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The Difficulties with Implementing Climate Policies and the Lost Opportunity…29

Em ambos os países, observou-se que a renda gerada com o trabalho é importante, mas, além do aspecto financeiro, o trabalho com cerâmica permite que esses artesãos se reconheçam como artistas. É perceptível a alegria e o prazer que eles sentem por verem que são capazes de criar algo bonito (JONATHAN, 2009). Eles deixam de ser alguém esquecido no interior de seus países para serem alguém que tem um trabalho reconhecido, não somente em sua região, em seu país, mas também no exterior, a exemplo de D. Izabel e da Zezinha, no Brasil e da entrevistada NQ3, da Nicaragua.

NQ2 - [...] A primeira importância é a entrada de dinheiro para manter sua casa, sua família, porém, outra coisa que eu gosto é porque é artístico e a gente sempre vai buscando coisas novas para atrair o mercado.

NQ3 - [...] minhas peças, graças a Deus, são bem reconhecidas. Daqui me dei a reconhecer bastante porque daqui saíram muitas peças. Saíram para outros países. Porque colocamos nossos nomes, ‘meu nome’. E bem, porque aqui nos temos levantado um pouquinho.

NJ2 - [...] eu me sinto mais importante.

BS8 - [...] (trabalhar com cerâmica) [...] é uma diversão e ajuda, né, pra gente. Eu me sinto mais valorizada [...] é pruque eu [...] sei que, às vezes eu tiro aquelas peça toda do forno, coloco elas toda bonita lá, pra trazê pra cá, eu falo: “Mas será que foi eu que fiz?” Eu fico orgulhosa. É, tá bonita, será que foi eu que fiz, essa tá brilhosa. Então, eu aí quando eu [...] aquela parte [...] que eu tô com outra fornada pronta, pra mim torna vê. A gente fica ansiosa pra pude torna fazê pra vê bonita.

Que vê quando a gente faz aquelas grandona, que fica tudo, tudo e sanzinha, tudo naquele brilho, né aí já fica mais assim [...] muda de cor [...] Aí já fica mais [...] mas eu tô trabalhano bunito né. A gente mesmo galvano (gabando) a gente, cê já pensou isso? Esse, esses dia eu, eu queimei que era pra leva lá pra feira de artesanato, aí eu, quando oiei as peça, eu falei [...] aí eu falei assim: “Mas eu, ficou bonito, mas sou uma artista!” Aí quando o povo elogia aí que fica bom mesmo, né? Aí que a gente fica mais com vontade de fazê pra eles, né.

Percebe-se que os relatos de Santana do Araçuaí enfatizam os aspectos lúdicos do trabalho com cerâmica, pois mencionam que, ao elaborarem as suas peças, essas atividades lhes proporcionam entretenimento, diversão e, muitas vezes, a sublimação de sentimentos negativos como as perdas e os problemas do cotidiano (GUERREIRO, 2009; NASCIMENTO, 2009). Em suma, o trabalho com o barro e a produção das peças muitas vezes funciona como terapia.

BS2 - O meu trabalho me ajudou muito, porque assim pelo menos no momento que eu estou trabalhando aquilo não sai da minha cabeça, o que aconteceu, que ele morreu de acidente [...] eu tô vendo tudo mas eu continuo no meu trabalho e, aquilo ali, a hora vai passando. Não é bom o que eu vou te falar o que que eu passei não é bom [...] que eu tô passando, que eu ainda não esqueci de nada né, mas o meu trabalho me ajuda muito porque, pelo menos, eu tenho uma coisa ali pra eu tá disfarçando [...] é isso aí, eu tô levando até quando Deus quiser. A única coisa que eu tenho de divertimento é esse trabalho aqui.

BS3 - [...] pra mim é uma ótima terapia, né. Aí nem precisa tomar remédio, né. Graças a Deus eu tô com 44 ano e num tomo remédio nenhum

BS7 - [...] (quando você trabalha com cerâmica) [...] ah [...] esquece, porque quando a gente tá trabalhando com o barro, vô te fala, quando cê menos espera tá na hora de fazê almoço. O tempo passa rápido. Ah, moça [...] quando cê menos espera, passa a hora, né. Passa, não tem, e todas as que faz, quando menos se espera passa da hora de fazê o almoço. Num tem jeito, aí vai fazê bem depressa. BS11 - [...] Ce esquece (dos problemas) naquele momento, cê trabaiano, na mão, né. Entonce [...] o barro [...] a gente esquece até a vontade de almoça, tem hora, né.

A autoestima é outro aspecto que se destaca em relação ao empreendedorismo voltado para a produção de cerâmica. Assim como abordado por Vanderwater, Ostrove e Stewat (1997), o empreendedorismo de mulheres melhora a autoconfiança e impacta direto na melhoria da

autoestima. Nesta perspectiva, os entrevistados mencionam sentimentos de bem estar, de valorização e de reconhecimento perante a sua comunidade e família em função da arte que produzem (NASCIMENTO, 2009). Seu trabalho proporciona sentimento de orgulho e destaque, até mesmo porque suas peças são assinadas conferindo individualização que retrata a capacidade do artista.

NJ5 - [...] eu fui aprendendo e fui gostando e, à medida que fui vendendo, então eu gostei e, também, porque é a tradição de minha cidade. É a cultura da cerâmica negra.

BS4 - [...] eu gosto muito de trabalha com cerâmica. Depois que eu... desde criança que eu comecei trabalha que eu não esqueci mais assim aquela expectativa de tá movimentano com o barro, de fazê, criatividade, assim de, aquela curiosidade de fazê as peças, né. E aí, pra mim é muito importante, eu gosto muito desse trabalho.

BS5 - [...] trabalhar com cerâmica, além de diverti a gente, é uma coisa que ajuda, né. Me ajuda muito. Ajuda na autoestima também.

BS6 - Minha autoestima melhorou muito porque aqui é um lugar, assim, que não tem muito conforto, né. Às vezes é muito difícil cê arrumá um trabalho assim suficiente, né. E a argila praticamente é, o meu fundo, né, de sobrevivência é a argila mesmo.

BS9 - [...] gosto muito (de ver meu trabalho pronto). É muito bom quando a gente faz a peça que a gente vê ela terminadinha, né. A gente fica orgulhosa [...] eita! (mexer com argila muda o jeito de ser)[...] muda muito, né, porque, quando a gente não mexia, a gente num tinha [...] gente inté distrai, mexendo com artesanato a gente inté distrai mais. Fica menos preocupada porque o serviço de barro é um divertimento pra gente e, é um futuro, né?

BS10 - Eu sou criativa, né, invento uma peça, outra, outra. Minhas peça toda vida é diferente. É diferenciadas. [...] eu crio. Cada boneca quando eu faço, quando eu faço outra diferente, né é tirada assim, não é que eles fala, num é inspirada nas outras, não. Vem mesmo da mente, da minha mente.

BC2 - [...] a gente se sente mais valorizada. (a cerâmica) é uma arte que envolve muita gente. [...] e todas que trabalham com artesanato tem prazer em trabalhá com artesanato. Tem aquele prazer, que as pessoas geralmente, quem num tem aquele, aquele gosto de trabalha, nem tem força de vontade, num gosta do que faz, ela não permanece na associação.

BC4 - [...] (sobre se sentir valorizada) é, porque, olhando aqui, quem olha não valoriza não. Mas quando a gente vai nas feira, assim, aí cê sente mais valorizada. (para as mulheres tem ajudado estar na associação) [ ..]. tipo assim, na autoestima,

por exemplo, às vezes [...] E, assim, melhora mais, né. Porque antes cê num tinha seu próprio dinheiro e ocê trabalhano cê tem seu próprio dinheiro.

Observa-se que, apesar do reconhecimento atingido, as ceramistas mantêm a sua simplicidade e valorizam os relacionamentos de sempre, em sua comunidade. Na Nicaragua, outro fator importante que os alegra é que estão contribuindo para a preservação dos conhecimentos recebidos por seus ancestrais.

É pertinente reconhecer que o trabalho com cerâmica proporciona a realização pessoal e profissional, uma vez que possibilita aos artesãos o acesso à educação própria e dos filhos (CODEVALE, 1986; AHL, 2006) e o alcance de objetivos que antes eles não se permitiam, como por exemplo, o auxílio a familiares e o ingresso na educação superior, conforme menciona a ceramista NJ3:

NJ3 - [...] agora nos sentimos alegres, principalmente eu, porque agora posso ter dinheiro para ajudar meus pais e dou graças a Deus porque também, com isso, eu terminei o curso normal, o curso de computação e o curso de inglês, não todo, o básico e também eu saí para conhecer outras comunidades, me sinto satisfeita. [...] recebemos capacitações sobre liderança, de como atender ao cliente e também, na parte financeira. Vou fazer licenciatura em inglês porque você sabe, nos negócios é necessário saber inglês. [...] precisamos de pessoas preparadas para atender muito melhor o cliente.

O Gráfico 2 apresenta as principais ideias contidas nos relatos dos entrevistados em relação às questões que envolvem a importância de se trabalhar com cerâmica (I79 = felicidade; I88 = diversão; I93 = realização pessoal; I90 = valorização pessoal; I91 = superação de problemas; I92 = diversão trabalhando com o barro; I80 = felicidade; I86 = terapia; I89 = prazer; I94 = artista). No geral, percebe-se a grande satisfação que esse trabalho lhes proporciona, impactando nas questões emocionais, originando bons sentimentos que, ao final, os levam ao bem estar, tanto físico quanto psicológico.

Gráfico 2 – Importância de trabalhar com cerâmica Fonte: Dados da pesquisa (2013)