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Development of expertise

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2 Literature Review

2.4 Development of expertise

Para Orem (2001), todos os seres humanos são capazes de aprender e são motivados pela busca da aprendizagem e pelo exercício das habilidades intelectuais e práticas para gerirem-se e para exercerem cuidados em seus dependentes. No início da construção de sua teoria, a autora enfocou formalmente o autocuidado e desenvolveu as principais concepções do seu constructo (DENYES, OREM e BEKEL, 2001). Assim, para sua compreensão, faz-se necessário a definição dos seus conceitos relacionados, como os de autocuidado, ação de autocuidado, fatores condicionantes, requisitos para o autocuidado, demanda terapêutica de autocuidado e déficit de autocuidado.

O autocuidado deve ser realizado de forma efetiva para manter a integridade e o funcionamento estrutural humano e para, dessa forma, prosseguir no desenvolvimento pessoal, no aperfeiçoamento e no amadurecimento no decorrer da vida. É uma prática apreendida e uma ação deliberada realizada de forma contínua de acordo com os estágios de crescimento, amadurecimento, estado de saúde e fatores ambientais do indivíduo (OREM, 2001). Assim, ao longo da vida, o autocuidado é aprendido e ajustado continuamente a depender da fase de desenvolvimento, dos recursos disponíveis e das necessidades da pessoa.

Para Orem (2001), ação de autocuidado é a competência do indivíduo para engajar-se no cuidado de si mesmo e envolve atitudes de tomada de decisões voluntárias e intencionais. É a capacidade humana na promoção do autocuidado. O empenho da pessoa nas ações de autocuidado são influenciadas por fatores ditos como condicionantes básicos, citados por Salcedo-Álvarez et al (2012), George (2000) e Akyol et al (2007) como sendo a idade, o sexo, o estado de desenvolvimento, o estado de saúde, a orientação sociocultural, os fatores ambientais e sociais e a disponibilidade de recursos. Assim, o início, o desempenho e a habilidade de envolver-se nas ações de autocuidado estão sujeitas a esses fatores. Dependendo do estado de desenvolvimento e da saúde do indivíduo, as ações de autocuidado podem ser desenvolvidas pelo próprio indivíduo ou desempenhadas por outra pessoa. Nesse sentido, o termo agente de autocuidado refere-se àquele que executa o próprio autocuidado, ou seja, tem a autonomia de desenvolver ações de cuidado para si mesmo (DENYES, OREM e BEKEL, 2001; AKYOL, ÇETINKAYA, et al., 2007; SALCEDO-ÁLVAREZ, GONZÁLEZ- CAAMAÑO, et al., 2012)

As ações de autocuidado têm certos propósitos específicos a serem alcançados, denominados requisitos de autocuidado, que são agrupados por Orem em três categorias que se relacionam entre si: requisitos universais, de desenvolvimento e de desvios de saúde (BUB, MEDRANO, et al., 2006; LARA, LIMA, et al., 2009). Assim, as ações de autocuidado visam atender esses requisitos de modo a satisfazer as condições básicas que serão necessárias para a manutenção da vida, da saúde e do bem-estar (OREM, 2001).

Os requisitos universais de autocuidado são considerados como atividades do cotidiano solicitadas por todos os indivíduos em todas as fases do ciclo vital e estão associados aos processos de vida que buscam manter a estrutura, a integridade e o funcionamento do ser humano. São ditas como imprescindíveis e essenciais para exercer o autocuidado e abarcam os elementos físicos, psicológicos, sociais e espirituais essenciais da vida (DENYES, OREM e BEKEL, 2001; SALCEDO-ÁLVAREZ, GONZÁLEZ- CAAMAÑO, et al., 2012; BUB, MEDRANO, et al., 2006; LUCA, 2012; DIÓGENES e

PAGLIUCA, 2003; FELIX, NÓBREGA e SOARES, 2009). Orem (2001) analisou-os e categorizou-os segundo as condições para oxigenação, hidratação, alimentação, eliminação, atividade e repouso, isolamento e interação social, risco à saúde e ao bem-estar e promoção da saúde. Esses requisitos são alcançados através do autocuidado ou do cuidado de dependente (ALLIGOOD, 2014; OREM, 2001, p. 225)

Os requisitos de desenvolvimento são condições necessárias ou ações de autocuidado voltadas para as adaptações às situações do ciclo vital. Relacionam-se às demandas que surgem em situações normais ou de crise ao longo da vida do indivíduotais como, a infância, adolescência, divórcio, gravidez, situações de mudanças no curso da vida e que devem ser acomodadas para promover o desenvolvimento da pessoa (OREM, 2001; SOUSA, SILVA, et al., 2012; FELIX, NÓBREGA e SOARES, 2009; LEOPARDI, 1999). São citados por Bub et al (2006) e George (2000) como particularizações ou expressões especializadas dos requisitos universais ou de novos requisitos derivados de uma nova condição ou associados a um evento. Referem-se também às necessidades de prevenção, adaptação ou redução dos efeitos deletérios de condições que possam afetar o desenvolvimento, como doenças crônicas por exemplo (OLIVEIRA, 1995; LUCA, 2012; MOLINA e SUAZO, 2009).

Salcedo-Álvarez et al (2012) citam nove situações relevantes que podem interferir no desenvolvimento humano e na capacidade de autocuidado: privação educacional, problemas de adaptação social, perda de familiares ou amigos, perda de bens ou de trabalho, mudança brusca de condição de vida, alteração da posição social ou econômica, doença ou invalidez, doença terminal e perigos ambientais.

Já os requisitos de desvios de saúde associam-se às necessidades de autocuidado que são requeridas na presença de processos patológicos e no seu tratamento, bem como em situações de incapacidades e limitações (OREM, 2001; ALLIGOOD, 2014). São exigências de autocuidado que aparecem quando o processo de vida normal é interrompido. Segundo Farias e Nóbrega (2000 citados por Rodrigues, 2006), estão vinculados aos problemas de ordem funcional, genética, relacionados ao diagnóstico clínico e ao tratamento e incluem as condições de saúde, a doença e o tratamento para corrigir essa situação (RODRIGUES, 2006). De acordo com Orem (2001), os requisitos de desvios de saúde englobam busca de autocuidado, modificação do autocuidado, consciência dos efeitos da enfermidade, realização do autocuidado e busca de novos modos de autocuidado. A autora complementa as ações requeridas nas condições de desvios de saúde como sendo a busca e garantia de assistência médica adequada, a conscientização e atenção aos efeitos e resultados de condições em

estados patológicos, execução de medidas prescritas, conscientização de efeitos desagradáveis dessas medidas e modificação do autoconceito ou da autoimagem (OREM, 2001, p. 234)

A totalidade de ações de autocuidado a serem desempenhadas visando à satisfação dos requisitos de autocuidado universais, de desenvolvimento e de desvios de saúde são consideradas como demandas de autocuidado (OREM, 2001). Logo, esse conceito relaciona- se a todas as ações necessárias para preencher as exigências de autocuidado no intuito de manter a vida e devem ser trabalhadas, controladas ou modificadas no indivíduo com vistas à regularização do funcionamento e do desenvolvimento humanos (CADE, 2001). Olivella- Fernández, Bastidas-Sánchez e Castiblanco-Amaya (2012) complementam que as demandas de autocuidado variam de acordo com os requisitos de cada indivíduo, desta forma, destacam o quanto é essencial conhecer os requisitos de autocuidado em cada condição de saúde e particularmente em cada pessoa (OLIVELLA-FERNÁNDEZ, BASTIDAS-SÁNCHEZ e CASTIBLANCO-AMAYA, 2012)

Assim, o déficit de autocuidado existe quando a demanda de autocuidado excede a capacidade de autocuidado do indivíduo, ou seja, é o conjunto dos requisitos que o indivíduo não pode desempenhar e o que falta para atender (cobrir) a demanda terapêutica exigida. Alligood (2014) acrescenta que o déficit existe quando as atividades de autocuidado não são operáveis ou adequadas para preencher a necessidade de autocuidado existente. Nesse caso, o indivíduo necessita de auxílio para superar ou eliminar o déficit ou de outra pessoa para fazer por ele, podendo ser um cuidador, bem como a equipe de enfermagem (OREM, 2001).

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