4.2 Enjoyment as affectivity and the notion of materiality
4.2.2 Different modes of consciousness: empirical vs. transcendental readings
O médico, o segundo elo dessa Cadeia de Valor proposta por este estudo, pode encontrar dificuldade de acesso ao conhecimento, porque os Periódicos Científicos têm-se tornado cada vez mais caros. No Brasil, existem duas iniciativas para mitigar o problema de acesso: o acesso livre (um movimento internacional, encapado pelo país, em favor do acesso livre à literatura científica periódica para todos os pesquisadores); a segunda iniciativa é o Portal Capes.
A iniciativa conhecida por acesso livre prega a publicação de periódicos cujos artigos são livremente acessíveis pela internet. Boa parte dos periódicos nacionais de todas as áreas adotou o acesso livre como, por exemplo, demonstra a SciELO, biblioteca eletrônica que disponibiliza periódicos nacionais e de outros países latino americanos em textos completos. Mas há um problema que interfere na adoção mais ampla do acesso livre, que é o prestígio dos periódicos. Mueller (2006, p. 33) problematiza a aceitação do acesso livre sob o ponto de vista de sua legitimação junto às comunidades científicas: “Essas iniciativas pioneiras [começo dos anos 90] não foram, de início, recebidas como formas legítimas de certificação
5 A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em oferecer um Curso de Revisão Sistemática e Metanálises voltado para profissionais médicos e outros profissionais interessados em proceder ao procedimento de Revisão Sistemática e Metanálise. O curso é on-line e gratuito, e está dividido em cinco módulos, com 12 aulas no total. Esse conteúdo aborda os conceitos gerais de Revisão Sistemática, orientas como elaborar, planejar, conduzir e como divulgar formalmente uma Revisão Sistemática. O curso, que está disponível há dez anos na página Unifesp Virtual, é uma iniciativa do Centro Cochrane do Brasil e do Laboratório de Ensino à Distância do Departamento de Informática da Saúde da Unifesp.
da Ciência e Comunicação científica.” Para a autora, essa postura refratária vem se transformando gradualmente em uma aceitação e, consequentemente na legitimação do conteúdo proveniente de publicações de acesso livre.
Mas o grande problema enfrentado por todos os pesquisadores é o acesso aos periódicos publicados pelas grandes editoras internacionais. Esses são, em geral, os periódicos mais conceituados pelas comunidades científicas. Embora alguns dos artigos publicados nesses periódicos sejam de acesso livre por iniciativas específicas de seus autores ou patrocinadores que pagam para que o público possa ter acesso livre a um determinado artigo, normalmente acesso aos artigos publicados por editoras comerciais exige pagamento, quer assinatura anual, que permite acesso aos volumes publicados no ano, ou compra de um artigo específico. A iniciativa do Portal de Periódicos da Capes consiste na assinatura, pela entidade, de um número elevado de títulos em todas as áreas. Esses títulos são então disponibilizados no Portal, permitindo o acesso aos professores e pesquisadores ligados às universidades federais e outras entidades. Segundo informações do próprio Portal (www.capes.gov.br), em 2011, foram oferecidos mais de 30.000 periódicos com texto completo. O Portal ainda informa que nesse ano o número total de acessos ultrapassou os 76 milhões de acessos, uma média de pouco mais de 209 mil acessos diários. Na Cadeia de Valor das informações científicas persiste a lógica de mercantilização da informação. O acesso livre tem progredido, mas não o suficiente para uma cobertura necessária. Monbiot (2011) abre debate acerca do monopólio das grandes editoras de periódicos científicos como Elsevier, Springer e Wiley- Blackwell. Essas três editoras respondem juntas por 42% do mercado da publicação científica mundial.
Nesse panorama, a inserção do médico na CV pretende estabelecer um paralelo com o segundo princípio da MBE: a habilidade clínica. Ou seja, o discernimento do uso dos conhecimentos clínicos para identificar a doença do paciente e adotar o melhor esquema terapêutico.
Sampaio e Mancini (2007, p.84) defendem o conceito de Prática Baseada em Evidência (PBE) e atribuem a ele “[...] o uso consciente, explícito e criterioso da melhor e da mais atual evidência de pesquisa na tomada de decisão para o cuidado com os pacientes.” Os autores contribuem para a discussão ao suscitarem que, na busca pela melhor evidência
científica, o clínico deve ter em mente que o fato de determinado artigo ou estudo ter sido publicado em um periódico indexado, de razoável respeitabilidade, não assegura a possibilidade dos resultados desse estudo não apresentar erros de metodologia ou até mesmo conter viés ideológico ou mercadológico.
Tal preocupação é válida, pois a busca por evidências em estudos com falhas estruturais ou limitações metodológicas pode enviesar a tomada de decisão do clínico, levando-o a agravar a situação clínica do paciente.
A análise de evidências de pesquisa exige dos profissionais novos conhecimentos e habilidades para capacitá-los a ter autonomia na avaliação crítica das informações científicas que serão utilizadas para diminuir as incertezas das decisões tomadas na clínica. (SAMPAIO; MANCINI, 2007, p. 85).
O médico tem por necessidade estar atualizado com os estudos científicos relativos à sua área. Para Cruz (2011) as pesquisas são importante fator para tomada de decisão clínica e colaboram com a produção de conhecimento sobre o comportamento de determinadas doenças e seus métodos diagnósticos.
Afora da pesquisa científica, os médicos contam com outras estratégias de atualização como os eventos médicos (congressos, simpósios, jornadas etc.). Esses eventos podem ser realizados (i) pelas sociedades de especialidades médicas, (ii) pelo Governo (um dos maiores indutores de pesquisa científica no Brasil) ou (iii) pela Indústria Farmacêutica, que propõe canais de aperfeiçoamento profissional, como lançamento de produtos, novas apresentações de medicamentos já consagrados, eventos satélites aos eventos promovidos pelas sociedades de especialidades médicas. Veloso (2005) crítica esses eventos e acredita que eles podem realizar a “demarcação entre Ciência e pseudociência”, quando há a presença de um agente voltado para a comercialização.