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2. Teorigrunnlag

2.2. Digitale verktøy i skolen

2.2.1 Digitale verktøy i spesialpedagogiske sammenheng

O olhar sobre a dinamicidade da cultura do Mata Cavalo leva em conta a constituição das várias famílias que têm como ancestrais o povo outrora escravizado. Apesar da mistura das várias comunidades em uniões pelo casamento, a questão de parentesco tem fortes laços com as questões políticas e econômicas e, consequentemente, com a liderança no interior da comunidade.

Castilho (2008) reconstrói a ancestralidade e a história dos matacavalenses a partir de três elementos: a África, a escravidão e o quilombo. A África como continente de origem, pois quando foram trazidos para o Brasil trouxeram elementos de sua cultura. O elemento escravidão surge como momento de luta e resistência de um povo subjugado, já o quilombo como uma das únicas maneiras coletivas de resistir e conseguir alguma autonomia. Santos (2007) tratou da organização das comunidades pela via das famílias e parentescos e como essas questões influenciam no processo de identificação no interior do Mata Cavalo.

O tempo passado desde a doação em 1883 demonstra transformações nas famílias e ancestralidades que expõem fronteiras e delimitações, nem sempre fáceis de serem observadas em seus contornos, pois as lutas travadas pela terra fizeram com que famílias quilombolas tivessem idas e vindas no Mata Cavalo. Por conseguinte, algumas famílias ficaram no local e outras foram embora, mas, mesmo assim se misturaram entre si e conformaram uma miscigenação entre quilombolas, tornando tarefa difícil constituir uma genealogia.

O Mata Cavalo é formado por seis comunidades menores: Comunidade Estiva ou Ourinho, Comunidade Mata Cavalo de Baixo, Comunidade Mata Cavalo de Cima, Aguassu, Comunidade Mutuca e Comunidade Mata Cavalo do Meio. Apesar das dificuldades, Santos (2007) mapeou a genealogia da região e explicou que as comunidades no Mata Cavalo têm sua formação baseada nos parentescos e ancestrais, pois as famílias habitam os mesmos locais que seus tataravós ou bisavós, mantendo fortes relações familiares.

Os membros da Comunidade Estiva são descentes da ex-escrava Beatriz. Seus filhos são Rita, Francisco, Benedita, André e Gregório; os filhos de Gregório são Rita e Albano, o filho de Rita é Benedito Gregório, o filho de Benedito Gregório é Antônio Benedito da Conceição, a filha de Antônio Benedito é Teresa Arruda, a filha de Teresa Arruda é Lúcia, a filha de Lúcia é Gonçalina de Arruda, a filha de Gonçalina é Evelyn.

A Comunidade do Aguassu, foi fundada pelo ex-escravo Silvério da Silva Tavares que, por sua vez, é avô de Antônio Luis, que é pai de Simão. Já a Comunidade Mata Cavalo de Cima foi fundada pelo ex-escravo Marcelino Paes de Barros que comprou as terras por fracionamento da Sesmaria Rondon. Marcelino é avô de Sizenando Carmo Santos, casado com Lucinda do Carmo Santos.

A Comunidade Mutuca foi fundada por Vicente Ferreira de Jesus e seu filho é Macário. O filho de Macário é Miguel Domingos de Jesus, casado com Domingas de Jesus, os filhos de Miguel Domingos com Domingas de Jesus são Clemêncio Ferreira de Jesus e Germano Ferreira de Jesus, a filha de Germano Ferreira é Laura Ferreira da Silva. Germano Ferreira de Jesus é líder da comunidade e a liderança jovem é sua filha Laura Ferreira.

A Comunidade Mata Cavalo do Meio tem como fundadora Maria Bom Despacho e seu neto é Cesário, que tem como filha Estevina. Ressalte-se que o descendente do ex- escravo Graciano, Graciano da Silva Tavares, comprou a maior parte das terras do Mata Cavalo do Meio e Mata Cavalo de Baixo.

Na comunidade Mata Cavalo de Baixo tem como origem Graciano da Silva Tavares e neta Rita Graciana Ferreira de Jesus, Santos (2007) não apresenta os pais nem a avó de Rita Graciana.

Castilho (2008) focaliza as memórias, lembranças e a vida contadas pelos pais e avós. Com o relato dos quilombolas mais velhos, a vida no período escravagista é relembrada e serve como diferencial de outros grupos no tocante à luta pela terra que os une pelo fato de serem remanescentes de escravos. Outro aspecto é de ser e viver do campo, pois para os moradores da comunidade não adianta somente ser negro e quilombola, tem que se viver do campo e das coisas que nele se produz.

O continente de origem, a África, atrelado à questão escravagista traz à tona outro elemento diferenciador, que é o orgulho de ser remanescente de africanos legítimos, os quais sofreram desde a saída da terra-mãe, lutaram, sobreviveram às dificuldades e mesmo assim perduraram como grupo.

No tocante à organização estrutural da comunidade, existe uma hierarquização no sentido dos mais velhos serem os líderes das comunidades.Tanto é assim, que os grupos com entes mais idosos ocupam os melhores espaços de terra que os mais novos, sendo essa uma prerrogativa informal, mas válida no Mata Cavalo. Da condição de usufruir das melhores terras, decorrem as condições socioeconômicas e políticas mais favoráveis quando comparadas com outros grupos. A liderança também impacta na organização das festas, danças, tradições e bênçãos, inclusive na representatividade política. Esses elementos de poder são objeto de rixas e conflitos entre os variados grupos componentes do Mata Cavalo.

Outro fato ressaltado por Castilho (2008), é a questão da identificação pelo parentesco, principalmente pelos sobrenomes dos primeiros quilombolas. Santos (2007) aponta que a relação de parentescos perpassa questões de poder, política e de economia, pois cada família de remanescente quilombola tem domínio sobre determinada comunidade menor e os membros mais velhos são os líderes natos delas.

Assim, o ditame comum na região ―filho de quem‖ ou ―neto de quem‖ confere uma identidade que diferencia o Mata Cavalo por dentro em comunidades menores. Somam- se a isso as relações de poder entre as comunidades estabelecidas pela situação político- econômica das associações no Mata Cavalo.

O Mata Cavalo apresenta pontos de convergência que caracterizam representações semelhantes ao tentar identificar o matacavalense, ou seja, a luta pela terra, a sobrevivência da terra e o antepassado africano e escravo. Outras identidades surgiram: os quilombolas e não quilombolas, os quilombolas que detêm o direito à terra e pertencentes às seis comunidades e não quilombolas que lutam pela terra com pequenos pedaços, sem permissão legal, mas presentes no Mata Cavalo. Essas identidades dentre outras promovem diferenças dentro da própria comunidade matacavalense.