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2.5 Condition monitoring

2.5.2 Different Types of Fault

Fonte: Museu Histórico de Anápolis (2007).

O segundo período, também, se destaca pelo significado de ruptura com as antigas estruturas e pela chegada do novo, preconizado pela Revolução de Trinta. Pois, com o Governo Vargas e seu interventor estadual, Pedro Ludovico Teixeira, implanta-se uma política de modernização que caracterizaria a formação do Estado Novo em Goiás. E, nessa perspectiva, influiu diretamente no processo de

desenvolvimento da cidade de Anápolis, o principal centro econômico estadual, uma vez que a cidade foi escolhida para sediar a base da política de “Marcha para o Oeste” que estabeleceu a Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG) na cidade de Ceres. Além dessa iniciativa, também impactaram o processo evolutivo da cidade a instalação da Delegacia Nacional do Café e a construção de Goiânia.

A presença da Delegacia Nacional do Café e, conseqüentemente, do Serviço Técnico do Café visava à melhoria técnica da produção e da qualidade do produto, mediante a instalação, nas cercanias da cidade, de campos experimentais, laboratórios e uma usina de despolpamento que beneficiava o café. Entretanto, a crise econômica do início do século XX, também, afetou a produção cafeeira e incentivou o desenvolvimento da rizicultura, uma produção que, nas décadas seguintes, desempenharia um papel relevante para a economia local. Com isso, a partir da década de trinta, os comerciantes anapolinos passaram a aglutinar as funções de armazenadores e beneficiadores da produção de arroz, fortalecendo economicamente a cidade de Anápolis, conforme destaca Simões, (1950, p. 110)

Anápolis é um dos mais prósperos municípios de Goiás. (...) É o centro de convergência obrigatória de toda a produção de arroz do ‘Mato Grosso de Goiás’, (...) O arroz é transportado em caminhões para Anápolis, onde é beneficiado para então ser exportado pela Estrada de Ferro Goiás (grifo do autor).

A concentração dos interesses econômicos regionais em Anápolis possibilitou o desenvolvimento das obras de infra-estrutura e a valorização das terras, mencionadas anteriormente, além de inclusive, em 1934, foi instalado o primeiro banco na cidade, denominado Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais e, em 1940, comerciantes locais inauguraram, “com capitais próprios” o que seria o “primeiro banco genuinamente goiano” (SILVA, 1997, p. 86), o Banco Indústria e Comércio de Goiás.

Porém, com a construção de Goiânia, transformada em capital do Estado em 1937, iniciaram as relações de competitividade comercial e política entre Anápolis e Goiânia; um aspecto que foi ilustrado na discussão sobre o melhor local para a instalação da capital, conforme apresenta Guimarães (1949, p. 31): “É Anápolis, e não Goiânia, que exerce a função pioneira”. Com essa afirmativa o autor salientava a importância da cidade, para o contexto regional e nacional, uma vez que Anápolis

dispunha de infra-estrutura capaz de atender às necessidades administrativas do governo estadual, fato que não foi considerado. Pois, a construção de Goiânia possuía um caráter simbólico de ruptura com as “velhas” práticas oligárquicas dos grandes proprietários rurais e a chegada do “novo”, representado pelo Governo Vargas.

Em síntese, o processo de construção de Goiânia gerou para Anápolis: num primeiro momento, o aumento da demanda por materiais de construção e esse fato impulsionou as indústrias cerâmicas da cidade; depois, o processo de drenagem da renda local através dos impostos e do desenvolvimento do comércio na capital, provocando a redução da influência regional de Anápolis. Inclusive, para Estevam (1998, p.137) “enquanto Anápolis monopolizava o transporte ferroviário e servia-se das relações circunvizinhas, Goiânia valeu-se de ligações rodoviárias com o Sudeste do país e da sua condição de centro-administrativo estadual”.

Todavia, se por um lado a intervenção política do governo estadual contribuiu para a construção de Goiânia, gerando a competitividade comercial com Anápolis; por outro lado, a política de expansão e integração desenvolvida pelo Governo Vargas favoreceu o desenvolvimento de novas áreas de influência para Anápolis, em direção do interior do Estado de Goiás, no Vale do Rio São Patrício, onde se instalou a Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG), conforme observa Waibel (1947, p. 6):

O espírito pioneiro, por conseguinte, se expande da frente ativa para a retaguarda, ao longo das estradas de comunicação até a base principal. E esta base é Anápolis, o grande ‘depósito’ da faixa pioneira do sul de Goiás. O povoamento de Anápolis não foi conseqüência da estrada de ferro, mas é consideravelmente mais antigo.

Ao longo das décadas de 1940 e 1950, mesmo com as dificuldades oriundas do período da Segunda Guerra Mundial, destacam-se dois exemplos que caracterizam a relevância de Anápolis no contexto regional: o primeiro, refere-se ao desenvolvimento do transporte aéreo na cidade, transformada em escala para vôos entre o Rio de Janeiro e Miami e, depois, em escala de vôos domésticos entre o Pará, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão; o segundo, relaciona-se com a abertura das primeiras emissoras de rádio na cidade, a Rádio Carajá (1946) e a Rádio Impressa (1959). Os exemplos demonstram que existia um dinamismo interno que destacava a cidade no cenário regional, além de caracterizar a expansão das infra-

estruturas técnicas de transporte e comunicação, essenciais para o processo de acumulação do capital. Um dinamismo impregnado de otimismo com relação ao futuro da cidade que se observa na visão dos anapolinos na época do cinqüentenário da cidade em 1957, apresentado no editorial da Revista A Cinqüentenária (1957):

Os anapolinos do futuro, por certo, serão milhões. Grandes jornais, grandes revistas, com monumentais oficinas, montadas em gigantescos edifícios, iluminados com a energia do átomo, farão por certo uma extraordinária festa para comemorar o centenário de Anápolis, com aparelhos de velocidade supersônica[sic] cortando os céus citadinos, veículos atômicos e objetos estranhos circulando por ruas calçadas por pisos plásticos, imprensadas entre arranha-céus que atingirão as nuvens...

No início da década de 1960, inaugurou-se o terceiro período no processo de desenvolvimento de Anápolis. Um período emblemático para a compreensão da dinâmica local e regional, pois, caracteriza-se pela introdução de novos elementos que impulsionaram a transformação e refuncionalização das estruturas internas. Um deles se alia ao processo de planejamento e edificação de Brasília, pois, conforme Santos (1981, p. 90) o “nascimento de Brasília foi marcado, primeiramente, pela criação de uma dupla infra-estrutura: transporte e energia”. Ao mesmo tempo, em função dos impactos desse projeto sobre a dinâmica regional, Egler (1996, p. 201) destaca que “o papel das cidades se ampliou e se diversificou, seja como suporte logístico e financeiro à agricultura, seja como centros de processamento industrial, comercialização e gestão do complexo agro-industrial”.

Por sua vez, a cidade de Anápolis que se encontra posicionada de forma estratégica no entroncamento das rodovias BR 060, BR 153 e BR 414, consolidou- se na função de entreposto e base logística regional (Mapa 14). Um aspecto, destacado por Santos (1981, p. 91) ao observar que “Anápolis foi o grande centro de transbordo e de entreposto” durante o processo de construção de Brasília.

Mapa 14 - Estado de Goiás: localização estratégica de Anápolis entre Goiânia e