As estratégias de comunicação desempenham um papel muito importante nos processos de interação oral. No contexto educativo, estas estratégias possibilitam o desenvolvimento da competência estratégica dos discentes e as suas produções ao nível da compreensão e produção de mensagens adequadas a diferentes situações comunicativas. Ao promover estratégias de comunicação, estamos a desenvolver a competência de aprendizagem do estudante, sendo que, “El foco de interés de las estratégias de aprendizaje está en el aprendizaje de la lengua, y el de las estratégias de comunicación está en su uso” (PINILLA, 2000:55).
Essas estratégias são usadas aquando do aparecimento de problemas na comunicação, ao nível lexical, pragmático, gramático, fonológico e sociolinguístico e são mais visíveis nos níveis iniciais de aprendizagem de uma língua estrangeira, sendo vistas como estratégias de compensação. Além disso, recorremos às estratégias de comunicação quando procuramos utilizar a língua da forma mais clara, eficiente e com o mínimo de esforço. Foi com este objetivo que apresentei aos alunos este tipo de estratégias, procurando desenvolver, ao mesmo tempo, a sua autonomia de aprendizagem das línguas e procurei com eles desenvolver este tipo de competência estratégica através da própria consciencialização do seu uso.
Tendo como ponto de partida, um material didático - Aprender para falar…Falar para aprender – desenvolvido por Manuela da Costa e Maria Barreiro para os Cadernos 5 do Grupo de trabalho – Pedagogia para a Autonomia (Vieira, 2008), baseei-me nas seguintes estratégias de comunicação:
Usar gestos para se exprimir;
Hesitar (hum) para ter tempo para pensar no que se vai dizer; Utilizar a língua materna;
Inventar novas palavras;
Tentar exprimir uma ideia de várias maneiras, com palavras conhecidas; Pedir ajuda ao interlocutor;
Pedir ao interlocutor para repetir ou explicar melhor; Repetir o que se disse para o interlocutor perceber melhor.
Na fase inicial de aprendizagem de uma língua estrangeira, a competência comunicativa dos alunos é obviamente insuficiente. No campo da interação oral, o aluno de LE pode sentir dificuldades como: não ser capaz de expressar o que deseja e não entender o que ouve. Daí que o docente deva apresentar aos estudantes formas de ultrapassar os diferentes tipos de problemas comunicativos.
Nesse sentido, desenhei a seguinte atividade de forma a introduzir as diversas estratégias de comunicação existentes. Através de um vídeo, os aprendentes viram um falante, não nativo, a utilizar a língua espanhola e, a partir daí, teriam de identificar certos aspetos da língua que ocorrem quando a utilizamos em interação com alguém. Dando seguimento à Tarefa final, Cuando sea grande, na qual a maioria dos rapazes demonstrou o desejo de tornar-se num
grande jogador de futebol, o vídeo (disponível em
http://www.youtube.com/watch?v=m7Pgy_oz2Vo) mostrava a entrevista de um canal espanhol a um jogador de futebol português, do Real Madrid, Fábio Coentrão. O jogador nortenho demonstrava claras dificuldades em falar espanhol, mas compreendia o que o jornalista lhe perguntava e assim como a mensagem geral que este pretendia transmitir.
Antes de visualizarem o vídeo, pedi aos discentes que identificassem algumas estratégias utilizadas pelo entrevistado para comunicar e ultrapassar as suas dificuldades. O grupo conseguiu identificar algumas estratégias, mesmo nunca tendo ouvido falar sobre elas anteriormente, tais como o recurso a palavras ou parte de palavras da língua materna; a invenção de novos vocábulos e alguma hesitação por parte do locutor. A reação dos discentes ao vídeo foi bastante positiva, não só porque o consideraram motivador, mas também porque se puderam dar conta que todos utilizamos estratégias de comunicação enquanto interagimos oralmente, mesmo uma grande estrela do futebol. De seguida, apresentei-lhes uma lista de estratégias às quais deveriam prestar atenção pois iriam preencher uma grelha com as estratégias utilizadas por Fábio Coentrão, após um novo visionamento da entrevista.
No final da atividade, que os alunos realizaram sem dificuldade, propus ao grupo um pequeno momento de reflexão, ainda de acordo com o tema das profissões, no entanto, mais orientado para o mercado de trabalho. Tendo em conta a crise, que se vive em toda a Europa, e nomeadamente em Espanha, após o ensino secundário, ainda que muitos espanhóis queiram seguir a sua área vocacional, hoje em dia, a maioria preocupa-se com as reais saídas profissionais dos cursos superiores. Mais do que nunca, analisar as possibilidades reais, de encontrar um emprego, é fundamental antes de escolher qualquer licenciatura. Antes de procedermos à troca de opiniões, sobre o tema, os alunos visualizaram o seguinte vídeo, intitulado La sorpresa, alusivo aos jovens espanhóis emigrantes espalhados pelo mundo (disponível em http://www.youtube.com/watch?vqxu5W4bj4I8).
Após a visualização do vídeo, que emocionou grande parte dos estudantes, lancei a seguinte pergunta: ¿Una vocación o el paro? Cuál la mejor opción para los jóvenes portugueses.
Durante a troca de opiniões, pedi-lhes que prestassem atenção às estratégias de comunicação que utilizavam com mais frequência e que recorressem às expressões de acuerdo/desacuerdo adquiridas nas aulas anteriores.
No final da aula, através do registo das estratégias de comunicação que os discentes assinalaram e afirmaram usar durante a discussão, analisei as tabelas preenchidas por 20 alunos e pude concluir que o grupo, em geral, recorre a muitas estratégias, muito provavelmente devido ao baixo nível de língua que ainda possuem, visto que se encontram num nível A1. Pude, ainda, verificar, que as estratégias mais utlizadas são: usar gestos; recorrer à língua materna; hesitar para ter tempo para pensar e adaptar o português ao espanhol, inventando novas palavras.
De acordo com os comentários proferidos pelos alunos, no final da aula, creio que esta atividade lhes permitiu estar mais conscientes destas estratégias comunicativas e, portanto, posso concluir que a minha intervenção lhes possibilitou desenvolver este conhecimento metacognitivo da língua que desconheciam. Um outro aspeto positivo que quero salientar é o facto do debate de ideias sobre ¿Una vocación o el paro? ter promovido, mais uma vez, momentos de reflexão entre o grupo e de ter criado um espaço para que pudessem expressar a sua opinião. Estes diálogos proporcionaram uma interação bastante profícua entre os aprendentes, uma vez que tiveram a oportunidade de discutir e partilhar as suas visões sobre temas atuais e do seu interesse, utilizando a Língua Espanhola.