4 Rekruttering og sosialisering inn i en kristen ideologi
4.1 Rekruttering og emosjonelle bånd
4.2.1 Diagnostisk innramming
Informação e conhecimento não são conceitos mutuamente excludentes. Isso já foi discutido por diversos autores (Brookes, 1990, Le Coadic, 1996, Popper, 1978, apud Robredo, 2003; Barreto, 2001), os quais concordam que os conceitos apresentam, dependendo do contexto, fronteiras difusas, complexas e às vezes inexistentes. De todo modo, deve-se acrescentar que a informação é um dos elementos básicos para a inteligibilidade dos processos sociais contemporâneos.
Como afirma Santos (2001, p.78), “todo o conhecimento implica uma trajetória, uma progressão de um estado A, designado por ignorância, para um ponto ou estado B, designado por saber”. Essa trajetória se efetua por meio de “um processo de troca de mensagens (fluxos) que supõe a construção de sentidos” (Kobashi; Tálamo, 2003, p. 10). No entanto, muitas vezes a circulação da informação, segundo Rodrigues (1993), não é recíproca e reversível, mas irreversível, posto que consiste na transmissão unidirecional de um saber entre alguém que é suposto saber, o destinador, e um ou mais destinatários que ignoram a mensagem ou o conjunto de mensagens transmitidas.
Barreto (2002) amplia o conceito dos fluxos ao afirmar que em uma das extremidades do processo há a criação da informação e, na outra, sua assimilação pelo receptor, aspectos inerentes à geração de conhecimento. As configurações que relacionam a informação com a geração de conhecimento são as que melhor explicam sua natureza, uma vez que se associam ao desenvolvimento do indivíduo e, por sua vez, à liberdade de decidir sobre sua vida. De acordo com o autor,
Quando adequadamente apropriada, (a informação) produz conhecimento e modifica o estoque mental de saber do indivíduo; traz benefícios para o seu desenvolvimento e para o bem-estar da sociedade em que ele vive (Barreto, 2002, p.70)
Barreto faz uma analogia entre a condição da informação e a condição da vida humana, citando Hanna Arendt
[...] a vida, a natalidade e a mortalidade, a mundanidade, a pluralidade e o planeta terra pertencem à condição humana. Para que haja condição humana Arendt relaciona três atividades: o labor, o trabalho e a ação. O labor é a atividade relacionada ao processo biológico, ou seja, sua condição humana é a vida, e sua qualidade é de um estoque inicial de informação que se acumula com a vida. O
trabalho corresponde à prática da troca em todos os sentidos para cumprir sua
permanência na terra. A condição humana do trabalho é a mundanidade. Uma das qualidades dessa condição é a criação, é o registro, em código próprio, da informação e de sua representação. Com a apropriação e elaboração da informação gera-se o conhecimento. A ação é a única atividade da condição humana que só pode ser praticada com outros homens. Corresponde à condição humana da pluralidade. A ação é a condição de toda a vida política do homem na terra. Nela exerce sua qualidade de inteligência para introduzir seu conhecimento no espaço em que convive. (Barreto, 2002, p.67)
Vista como bem na economia globalizada da contemporaneidade, a informação, conforme Kobashi e Tálamo (Op. cit. 2003), não é um bem material, mas um bem simbólico, porque se produz, organiza e circula fundada na linguagem. Assim como acontece com o bem material, no entanto, necessita de moeda de conversão para que circule e se efetue a transformação em conhecimento. A moeda de conversão é a cognição, em conjunto com o capital cultural, ou capital humano, conforme Stern (2000).
Os resultados dos estudos do Grupo de Pesquisas Sobre Bem Estar em Paises em Desenvolvimento, da Universidade de Bath, Reino Unido (2006) ilustram as questões acima referidas. Estão neles expostos os principais aspectos discutidos nas áreas econômicas, que convergem para a necessidade de desenvolver mecanismos que garantam a existência de bens comuns, de bens públicos e de bens públicos globais para a preparação para as mudanças sociais contemporâneas (UNESCO, 2006). Pode-se afirmar, nesse sentido, que a informação científica, uma vez preconizada como bem público, também se incluem nessas discussões, o que implica que as suas formas de circulação, acesso e uso sejam também públicos, viabilizados por sistemas de informação de acesso aberto e livre (Packer, 2005).
A relevância da informação e do conhecimento para apropriação social, na contemporaneidade, tem induzido o desenvolvimento de modelos para a transliteração (knowledge translation – forma de traduzir a informação científica) do conhecimento científico como insumo para apoio aos processos de tomada de decisão em saúde pública (Chunharas; Tugwell; Ebener; Landry; 2006). No caso da saúde, a demanda por informação científica expressa em linguagem reconhecível por leigos é um problema que deve receber atenção, mas é também importante verificar se a questão faz parte das preocupações dos grupos de apoio que atuam no país.
Retomando o tema pela ótica das formas de circulação social da informação e do conhecimento verifica-se, conforme Kobashi e Tálamo (Op. cit. 2003), que elas não podem ser dissociadas do campo da cultura ou, de acordo com Bourdieu (2006), dos princípios da construção do espaço social.
Para Rodrigues (1999, p.24)
o processo de circulação de informação torna-se internacional, o que significa que todos, independentemente do lugar onde vivem, podem assistir ao vivo aos acontecimentos, com a cobertura planetária efetuada por redes e satélites de comunicação.
Porém isso não significa que todos partilhem a mesma visão de mundo e a mesma representação da realidade. Nesse aspecto está o cerne dos fluxos informacionais: é necessário avaliar os estoques organizados e, principalmente, se o público tem capital cultural para ativá-los (Kobashi; Tálamo, 2003). Pode-se acrescentar que, no âmbito das trocas de informação, é a oferta que cria a demanda por informação. No contexto de um possível mercado, os produtores de informação são responsáveis pela oferta global que definirá a demanda nos diferentes níveis (Barreto, 1994). Dessa forma, considera-se fundamental promover a idéia de que o conhecimento depende tanto da informação quanto das habilidades e competências integradas de cognição e capital cultural (Kobashi; Tálamo, 2003).