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As novas tecnologias revolucionaram a capacidade de comunicação e processamento de informações, aumentando a capacidade de inovar e exigindo o maior desempenho econômico, tornando a gestão do conhecimento umas das preocupações deliberadas, sistemáticas e metódicas em muitas organizações públicas e privadas.

Desde o surgimento da gestão do conhecimento como disciplina e prática de gestão nas empresas em meado da década de 80 (SVEIBY; MARTINS, 2006, p. 2) diversos estudiosos procuram definir e criar modelos para sua execução, algumas dessas definições estão relacionadas no Quadro 2. Mas é claro que o capital produtivo - o conhecimento desempenha um papel preponderante para o desenvolvimento das organizações. Nas organizações públicas, em especial, assume um papel relevante no desenvolvimento econômico-social da nação e, deve ser explorado de forma efetiva para gerar riquezas. Terra (2009, p. 1) afirma que as “Organizações e países que compreendem bem a importância deste recurso tanto do ponto de vista econômico como social, trazem a gestão do mesmo para o pano de frente de suas políticas gerenciais e políticas”. Isto significa estratégias específicas para geri-lo segundo a definição abaixo:

Gestão do Conhecimento significa organizar as principais políticas, processos, ferramentais gerenciais e de tecnologia de informação à luz de uma clara compreensão dos processos de GERAÇÃO, IDENTIFICAÇÃO, VALIDAÇÃO, DISSEMINAÇÃO, USO e PROTEÇÃO dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados (econômicos) para a empresa E benefícios para os colaboradores e stakeholders (TERRA, 2009, p. 1-2).

Quadro 2 – Principais teorias sobre Gestão do Conhecimento

Autor Ano Concepção para Gestão do Conhecimento

Macintosh 1996 Gestão do Conhecimento envolve a identificação e análise do conhecimento requerido e disponível, bem como o subsequente planejamento e controle das ações para o desenvolvimento dos ativos de conhecimento necessários para atingir os objetivos da organização.

O’Dell 1996 Gestão do Conhecimento é a aplicação de uma abordagem sistemática para encontrar, compreender e usar conhecimento para criar valor.

Petrash 1996 Gestão de Conhecimento é obter o conhecimento certo para as pessoas certas e no momento certo, de forma que elas possam tomar a melhor decisão. Hibbard 1997 Gestão de Conhecimento é o processo de capturar a expertise coletiva da

empresa, onde quer que ele resida (bancos de dados, papel, no cérebro das pessoas) e distribuí-lo para qualquer lugar em que ele possa auxiliar a gerar o mais alto retorno.

Nonaka e Takeuchi 1997 É a capacidade que uma organização tem de criar conhecimento, disseminá- lo e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas.

Wiig 1997 É a construção, renovação e aplicação sistemática, explícita e deliberada do conhecimento para maximizar a efetividade relacionada ao conhecimento da empresa e o retorno sobre seus ativos de conhecimento.

Beckman 1998 Gestão do Conhecimento é a formalização do conhecimento e o acesso à experiência, conhecimento e expertise que criem novas capacitações, possibilitem uma performance superior, promovam a inovação e aumentem o valor para os clientes.

Chun Wei Choo 1998 Possui três processos fundamentais: (1) criação de conhecimento; (2) criação de significados; (3) tomada de decisão.

Davenport e Prusak 1998 É a coleção de processos que objetivam governar a criação, disseminação e uso do conhecimento para atingir os objetivos organizacionais.

Liebowitz 1999 Lida com a conceituação, revisão, consolidação, criação, combinação, coordenação e pesquisa do conhecimento.

Firestone e

McElroy 2004 Gestão do conhecimento é o conjunto de processos que busca a mudança dos padrões atuais de processamento de conhecimento da organização para melhorar tanto esse processamento quanto os outcomes de conhecimento. Fonte: Adaptado de (BARROS, [200-?], p. 4-5)

A gestão do conhecimento nas organizações públicas possui características específicas que devem ser observadas, principalmente pelas funções típicas de Estado. As práticas de gestão do conhecimento contribuem para a democratização das instituições governamentais, tornando-as mais participativas e ampliando os saberes dos indivíduos, da sociedade e das organizações. O Programa Nacional da Gestão Pública e Desburocratização – GESPÚBLICA define as funções da administração como:

[...] o conjunto das entidades que compõem o Estado, voltadas para a prestação de

serviços públicos e o atendimento das necessidades do cidadão e da coletividade. É constituída da administração direta e da administração indireta, está

formada por autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e organizações sociais. É subdividida em poderes (executivo, legislativo e judiciário) e em esferas (federal, estadual e municipal) (BRASIL, 2007b, p. 54, grifo nosso)

Esta definição deixa claro que o Estado tem suas funções voltadas para a sociedade e suas ações devem priorizar o bem-estar e o interesse social, inclusive quanto ao acesso à informação, assim, “[...] gerenciar o conhecimento tornou-se uma nova responsabilidade da

administração pública para que ela possa aumentar a efetividade dos serviços públicos e melhorar a sociedade a qual ela serve.” (WIIG, 2000, p. 3).

Para o Governo Eletrônico do Brasil (2004, p. 17), a gestão do conhecimento é um instrumento estratégico de articulação e gestão das políticas públicas, sendo definida como:

[...] como um conjunto de processos sistematizados, articulados e intencionais, capazes de assegurar a habilidade de criar, coletar, organizar, transferir e compartilhar conhecimentos estratégicos que podem servir para a tomada de decisões, para a gestão de políticas públicas e para inclusão do cidadão como produtor de conhecimento coletivo.

As distinções entre a gestão do conhecimento público e privado pode ser observada no quadro adaptado por Batista (2012, p. 15) que ressalta estas características, principalmente quanto aos seguintes aspectos da gestão do conhecimento: 1) dimensão cidadão-usuário e dimensão sociedade; 2) resultados da gestão do conhecimento; 3) inovação e políticas públicas; e 4) relação entre gestão do conhecimento e iniciativas em excelência em gestão. Quadro 3 - Diferenças entre gestão do conhecimento nas organizações públicas e privadas

Características Organizações públicas Organizações privadas

Fator condutor Supremacia do interesse público. São obrigadas a dar

continuidade à prestação do serviço público. Autonomia da vontade privada.

Orientação Estão sujeitas ao controle social (requisito essencial para a administração pública contemporânea em regimes

democráticos). Isso implica: i) garantia de transparência de ações e atos; e ii) institucionalização de canais de

participação social.

Fortemente orientadas para a preservação e proteção dos interesses corporativos (dirigentes e acionistas).

Tratamento

dos clientes Não podem fazer acepção de pessoas, devem tratar todos igualmente (princípio constitucional da impessoalidade) e com qualidade. O tratamento diferenciado restringe-se apenas aos casos previstos em lei.

Utilizam estratégias de segmentação de “mercado”, estabelecendo diferenciais de tratamento para clientes preferenciais.

Objetivo Buscam gerar valor para a sociedade e formas de garantir o desenvolvimento sustentável, sem perder de vista a obrigação de utilizar os recursos de forma eficiente.

Buscam o lucro financeiro e formas de garantir a sustentabilidade do negócio

Recursos São financiadas com recursos públicos, oriundo de

contribuições compulsórias de cidadãos e empresas, os quais devem ser direcionados para a prestação de serviços

públicos e a produção do bem comum.

Financiadas com recursos particulares que têm legítimos interesses capitalistas.

Destinatários Cidadãos, sujeitos de direitos, e a sociedade, demandante da

produção do bem comum e do desenvolvimento sustentável. Os “clientes” atuais e os potenciais.

Partes interessadas

Conceito é mais amplo. Inclui os interesses de grupos mais diretamente afetados, mas também o valor final agregado para a sociedade.

Conceito mais restrito. Incluem principalmente acionistas e clientes.

Poder de

regulação A administração pública tem o poder de regular e gerar obrigações e deveres para a sociedade, assim, as suas decisões e ações normalmente geram efeitos em larga escala para a sociedade e em áreas sensíveis. O Estado é a única organização que, de forma legítima, detém este poder de constituir unilateralmente obrigações em relação a terceiros.

Não têm esse poder.

Lei Só podem fazer o que a lei permite. A legalidade fixa os parâmetros de controle da administração e do administrador, para evitar desvios de conduta.

Podem fazer tudo que não estiver proibido por lei. Fonte: Adaptado de (BRASIL, 2010, p. 10-11 apud BATISTA, 2012, p. 16), Prêmio Nacional