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Development, Women’s Participation and Citizenship

In document Jessica Yamile Buendia Sanchez (sider 50-77)

Chapter 5: Discussion

5.3 Development, Women’s Participation and Citizenship

O lançamento pela Organização Mundial de Turismo (OMT), em outubro de 2012, de um relatório sob o título “Global Report on Aviation - Responding to the needs of new tourism markets and destinations” (United Nations World Tourism Organization [UNWTO], 2012a) evidencia que há muito que turismo e transportes andam associados. Nessa publicação, o secretário-geral da OMT deixa claro, nas suas palavras iniciais, a importância do transporte aéreo para o desenvolvimento do turismo, ao salientar que “o extraordinário crescimento do turismo internacional nas últimas décadas – de 25 milhões de turistas em 1950 para os 990 milhões em 2011 – é principalmente devido aos desenvolvimentos no transporte aéreo, assim como, ao crescimento da riqueza nos países industrializados e emergentes e às forças da globalização. Mais de metade de todos os turistas internacionais chegam aos seus destinos pelo ar e a OMT prevê mais 23 milhões de turistas por ano a usarem os céus desde hoje até 2030” (UNWTO, 2012a, p. 4).

Desde sempre a OMT enalteceu o papel que o transporte aéreo tem tido para o desenvolvimento do turismo, ao considerar que “o transporte aéreo e o turismo são parte integrante de um mesmo âmbito de produção, tráfego e consumo (...)”, sendo que considerava, já nessa data, que “(...) o setor dos transportes e do turismo é difícil de definir e de medir, porque é uma amálgama de atividades que estão associadas com muitos outros setores industriais.” (Wheatcroft & World Tourism Organization [WTO], 1994, p. 8).

Mas como refere Lumsdon e Page (2004), investigadores em transportes focam-se em assuntos de transportes, enquanto investigadores em turismo focam-se em turismo e nunca, na maioria dos casos, se dá uma combinação de ambos (p. 347).

Ao se investigar a participação das companhias aéreas de baixo custo – low cost carriers – para o desenvolvimento dos hostels, pretende-se dar um contributo adicional nesta ligação entre transportes e turismo, neste caso, nas vertentes de transporte aéreo e alojamento, tradicionalmente conotadas com o fenómeno low cost.

O principal objetivo passará por caracterizar o setor do turismo (com particular incidência para os hostels) e o setor da aviação comercial (não só ao nível das

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companhias aéreas de baixo custo mas nos vários modelos de negócio em transporte aéreo comercial), na conjugação destas duas vertentes, mas também pela importância que ambas representam para o desenvolvimento das economias mundiais, geração de emprego e mobilidade das populações.

Pretende-se, deste modo, responder à pergunta de partida que permita relacionar estes dois modelos de negócio, ou seja, saber se “as companhias aéreas de baixo custo

contribuíram para o desenvolvimento dos hostels”. Num sentido mais lato, importa

primeiramente conhecer qual o contributo que estas companhias aéreas deram para o turismo e, num sentido mais restrito (onde incidirá a problemática de investigação), se esse contributo foi igualmente importante para os hostels (e, indiretamente, para outros modelos de alojamento que, no presente caso, serão os estabelecimentos hoteleiros).

Aviação comercial Hostels Estabelecimentos hoteleiros Turismo (alojamento)

Low cost carrier (transporte aéreo regular)

Fonte: Elaboração própria

Fig. 1. Pergunta de partida – inter-relação de variáveis

A área de atuação está, como se depreende da figura supra, focada na componente de alojamento, onde incidirão os instrumentos de observação (hostels e hotelaria). Embora idêntica ação junto das companhias aéreas de baixo custo ajudasse a uma melhor caracterização da motivação dos clientes nas suas deslocações turísticas, a diversidade de motivações e objetivos dos passageiros a bordo dos aviões, levaria a elevada dispersão de meios, não compatível com o que efetivamente se pretende investigar. Em termos metodológicos, que será objeto de análise detalhada no capítulo 5, será tido em consideração, como base de trabalho, os procedimentos adotados por Quivy e Campenhouldt (2008) no seu Manual de Investigação em Ciências Sociais, cujo roteiro assenta em três atos que englobam as várias etapas do procedimento científico: a rutura, rompendo com os preconceitos e as falsas evidências; a construção, como um quadro de

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referência capaz de explicar a problemática em estudo; e, a verificação ou experimentação dos factos, com base na teoria construída e na confirmação ou rejeição das hipóteses formuladas.

Assim sendo, o percurso adotado ao longo desta investigação assentará, em grande medida, na estrutura metodológica proposta por Quivy e Campenhouldt (2008), consubstanciada nas sete etapas definidas e na interação, hierarquia e relação com os três atos do procedimento científico.

A figura seguinte visa delimitar o âmbito da investigação que, como se depreende, se encontra circunscrito a duas realidades bem definidas (companhias aéreas de baixo custo e hostels) e com relações a outros modelos de alojamento (os estabelecimentos hoteleiros, enquanto potenciais concorrentes, e as Pousadas de Juventude onde, além da concorrência, são o modelo de alojamento que está na génese dos próprios hostels).

Companhias aéreas regulares Companhias aéreas não regulares (charters) Companhias aéreas de carga Aviação Executiva (Business aviation) FSC LCC Empreendimentos

turísticos Alojamento local

Colónias de férias e Pousadas de Juventude Ald/ApT TER EH CjT PCC M Apt EHo (hostels)

Aviação Comercial Alojamento

Legenda: FSC – full service carriers; LCC – low cost carriers; EH – estabelecimentos hoteleiros; Ald/ApT – aldeamentos e apartamentos turísticos; TER – turismo no espaço rural; CjT – conjuntos turísticos; PCC – parque de campismo e caravanismo; M – moradias; Apt – apartamentos; EHo – estabelecimentos de hospedagem

Fonte: Elaboração própria

Fig. 2. Delimitação do campo de investigação

A esta delimitação junta-se igualmente os aspetos territoriais centrados nas cidades de Lisboa e Porto, como estudo de caso e aplicação dos aspetos conceptuais e metodológicos a ter em consideração ao longo desta investigação. Por outro lado, a sua relevância mostra-se acrescida, não só por se tratar de mercados recentes na operação das companhias aéreas de baixo custo (e em especial na criação das suas bases

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operacionais), mas também enquanto destinos onde a oferta e o aparecimento dos hostels é mais recente, fruto de uma legislação também ela recente.

Deste modo, a atualidade do tema leva igualmente à necessidade de enquadramento de fontes de informação não científicas, mas importantes para situar a sua evolução ao longo do tempo e enquadrar opiniões e afirmações sobre a sua relevância e contextualização.

Quando se iniciou esta investigação não existia enquadramento legal dos hostels e muito menos a definição das suas características. Quando se iniciou esta investigação a Ryanair não voava para Lisboa (e muito menos se pensaria que viesse a criar uma base operacional) e a easyJet não tinha base operacional no Porto. Do mesmo modo, o modelo de obrigações de serviço público para os Açores não estava definido e, mesmo havendo expectativa para a abertura às low cost (tema recorrente ao longo dos últimos anos), não seria expectável a criação de uma base operacional da Ryanair em Ponta Delgada. Como tal, muito mudou desde o início da investigação.

Mesmo assim, existem aspetos metodológicos e de revisão bibliográfica que serão devidamente enquadrados e fundamentados. No que respeita ao transporte aéreo, a sua análise versará, exclusivamente, como se evidencia na figura anterior, sobre o transporte regular de passageiros nos vários modelos de negócio (excluindo, como tal, o negócio de carga e correio e a aviação executiva), com especial ênfase nas companhias aéreas de baixo custo. Essa situação não deixará de enquadrar os aspetos decorrentes dos processos de liberalização, sem os quais estas companhias aéreas teriam maiores dificuldades de sucesso no mercado da aviação comercial, assim como, a sua ligação ao mercado charter, muitas vezes considerado, em aspetos de negócio e de custos, como a génese das companhias aéreas de baixo custo.

Dada a importância e o reflexo nas companhias aéreas tradicionais, far-se-á igualmente uma comparação com esse modelo de negócio e sobre as atuais tendências entre as companhias aéreas de baixo custo e estas, naquilo que já é comum definir-se como a “hibridização” do transporte aéreo.

No que aos hostels diz respeito, não se pode deixar de referir que este é ainda um modelo de alojamento recente no contexto nacional, que vê as suas características definidas no Decreto-Lei n.º 63/2015 de 23 abril, embora em forte crescimento nas

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principais cidades do país, regiões de praia, ou seja, onde exista uma forte presença de turismo jovem.

A caracterização deste modelo de alojamento em Lisboa e Porto, não só no lado da oferta mas também do lado da procura, permitirá um melhor conhecimento do perfil do hóspede e suas motivações, assim como do próprio produto a oferecer no mercado e seu posicionamento.

Do ponto de vista mais conceptual está-se, assim, perante uma investigação inovadora, numa área de contextualização relativamente pouco explorada, mas com forte desenvolvimento e alteração nos últimos anos e que, consequentemente, tem uma forte margem de progressão científica.

1.2. Objetivos

O principal objetivo desta investigação é o de contribuir para um melhor conhecimento da potencial relação entre aviação de baixo custo e um modelo de alojamento igualmente caracterizado de custo baixo, como são os hostels, investigação circunscrita e aplicada, em todo o caso, às cidades de Lisboa e Porto.

Assim sendo, alguns dos objetivos gerais inerentes ao tema visam:

 Efetuar uma revisão bibliográfica dos principais aspetos ligados à relação entre turismo e transporte aéreo, assim como, sobre o turismo jovem e a sua relação com o alojamento hostel;

 Caracterizar os modelos de negócio em aviação comercial e a sua relação e comparação entre si, dando especial ênfase às companhias aéreas de baixo custo;  Enquadrar e relacionar os modelos de negócios de baixo custo quer ao nível das

companhias aéreas quer do alojamento;

 Caracterizar os principais indicadores internacionais e sua evolução, relativos a turismo e transporte aéreo, assim como no contexto nacional;

 Avaliar o mercado das companhias aéreas de baixo custo nas cidades de Lisboa e Porto;

 Analisar o mercado do alojamento, com especial incidência para o alojamento local (onde se integram os hostels) nas cidades de Lisboa e Porto;

 Caracterizar o mercado dos hostels em Lisboa e Porto quer do lado da oferta quer da procura.

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A avaliação dos conceitos inerentes à investigação, sustentados em inquéritos à oferta e procura nos hostels e complementados com um inquérito à hotelaria e entrevistas a um painel de especialistas, serão a principal base de atuação que permitirão testar os principais aspetos conceptuais e as hipotéticas interações entre variáveis, materializadas nas hipóteses de investigação a testar empiricamente. Pretende-se, assim, que essas hipóteses possam dar resposta e validar os aspetos mais conceptuais na relação entre companhias aéreas de baixo custo, turismo e hostels (e no contributo que possam dar para o desenvolvimento desta relação) e mais operacionais na sua aplicação aos casos de Lisboa e Porto.

Espera-se, deste modo, que a presente investigação possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo das companhias aéreas de baixo custo em Portugal (onde alguma investigação tem surgido nos últimos anos) e, em menor escala, dos hostels turísticos, cujos primeiros trabalhos de investigação começam a surgir no mercado.

In document Jessica Yamile Buendia Sanchez (sider 50-77)