A hierarquia dos grupos de municípios em estudo foi obtida na etapa inicial da AA, por meio do seguinte dendrograma (figura 5):
Figura 5. Dendrograma de hierarquia de grupos de municípios de acordo com os indicadores
operacionais selecionados para o estudo.
Fez-se possível interpretar pelo gráfico de distâncias que a definição dos grupos ocorreu entre as distâncias 10 e 20 (Figura 6); o qual, no dendrograma, correspondeu a um corte de 3 grupos, o que definiu a estratégia a ser escolhida para a AA não-hierárquica.
6. Resultados 85
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Figura 6. Gráfico representativo das distâncias de ligação em degraus da análise hierárquica
de grupos de municípios de acordo com os indicadores operacionais selecionados para o estudo.
Após a aplicação da análise de variância, os indicadores “Proporção de casos novos
notificados pelo município de residência”, “Proporção de casos novos de TB pulmonar que fizeram baciloscopia de escarro no início do tratamento”, “Proporção de casos novos diagnosticados com confirmação bacteriológica” e “Proporção de óbito entre os casos novos com informação de desfecho” foram excluídos do modelo de AA não-hierárquico, de acordo
6. Resultados 86
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Tabela 1. Análise inicial de variância dos indicadores utilizados para discriminação dos
grupos na análise de agrupamentos por método não hierárquico com os indicadores propostos para o estudo, 2010.
Indicadores Entre
(SQ) GL
Dentro
(SQ) GL F Valor de p
Proporção de casos novos notificados pelo município de
residência
0,10319 2 4,467660 192 2,2174 0,111671
Proporção de realização do teste HIV entre os casos novos
0,53215 2 5,897054 192 8,6631 0,000250*
Proporção de teste HIV em andamento entre os casos novos
0,06958 2 0,997281 192 6,6979 0,001542*
Proporção de casos novos de TB pulmonar que fizeram baciloscopia
de escarro no início do tratamento
0,03169 2 1,630668 192 1,8656 0,157599
Proporção de casos novos diagnosticados com confirmação
bacteriológica
0,01779 2 4,028279 192 0,4240 0,655033
Proporção de comunicantes examinados entre os comunicantes
dos casos novos identificados
0,46973 2 8,180945 192 5,5121 0,004703*
Proporção de TDO indicado entre os casos novos
18,51430 2 4,631435 192 383,7628 0,000000*
Proporção de efetivação de TDO entre os casos novos com indicação
19,84651 2 6,090336 192 312,8342 0,000000*
Proporção de cura entre os casos novos com informação de desfecho
0,15742 2 2,333774 192 6,4755 0,001899*
Proporção de abandono de tratamento entre os casos novos
com informação de desfecho
0,07568 2 1,235021 192 5,8831 0,003313*
Proporção de óbito entre os casos novos com informação de desfecho
0,00512 2 1,431571 192 0,3430 0,710041
*p<0,05
Os valores finais de p para a análise de variância apos exclusão dos indicadores supracitados estão registrados na tabela 2.
6. Resultados 87
87
Tabela 2. Análise final de variância dos indicadores utilizados para discriminação dos grupos
na análise de agrupamentos por método não hierárquico após exclusão dos indicadores que não apresentassem significância estatística, 2010.
Indicadores Entre
(SQ) GL
Dentro
(SQ) GL F Valor de p
Proporção de realização do teste
HIV entre os casos novos 0,56375 2 5,865455 192 9,2269 0,000149* Proporção de teste HIV em
andamento entre os casos novos 0,07372 2 0,993138 192 7,1263 0,001034* Proporção de comunicantes
examinados entre os comunicantes dos casos novos identificados
0,56971 2 8,080959 192 6,7681 0,001444* Proporção de TDO indicado entre
os casos novos 14,41371 2 8,732019 192 158,4646 0,000000* Proporção de efetivação de TDO
entre os casos novos com indicação 22,01787 2 3,918984 192 539,3528 0,000000* Proporção de cura entre os casos
novos com informação de desfecho 0,09650 2 2,394698 192 3,8684 0,022540* Proporção de abandono de
tratamento entre os casos novos com informação de desfecho
0,06887 2 1,241836 192 5,3240 0,005619*
*p<0,05
Foram formados três grupos a partir da AA: o grupo 1 foi composto por 63 municípios (32,3%), o grupo 2 por 43 municípios (22,1%) e o grupo 3 por 89 municípios (45,6%) (Apêndice II).
Em relação aos indicadores de desfecho de tratamento inclusos na análise final, identifica-se que o cluster 1 apresentou a menor taxa de cura e a maior taxa de abandono entre os grupos, acompanhado da menor proporção de pacientes indicados ao TDO e uma efetivação da supervisão ainda mais baixa. Dentre os grupos, também apresentou a menor realização de testagem HIV, com a maior proporção de exames registrados como “em andamento” e a menor proporção de comunicantes examinados dentre os identificados. Por estes motivos, este grupo foi caracterizado como de desempenho insatisfatório.
O grupo 2 foi identificado por uma menor indicação de TDO entre os casos novos e uma pior efetivação, com, no entanto, indicadores de desfecho e em relação aos exames de HIV e avaliação de contatos próximos ao do grupo 3. O grupo 2 foi caracterizado como o de desempenho regular.
6. Resultados 88
88
O grupo 3 esteve caracterizado pela maior proporção de indicação de pacientes ao TDO e a maior efetivação quando comparado com os outros grupos, com os melhores indicadores de desfecho em relação aos demais grupos. Este é o grupo que também apresentou as maiores proporções de testagem de HIV e de avaliação de contatos. Por estes dados, este grupo foi caracterizado como de desempenho satisfatório.
A caracterização de cada grupo foi realizada por meio da visualização dos centróides (figura 7) e das médias dos indicadores operacionais para cada grupo (tabela 2).
Figura 7. Centróides referentes aos grupos formados pelo método não hierárquico, São Paulo
(2010)
Os valores do teste F e os resultados da comparação de médias foram representados na tabela 6. A comparação de médias identificou diferenças entre os grupos 1 e 3 no que concerne à todos os indicadores operacionais inclusos no estudo, a saber: indicadores de desfecho (cura, com p=0,0261; e abandono, com p=0,0061); realização de testagem de HIV (p=0,0000) e proporção de testes de HIV em andamento (p=0,0000); avaliação de comunicantes (p=0,0000). Em relação à indicação de TDO e sua efetivação, o teste de Tukey identificou diferenças entre todos os grupos (p=0,0000). Além das questões relativas ao TDO, o grupo 1 e o grupo 2 apenas diferiram em relação a proporção de testes HIV em andamento (p=0,0460).
6. Resultados 89
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Tabela 3. Média dos indicadores operacionais de acordo com os grupos de municípios,
Estado de São Paulo, 2010.
Indicador Grupo 1 (n=63) Grupo 2 (n=43) Grupo 3 (n=89) Teste F Média±DP Média±DP Média±DP
Proporção de realização do teste HIV entre os casos novos
75,0±22,6 a 82,6±13,9 ab 87,3±14,6 b 0,0001**
Proporção de teste HIV em andamento entre os casos novos
5,0±12,0 a 1,6±3,7 b 0,6±2,3 b 0,0010** Proporção de comunicantes examinados entre os comunicantes
dos casos novos identificados
73,2±25,5 a 80,7±18,5 ab 85,6±17,3 b 0,0014**
Proporção de TDO indicado entre os casos novos 17,5±15,4 a 60,5±22,0 b 79,7±24,4 c 0,0000**
Proporção de efetivação de TDO entre os casos indicados
6,1±12,9 a 42,8±18,8 b 83,0±12,7 c 0,0000**
Proporção de cura entre os casos novos com informação de desfecho
78,9±10,5 a 79,8±13,2 ab 83,7±10,5 b 0,0225**
Proporção de abandono de tratamento entre os casos novos com informação
de desfecho 10,4±9,4 a 9,5±8,3 ab 6,3±6,7 b 0,0056**
**Letras diferentes indicam médias estatisticamente diferentes pelo Teste de Tukey (p<0,005)
6.3. Análise do desempenho dos programas municipais de controle da TB segundo