo, vem reforçada por todo um diagnósico sobre nosso passado políico, sobretudo sobre a experiência na Primeira República. A gravidade e a grandeza do momento de [19]30 só poderiam ser avaliadas mediante uma recuperação de nossa história e, sobretudo, de uma avaliação sobre a situação vigente após 1889. Assim, as razões da revolução confundem- se com a críica à Primeira República, e esta com a críica ao Estado Liberal. A experiência políica da Primeira República é interpretada como um grande e longo divórcio entre nossa realidade ísica e cultural e nosso modelo políico de Estado. O liberalismo, excessivamente objeivo e materialista, só via os valores quanitaivos do mundo e pretendia construir o progresso sem cogitar do homem em sua dimensão total, isto é, também subjeiva e espiritual. O liberalismo, excessivamente internacionalista, não atentava para as especiicidades nacionais, não oferecendo ao homem brasileiro uma direção própria, um objeivo de luta pela construção nacional. Enim o Estado Liberal da Primeira República não conseguia integrar o homem à terra brasileira. (GOMES, 1982b, p.113)

Cabe destacar, no entanto, que tais críicas ao modelo liberal datam já da década de 1920, quando intelectuais de maizes diversas procuravam apontar um impasse entre o paradigma políico moderno, liberal, racional e impessoal e a realidade social paricular brasileira. Impasse esse que com o decorrer daquela década e da seguinte, culminaria, grosso modo, com a formação de novas correntes no pensamento social brasileiro que procuravam apontar não apenas a “existência de condições adversas à vigência do modelo de estado liberal, mas a sua real impossibilidade e indesejabilidade de adaptação ao Brasil” (GOMES, 1998, p.504). Passava-se assim a forjar-se, principalmente ao longo da década de 1930, uma nova fórmula políico-insitucional com o “intuito explícito de varrer do país os obstáculos estabelecidos pelos ‘ultrapassados’ princípios liberais, que insisiam em sobreviver” (GOMES, 1998, p.512), baseada em um estado autoritário e corporaivo, em que “um execuivo forte e personalizado era instrumento estratégico para se produzir o encontro da lei com a jusiça” (GOMES, 1998, p.515). Operava-se assim, sobretudo, a construção de uma nova concepção de democracia, que, inspirada no conceito germânico de ‘harmonia dos poderes’ (GOMES, 1998, p.515), centralizava o estado nas mãos de um execuivo fortalecido e aumentado de poder, e onde a questão social passaria a operar como elemento que traria a “convivência e a cooperação entre as classes” eliminando conlitos ou embates (GOMES 1982b, p.122). Nesse senido Gomes airma que o Estado Novo passaria a signiicar:

[…] uma verdadeira imposição da natureza de nossa sociedade; um Estado organizador de nosso povo em uma nação; um Estado voltado para o

homem, em paricular para o trabalhador, expressão viva e máxima de nossas possibilidades de desenvolvimento sócio-econômico. A missão histórica da Revolução de 1930 e do governo do pós-37 era ‘salvar a tempo a situação do operário’ criando um direito trabalhista que o reconhecia como ‘a célula da vida nacional’. Justamente por esta razão, não se poderia negar ao novo regime uma feição democráica. Onde está a verdadeira democracia? A esta pergunta deveria caber uma resposta simples e direta. A verdadeira democracia encontra-se no caráter realista e humano do novo Estado, que fecunda a natureza e a cultura brasileiras com o esforço do trabalho, protegido e amparado pelo governo. (GOMES 1982b, p.122) 74

De maneira análoga, embora recorrendo a outras fórmulas explicaivas, Capelato, aponta para a importância em, sem esquecer as paricularidades dessa experiência, atentar-se para a inserção dessas novas formulações políicas em um plano internacional, levando- se em conta o constante trânsito de ideias e inluências. Argumenta assim ser possível entender o fenômeno do Estado Novo como inserido entre as políicas de massa que, marcadas pela críica ao modelo liberal e pela defesa de um estado forte comandado por um “líder carismáico - capaz de conduzir as massas no caminho da ordem” (CAPELATO, 1998, p.39) - delineiam no cenário internacional o período entre-guerras. A autora airma, portanto, que:

A integração políica das massas também preocupou as elites de países laino-americanos. O crescimento de movimentos sociais e políicos nos anos 20 fez com que o fantasma da Revolução Russa assombrasse ainda mais os mantenedores da ordem. A questão social colocou-se, desde então, no centro das críicas ao liberalismo, considerado incapaz de solucionar os problemas sociais. As economias laino-americanas foram muito afetadas pelo crack da bolsa de Nova York, em 1929. A conjuntura da crise favoreceu as mudanças políicas, e em alguns países, como no Brasil, as correntes ani-liberais se fortaleceram e passaram a atuar com vistas à derrocada das insituições liberais. A Revolução de 1930 preparou o terreno para o advento de uma nova cultura políica, que se deiniu a parir de um redimensionamento do conceito de democracia, norteada por uma concepção paricular de representação políica e de cidadania. A revisão do papel do Estado se complementou com a proposta inovadora do papel do líder na integração das massas e a apresentação de uma nova forma de idenidade nacional. (CAPELATO, 1998, p.39-40)

Assim, se por um lado a engenharia estatal montada com o Estado Novo procurava conferir a imagem de uma moderna eiciência apoiada na ideia de que as funções de governo eram “funções de especialização técnica”, possibilitando assim a tomada de decisões execuivas “cieniicamente assessoradas” (GOMES, 1998, p.523); por outro se estruturava uma hierarquia de poder encabeçada pela criação de um mito personiicado que corporiica tanto o Estado como a Nação: o presidente Getúlio Vargas. Pode-se dizer, portanto, que há, 74 Para o desenvolvimento dessa análise a autora ui liza, entre outros, Oliveira, Belfort (1941). Para o desenvolvimento dessa análise a autora uiliza, entre outros, Oliveira, Belfort (1941).

de forma contraditória, mas complementar 75, a construção de um ideal de Estado moderno

técnico e cieníico, mas também de um poder pessoal hierarquizado e baseado em grande parte na construção de uma relação direta entre líder e massa a parir da ideniicação do líder tanto como interlocutor direto, quanto como representante simbólico 76.

Nesse cenário aricula-se a imagem extremamente humanizada do presidente como o exemplo máximo do homem brasileiro, mas também possuidor de uma clarividência única e inquesionável, o que lhe conferiria o poder de ação em nome do bem comum.

Cabe destacar que, se por um lado é possível ideniicar a reprodução dessa fórmula de geração de capital políico tanto ramiicada para as diversas esferas da estrutura de Estado do período, quanto para outros momentos da história do Brasil, é necessário atentar para as paricularidades das ariculações políicas que no momento do Estado Novo possibilitam a construção dessa engenharia 77. Esse aspecto é paricularmente notável na consituição

de mecanismos centralizadores do poder que passam a obedecer a uma estrutura hierarquizada, consituída, entre outros, pelas interventorias, insitutos, autarquias e conselhos. As interventorias, nesse senido, - implantadas logo após a Revolução de 1930, mas cuja ariculação como mecanismo centralizador assumiria sua forma completa no âmbito do Estado Novo - coniguram elementos centrais e efeivos de um esforço em consituir uma nova estrutura de poder a parir de ariculações políicas deslocadas do anigo plano das oligarquias estaduais para o plano nacional.

Caracterísico, tanto das diiculdades quanto do sucesso dessa ariculação das forças regionais para o fortalecimento do poder nacional centralizado, é o caso do Estado de São Paulo, que, ao longo da década de 30, atravessaria diversas e conturbadas ariculações de arranjo de poder que passam, grosso modo: pelo apoio à Revolução de 1930 como resultado, em parte, de divisões internas da elite no domínio políico; pelo combate aos tenentes e ao regime implantado que une anigos opositores para a luta armada; pelo delicado rearranjo de forças que resultam do processo de consitucionalização; pelas ariculações em torno das eleições de 1938 que nunca ocorreram; e inalmente pelo apoio negociado para a implantação do Estado Novo 78.

Deste modo, se é possível, a parir de uma perspeciva histórica, ideniicar coninuidades e complementaridades entre projetos iniciados com a revolução de 1930 e implantados no período do Estado Novo - tanto do ponto de vista da construção da engenharia estatal, quanto de uma perspeciva da orientação políico-ideológica assumida -, cabe também destacar que as ariculações e posicionamentos pessoais e políicos que permeiam um 75 A esse respeito Gomes ai rma que “cresciam, assim, A esse respeito Gomes airma que “cresciam, assim, pari passu e harmoniosamente, tanto a face ‘racional-legal’ desse Estado, traduzida quanitaiva e qualitaivamente em sua burocracia especializada e nos procedimentos que impessoaliza- vam e saneavam as práicas políicas correntes (os conselhos técnicos, as autarquias, os concursos públicos), quanto sua face ‘tradicional’, expressa na autoridade pessoal de um líder paternal que se voltava direta e emocionalmente para ‘seu’ povo” (GOMES, 1998, p.525-526).

76 Ver a esse respeito também Cane� (1995). Ver a esse respeito também Cane� (1995).

77 Conforme já parcialmente abordado, diversos autores têm quesi onado o modelo anteriormente bastante difundido Conforme já parcialmente abordado, diversos autores têm quesionado o modelo anteriormente bastante difundido de explicação da políica brasileira entendida como um bloco único que iria de 1930 a 1964, a parir do conceito de ‘popu- lismo’, em parte forjado já no âmbito dos enfrentamentos eleitorais do período de redemocraização da década de 1940 e que posteriormente passaria a assumir um senido pejoraivo de manipulação das massas. Cf. especialmente Capelato (2001) e Ferreira, J. (2001b).

78 Para um relato mais detalhado de alguns dos nuances desses processos de negociação ver Capelato (1982), Borges Para um relato mais detalhado de alguns dos nuances desses processos de negociação ver Capelato (1982), Borges (1979) e Gomes; Lobo; Coelho (1980).

e outro momento são bastante diversos. Assim, do ponto de vista dos arranjos políicos, destaca-se a inexistência de coninuidades óbvias, e um cenário marcado pela suileza dos arranjos e acordos tecidos anterior e posteriormente ao golpe. Nesse senido, Gomes airma que:

[…] a Revolução de 1930 só foi o primeiro passo para o Estado Novo, por que assim o disseram e quiseram os ideólogos desse regime que, com tal airmaiva, sagravam tanto o desino centralizador de nossa própria políica como a grandeza de sua liderança máxima. Os anos que decorem entre outubro de 1930 e novembro de 1937 são dominados por conlitos e negociações, violentos e delicados, conformadores de uma ‘incerteza que só cessou quando as forças vitoriosas deiniram que ‘entre o povo e o governo não haveria mais intermediários’. (GOMES, 1998, p.514-515)

� possível, portanto, airmar que o golpe empreendido em 1937 é, na realidade, resultado de um intrincado e delicado processo de ariculação e coesão de forças e interesses