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Differences in competitive factors between the North Sea and the High North

5. Empirical Findings: The Companies

6.2 Analyses of factors influencing entry strategy

6.2.1 Competitive factors and entry strategy

6.2.1.1 Differences in competitive factors between the North Sea and the High North

IV.4 — Exemplo de aplicação 4: Crystal Ball  

  Figura 4.6 — Foto do trabalho de arte Crystal Ball na exposição da Dinamize, Porto Alegre,

jun.2010. Fonte: Martha Gabriel.  

Crystal Ball é um trabalho de arte mobile interativo que funciona como uma bola de

cristal (ver Figura 4.6), a qual mostra o que está acontecendo no mundo em tempo real baseando-se nas Trending Topics (TT) mundiais do Twitter a cada momento. As Trending Topics são os assuntos (tópicos) que representam as inquietações e acontecimentos que emergem no mundo a cada instante. As tendências são alimentadas pelo mundo offline e também o alimentam, em um processo contínuo de retroalimentação de tendências e acontecimentos.

No Crystal Ball, as 10 trending topics do momento são traduzidas em imagens via o Google Images, ou seja, a própria rede se interpreta e resulta nas imagens que

aparecem na bola de cristal. Assim, a obra não é apenas uma ferramenta de visualização conceitual das micro-trends em tempo real, mas também a rede interpretando-se a si mesma. Existem duas formas de interagir com a bola de cristal: 1) Tuitar incluindo a hashtag #crystalball — essas mensagens aparecerem ao redor da bola de cristal; 2) Interagir com a bola tocando nas imagens associadas às trending topics (TT). Quando clicada, a imagem é mostrada centralizada na bola e, ao seu redor, começam a aparecer as mensagens trocadas no Twitter, em tempo real, sobre aquela TT.

Este trabalho tem como objetivos: 1) Visualizar como o ato individual (de tuitar, por exemplo), que em um primeiro momento parece banal e isolado, cria, revela e afeta o que acontece no mundo, no todo; 2) Investigar como o que se apresenta nas trending topics (e que está acontecendo em tempo real) é traduzido ou perdido na tradução para imagens (conexão entre textos coletivos de micro-blogging e repertório imagético da rede); 3) Causar reflexão sobre a atuação das pessoas nas redes sociais, mostrando que: a) mesmo inconscientemente, elas estão atuando e afetando as tendências, ou seja, quer se queira ou não, se perceba ou não, cada ação na rede afeta o todo e tem consequências; e b) intencionalmente, todos podem participar e afetar a rede (por meio da hashtag #crystalball).

Este trabalho é uma obra transmídia alavancada pelo celular, pela web, pelo Google Images e pelo Twitter (mídia social), que se utiliza de duas interfaces de interação — uma reativa ‘touch’ visual (na web) e uma interativa (via telefone celular). Cada mídia e sua respectiva interface contribuem com uma parte do trabalho, utilizando suas potencialidades e formando a obra.

***

Este capítulo apresentou a transmídia na Arte por meio da análise de quatro trabalhos de arte desenvolvido pela autora, mostrando funcionalidades viabilizadas pelo ambiente tecnológico emergente, que fornece inúmeras possibilidades de plataformas conectadas e interativas.

O intuito aqui foi mostrar que a arte é afetada pelos processos transmidiáticos, que lhe conferem novas funcionalidades e possibilidades de experimentação e interação, expandindo o conceito de obra em si — que pode se desenvolver por cada vez mais plataformas que se integram (tanto online quanto offline, tanto analógicas quanto

digitais) — e as formas de contato com o público. A mesma pessoa pode experimentar a mesma obra de vários modos, participando de partes distintas do trabalho. Por exemplo, uma pessoa que gravou uma mensagem no moZaico de voSes, experimentando a entrada na obra por um processo aural via telefone, pode posteriormente interagir com a interface visual na web, vendo o mosaico e ouvindo as gravações de outros interatores.

CONCLUSÕES

Retomando nossas premissas e dúvida inicial: uma vez que a proliferação de tecnologias e plataformas digitais de comunicação e informação acrescentam novas possibilidades e complexidades à web, gerando novas formas de interatividade, hibridação e convergências entre arte e tecnologia, possibilitando criações artísticas que antes não eram possíveis; e, sendo diferente o modo de interação humano por meio das plataformas digitais emergentes do modo de interação nas mídias tradicionais, requerendo um tratamento diferenciado para se explorar suas plenas possibilidades potenciais; consequentemente, o cenário transmídia digital modifica o universo das criações artísticas, e vice-versa. De onde lançamos a dúvida inicial: Com a emergência e disseminação de plataformas e tecnologias digitais quais são as novas formas de criação e interação artísticas que ampliam o cenário de possibilidades criativas? Com a emergência e disseminação de plataformas e tecnologias digitais novas formas de criação e interação artísticas ampliam o cenário de possibilidades criativas. Há uma contribuição importante produzida pelas transmídias digitais, que criam poéticas e estéticas particulares somente possíveis no ambiente tecnológico atual, e que pode ser observada principalmente no desenvolvimento dos trabalhos práticos desta tese, que podem ser considerados como uma síntese desta proposição.

No capítulo 1 vimos que inúmeras transformações sociais e tecnológicas modificam a relação das pessoas com o mundo, mediadas cada vez mais por tecnologias digitais. A proliferação tecnológica e de conteúdos, a disseminação da conexão e mobilidade, alavancando o cibridismo, o tempo-real, o nowism, o big data e a `internet das coisas`, desenvolvem um ambiente cada vez mais propício para processos transmídia — interconectados e múltiplos.

O Big data, por exemplo, tem um potencial inusitado para exploração de processos de visualização de dados e e isto repercutirá nas práticas poéticas. Trabalhos de arte que usam o Google, como o Digital Oracles (GABRIEL, 2006), resultam do fenômeno do big

data e suas consequências. As funcionalidades de sistemas computacionais que o

ambiente digital oferece — zoom, busca, filtros, etc. — passam a fazer parte das mídias interativas, e dos trabalhos de arte, permitindo que o público não apenas participe, mas também altere e transforme as obras. Esta dimensão de participação do público em termos estruturais das obras de arte é uma característica favorecida pelo ambiente

digital, no qual bits se misturam de modo muito mais fluido e dinâmico do que em qualquer meio atômico. As potencialidades poéticas em decorrência disso são inétidas e incontáveis.

A cultura das telas interativas e da participação que se forma em função da evolução tecnológica também contribui para a propagação da transmídia, na arte ou em qualquer outra área do conhecimento. E, já que se tornou procedimento comum as pessoas ‘serem’ online, ou seja, estarem o tempo todo simultaneamente online e off-line (p. 24), elas em si geram processos transmídia. Pessoas usando os seus dispositivos móveis enquanto assistem à televisão demonstram este diferencial (p.181) provocado pelo fenômeno cross-screen.

As inúmeras plataformas e tecnologias digitais, atuais e emergentes, apresentadas e analisadas no capítulo 2 — mobile, redes sociais, buscadores, display, etc. — mostram a ampliação de opções midiáticas, de interação, de comunicação, de integração, etc., acrescentando diversidade e complexidade ao cenário tecnológico que emerge e se dissemina na vida cotidiana das pessoas. Os processos transmidiáticos utilizam as plataformas e mídias disponíveis — digitais ou não — e, assim, a miríade de possibilidades tecnológicas que emerge e sua inerente complexidade oferecem novas formas de experimentação e desenvolvimento.

Trabalhos como Crystal Ball são possíveis apenas no ambiente tecnológico atual — ele utiliza a busca (Google Images), as redes sociais (Twitter) e o mobile (para comunicação com o trabalho) de forma a criar uma poética participativa que depende tanto do interator quanto do big data e demais atores que fornecem o tsunami de dados usados para a formação do trabalho.

Os processos transmidiáticos, portanto, potencializados pelo ambiente hiperconectado e hiperinformacional em que estamos imersos, possibilitam a criação de trabalhos artísticos que não poderiam existir em outro cenário na era pré-digital. Dessa forma, a transmídia afeta a Arte, tanto nos processos de criação quanto em sua distribuição e consumo, em que a fragmentação de interações e significações é potencializada.

Assim, a arte é afetada pelos processos transmidiáticos, que lhe conferem novas funcionalidades e possibilidades de experimentação e interação, expandindo o conceito de obra em si — que pode se desenvolver por cada vez mais plataformas que se integram