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4  State‐of‐the‐art of path loss modelling

4.4  Geometrical models for diffraction loss

4.4.2  Diffraction models

Os processos geomorfológicos de longo termo permeiam indiretamente todo o trabalho. Por esse motivo, duas áreas de estudo consideravelmente distintas foram escolhidas, uma vez que, na impossibilidade de acompanhar eventos dessa escala temporal, pode-se apenas, basear-se nos resultados que estes produziram na paisagem. Sendo assim, relações multiescalares são imprescindíveis, na busca por compreender como os grandes compartimentos do relevo (e seus processos associados) influenciam as nascentes.

É possível afirmar que os macroprocessos que geram as grandes feições do relevo terrestre acabam por influenciar sobremaneira os processos em escalas espaciais menores. Não obstante, relevos serranos estão geralmente associados a elevadas taxas de erosão e elevada velocidade dos fluxos hidrológicos, quando comparados a terrenos mais suavizados. Nesse sentido, os condicionantes dos processos de médio e curto termo são definidos, muitas vezes, por processos de longo termo. Por isso, a comparação dos resultados da dinâmica geomorfológica das nascentes entre as duas áreas de estudo, por um ponto de vista multiescalar, possibilita a discussão dessa questão.

Ainda que a amostragem estudada não represente de forma fidedigna o universo de nascentes existentes na Serra do Espinhaço Meridional ou na Depressão do Alto-Médio São Francisco, ela permite uma aproximação com os processos fundamentais que controlam a dinâmica hidrogeomorfológica das nascentes dentro desses compartimentos.

A mobilidade ficou evidenciada como um dos principais elementos da dinâmica hidrogeomorfológica sazonal das nascentes e pode ser utilizada para interpretar essas relações multiescalares. Em uma rápida visualização dos dados, é notória a diferença entre a mobilidade das nascentes de Lagoa Santa e da Serra do Cipó. Na primeira área de estudo, apenas três das onze nascentes monitoradas são móveis (27%); na Serra do Cipó, incluindo como móveis aquelas nascentes com deslocamentos centimétricos, tem-se um percentual de nascentes móveis de 85%, com apenas duas nascentes fixas (FIG. 76).

FIGURA 76 – Comparação da mobilidade das nascentes entre as áreas de estudo.

Fonte: dados de campo.

Os sistemas aquíferos que alimentam as nascentes de Lagoa Santa caracterizam-se de modo geral, por rochas clastoquímicas sotopostas a um espesso manto de alteração. Isso implica em uma boa capacidade de armazenamento e distribuição da água subterrânea, principalmente em locais de maior permeabilidade secundária das rochas devido à carstificação. Ademais, o espesso regolito funciona como um aquífero granular que garante a alimentação das nascentes no período de estiagem.

Por sua vez, os sistemas aquíferos na Serra do Cipó possuem menor capacidade de armazenamento de água, uma vez que predominam neossolos sobre o aquífero fissural. Isso implica em uma distribuição da água mais rápida, de modo que a participação do manto de intemperismo na alimentação das nascentes é diminuída. Nota-se, que os percentuais de mobilidade e de intermitência são muito similares (ver capítulo 6). Essa íntima relação é promovida pelos mesmos fatores ambientais de escala regional, uma vez que quando não há boa capacidade de armazenamento e distribuição da água subterrânea, tem-se o rebaixamento do nível freático. Por conseguinte, dois processos podem ocorrer: o deslocamento da exfiltração para jusante, ou, em casos mais extremos, sua interrupção promovendo a intermitência.

Nesse sentido, percebe-se que, além do fator geológico, a geomorfologia regional contribui para essa configuração. O maciço do Espinhaço é reconhecidamente uma área de intensa atividade dos processos desnudacionais. Associado à resistência dos metassedimentos ao intemperismo, esse fator condiciona um manto de alteração pouco espesso. Já na Depressão do Alto-Médio São Francisco, em termos pedológicos, o rejuvenescimento dos solos tende a ser menor, promovendo coberturas pedológicas mais profundas. Como já foi dito, a espessura e a natureza do manto de alteração são fundamentais para os fluxos sub-superficiais que

alimentam as nascentes. Por esse motivo, os dois diferentes compartimentos regionais do relevo, promovem distintas dinâmicas hidrogeomorfológicas sazonais das nascentes que abrigam.

A síntese dessas relações multiescalares pode ser baseada na tipologia das nascentes, uma vez que esta se relaciona metodologicamente a variáveis exclusivamente locais, mas que, ainda assim, guardam comportamentos regionais distintos. A FIG. 77 mostra a comparação da distribuição da frequência de cada tipo de nascente nas áreas de estudo.

FIGURA 77 – Comparação da tipologia das nascentes entre as áreas de estudo.

Fonte: dados de campo.

Enquanto as nascentes dinâmicas predominam em Lagoa Santa, ocupam um percentual de apenas 15% na Serra do Cipó. Por outro lado, nesta última área, há uma participação muito superior de nascentes sazonais. Além disso, o modelo proposto não apresentou nenhuma nascente híbrida na Serra do Cipó (ainda que ocorram dois casos ajustados), enquanto 36% das nascentes da Lagoa Santa foram consideradas híbridas.

Dentre as variáveis que entram no modelo de tipologia destacam-se na explicação das classes a morfologia, o tipo de exfiltração, a sazonalidade e a mobilidade. Como já foi apresentado, a morfologia das nascentes está intimamente ligada aos processos geomorfológicos de médio termo, sobretudo erosivos, que esculpem as vertentes criando condições para a exfiltração. Nesse sentido, condicionantes regionais controlam esses fenômenos, promovendo maior ou menor energia ao sistema a partir do gradiente topográfico.

O tipo de exfiltração acompanha essa lógica, uma vez que determinadas morfologias estão diretamente associadas ao modo como a água emerge à superfície. Além disso, é provável

que também o tipo de exfiltração esteja relacionado ao gradiente topográfico, uma vez que a energia dos fluxos sub-superficiais em aquíferos livres é predominantemente gravitacional. Quanto às variáveis sazonalidade e mobilidade, retoma-se a discussão anterior. Ambas estão intimamente ligadas entre si e à profundidade das coberturas superficiais. Assim, compartimentos do relevo mais suavizados, em que os processos erosivos são menos agressivos, tendem a possuir mantos de alteração mais espessos, o que leva a nascentes fixas e perenes, sobretudo do tipo freática e dinâmica. Por outro lado, relevos fortemente ondulados e com processos erosivos intensos, tendem a possuir mantos de intemperismo mais rasos, condicionando nascentes móveis e intermitentes. Esse é o caso de nascentes sazonais e freáticas.