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2. BACKGROUND STUDY

2.6 C OLOUR MEASUREMENTS

2.6.1 Digital image capture using DigiEye

Este código expressa o modo como os expatriados japoneses da empresa Z e V vêem o seu processo de ajustamento intercultural, que não se limita apenas a aceitar a cultura local. As citações mostram que o expatriado japonês não parece disposto a mudar a sua atitude ou valores para se ajustar ao ambiente local, visto que isso comprometeria o seu “eixo” nipônico. O expatriado japonês aparentemente acredita que o ajustamento intercultural é uma aproximação necessária para viver no Brasil, desde que isso não mude seu modo de pensar e agir. Como o ajustamento no trabalho parece constituir a dimensão central de sua vida no país anfitrião, o ajustamento intercultural também se mostra necessário para se aproximar dos locais com o intuito de trazê-los para o lado da cultura organizacional japonesa:

ZP7: Primeiramente é aceitar, mas não aceitar tudo, é mudar sem alterar o eixo, o padrão.

P21: ...difícil...adaptar-se é mudar um pouco o meu comportamento para em aproximar do local e após isso puxá-lo para cima, para o meu lado. Se não fizer isso os locais ficam esperando. Em média é preciso ficar um ano para se aproximar dos locais e em três anos é possível fazer isso. Acho que estou conseguindo Rs.Rs...

P13: Ajustamento intercultural...difícil...Eu não pretendo fazer nenhum ajustamento... Bom, há aquele ditado: Em Roma faça como os romanos. Aqui no Brasil há o regulamentos comercial , os tributos e aí eu tenho que me adequar pois não tem outro jeito. Mesmo que o Japão se assuste com impostos que são cobrados aqui, não pretendo me manifestar publicamente contra isso. Agora em relação aos valores não vejo necessidade de ajustá-los, pois o mais importante para esta empresa é o produto que vendemos. É este produto, que o cliente leva para sua casa para testar e usar, que traz legitimidade...

Assim, o ajustamento entre os expatriados é sinônimo de aproximação e compreensão das diferenças culturais para que o trabalho possa fluir adequadamente:

ZP11: ...é conhecer um ao outro...por exemplo, o japonês e o brasileiro se conhecerem e ...bom já que estamos no Brasil, há muitas coisas em que devemos nos ajustar aos brasileiros...mas aí não podemos dizer isso sob uma perspectiva ampla...rs...pois aquilo que temos de bom devemos transmitir ao outro e isso não pode ser deixado de lado.. se o outro lado vai entender aí eu não sei...

ZP14: hum... Brasil e Japão né?....Olha acho que é compreender o jeito de pensar do Brasileiro...regras...penso que o senso comum dos Japoneses não é compreendido aqui...Eh... e além disso, na minha opinião.. os Japoneses têm mundialmente coisas excelentes, mas não dá para empurrar essas características... por exemplo o pensamento sobre o jeito de fazer as coisas...como estamos trabalhando no Brasil, há aquele ditado que diz que em Roma, faça como os Romanos..então temos que entender e aceitar as coisas do Brasil...vendo de maneira objetiva...mas de um ponto de vista concreto temos que ensinar aqui as coisas do Japão..

P18: Na hora de se realizar o trabalho o ajustamento intercultural é muito importante, o mais importante não é compreender a outra cultura, mas sim compreender que ela é diferente. Além disso, quando se trata de cultura não há superioridade ou inferioridade. Em todas as culturas há aspectos positivos e negativos e a cultura é o resultado da história desse país. Não há superioridade ou inferioridade quando se trata de cultura mas sim quando se fala em destino ou sorte. Não é possível avançar só com o jeito de pensar japonês e é preciso compreender que de acordo com o país o jeito de fazer negócios é diferente.

De acordo com ZP8, os expatriados japoneses também fazem o ajuste entre a subsidiária e a matriz em relação ao nível de trabalho exigido. De acordo com ZP10, o ajustamento para os expatriados japoneses corresponde a uma aproximação da cultura entre a subsidiária brasileira e Japonesa sem comprometer a harmonia da organização. ZP10 reconhece que a sincronia entre matriz e a subsidiária é difícil devido às diferenças culturais, no entanto, almeja-se à aproximação máxima e cabe aos expatriados, de acordo com ZP8, arrumar aquilo que não foi realmente possível ajustar.

Assim, este código traz indícios de que para o expatriado japonês, o conceito de ajustamento está centrado no trabalho (ex: P19) e não exime os locais de absorverem métodos, práticas e valores organizacionais japoneses. No entanto, para não comprometer a harmonia do local de trabalho através da imposição de todos os valores culturais japoneses no trabalho, cabe também aos expatriados japoneses ajustar o que for necessário entre a matriz e a subsidiária (ZP8;P19):

ZP8: ... o que eu penso...é que quando o funcionário brasileiro volta para casa as 5 e meia da tarde então eu entro em cena para fazer o trabalho que ele deixou de fazer e isso é ajustamento intercultural Rs Rs Rs... Esta é uma empresa japonesa que atua no Brasil e não há a necessidade dos funcionários se tornarem japoneses, penso que é para isso que há os expatriados japoneses. Sempre há um gap entre a subsidiária e a matriz e por isso os expatriados fazem o ajuste do trabalho necessário entre ambos.

ZP10: Penso que basicamente...é outro país, outro ser humano, outro ambiente com outra criação e o jeito de pensar é diferente então não é possível se ter uma sincronia perfeita, mas trata-se de saber até onde é possível se aproximar, obter uma medida certa, pois é impossível se ter uma sincronia perfeita.

P19: Penso que o ajustamento intercultural é muito necessário, pois temos que entender como é a cultura aqui, compreendê-la para ajustar o modo japonês aqui no Brasil.