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Diffusjon av innovasjoner

In document Kjøresimulator i trafikkopplæringen (sider 17-21)

Como apontamos anteriormente, a realização do trabalho exige dos trabalhadores inventividade, criatividade e engenhosidade, essa é a dimensão humana do trabalho, que está colocada além da prescrição e que faz o trabalhador superar a ordem tecnológica e maquinal, para dar conta dos imprevistos. Como o trabalho real é repleto de variabilidades, é necessário que o trabalhador acione sua dimensão criadora para que o exercício da atividade possa acontecer, é preciso engajar-se de “corpo e alma”.

Ao se deparar com os imprevistos e as falhas, o trabalhador compromete-se com o trabalho, fazendo uso de uma dimensão extremante significativa, que Dejours e Abdoucheli (1994) denominam de inteligência prática ou inteligência do corpo. Essa dimensão corpórea

da inteligência distingue-se fundamentalmente do raciocínio lógico, mas não implica ausência de pensamento.

Essa inteligência é essencialmente fundamentada na mobilização subjetiva, passando pela familiarização com o processo de trabalho, colocando em ressonância o corpo com a matéria ou a máquina e certo ‘mimetismo’ que permite antecipar e intuir os acontecimentos que poderão produzir-se graças ao jogo de uma sensibilidade intencional (Dejours, 1999). É uma forma de inteligência que passa pela solicitação dos sentidos, exigindo uma experiência prévia da situação de trabalho, possibilitando introduzir a associação de qualquer coisa de novo, a inovação, ao que já é conhecido, ao que é o objeto de uma rotina e está estabilizado e integrado à tradição. Neste sentido, podemos afirmar que a qualidade, a segurança e a produtividade no trabalho constituem-se como conseqüência da mobilização dessa inteligência.

Dejours e Abdoucheli (1994) apontam ainda para os possíveis ganhos dos trabalhadores quando conseguem transformar os constrangimentos impostos pela organização do trabalho em fontes de prazer e de resistência a uma desestabilidade psicossomática. A inteligência astuciosa solicita os sentidos do trabalhador para dar conta dos reveses do trabalho, do que escapa à prescrição e não pode ser explicada pela linguagem. As mudanças nas situações de trabalho alertam o corpo e suscitam a curiosidade, totalmente tensa desde o início, em busca de uma explicação e mesmo de uma solução apaziguadora (Dejours, 1993).

A inteligência prática é profundamente marcada por uma história pensada e construída coletivamente, a partir de atos de trabalho, de escolhas operacionais e de saberes colocados à disposição nos e pelos coletivos de trabalho. O que importa não é somente como cada sujeito dá conta da distância entre o trabalho prescrito e o trabalho real, mas sim como tratam coletivamente essa distância. Assim, percebemos que as professoras fazem uso dessa

inteligência prática na realização de suas atividades. Ela está presente no trabalho efetivamente realizado, representando aquilo que resiste ao controle da situação, através da habilidade, conhecimento, experiência ou aplicação de algum procedimento (Dejours, 1999). Podemos ver a utilização dessa astúcia a partir das falas das trabalhadoras que seguem abaixo:

“Eu geralmente peço aos alunos para acordar de manhã para assistir o jornal para saber o nível da maré ou a previsão do tempo da cidade, também gosto de ir ao supermercado com eles para ver os alimentos e observar os índices de carboidratos. Depois procuro relacionar isto com os conteúdos vistos em sala de aula, para se tornar mais atrativo para eles”.

“O professor é palhaço e artista ao mesmo tempo, artista porque nós somos tudo. O artista porque ele prepara tudo para que dê certo, vai depender dele a aula. Aí na sala, o artista vai traduzir o palhaço lá. Vai brincar, vai falar, vai cantar, vai fazer isso, aquilo, sempre complementando isso com os conteúdos”.

Observamos, através destas falas, que estas professoras utilizam uma certa astúcia, experiência adquirida ao longo dos anos de docência para enfrentar o real do trabalho. Verificamos que isso envolve sempre uma infração às prescrições, porque para vencer as dificuldades é preciso infringir ou transgredir. Desse modo, esse tipo de inteligência busca poupar esforços, privilegiando a habilidade em detrimento da força, buscando obter o máximo e o melhor com o mínimo dispêndio de energia. A engenhosidade e a astúcia são indissociavelmente solidárias com o corpo, inclusive levando a uma economia do esforço (Dejours, 1993; Dejours, 1997).

“Quando a turma está muito agitada, a gente faz aula de arte, música, artes plástica ou leitura. Aproveita para encaixar os projetos existentes e adiantar o nosso conteúdo dentro dessas atividades”.

Assim, as professoras colocam em prática uma certa astúcia e sua experiência pessoal e profissional, que está intimamente ligada aos processos psíquicos mobilizados pelas trabalhadoras nos ajustamentos e no exercício da criatividade, como um modo de

buscarem as resoluções para os problemas diários (Dejours, 1993). O que mostra que a técnica nunca domina os movimentos humanos e não pode ser rigorosamente seguida, pois os trabalhadores encontram maneiras de burlar o controle, a sanção e a disciplina a fim de garantir que o trabalho seja efetivamente realizado. Desse modo, diante dos acontecimentos e perturbações no trabalho, as docentes desenvolvem diferentes formas de inteligências para continuar trabalhando e se produzindo enquanto ser vivente.

A mobilização da inteligência prática, entretanto, não desconsidera a prescrição, ao contrário, ela funciona como uma regulamentação desta, mas não sem antes subvertê-la conforme as necessidades e os objetivos a serem alcançados. Esse tipo de inteligência caracteriza-se pela capacidade de conferir mais importância aos resultados da ação, do que ao caminho utilizado para atingir os objetivos.

Percebemos através dos depoimentos das professoras que reelaborar o trabalho real implica em uma aproximação das interpretações. À medida que cada trabalhador interpreta o real ao seu modo, cria uma multiplicidade de “modos de fazer”, de “truques”, “artifícios” e “trapaças”. Entendemos então que a mobilização da inteligência prática opera por subversão, exigindo dos sujeitos certa discrição, até mesmo segredo. No fundo, trapacear com a organização do trabalho implica assumir riscos, embora seja preciso recorrer a uma certa dose de transparência, pois a visibilidade e a publicidade tornam-se necessárias como forma de convocação de todos, colegas e superiores, para compartilhar estes riscos (Dejours, 1993a; 1993b).

Dessa forma, a mobilização dos recursos da inteligência prática está intimamente relacionada à existência ou não de espaços públicos de discussões sobre o trabalho. E a existência desses espaços depende da dinâmica de contribuição/retribuição. Esse espaço público interno é construído pelos próprios trabalhadores, através de discussões sobre o trabalho, ao estabelecerem e compartilharem relações (laços) de confiança e de cooperação -

que, por sua vez, dependem não apenas dos requisitos psicoafetivos (desejo/vontade de cooperação), mas, principalmente, do estabelecimento de valores e regras (éticas) comuns a todos (Dejours & Abdoucheli, 1994).

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