De um modo análogo à apresentação dos resultados, a discussão terá início verificando-se as variáveis apresentadas, por meio de análises individuais e transversais entre elas. A fim de proceder-se à avaliação, os dados foram apreciados tanto do ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo.
Variável 1: Dados sócio-demográficos
Na amostra total (grupo intervenção e grupo controle), a média de idade é de 52 anos; 28% dos sujeitos têm abaixo de 45 anos de idade; 33% têm entre 45 e 56 anos de idade e 39% têm acima de 56 anos de idade. Nesse grupo, fica evidenciado que 89% dos sujeitos são casados; 5% são solteiros e 6%, viúvos, o que condiz com pesquisas sobre prevalência de sexo e estado civil de pessoas com diabetes tipo 2 no Brasil (GOLDENBERG et al., 2003).
Os sujeitos que compuserem essa amostra, em sua maioria, eram mulheres (83%). Segundo dados do Goldenberg et al. (2003), em um estudo multicêntrico de prevalência de diabetes mellitus no Brasil, a quantidade de homens e mulheres com diabetes tipo 2 no Brasil é equivalente, o que difere da amostra nesta pesquisa. Não há justificativa específica para uma maior quantidade de pessoas do sexo feminino ter procurado participar da pesquisa. Podemos apenas fazer especulações referentes ao tipo de divulgação realizada (e-mail e consultórios médicos) assim como o tipo de temática da pesquisa, apenas pressupondo que a divulgação atingiu mais as mulheres que homens e que, a temática, considerada “alternativa” pelo senso comum, tenha atraído mais o público feminino. Na opinião deste pesquisador, a primeira hipótese mostra-se mais provável, pois a divulgação concentrou-se nas mãos de médicas endocrinologistas que indicaram a pesquisa a suas pacientes,
131 assim como os e-mails foram melhores divulgados pelo público feminino (segundo feedback dos sujeitos da pesquisa).
Nos resultados, também é possível observar que a maior parte da amostra total (61%) tem nível universitário (pelo menos 15 anos de estudo). Isso não condiz com a realidade do país, nem com os dados coletados por Goldenberg et al. (2003), que indicam que os sujeitos portadores de diabetes tipo 2, em sua maioria, têm no máximo 8 anos de estudo. Umas das possibilidades para essa explicação talvez siga o mesmo caminho da justificativa em relação à prevalência por sexo: o tipo de divulgação tenha chegado a pessoas com maior formação escolar formal.
A ocorrência por ocupação foi bem diversificada nos grupos controle e intervenção, e por isso não se pode dizer que pessoas de uma ocupação específica procuraram participar mais da pesquisa que outras. O que é possível afirmar é que as pessoas que trabalhavam como autônomas tinham mais flexibilidade de horário para realizar a pesquisa do que as pessoas que trabalhavam em empresas cumprindo horários mais rígidos, motivo pelo qual os horários de sábado e domingo foram preenchidos pelos últimos sujeitos.
Quanto à religião, os resultados demonstraram um grupo maior de pessoas que têm a religião católica como escolha, o que condiz com os estudos sobre religiosidade em nosso país (SCHULTZ, 2005).
Avaliando todos os sujeitos, verifica-se que 6% tinham menos de 30 anos quando foram diagnosticados como portadores de diabetes mellitus tipo 2. Já 22% foram diagnosticados quando tinham entre 30 e 39 anos. A maior porcentagem da amostra (44%) foi de sujeitos que tinham de 40 a 49 anos quando foram diagnosticados, dado que vem de encontro aos estudos de
132 Gross et al. (2002), segundo os quais a idade de início do diabetes tipo 2 é variável, embora seja mais freqüente após os 40 anos de idade. Nesse grupo, 83% dos sujeitos começaram o tratamento a partir do diagnóstico da doença, enquanto 17% começaram o tratamento pelo menos após um ano de terem sido diagnosticados. Estes sujeitos disseram demorar a começar o tratamento porque não queriam privar-se de nada por causa da doença (principalmente no caso das dietas alimentares), mas tiveram que acabar cedendo por motivos de saúde.
Segundo Correa et al. (2003), a obesidade e sobrepeso estão presentes na maioria dos pacientes diabéticos tipo 2, sendo que sua prevalência varia dependendo de fatores genéticos e ambientais (educacionais e culturais). Concordando com os dados levantados por eles, na amostra total, é possível observar que nenhum dos sujeitos participantes está abaixo do peso: 22% encontram-se na faixa de peso considerada normal, enquanto a maioria (78%) está acima do peso, segundo seu IMC (índice de massa corporal).
Em relação a outras doenças concomitantes ao diabetes, 87% dos sujeitos (considerando os dois grupos) disseram ter alguma comorbidade associada. As maiores ocorrências somadas (53%) referem-se ao colesterol elevado e hipertensão arterial. Segundo Scheffel et al. (2004), o comprometimento arteroesclerótico das coronarianas, dos membros inferiores e das regiões cerebrais é comum nos pacientes com diabetes mellitus do tipo 2 e constitui a principal causa de morte desses pacientes. Essas complicações macroangiopáticas podem ocorrer mesmo em estágios precoces do DM e se apresentam de forma mais difusa e grave do que em pessoas sem DM.
133 Segundo Sartorelli e Franco (2003), algumas evidências sugerem que o sedentarismo, favorecido pela vida moderna, é um fator de risco tão importante quanto à dieta inadequada na etiologia da obesidade e possui uma relação direta e positiva com o aumento da incidência do diabetes tipo 2 em adultos, independentemente do índice de massa corporal. Alguns estudos demonstram que o controle de peso e aumento da atividade física diminui a resistência à insulina, diminuindo as chances de se desenvolver o diabetes mellitus. Foi interessante verificar nos sujeitos uma possibilidade correlacional com o que foi apontado pelos autores, pois a maioria dos sujeitos (83%) disse não praticar atividade física.
Já no que diz respeito à dieta, tem-se que 67% dos sujeitos disseram seguir uma, enquanto 33% disseram não seguir, fator esse que pode ajudar também no controle da glicemia.
Em relação aos medicamentos usados na amostra total, observa-se que 44% dos sujeitos usam apenas medicamentos como as Biguanidas, enquanto 56% usam Biguanidas e Sulfonilureias concomitantemente. Nenhum dos sujeitos dessa amostra disse apenas usar as Sulfonilureias para tratamento do diabetes. Os remédios citados estão entre os mais usados entre os pacientes diabéticos tipo 2, já que, conforme observado por Hirata e Hirata (2006), os tipos mais conhecidos de medicamentos são as sulfoniluréias (que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas), as biguanidas (que aumentam a sensibilidade do organismo à insulina já produzida) e a acarbose (que torna mais lenta a absorção da glicose no intestino, dando tempo ao organismo para manter a glicemia normal). Nota-se que nenhum paciente declarou usar este último tipo de remédio citado pelos autores.
134 Como último item apresentado no levantamento sócio-demográfico, temos a referência em relação a filhos; no grupo, nota-se que 94% tem pelo menos um filho. Esse dado é importante, pois, como será observado na variável seguinte, muitos sujeitos indicaram como lembrança agradável recordar o nascimento dos filhos.
Variável 2: Vivências agradáveis
A amostra total de vivências (citadas pelo grupo intervenção e controle) como apresentado nos resultados, conta com um N de 92 distribuídos, de forma heterogênea entre os sujeitos do grupo. Do total de vivências citadas nesse grupo, 22% enquadram-se na categoria Sensações Prazerosas. Um primeiro motivo para uma maior ocorrência de vivências pertencentes a essa categoria talvez se deva ao fato de as mesmas vivências poderem ser indicadas mais de uma vez pelo mesmo sujeito, pois na descrição de uma vivência podem existir diversas citações de lembranças que remetem diretamente a sensações físicas diferentes que o sujeito gosta de sentir. Outro motivo um pouco mais específico para o aumento dessas ocorrências remete às escolhas do sujeito 7 do grupo de intervenção. Esse sujeito indicou lembranças que se encaixam nessa categoria (categoria E - Sensações
Prazerosas) quatro vezes, enquanto os outros sujeitos, de ambos os grupos
(intervenção e controle) indicaram no máximo duas vezes. Baseado em observações do pesquisador, um possível motivo para essa maior escolha deve-se ao fato do sujeito em questão funcionar cognitivamente de uma maneira mais cinestésica, pois, em vários momentos de seu discurso, usava palavras e descrevia histórias relativas à suas lembranças por meio de
135 adjetivos associados aos sentidos olfativo, tátil e gustativo. Hall et al. (2005), assim como outros pesquisadores da área de neuropsicologia, indicam que existem características cognitivas de funcionamento em relação aos sentidos, e que as pessoas costumam interagir com o mundo, cognitiva e sensório- perceptualmente usando estratégias visuais, auditivas e cinestésicas (esta última referente ao olfato, tato e paladar).
Foi interessante observar que a maioria das categorias criadas refere-se a momentos específicos e intensos de prazer, de vivências que aconteceram de forma bem localizada no passado. Nesse grupo, podemos colocar as categorias Nascimentos, Viagens, Conquistas, Presentes Importantes,
Conhecer Cônjuge, Experiências Religiosas. Um dos motivos para explicar isso
pode ser o funcionamento da memória em relação a acontecimentos estressantes e emocionalmente significativos, que permanecem na memória por muito tempo e são lembrados de forma explícita. Conforme elucidado por Bohleber (2007), eventos intensos, com caráter de afeto positivo ou negativo, são mais facilmente registrados na memória a longo prazo do que eventos menores, mais rotineiros. Por isso, quando foi solicitado aos sujeitos que sugerissem situações agradáveis que gostariam de viver em transe, uma das buscas foi por eventos mais facilmente lembráveis associados muitas vezes a registros de situações intensas. Interessante foi notar no grupo intervenção, que no decorrer das sessões, outras lembranças foram surgindo, lembranças estas, muitas vezes relacionadas a eventos de vivência mais rotineira, de prazeres não associados a momentos de intensidade, mas a momentos que os sujeitos podem vivenciar no seu dia a dia, como no exemplo das categorias:
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Aprendizagens. Cabe ressaltar, que o sujeito número 7 do grupo intervenção e
o sujeito número 7 do grupo controle indicaram ambos, categorias associadas, em sua grande maioria, a situações e sensações agradáveis que podem ser vivenciadas no dia a dia. Não foi o foco do trabalho analisar o motivo de tais escolhas, mas fica como um dado a ser refletido de forma mais específica, criando apenas suposições e traçando dados correlacionais (ambos tem alturas próximas, ambos são do mesmo sexo, ambos não praticam atividade física, ambos são casados, ambos tem filhos, ou simplesmente ambos buscam viver a vida por meio de situações prazerosas no dia a dia).
É importante notar que, a categoria Nascimentos, referentes a lembranças de nascimento de filhos e netos, foi descrita como prazerosa. Ela aparece em terceiro lugar das categorias que mais tiveram vivências citadas. É possível intuir que esse tipo de lembrança realmente fica registrada de maneira intensa e positiva na memória das pessoas, e que pode, em circunstâncias específicas, promover saúde e bem estar. Fator que se comprova por meio da observação de que 56% dos sujeitos indicaram, pelo menos uma vez, lembranças que se enquadram nessa categoria, ainda mais considerando que eventos como o nascimento de filhos e netos ocorrem poucas vezes na vida.
Um último aspecto importante a ser mencionado com relação a essa variável refere-se à categoria Experiências Religiosas. Essa categoria foi criada exclusivamente para abarcar as vivências do sujeito número 5 do grupo intervenção, pois citou duas vivências que não se enquadravam em nenhuma outra categoria. Foi interessante notar que essa escolha pode estar correlacionada aos dados sócio-demográficos do sujeito, pois ao responder sobre religião, expressou-se de forma positivamente intensa e exaltada,
137 declarando ter e praticar a religião proferida (observação e inferência do pesquisador sobre o evento ocorrido). Na primeira sessão, a indicação dessas vivências de cunho religioso respondia à metade das vivências indicadas por esse sujeito (no decorrer das sessões seguintes, o sujeito indicou mais duas vivências que gostaria de experienciar durante o estado hipnótico).
Variável 3: Níveis de Glicemia
Durante a discussão dos dados referentes a essa variável, não podemos esquecer que o foco principal da análise será sobre o grupo intervenção, pois o grupo controle, nessa variável, serviu de apoio para observar e comparar se eventuais alterações dos níveis de glicemia seriam conseqüência apenas do decorrer do tempo de coleta. Como se observa nos resultados, o grupo controle não apresenta alteração significativa nos níveis de glicemia. Por esse motivo, não ocorrendo nenhum tipo de intervenção com os sujeitos, é esperado que pacientes diabéticos tipo 2 não apresentem, durante o período de 50 minutos, alterações significativas no nível de glicemia no sangue (para coletas realizados em horários, ambiente e com exigências semelhantes).
Conforme informações prestadas pelo médico Dr. Régis Cavini Ferreira, alterações no nível de glicemia do sangue, decorrentes de eventos externos e internos, podem ser observadas em curto espaço de tempo. Gross et al. (2002) afirmam que podem ser realizadas medições em menos de 15 minutos e alterações já podem ser verificadas no nível de glicemia do sangue. Durante as medições, buscou-se avaliar a ocorrência de alterações, e se poderiam estar relacionadas aos eventos aos quais os sujeitos da pesquisa estavam sendo submetidos. Alguns estudos, como citado por Silva et al. (2004), indicam que o relaxamento propicia mais saúde ao paciente com diabetes tipo 2 e durante a
138 intervenção, para levar os sujeitos a terem lembranças e situações agradáveis em hipnose, foi usado, como umas das técnicas de indução, o relaxamento. Como pode ser observado, as medições após o relaxamento não mostraram um padrão de funcionamento especifico (medidas na fase 2). Em alguns sujeitos o nível de glicemia subia, em outros descia, e, numa boa parte, os níveis de glicemia permaneciam inalterados. Com esses dados, talvez seja possível indicar que se houve alguma alteração significativa no nível de glicemia dos sujeitos, o relaxamento não foi o principal responsável.
A partir das observações das alterações do nível de glicemia no decorrer das sessões, avaliando as fases 3 e 4, verifica-se uma constante evolução e padronização das respostas glicêmicas dos sujeitos, uma vez que, após 3 sessões, as medidas glicêmicas apresentaram comportamento similar ao final da intervenção. Segundo Zeig (1985) e Haley (1991), vivenciar o estado hipnótico é um aprendizado, quanto mais alguém se submete a tal estado, mais fácil e mais profundo o processo, o que pode propiciar vivências cada vez mais intensas e benéficas ao paciente.
Observando as três sessões, verifica-se que na primeira 50% dos sujeitos apresentaram diminuição no nível de glicemia com taxas variando numa redução de 4,76% a 13,57%, numa média de redução percentual de 8,01%. Já na segunda sessão, em 80% dos sujeitos, o nível de glicemia diminuiu, com taxas de redução variando de 3,65% a 19,83%, numa média percentual de 9,73%. Na última sessão (sessão 3), assim como na sessão anterior, 80% dos sujeitos apresentaram diminuição no nível de glicemia com taxas variando numa redução de 4,96% a 19,88%, numa média de redução percentual de 13,20%. Isso realmente aponta que no decorrer das sessões, o
139 número de sujeitos que tiverem redução no nível de glicemia foi aumentando. Além disso, a média percentual de diminuição também acompanhou esse aumento, pois foi aumentando no decorrer das sessões. Baseado nessas informações, é possível dizer que parece realmente existir uma ligação entre as vivências agradáveis propostas através da hipnose e a alteração dos níveis de glicemia dos sujeitos pesquisados. O interessante é que tais alterações são, em dados de saúde, benéficas aos pacientes, pois os níveis de glicemia diminuíram, chegando a alguns casos a uma medida localizada dentro dos padrões da normalidade. Fomentando tais indicativos, Uvna¨s-moberg (1998) cita uma pesquisa que mostra a influência positiva da Ocitocina (substância associada a vivências prazerosas) sobre o organismo, seja atuando como hormônio anti-stress, seja estimulando um crescimento celular saudável, seja até mesmo estimulando a indução de hormônios gastrintestinais como a insulina. O interessante nesse estudo é a indicação de que a estimulação da ação de tal substância possa ser condicionada a estados psicológicos e ligados à imaginação, indicando os benefícios reais de terapias como hipnose.
Foi interessante observar que, em certo momento das sessões, em dois sujeitos do grupo intervenção, houve um aumento do nível glicêmico. O primeiro foi o sujeito número 2, que na primeira sessão apresentou um aumento de 12,36% da taxa de glicemia. Posteriormente, na entrevista sobre impressões a respeito da intervenção, o sujeito citou que uma das vivências indicadas por ele não se desenvolveu da maneira como ele esperava durante a hipnose. Esse sujeito havia indicado entre suas vivências, uma que se enquadrava na categoria Conhecer Cônjuge. Mas o sujeito não havia informado que o respectivo cônjuge já havia falecido. Durante o processo de
140 recordação da vivência, segundo relato do sujeito, a lembrança que estava ficando agradável começou a ficar triste, a tornar-se desagradável. Nas sessões seguintes, tendo elaborado melhor tal lembrança, esse sujeito passou a apresentar diminuição nos níveis de glicemia. Outro sujeito que apresentou alterações semelhantes foi o de número 4, que na segunda sessão apresentou um aumento de 8,00% da taxa de glicemia. Esse sujeito relatou que durante a sessão de hipnose, quando se imaginava em sua futura casa, começou a lembrar-se do animal de estimação que tinha e havia falecido. Na sessão seguinte, tendo elaborado melhor tal lembrança, esse mesmo sujeito apresentou diminuição no nível de glicemia.
Parece então haver uma correlação entre a qualidade da lembrança (lembrança agradável e desagradável aos olhos de quem lembra) e a alteração orgânica vivida. Vivenciar em transe lembranças boas (consideradas agradáveis pelo individuo) parece alterar o organismo de maneira positiva (em termos de glicemia) assim como vivenciar lembranças desagradáveis em transe parece ter um efeito não saudável (no caso em questão, em termos do nível de glicemia). Uma pesquisa realizada por Dagher et al. (2001), sobre sensações prazerosas e aversivas, parece explicar um pouco desse funcionamento. Eles demonstraram que os estímulos prazerosos estimulam áreas cerebrais diferentes dos estímulos aversivos, considerando que existem duas áreas distintas no cérebro, uma referente a recebimento de estímulos prazerosos (sistema de recompensa) e outra referente a estímulos aversivos (sistema de punição) e que tais áreas afetam o funcionamento do organismo.
Uma questão interessante que pode surgir sobre o assunto das vivências ou situações agradáveis é: haveria alguma alteração significativa no
141 nível glicêmico, caso os sujeitos apenas pensassem, fora do estado hipnótico, nas lembranças mencionadas durante a pesquisa? A fim de responder a essa pergunta, num primeiro momento, cabe avaliar a primeira sessão realizada com cada paciente. Na primeira sessão, após responderem ao questionário sócio- demográfico, os sujeitos responderam à entrevista 2 (Anexo 3 – dados para indução) na qual eram levantadas as situações e vivências agradáveis que os sujeitos gostariam de experimentar durante o estado hipnótico. É possível observar, avaliando-se as medidas glicêmicas antes e após tais entrevistas, que não houve alteração do nível glicêmico, o que pode indicar que apenas pensar em tais lembranças de forma ordinária, talvez não afete o organismo a ponto de provocar alterações no nível de glicemia no sangue. Outra possibilidade seria ler as lembranças para o grupo controle, enquanto os sujeitos se encontravam de olhos fechados e verificar se ocorreriam alterações no nível glicêmico. Haveria aqui um problema, pois, ao colocar os sujeitos deitados e dependendo da forma que as lembranças fossem lidas pelo pesquisador, poderia, já ali, começar a ocorrer uma indução hipnótica, o que inviabilizaria qualquer comparação com os dados da intervenção, já que segundo Galvão (2003), o processo de indução é bem simples e colocar alguém em transe não requer muito esforço, segundo uma abordagem Ericksoniana. Ressaltando ainda os trabalhos de Kosslyn et al. (2000), que em sua pesquisa demonstraram, através de imagens do cérebro, que apenas imaginar cores em estado ordinário é diferente para o cérebro do que imaginar cores em estado hipnótico, pois nesse segundo estado o cérebro responde como se realmente estivesse vendo as cores imaginadas, apenas
142 estabelecendo correlações. Se imaginar é diferente de imaginar em transe, talvez simplesmente lembrar seja diferente de lembrar em transe.
Variável 4: sensações de bem estar
Durante a discussão dos dados referentes a esta variável, é preciso lembrar que o foco principal da análise será sobre o grupo intervenção, já que o grupo controle, serviu de apoio para observar e comparar se eventuais alterações das sensações de bem estar são conseqüência apenas do decorrer do tempo de coleta. Como se observa nos resultados, apenas um dos sujeitos desse grupo apresentou algum tipo de alteração na sensação de bem estar e